As pequenas coisas, feitas de modo constante, criam maior impacto

3, setembro, 2010 Guilherme 1 comentário

O título que ilustra esse artigo é um oferecimento de David Allen, que, no livro Gerencie sua mente, não seu tempo, resenhado no blog, o coloca como um dos 52 princípios do código da produtividade (é o 49º, para ser mais exato). O progresso significativo reside em fazer pequenos atos, de modo disciplinado. Poupar e investir, mensalmente, parte do que você ganha, é condição essencial para ter uma aposentadoria mais robusta. Alimentar-se com frutas e verduras é parte do caminho para ter um sistema digestivo mais eficiente. Fazer caminhadas, nem que sejam de 15 minutos todo dia, é essencial para ter um aparelho cardiovascular mais resistente e imune a ataques cardíacos e problemas coronarianos. Passar num concurso público é resultado de pequenas horas por dia de dedicação e atenção concentrada nos livros, aulas e apostilas.

David Allen diz que (p. 179):

“O fato complicador é que atitudes negativas igualmente pequenas e constantes criam consequências indesejáveis significativas [...] Pequenas coisas, que permanecem sem verificação, podem criar alguns dos piores problemas”.

A prática regular produz resultados tanto positivos quanto negativos. Estive meditando sobre isso, e vi que de fato é verdade. É simples, mas é crucial. Você certamente conhece alguém que sofreu um AVC ou passou a ter problemas de pressão alta. Isso veio do nada ou foi fruto de um estilo de vida desregrado? Provavelmente a resposta se encaixará na segunda alternativa.

Um problema de saúde, deixando de lado considerações sobre fatores genéticos, não surge do nada. Ele é sobretudo o resultado, o resultado de hábitos arraigados e incorporados ao estilo de vida de uma pessoa. Se você se estressa todo dia por conta de pequenos problemas no trabalho e no trânsito, vai acumulando, ainda que de modo inconsciente, toxinas em seu corpo, que trazem desgaste não só para seus órgãos internos, como também acaba sendo transmitido para sua mente. É a tal das doenças psicossomáticas, que aflige tantas pessoas hoje em dia, e que se manifesta em doenças como depressão.

Da mesma forma, um endividamento não é resultado de uma suposta “geração espontânea” de dívidas. Foi resultado de pequenos atos de consumo exagerado do dia-a-dia, de assumir prestações que, embora pudessem “caber no bolso”, acabaram prejudicando outros itens de consumo que você gostaria de ter. David Allen está certo: são as pequenas coisas, feitas de modo constante, que criam o maior impacto em nossas vidas.

E, ao final, conclui:

“De um jeito ou de outro, as pequenas ações em que nos envolvemos com regularidade são o elemento central dos principais resultados que obtemos.”

O legal desse capítulo são as duas perguntinhas básicas que ele faz ao encerrar os comentários sobre esse código nº 49. São elas:

“Lembre-se de uma mudança positiva, permanente e significativa que ocorreu em sua vida. Quais pequenas coisas você fez constantemente que criaram ou possibilitaram essa mudança?

Talvez você tenha saído das dívidas e começado a se tornar uma pessoa investidora. Isso não foi fruto do acaso. Foi o resultado da prática de uma série de pequenos atos, realizados de modo regular. O corte do cafezinho depois do almoço, a resistência à tentação de fazer um upgrade no seu serviço de TV por assinatura, o cancelamento da assinatura de algum jornal ou revista, a substituição do almoço em restaurante pelo almoço em casa, a compra de produtos genéricos em farmácia, o uso de sebos virtuais para comprar livros…

Ou então talvez você tenha melhorado sua saúde física. Mas ela não veio por obra do destino: “ó, se olha no espelho e veja que nova pessoa você se tornou”. Ela foi resultado de dedicação aos treinos na academia, melhora na qualidade do sono, hábitos alimentares mais saudáveis, corte do consumo de refrigerante, que ficou só para o final de semana, consumo de mais água… pequenos atos, que no final das contas resultaram em uma brutal diferença em sua condição física.

Seu blog tem a visitação atual não por coincidência do destino. Ele foi fruto de muito conteúdo produzido, ao longo de vários meses. Conteúdo original, escrito de forma criativa, que despertou a atenção dos leitores. São os pequenos artigos, escritos com frequência semanal, que lhe proporcionaram ter a visitação que tem hoje.

Mas a melhora foi em sua carreira profissional, oriunda da aprovação em um concurso público. O gabarito caiu do céu? É claro que não! A aprovação foi resultado de 4 horas de estudo por dia, de segunda a domingo. Leitura de 20 páginas por hora. Questões e exercícios sendo resolvidos a cada final de semana. Pequenos sacrifícios, realizados ao longo de alguns anos, resultaram em uma excelente conquista.

“Neste momento, que pequena coisa, se for uma atividade regular, lhe traria um enorme benefício?” (segunda pergunta)

O que mais você quer conquistar em sua vida? Quais são seus próximos sonhos? Quais são suas ambições? É alcançar a independência financeira? É iniciar um negócio próprio? É passar em outro concurso público ainda melhor? É casar e ter filhos? É aumentar ainda mais a visitação ao seu blog? Então mãos-à-obra!

Hoje, quando chegar em casa, dedique pelo menos duas horas para esse sonho. Coloque no papel tudo o que você deseja realizar. Estabeleça um cronograma de ações. Veja o que você precisa estudar, comprar, praticar. E então aja. Faça acontecer. E dê seus passos, um de cada vez, todos os dias da semana. Cheque seu progresso diário, semanal e mensal. Faça avaliações periódicas acerca do cumprimento de seus planos. Teste suas aptidões. Desenvolva suas habilidades. Aprenda coisas novas.

A questão pode até não ser iniciar um projeto novo, mas dar impulso a um já existente. Troque aquele refrigerante por um copo de suco. Vá à academia no próximo horário livre em que estiver disponível. Faça seu aporte no fundo de ações/previdência/renda fixa assim que tiver um computador em mãos. Escreva um artigo para seu blog com aquele conteúdo que você estava pensando há semanas – e não se preocupe em fazê-lo “perfeito”, afinal, o ótimo é inimigo do bom. Dê um jeito de uma vez por todas naquela bagunça que está seu guarda-roupas. Vá completar o estudo daquele livro ou tema que ficou pela metade. Não espere que alguém transforme sua realidade física: faça você mesmo e veja o resultado acontecer!

Tudo o que for realizado, de modo constante e disciplinado, contribuirá para que, a cada dia que passar, você se aproxime cada vez mais da realização de seu sonho. E verá que, no final das contas, o que eu disse no começo desse texto, parafraseando David Allen, faz todo o sentido: são os pequenos gestos, realizados de modo constante, que produzem os maiores resultados. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Um item que desequilibra qualquer orçamento doméstico: o excesso de refeições fora de casa

2, setembro, 2010 Guilherme 2 comentários

Eu vou confessar uma coisa: eu gosto de comer em bons restaurantes. De preferência, em um ambiente não muito barulhento, para poder conversar, e com pratos de qualidade, para saborear. Se você for como eu, ou seja, gosta também de realizar tal tipo de atividade, você já parou para prestar atenção no custo que isso tem no seu orçamento doméstico?

Dizendo isso em outras palavras: será que você não está exagerando nas refeições fora de casa? Eu não estou falando apenas dos almoços que você faz no restaurante self-service por quilo mais próximo de seu local de trabalho – afinal, muita gente não almoça em casa por pura necessidade, tendo em vista que perderia muito tempo no trânsito entre a casa e o local de trabalho. Eu falo, sobretudo, dos jantares de final de semana, para reuniões sociais com amigos e a própria família – esses jantares, sim, costumam fazer um rombo no orçamento doméstico.

Exemplificando: se você tem cônjuge e dois filhos, uma saída para um restaurante deve custar em torno de R$ 100 a R$ 150, incluindo nessa conta os pratos, as bebidas e os 10%, ou seja, de R$ 25 a R$ 37,50 por cabeça – isso sem contar estacionamento, combustível e gorjetas. Se você sair para jantar fora uma vez por semana, mantendo essa média, seus gastos com restaurantes podem chegar facilmente a algo como R$ 400 a R$ 600. Em um único mês! No ano, mantendo essa média, a conta total vai variar de R$ 5 mil a R$ 7 mil.

Se você é solteiro(a), não pense que essa conta irá fechar tão facilmente. É que os pratos individuais costumam ser mais caros, em termos proporcionais, que os pratos para duas pessoas. E como ninguém, em sã consciência, escolhe um prato sem olhar o lado direito dos cardápios, a conta individual pode variar de R$ 25 a R$ 40, dependendo, é claro, de uma série de fatores. Num mês, a conta pode sair fácil fácil em R$ 100 – ou mais. Quanto mais saídas para almoçar/jantar fora, maior o peso que esse item terá em seu orçamento doméstico.

A solução para diminuir o rombo no orçamento doméstico não consiste apenas em diminuir os jantares fora de casa, mas, sobretudo, a de manter o convívio social com um custo mais baixo. Fazer refeições dentro de casa, ou melhor, aprender a cozinhar para os amigos pode ser uma saída muito útil. A Internet está cheia de dicas de como preparar pratos, a TV passa programas muito legais sobre gastronomia – vide alguns programas do GNT e do Discovery Travel & Living. As bancas de jornal contêm diversas revistas de como preparar os mais incríveis pratos. Será que não estaria na hora de pelo menos experimentar essa aventura na cozinha, para ver como é que é, se realmente o negócio funciona?

Tudo pode sair mais divertido, mais aconchegante e, sobretudo, mais econômico. A diversão será a mesma – ou até maior, visto que, depois dos comes e bebes, vocês ainda podem assistir alguma coisa legal na TV ou então ver fotos da última viagem, jogar games de tabuleiro (existe uma versão novíssima do Banco Imobiliário, até com maquininha de cartão de crédito, que tal?), dentre outras opções interessantes e baratas de passar o tempo.

Se mesmo assim você não dispensa “aquela” saída com os amigos, uma solução intermediária seria a de dividir petiscos e lanches. São mais baratos que os pratos, podem não matar tanto a fome quanto estes, mas, em compensação, proporcionam também o mesmo tipo de convívio social.

No caso de famílias, uma alternativa interessante é criar um “domingo no parque”, com direito a piquenique e tudo o mais. Economize dinheiro nas refeições, mas não economize tempo no convívio com a família/amigos. O segredo é ter atitudes inteligentes que façam você ter mais dinheiro no bolso no final do mês, mas sem se privar de relacionamentos sociais, que são sempre sadios e agregam valor à sua vida.

Boas refeições! :)

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Isso é o que faz Warren Buffett ser “o” cara…

1, setembro, 2010 Guilherme 5 comentários

Navegando por acaso no Twitter do Trent Hamm, fundador do The Simple Dollar, me deparei com uma carta publicada pelo Warren Buffett, situada num contexto onde ele convoca as famílias mais ricas dos Estados Unidos a doarem parte de suas fortunas para a filantropia, num movimento conhecido como The Giving Pledge, que tem até site próprio na Internet. A carta original pode ser lida aqui. Abaixo, vai uma tradução livre de parcela substancial da referida carta (os destaques ficam por minha conta):

“Alguns bens materiais tornam minha vida mais agradável. Muitos, no entanto, não a tornariam. Eu gosto de ter um jatinho particular, mas possuir uma meia dúzia de casas seria um fardo. Muito freqüentemente, uma vasta coleção de posses acaba possuindo seu proprietário. O ativo que eu mais valorizo, além da saúde, é um conjunto interessante e bem diversificado de amigos de longa data.

Minha riqueza vem de uma combinação de vida na América, alguns genes de sorte, e juros compostos. Os meus filhos e eu ganhamos o que eu chamo de loteria ovariana (para iniciantes, as chances contra o meu nascimento em 1930 eram de pelo menos 30 para 1. Ser do sexo masculino e branco também foram fatores que removeram os obstáculos enormes que a maioria dos americanos então tiveram que se confrontar.

Minha sorte foi acentuada por viver em um sistema de mercado que às vezes produz resultados equivocados, embora em geral sirva bem ao nosso país. Eu trabalhei em uma economia que recompensa quem salva a vida de outras pessoas em um campo de batalha com uma medalha, premia um grande professor com notas de agradecimento aos pais, mas recompensa sobretudo aqueles que podem detectar a má precificação dos títulos, com somas atingindo a bilhões.

O sentimento da minha família e meu próprio diante de nossa extraordinária sorte não é de culpa, mas sim de gratidão. Se usarmos mais de 1% do meu patrimônio líquido para nós mesmos, nem a nossa felicidade, nem o nosso bem-estar seriam reforçados. Em contrapartida, os restantes 99% podem ter um enorme efeito sobre a saúde e o bem-estar dos outros. Essa realidade apresenta uma conclusão óbvia para mim e para minha família: manter o suficiente para suprir nossas necessidades, e distribuir o restante para a sociedade, para as suas necessidades. Minha promessa começa aqui.”

This is Warren Buffett. :)

Em poucos parágrafos, Buffett sintetiza algumas das lições mais importantes acerca de temas como investimentos (aproveitar os juros compostos para criar sua base de riqueza, detectar distorções nos mercados para lucrar), frugalidade (“uma vasta coleção de posses acaba possuindo seu proprietário”) e missão (sentimento de gratidão por tudo o que conquistou).

Buffett aborda ainda um ponto que é, de longe, o mais esquecido e menos comentado quando se trata de finanças pessoais: doação. Muitas vezes, na busca frenética pela independência financeira, as pessoas se esquecem (ou se omitem de propósito) de doar parte de seus ganhos para instituições filantrópicas, projetos humanitários e contribuições para sua igreja local. Ser mesquinho não combina com a personalidade de quem busca a independência financeira. Você faz doações regularmente? Ou 100% do que você ganha é usado em benefício próprio!? Cuidado, pois o preço do egoísmo costuma ser cobrado nos momentos mais impróprios, imprevistos e urgentes…

Esse projeto de filantropia liderado por Buffett e Gates é um dos maiores legados – senão o maior – que Buffett está deixando à sociedade. Não é à toa que ele é uma lenda viva do mundo das finanças. E esse é um dos motivos que o fazem ser “o” cara. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Dando nomes aos bois (digo, aos fundos): 3 fundos referenciados DI não muito caros

31, agosto, 2010 Guilherme 10 comentários

Um blog de finanças pessoais, se ficar falando só “sobre princípios gerais de uma boa educação financeira”, “teoria abstrata das variáveis macroeconômicas”, e assuntos congêneres, não irá conseguir atrair a atenção do leitor por muito tempo. Isso porque o leitor quer, além da explicação de assuntos abstratos, de dicas mais concretas, que tenham a ver com a sua realidade do dia-a-dia.

Uma das coisas que aprendi ao ler o fantástico livro “Idéias que colam”, resenhado por aqui há algum tempo, foi essa: uma das características das idéias que colam é justamente a concretude, a capacidade de ser palpável aos olhos do leitor. Eu gosto muito de blogs como o Aquela Passagem e o Efetividade.net justamente por isso: pela capacidade de serem totalmente aderentes à realidade física do dia-a-dia do leitor. E, para alcançarem esse nível de concretude, é indispensável fazer a citação de marcas, lojas e empresas.

Vamos, então, fazer aqui a citação de 3 fundos referenciados DI que não são muito caros, e que também não exigem altas quantias de dinheiro para aplicação. Ou seja, fundos acessíveis a qualquer investidor, ou, pelo menos, a grande parte dos investidores. Esses fundos se caracterizam por serem modalidades de investimento em renda fixa pós-fixada, ou seja, que acompanha a variação do CDI, ou da taxa SELIC. São investimentos, portanto, conservadores. Como não exigem praticamente trabalho nenhum do gestor, tais fundos deveriam, em tese, apresentar taxas de administração inferiores a 1% a.a. Entretanto, o que vemos na maioria dos fundos comercializados no varejo é exatamente o contrário: muitos deles cobram taxas de administração superiores a esse patamar.

Encontrar fundos referenciados DI baratos é como tentar encontrar agulha no palheiro. Exige muita pesquisa e dedicação. Vamos destacar três desses fundos aqui.

Fundo Geração FIC de FI Referenciado DI. Administrado pelo Banco Geração Futuro de Investimentos, esse fundo apresenta uma taxa de administração de 0,6% a.a. O destaque fica por conta da aplicação inicial: apenas R$ 100, o menor dentre os fundos pesquisados. As aplicações adicionais também podem ser feitas a partir de R$ 100.

Rio Bravo Liquidez DI. Administrado pela Rio Bravo, cobra uma taxa de administração ainda menor: 0,35% a.a. A aplicação inicial é de R$ 1 mil, assim como as subsequentes.

Banif FI Ref DI. Da corretora de valores Banif, apresenta a menor taxa de administração, dentre os fundos pesquisados: 0,3% a.a. Entretanto, o valor da aplicação inicial é dos mais altos, mas, mesmo assim, razoável: R$ 5 mil.

A essa altura do texto, você já deve ter percebido o que há de comum entre esses três fundos, além das baixas taxas de administração: eles estão fora do circuito dos grandes bancos de varejo – BB, Itaú, Bradesco etc. Em outros termos, são comercializados por corretoras de valores e gestoras independentes de recursos. Nos grandes bancos antes citados, as taxas só começam a ficar atraentes para clientes do segmento de alta renda: BB Estilo, Itaú Personnalité e Bradesco Prime. Mesmo assim, você precisaria “comer muito feijão com arroz” para conseguir taxas mais baixas. Em outros termos, o valor mínimo para aplicação sobe absurdamente, e as taxas não ficam ainda assim tão competitivas quanto nos fundos acima mencionados.

O BB tem um Fundo Referenciado DI LP Estilo, que cobra 0,7% a.a., mas exige aporte mínimo de R$ 10 mil. Nos outros bancos, a coisa complica. O Bradesco tem o Bradesco Prime FIC Referenciado DI Plus, que cobra  também 0,7% a.a., mas exige a impressionante quantia inicial de R$ 80 mil (!). O Itaú Personnalité tem um Fundo, o Super Premium Referenciado DI, que cobra 0,75% a.a. de taxa de administração (parece que é padrão os grandes bancos cobrarem esse valor de taxa), mas exige a nada modesta quantia inicial de R$ 250 mil (!). Ou seja, o que no Itaú corresponde ao valor de um apartamento para ter acesso a um fundo não muito caro, na Geração Futuro basta o valor de um jantar para uma família de 4 pessoas. :)

A democratização de acesso aos fundos baratos com o Tesouro Direto

Se você pensa em investir num produto financeiro que acompanhe a rentabilidade da taxa Selic – que é o que fazem, no final das contas, os fundos referenciados DI – bom mesmo é investir em LFTs via Tesouro Direto, com corretoras que cobrem barato pelo serviço. A liquidez fica um pouco mais restringida, uma vez que os títulos só são vendidos na “janela” das quartas-feiras. Entretanto, o ganho adicional pelo não pagamento de taxas de administração caras acaba, muitas vezes, compensando essa restrição de liquidez.

Vale lembrar, outrossim, que fundos de investimento, incluindo aí os referenciados DI, não contam com a proteção do FGC. Ou seja, se o banco/corretora quebrar, o dinheiro ali aplicado poderá não voltar para o bolso do investidor. O que conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, até o limite de R$ 60 mil por CPF, são outros tipos de aplicações, como poupança, CDBs, letras de crédito imobiliário, mas não fundos de investimentos. Eis aí mais um bom motivo para se aplicar diretamente em títulos públicos.

Bons investimentos!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Crie possibilidades de escolha

30, agosto, 2010 Guilherme 2 comentários

Às vezes, você chega ao trabalho já estressado, porque tem que lidar com um chefe igualmente estressado. Mal se senta em sua cadeira e já tem pilhas de relatórios a serem lidos e devidamente analisados. No seu ambiente de trabalho, convive com pessoas que não têm ânimo nem energia para praticarem uma boa conversa. E seu trabalho é constantemente interrompido por telefonemas que pipocam a cada 15 minutos. Todo final de dia de trabalho volta para casa desanimado, sem vigor e ainda irritado com os diversos problemas que teve que lidar ao longo do dia. Se você acha que seu emprego está criando mais sofrimento do que alegria, a solução é uma só: sair do emprego e encontrar outro melhor. Você precisa criar uma alternativa, um trabalho em que possa ter mais tranqüilidade e cujo ambiente reflita melhor seus valores e suas aptidões. Você sabe que não está num bom emprego, mas que está batalhando para encontrar um trabalho melhor.

Não se trata de desenvolver um “plano B”. Plano B é plano subsidiário, acionado quando o plano principal, que é o mais importante, não funciona. Trata-se, isso sim, de desenvolver um plano “A”, que seja tão bom e valioso quanto o primeiro, ou até melhor.

Profissionais que estão caminhando para a aposentadoria também precisam criar possibilidades de escolha quando saírem da empresa na qual trabalham. Desenvolver um segundo trabalho, uma consultoria, por exemplo, na pós-aposentadoria, é essencial para que as enormes quantidades de tempo livre que passarão a estar disponíveis, não sejam preenchidas com atividades sem significado nem utilidade. A construção de uma segunda carreira, uma carreira paralela, nada mais é, assim, do que criar uma possibilidade de escolha.

Vamos a um terceiro exemplo. Você sempre viajou pela empresa aérea “A”. Gosta dela, dos serviços que ela oferece, e procura sempre transferir seus pontos do cartão de crédito para sua conta no programa de fidelidade dela. Mas o que fazer se ela, de repente, começar a se afundar num mar de dívidas e, por conta disso, seus serviços piorarem na qualidade, as milhas ficarem mais difíceis de serem resgatadas por viagens-prêmio, e atrasos e filas se tornarem freqüentes? A solução é ter “cartas na manga”, ou seja, considerar a possibilidade de viajar também pela empresa aérea “B”. E não só viajar por ela, mas também acumular parte de seus pontos do cartão na conta de programa de milhagem dessa cia. aérea “B”. Isso lhe dará liberdade e tranquilidade de saber que, caso não possa voar pela “A”, voar pela “B” também terá suas vantagens. E isso só será possível se você criar uma possibilidade de escolha.

Tanto no caso da mudança do emprego quanto na hipótese de preparação para aposentadoria, ou ainda quanto na hipótese da troca da empresa aérea, ter possibilidades de escolha permite que você não fique refém, não fique escravo, não fique preso, a uma única opção, dando a você condições de optar pela escolha que for mais adequada diante de um determinado contexto.

A própria independência financeira é um processo que cria possibilidades de escolha. Aliás, isso está na essência mesmo da independência financeira. Quando você atinge um patrimônio que produza renda passiva suficiente para cobrir suas despesas, somado a um estilo de vida que faça você depender menos de dinheiro, conforme afirmamos em outro tópico, o que você estará fazendo, na essência, é criar uma possibilidade de escolha: trabalhar ou não trabalhar, eis a questão. Você não precisa trabalhar. Você não precisa gastar seu precioso tempo por dinheiro, afinal, você já tem dinheiro. A escolha é sua: pode continuar trabalhando, ou pode parar. E a escolha só existe porque você a criou, porque você a conquistou. A conquista da independência financeira é, assim, ela própria, um ato de criação de possibilidade de escolha. Simples assim.

Benefícios da criação de possibilidades de escolha.

Você não fica refém de uma determinada atividade. Você pode transitar entre as opções “A” e “B”. Você pode escolher o que fazer nas férias: viajar para aquele local paradisíaco, ou ler todos aqueles livros que você estava querendo ler? Ambas as opções são válidas e legítimas, já que ambas proporcionam lazer de qualidade e desfrute de horas de prazer. A escolha é sua.

Você tem liberdade para fazer o que for melhor. Jantar no restaurante com os amigos, ou convidá-los para jantar em sua casa? Aprender a cozinhar cria uma efetiva possibilidade de escolha, além de provavelmente fazer você entrar em estado de fluxo. O convívio com os amigos é o mesmo, independentemente de esse convívio se materializar numa mesa de restaurante ou numa mesa da sala de jantar. Pagar com Visa ou com Mastercard? Aposto que essa é uma coisa que boa parte dos leitores já deve fazer em sua rotina diária: vocês provavelmente levam na carteira pelo menos um cartão da bandeira Visa, e outro da Mastercard. Assim, caso um estabelecimento só aceite, digamos, o Visa, você terá se precavido ao levar na carteira um cartão dessa bandeira. Mas você também pode escolher, na hora de fechar a compra, qual é o melhor cartão para efetuar o pagamento, caso a loja aceite ambos. O que confere mais milhas? Qual “empurra” a compra para a fatura com data mais longe (ou mais próxima)? A liberdade só é proporcionada porque existem duas opções disponíveis.

Você aumenta sua sensação de bem-estar e fica com mais paz de espírito. Você pode viajar usando as milhas de sua conta de fidelidade, ou então pagar com dinheiro, se a passagem estiver numa promoção (e não num promocinho, como bem gosta de alertar meu amigo Rodrigo Purisch). Você pode se dar ao luxo de escolher porque você criou a possibilidade de escolha.

Mas você deve ser seletivo e sábio ao criar possibilidades de escolha. Exemplo: não dá pra ficar trocando de cônjuge achando que isso vai resolver seu problema de relação matrimonial. Muitas vezes o que precisa ser mudado é uma situação, e não uma pessoa. Em casos como esse, por óbvio, a criação de alternativas não se resolve mudando o sujeito da relação, mas sim o objeto da relação.

Por fim, vale ressaltar que criar possibilidades de escolha não significa criar portas de saída – saída significa fuga, e o que você mais deseja é menos fugir da dor, e mais buscar o prazer,  satisfação e a liberdade. O correto, então, não é criar portas de saída, mas sim ampliar as portas de entrada. Entrada para novos ares, novas e melhores condições, novas e melhores situações, onde você possa desfrutar de uma vida plena e de mais sentido.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Perdi dinheiro com ações da Petrobras. E agora, o que faço?

29, agosto, 2010 Guilherme 10 comentários

Pera lá, você já vendeu as ações, realizando o prejuízo, ou você ainda as mantém, mas elas valem menos do que o capital inicial aportado? Essa pergunta é de fundamental importância para dar sequência à resposta.

Como muitos brasileiros investem nessa estatal, e tendo em vista a iminência (ou não….rs) de ser deflagrado o processo de capitalização, esse blog não poderia ficar de fora e tecer alguns comentários a respeito. Afinal, essa é uma dúvida que também ronda a minha cabeça, uma vez que eu também tenho ações da Petrobras em minha carteira, seja de forma indireta, como investidor de fundos/clubes de ações que têm papéis dessa empresa em seu portfólio, seja de forma direta, como acionista – no caso, possuindo em carteira as ações da PETR4.

A Petrobras vem sofrendo um bocado nesse ano. As ações PN – PETR4 – acumulam desvalorização de impressionantes 26% no ano, influenciada sobretudo pela indefinição dos termos da capitalização. Muitos investidores têm considerável porção de suas ações investidas na Petrobras – alguns deles, inclusive, teriam uma rentabilidade muito boa acumulada nesse ano se não tivessem PETR3 ou PETR4 em sua carteira.

Se você já vendeu as ações que tinha da Petrobras, realizando o prejuízo, a melhor atitude, pelo menos na minha visão, é ficar de fora. Isso porque ainda pairam muitas dúvidas acerca do processo de capitalização, de modo que a oscilação das ações ainda pode continuar (para baixo), o que te levaria a uma pressão psicológica interna do tipo “eu não falei que você não deveria comprar de novo?” e, consequentemente, vendê-las novamente, com (novo) prejuízo.

Se você ainda mantém as ações da Petrobras em sua carteira, a resposta sobre o que fazer depende muito de seus objetivos não-financeiros com ela, bem como do horizonte (prazo) de investimento. Exemplificando: se você é um investidor que atua no curto prazo, operando como um trader, os riscos são muito grandes, de modo que sair da operação seria uma medida recomendável. Não é porque as ações fecharam em alta de mais de 3% na sexta-feira que se iniciou um ciclo de alta no papel.

Agora, se você é um investidor de longo prazo, que segue a estratégia do preço médio, ou do value averaging, e compra, lentamente, e de forma gradual, com valores pequenos, as ações da Petrobras, não há porque mudar de estratégia justamente agora que as ações estão mais baratas do que no começo do ano (o que não significa, necessariamente, que estejam uma pechincha, uma vez que podem cair mais). Até porque o preço médio que você tem da estatal provavelmente deve estar acima de R$ 30, e, além disso, seu capital está sendo investido para um objetivo cujo horizonte é de longo prazo.

Mas se lembre de não investir somente em ações dessa empresa. O ideal é montar uma cesta diversificada de ações, seja por meio da compra de um ETF, seja por meio de uma estratégia de compra de ações individuais de setores diversos.

Na Bolsa, o negócio é ser cauteloso, ainda mais agora em que rondam incertezas não só nesse processo de capitalização da Petrobras, como também na própria Bolsa de um modo geral. Afinal, nesse semana ela apresentou diversos pregões consecutivos em queda, só se recuperando – de forma parcial, frise-se – na última sexta-feira.

E se você não tiver ações da Petrobras? Agora seria um bom momento de se investir? Para quem nunca enfrentou as oscilações da renda variável, o melhor é aguardar um pouco até que o processo de capitalização seja definido. Oportunidades não faltarão, no futuro, para se investir na Petrobras, ou em qualquer outra empresa. Como muitos leitores do blog são iniciantes no mercado de ações, eu prefiro recomendar a cautela, ainda mais em se tratando de uma empresa que não tem padrões elevados de governança corporativa – basta dizer que é o Governo quem a controla, o que adiciona, além do natural risco de mercado, o risco político nesse tipo de investimento.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: para saber mais sobre os fatos que envolvem o processo de capitalização da Petrobras, aqui vão três ótimos links: A capitalização da Petrobras e o pequeno investidor, do blog O Pequeno Investidor, Entenda a novela da capitalização, do blog Descomplicador, e uma matéria que saiu no jornal Valor Econômico, Coração ferido. :wink:

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Dica prática, mas geralmente difícil de ser cumprida na prática, para melhorar suas finanças pessoais: pratique o óbvio

28, agosto, 2010 Guilherme 5 comentários

Um artigo publicado recentemente pelo Jônatas, no ótimo e sempre atualizado Efetividade blog, serviu de inspiração para que eu escrevesse esse texto. Naquele artigo, Jônatas chegou à conclusão de que o óbvio não é fácil. Ele citou vários exemplos:

“É óbvio que devemos gastar menos do que ganhamos, mas levados pelo impulso consumista e pelas fortes campanhas de marketing que criam necessidades e desejos em nossas mentes, acabamos estourando o orçamento.

É óbvio que devemos nos alimentar corretamente, mas comer bobagens é tão gostoso, tão prazeroso.

É óbvio que devemos praticar atividade física regularmente, mas vamos deixando para mais tarde e mais tarde.

É óbvio que não podemos descuidar de nossa empregabilidade, que devemos estudar e estarmos sempre preparados para quando as oportunidades surgirem, mas não fazemos isso.

É óbvio que devemos equilibrar lazer e trabalho, mas acabamos dedicando mais tempo aos afazeres do que ao lazer.”

Creio que as dicas que ele passou no referido texto aplicam-se à perfeição quando o trato é finanças pessoais – aliás, veja-se que o primeiro exemplo dado por ele se refere justamente a um comportamento financeiro (gastar menos do que se ganha).

Se você quiser ter uma vida melhor na área financeira, comece a praticar o óbvio. O problema é que o óbvio, muitas vezes, é difícil de ser aplicado.

É óbvio que devemos comprar na baixa e vender na alta, quando se trata de mercado de ações, mas geralmente fazemos o contrário, comprando na alta e vendendo na baixa.

É óbvio que devemos fazer um registro de nossas despesas diárias, para saber para onde, afinal de contas, o dinheiro está indo, mas procrastinamos essa tarefa, com a desculpa de que “não temos tempo o suficiente”.

É óbvio que devemos ser controlados nos nossos impulsos de consumo, valorizando o que já temos, mas as campanhas de marketing e as vitrines dos shoppings nos empurram para mais um “carnêzinho”.

E assim a vida segue…

Não segue não!

As melhores regras para as finanças pessoais arrumadas são as mais simples. Entretanto, muitas vezes elas não são seguidas. Por quê? Porque falta conscientização. Falta educação financeira na base das pessoas. Por trás disso tudo, se esconde a verdadeira razão: falta vontade e motivação. É preciso acreditar que a prática de atividades simples, como ter um registro das despesas, ser disciplinado nos investimentos e ser racional nas compras, podem trazer alívio para o bolso e paz para o espírito.

E tudo isso só será possível a partir do momento em que você, após terminada a leitura desse artigo, colocar em prática essas regrinhas simples, mas que podem, literalmente, mudar o curso de sua vida financeira.

E então, vamos começar a praticar o óbvio também nas finanças pessoais!? :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Colhendo os Dividendos de Valores Reais: 28 de agosto

28, agosto, 2010 Guilherme Sem comentários

Colhendo os Dividendos é uma série publicada, aos sábados, que se destina a destacar os melhores textos publicados na mesma semana do ano(s) anterior(es). O objetivo é expor aos novos leitores conteúdos que foram publicados tempos atrás, mas que ainda podem ser úteis a eles. E serve também – por quê não? – para que leitores antigos releiam textos que gostaram.

Um ano atrás (22 a 28 de Agosto de 2009)

Dicas para economizar os cartuchos de tinta da sua impressora Orientações práticas para você não gastar em demasia com os cartuchos de tinta, que, em alguns casos, costumam ser mais caros que a própria impressora.

7 maneiras de você tirar proveito máximo do Valores Reais

Essa é uma espécie de FAQ (respostas mais frequentes), útil sobretudo para que novos leitores explorem melhor o Valores Reais.

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Frase para reflexão

“Ignorar o inesperado (ainda que fosse possível) seria viver sem oportunidade, sem espontaneidade e sem os ricos momentos dos quais a ‘vida’ é feita”.

- Stephen Cohen

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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Pra quê a pressa em comprar (digo, financiar, quero dizer, se endividar por) um imóvel?

27, agosto, 2010 Guilherme 19 comentários

As compras de um determinado bem de consumo, principalmente se esse bem demandar uma alta quantia em dinheiro, devem ser guiadas por certos critérios, sendo um deles a necessidade. Nosso País está vivendo um crescimento sem precedentes no setor imobiliário. Puxado por uma gama de fatores, que vão desde a retomada do consumo, expansão da indústria da construção civil, facilidades de linhas de crédito, e até programas governamentais (“Minha casa, minha vida”), a onda de crescimento da procura e oferta de imóveis está numa fase bastante alta.

A questão que se coloca é: você está comprando um imóvel porque efetivamente precisa, ou está sendo guiado motivado por questões externas, isto é, só porque “todo mundo está comprando também”?

Como nos demais aspectos do orçamento doméstico, a compra de um bem deve respeitar um mínimo de planejamento. E, quanto mais caro o bem a ser comprado, maior é a necessidade de planejar. Compras por impulso, se até são toleráveis para itens de menor valor, como roupas, viagens e produtos não duráveis, jamais são aceitáveis quando se trata de compra de bens de grande valor, como carros e, sobretudo, imóveis.

Na semana passada, me deparei com uma interessante notícia sobre o lançamento de um livro sobre planejamento de aposentadoria e de compra da casa própria, dos autores Fábio Giambiagi e Roberto Zentgraf, livro esse denominado O futuro é agora. Destaco aqui um trecho da notícia, publicada na Gazeta do Povo, edição do dia 17.08.2010, página 24, que me chamou a atenção:

“Na compra de um apartamento de R$ 600 mil, com taxa de 12% ao ano e prestações fixas de R$ 5.805 em 180 meses, os juros no fim do contrato atingirão R$ 545,8 mil. Nesse caso, diz Zentgraf, é melhor alugar um apartamento, ao custo médio de R$ 1.480, e poupar a diferença para a prestação. Com juros de 0,5% ao mês, em 109 meses o poupador terá R$ 500 mil. ‘O livro mostra que o ideal é poupar para comprar à vista‘, diz Zentgraf” (destaquei).

É claro que cada caso é um caso. Não é possível generalizar, ainda mais num setor em franca expansão como o imobiliário. Há pessoas que precisam comprar uma casa porque vão morar na mesma cidade pelo resto de suas vidas, e, nesse caso, somado ao fato de não terem dinheiro para pagar à vista, o financiamento pode, sim, ser uma boa alternativa.

Agora, se você ainda não tem um futuro definido, está prestando concurso público – que implica em possibilidade de morar em outra cidade – e, sobretudo, tem paciência para poupar e investir, talvez (veja bem, talvez) seja uma ótima ideia não ter pressa em adquirir a casa própria, ainda mais por meio de financiamentos.

Lembre-se, também, que, ao financiar a compra de uma casa, por 10, 15 ou 20 anos, você estará comprometendo uma parcela substancial de sua renda, através do pagamento de juros, e terá que sobreviver com o restante do salário. Por exemplo, se você ganha R$ 4 mil por mês líquidos, e a prestação da casa própria custa R$ 1 mil, você terá que se virar com os restantes R$ 3 mil. E, com os restantes R$ 3 mil, você ainda terá que fazer sobrar algum dinheiro para investir em sua aposentadoria financeira, uma vez que, como todos sabemos, casa própria não é investimento.

E, se você pretende aproveitar a expansão do mercado imobiliário, não para comprar a casa própria, mas sim para investir, considero arriscado investir pagando juros (através de um financiamento). Isso porque a lógica do investimento é receber juros, e não pagá-los. Ok, pode ser que você consiga vender um imóvel comprado (financiado) na planta, com lucro. Mas isso pode não se concretizar.

Nesses casos, novamente a dica é a mesma da situação da compra da casa própria (para morar): comprar à vista. Nesses casos, oportunidades surgem com mais facilidade em compras de terrenos, lojas comerciais e escritórios, e pequenos apartamentos, como kitnetes, em áreas próximas a centros universitários e faculdades. Outra alternativa muito interessante são os fundos de investimento imobiliários, onde o capital inicial para investimento é geralmente bem menor do que o necessário para o investimento em imóveis “de tijolo”, variando de R$ 5 mil a R$ 30 mil, em média. Quando as cotas são negociadas em Bolsa, o valor mínimo para investimento passa a ser bem menor, de R$ 1 mil ou até menos (que corresponde ao valor de uma cota). Atualizado: caso você não tenha dinheiro suficiente para comprar a casa própria à vista, uma alternativa interessante é poupar o máximo que conseguir para fazer o pagamento da entrada, financiando o menor valor possível. Por exemplo, se o imóvel que você tem em vista custa R$ 300 mil, mas você dispõe de metade desse valor, R$ 150 mil, use esse valor para dar de entrada, financiando os restantes R$ 150 mil, como pretende fazer, inclusive, o leitor Reverson. Dessa forma, os juros não pesarão tanto no preço final do imóvel.

Em conclusão, não tenha pressa em comprar um imóvel. Faça sempre um bom planejamento, e verifique se o seu fluxo de caixa mensal não será muito comprometido com as prestações do financiamento. E, sobretudo, estude bastante o setor, a fim de não comprar algo que esteja sobrevalorizado.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: reflexões sobre os cuidados que devemos ter na compra de imóveis foram muito bem esclarecidas em dois ótimos artigos: Imóveis | | | Cuidado… podem estar preparando uma armadilha, escrito pelo Zé da Silva, no Clube do Pai Rico; e Comparando alhos com bugalhos, escrito pelo Fábio, do blog O pequeno Investidor. Um vídeo do consultor Raphael Cordeiro, para a Money TV, explica as razões pelas quais não é um bom momento para se investir em imóveis.  :D

Economize com celular: use torpedos (SMS) ao invés de falar!

26, agosto, 2010 Guilherme 3 comentários

Hoje, uma das maiores fontes de despesas da família brasileira é a conta de telefone, mas não a de telefone fixo (pode até ser), mas sim a de telefone celular. Com a profusão de aparelhos disponíveis, dos mais variados gostos e bolsos, e com cada vez mais funções, o acesso à comunicação móvel nunca esteve tão popularizado. Por isso mesmo, é muito fácil perder o controle dos gastos, ainda mais se você gostar de conversar com seus amigos pela linha telefônica móvel.

Uma das dicas para economizar na conta do telefone celular é justamente essa: aprenda a utilizar mensagens de texto, conhecidas também como torpedos ou SMS. Elas custam muito mais barato que uma chamada de voz, e cumprem, em boa parte das situações, a mesma função, que é a de transmitir uma mensagem.

Algumas operadoras até facilitam e incentivam o uso de torpedos, lançando promoções periódicas, reduzindo ainda mais o custo da comunicação. É o caso, por exemplo, da TIM, que tem um serviço que uso com frequência, que é o “TIM Turbo Mensagem“:

Na verdade, o “ilimitado” da promoção não é bem ilimitado, mas sim limitado a 10 mil mensagens, o que é mais do que suficiente, suponho eu :D , para bancar suas necessidades de torpedos durante os 7 dias corridos.

Se sua conta pós-paga de celular vive nas alturas, ou seus créditos pré-pagos expiram mais rápido do que você pensava, experimente usar mais os serviços de torpedos, e veja também se sua operadora de telefonia oferece alguma promoção de torpedos inclusa no pacote pós-pago ou disponível para clientes pré-pagos. A economia pode ser significativa, sem prejuízo da comunicação com outras pessoas. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!