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4 fundos de ações realmente baratos

Um dos maiores problemas relacionados à seleção de um investimento diz respeito à taxa de administração, conforme escrevemos nesse tópico aqui. Isso porque nosso País se acostumou a conviver com altíssimas taxas básicas de juros (SELIC), o que fazia com que as taxas cobradas a título de taxa de administração quase passassem despercebidas. Hoje, a realidade é outra, e com uma taxa básica inferior a 2 dígitos, escolher baixas taxas de administração é fator crucial para ganhar na rentabilidade líquida, isto é, quando você for sacar seu dinheiro mais à frente.

Se no ramo dos investimentos em renda fixa já é difícil encontrar baixas taxas de administração, o que dizer então das taxas de administração cobradas nos fundos de ações? A maioria absoluta cobra pesadas taxas de administração, de 2%, 3%, 4%…

Felizmente, existem fundos de ações com baixas taxas de administração, e nesse post vou citar 4 exemplos. Todos eles têm suas cotas negociadas na Bolsa de Valores, portanto, se você quiser investir em tais fundos deve ter conta em corretora de valores ou habilitar-se na corretora de seu banco (mas eu prefiro as corretoras independentes, que possuem taxas de corretagem muito mais baratas e serviços muito mais eficientes). Ademais, todos eles são investimentos indexados. Atenção que, nesse caso, você deve adicionar um custo ao seu investimento, que é o custo com taxas de corretagem + emolumentos, já que as cotas dos fundos são compradas por intermédio de corretoras, como se fossem ações, então, é preciso que você dê uma ordem de compra, e, por essa ordem, está sujeita à cobrança de taxas de corretagem + emolumentos.

Atualizado em 08.02.2010: além dos custos com corretagem, é preciso adicionar outra despesa, que é a taxa de custódia. O valor da taxa de custódia varia de corretora para corretora: há instituições que não cobram taxa de custódia (Banif), outras que condicionam a sua isenção à realização de pelo menos uma operação no mês (Link Trade), e outras ainda que cobram valores independentemente de realização ou não de operações, e as quantias pagas a tal título variam bastante, desde o básico de R$ 6,90 até valores superiores a R$ 30. Portanto, olho nessa despesa!

PIBB11: fundo de índice passivo que espelha o IBrX-50. Taxa de administração: 0,059% a.a. Vou repetir o que disse em outro tópico: vejamos o que diz o site do próprio:

Os PIBBs (Papéis de Índice Brasil Bovespa) são quotas do fundo PIBB Fundo de Índice Brasil – 50 – Brasil Tracker, o primeiro fundo de investimento em índice de mercado, regulado pela Instrução 359 de 22 de janeiro de 2002 da Comissão de Valores Mobiliários – CVM.

O PIBB Fundo de Índice Brasil – 50 – Brasil Tracker – é um fundo de investimento constituído sob a forma de condomínio aberto e destina-se à aplicação em carteira de títulos e valores mobiliários que visa a buscar resultados semelhantes à performance do IBrX 50 (IBrX 50).

Cada PIBB representa uma fração ideal da carteira do Fundo da qual farão parte, na medida do possível, todas as ações que compõem a carteira teórica do IBrX-50, além de outros ativos, em menor proporção. Desta forma, ao investir em PIBBs, o investidor estará também investindo, indiretamente, nas mesmas ações que compõem a carteira teórica do o IBrX 50, quase que na mesma proporção em que estas compõem a carteira teórica do IBrX-50.

Os PIBBs são admitidos para negociação na Bovespa do mesmo modo que qualquer outro valor mobiliário nela negociado. Os PIBBs serão emitidos exclusivamente sob forma escritural e as negociações de PIBBs serão compensadas e liquidadas através da CBLC. Não serão emitidos certificados de PIBBs.

BOVA11: é outro fundo de índice passivo, mas que espelha o IBovespa.  Taxa de administração:  0,54% a.a. A descrição podemos ler aqui nessa página da iShares:

O iShares Ibovespa Fundo de Índice busca obter retornos de investimentos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, do Índice Bovespa. O Índice Bovespa é um índice de mercado que mede o retorno de um investimento em uma carteira teórica calculada pela BM&FBovespa, composta pelas ações emitidas por companhias que respondam por mais de 80% (oitenta por cento) do número de negócios e do volume financeiro verificados no mercado à vista (lote-padrão) da BM&FBovespa.

Este Fundo de Índice apresenta diferenças em relação às disposições da Instrução 359/02, permitindo maior flexibilidade na gestão da carteira, o que pode possibilitar maior liquidez e maior erro de aderência ao benchmark.

MILA11: fundo de índice passivo que espelha o índice BM&FBovespa MidLarge Cap. Taxa de administração: 0,54% a.a. De acordo com a iShares:

O iShares BM&FBovespa MidLarge Cap Fundo de Índice busca retornos de investimentos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, do índice BM&FBovespa MidLarge Cap. O BM&FBovespa MidLarge Cap é um índice de mercado que mede o retorno de um investimento em uma carteira teórica calculada pela BM&FBovespa, composta pelas ações emitidas pelas companhias com os maiores Valores de Capitalização listadas na BM&FBovespa, cujo valor total represente, conjuntamente, 85% (oitenta e cinco por cento) da soma dos Valores de Capitalização de todas as companhias listadas na BM&FBovespa.

SMAL11: fundo que investe em small caps. Taxa de administração: 0,69% a.a. A iShares explica:

O iShares BM&FBovespa Small Cap Fundo de Índice busca obter retornos de investimentos que correspondam, de forma geral, à performance, antes de taxas e despesas, do índice BM&FBovespa Small Cap. O BM&FBovespa Small Cap é um índice de mercado que mede o retorno de um investimento em uma carteira teórica composta pelas ações emitidas pelas companhias com os menores Valores de Capitalização listadas na BM&FBovespa, cujo valor total represente, conjuntamente, 15% (quinze por cento) da soma dos Valores de Capitalização de todas as companhias listadas na BM&FBovespa.

Observem que todos esses quatro fundos têm taxas de administração inferiores a 1% a.a., sendo que o PIBB11 tem a menor taxa de administração do mundo, segundo o Mauro Halfeld. Não confundir o PIBB negociado em Bolsa com o fundo PIBB que provavelmente seu banco deve oferecer, e que certamente deve cobrar 1,5% a.a. de taxa de administração ou mais cobra taxa de administração de exatos 1,559% a.a. (meus agradecimentos ao Viver de Renda pela correção!). Prefira investir no PIBB da Bolsa: esses fundos de ações de bancos são muito caros e comem literalmente grande parte da rentabilidade que possam vir a oferecer.

Atualizado em 09.04.2010: porém, esses fundos de ações com cotas negociadas em Bolsa possuem uma desvantagem em relação ao investimento direto em ações no home broker: eles são tributados na alienação, independentemente do valor da venda ser inferior ou superior a R$ 20 mil no mês, conforme afirmamos nesse outro tópico.

Bom, depois dessas explicações não precisa dizer qual é o melhor fundo para investir, né? Para mim, é claro que são os fundos de ações com cotas negociadas em Bolsa: baixas taxas de administração, tendência à obtenção de boas rentabilidades (são fundos de índice passivos), e possibilidade de isenção de imposto de renda nas vendas de até R$ 20 mil/mês.

Uma observação importante que o leitor Rafael postou nos comentários a esse artigo: se o valor da aplicação for muito baixo, talvez não compense comprar cotas de fundos negociados em bolsa, pois o valor de corretagem + emolumentos podem tornar a operação mais cara do que a taxa de administração cobrada num fundo PIBB de banco de varejo.

Exemplificando: a pessoa quer investir R$ 100 mensais em PIBB. Como a cota do PIBB, no dia de ontem, estava valendo cerca de R$ 90, a pessoa poderá ter um custo muito grande com corretagem ao emitir a ordem de compra de 1 cota do PIBB11. Supondo que a taxa de corretagem seja de R$ 20, no mercado fracionário, cobrado pela corretora, é evidente que comprar diretamente em Bolsa será um péssimo negócio, já que a taxa de corretagem corresponderá a mais de 20% do valor aplicado.

O que fazer então?

Simples: esperar juntar mais grana até conseguir um volume bom, e também encontrar uma corretora que cobre barato pela corretagem, para diminuir o impacto da taxa de corretagem sobre o volume aplicado. Há diversas corretoras que cobram R$ 5 de taxa de corretagem para operar no mercado fracionário, sendo que a mais barata que eu conheço é a Link Trade, que cobra apenas R$ 4,40 (+ emolumentos), por ordem no fracionário.

Existe uma crítica que a turma faz, principalmente o Viver de Renda, acerca da fraca liquidez do SMAL11 e também do MILA11 (grato novamente ao Viver pela observação), o que tem razão. Baixa liquidez prejudica a movimentação do papel, e torna mais difíceis as negociações de cotas.

Em breve postaremos um artigo com as 3 melhores opções em renda fixa, com baixas taxas de administração.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Artigos relacionados:

  1. 6, fevereiro, 2010 em 10:36 | #1

    Hotmar, obrigado pelos elogios!

    Dois detalhes:

    A tx. de adm. de fundos PIBBs de bancos é na verdade de 1,559% a.a.

    Não apenas o SMAL11 como também o MILA11 possuem liquidez horrorosas devido ao tamanho minúsculo dos fundos (16mi e 9mi, respectivamente, contra 300mi do BOVA e 2,5Bi do PIBB)

  2. 6, fevereiro, 2010 em 11:54 | #2

    Grande Viver, valeu pelos comentários! :D

    Já fiz as modificações no artigo, de modo a refletirem com mais precisão a realidade do mercado.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Rafael
    6, fevereiro, 2010 em 12:04 | #3

    Excelente artigo.

    Um fator importante, que não foi citado, é que para valores pequenos de investimento, as taxas de corretagem e custódia das corretoras, cobradas para adquirir cotas dos fundos diratemente na bolsa, podem acabar saindo mais caras que a taxa de administração do banco, mesmo levando em conta a indicência de IR, no caso do fundo do banco.

  4. 6, fevereiro, 2010 em 12:28 | #4

    Rafael, obrigado!

    Vc tem total razão quanto à proporção do valor q a pessoa quer investir: se for baixo o valor, maior será o impacto dos custos de transação. Por isso, fiz mais uma modificação no artigo para alertar os leitores.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Ricardo Born
    6, fevereiro, 2010 em 22:46 | #5

    Caro Hotmar,

    Acho que a taxa de administração do PIBB varia de banco para banco, na caixa, conforme link abaixo, é de 1,5% (1,441% + 0,059%).

    http://downloads.caixa.gov.br/_arquivos/aplicacao_financeira/prospectos/PR_5393.pdf

    Um abraço!

  6. 7, fevereiro, 2010 em 07:55 | #6

    Obrigado pela observação, Ricardo. De fato, vejo que os bancos têm cobrado, em média, em torno de 1,5% a.a. de taxa de administração para os fundos PIBB que eles comercializam.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. VALERIA SIMAO
    29, junho, 2010 em 20:56 | #7

    GOSTEI MUITO DE ENCONTRAR ESTE BLOG. MUITO UTIL PARA APRENDER.
    INVESTIGUEI EM MINHA CORRETORA ( independente) E É COBRADO TAXA DE CORRETAGEM DE 0,5% NA COMPRA E NA VENDA SOBRE O VALOR TOTAL, COMO EM AÇÕES.
    ISTO NÃO É MUITO ALTO ? 1% SOBRE O VALOR TOTAL ?
    PRAZER EM PARTICIPAR DO BLOG
    VALÉIRA

  8. 4, julho, 2010 em 15:37 | #8

    Valéria, 1% é um valor que considero mediano. Não é muito alto, se comparado com as taxas de administração dos fundos de ações de bancos, que cobram 3%, em média.

    Mas também não é muito barato, já que se pode conseguir valor menor com corretagens fixas, operando valores altos. Por exemplo: R$ 4 mil em compra de ações, com corretagem fixa de R$ 10. Isso dá 0,25%.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  1. 25, fevereiro, 2010 em 00:21 | #1
  2. 3, março, 2010 em 00:10 | #2
  3. 18, maio, 2010 em 00:12 | #3
  4. 21, maio, 2010 em 00:29 | #4
  5. 25, maio, 2010 em 11:33 | #5
  6. 26, maio, 2010 em 00:23 | #6
  7. 5, julho, 2010 em 00:26 | #7
  8. 20, julho, 2010 em 00:12 | #8