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Resenha: Dinheiro pode comprar felicidade, de MP Dunleavey

Será que economizar até o último centavo em tudo o que se faz na vida significa o caminho certo rumo ao bem-estar e satisfação pessoais? Ou isso não passa de uma falsa economia? Nesse livro, a escritora norte-americana MP Dunleavey, colunista do New York Times e do site MSN Money, mostra que não. Ela defende a tese de que o dinheiro pode comprar felicidade em muitas das áreas de nossas vidas. Será mesmo? Vamos ver na resenha abaixo.

Informações técnicas

Título: Dinheiro pode comprar felicidade – Viva bem com ou sem dinheiro

Autora: MP Dunleavey – tradução de: Maria Silvia Mourão Netto

Número de páginas: 235

Editora: Gente

Faixa de preço: R$ 20 a R$ 30

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A mensagem central do livro é que o dinheiro deve ser investido na melhoria da qualidade de vida. Se é certo que o dinheiro, em si mesmo considerado, é apenas uma ferramenta, um meio, para se obter algo que proporcione satisfação às pessoas, não é menos certo que tal instrumento pode e deve ser utilizado para incrementar a satisfação e a felicidade das pessoas. A autora, portanto, parte da idéia de que, se a pessoa tem grana para custear uma viagem de férias, e ela gosta de viajar, ela não deveria economizar dinheiro não fazendo a viagem em troca de uma ida ao restaurante, por exemplo, pois é justamente a viagem, e não o jantar, que aumentaria seu grau de satisfação com a vida.

Estruturado em doze capítulos, recheados com frases e citações de pessoas famosas, MP Dunleavey fornece dicas de como o dinheiro pode ser gasto para aumentar os níveis de felicidade de uma pessoa. Por exemplo, no capítulo 6, “ponha dinheiro onde sua saúde está”, são descritas diversas formas de investir dinheiro numa condição permanente de saúde, tais como: pagar um pouco mais por alimentos de qualidade superior (como azeite de oliva de primeira classe, que realça melhor o sabor de todos os alimentos, que uma pessoa resolveu adotar), pagar mais por um atendimento médico personalizado, pagar para rir, investir em equipamentos que você vai usar, e assim por diante.

A autora monta um curioso e – devo dizer, bem elaborado – portfólio da felicidade, contendo 7 ativos onde o “investidor em felicidade” deveria aplicar seus recursos:

- Ativo nº 1: seu precioso tempo: demonstra-se que o dinheiro compra tempo, logo, você deve comprar mais tempo para você, por exemplo, contratando serviços de faxina ao invés de ter que realizar esse serviço pessoalmente. Essa idéia, para quem já é leitor habitual do Valores Reais, não é nova, e já foi discutida nesse tópico: o que o dinheiro compra, o que o dinheiro é.

- Ativo nº 2: seus recursos pessoais: contido no capítulo 5, na minha opinião, é a melhor parte do livro, pois contém um breve panorama de pesquisas científicas que tratam dos mecanismos do comportamento humano que tendem a fazer as pessoas felizes. Segundo tais pesquisas sugerem, as pessoas dependeriam de um reservatório de bem-estar do qual se abasteceriam para enriquecer sua vida. Também são expostos os argumentos que sustentam porque atividades que exigem esforço parecem proporcionar mais bem-estar a longo prazo do que a busca por prazeres fáceis e imediatos (como assistir TV).

- Ativo nº 3: sua saúde: com dicas sobre como montar um portfólio que aumenta a sua saúde, conforme descrito acima.

- Ativo nº 4: controle financeiro: capítulo dedicado à eliminação das dívidas, com um curioso método de “extrema redução do débito em cinco passos”.

- Ativo nº 5: diversão mútua: parodiando os “fundos mútuos”, aqui é destacada a importância de aplicar numa diversidade de investimentos destinados a aumentar sua paz de espírito, o que inclui gastar dinheiro em coisas como: aumentar seu conforto, contratar ajuda, investir num consultor financeiro etc.

- Ativo nº 6: seus relacionamentos: com dicas para melhorar e enriquecer os relacionamentos, como encontrar sua turma, encontrar sua fé, investir em sua comunidade local e assim por diante.

- Ativo nº 7: doar para se sentir bem: é destacada a importância e os benefícios do trabalho voluntário.

Ao longo do livro, são propostos ao leitor uma variedade de exercícios para uma auto-avaliação acerca de seus hábitos acerca do dinheiro, e de suas atividades relacionadas a ele. Também é mostrada a importância de elaborar um planejamento financeiro, com controle dos gastos e dicas para sair das dívidas e construir um plano de aposentadoria financeira. Todos os capítulos são ilustrados com histórias reais de pessoas que melhoraram sua percepção de bem-estar a partir do momento em que adotaram alguma das estratégias sugeridas pela autora.

É importante destacar que esse não é um livro sobre investimentos financeiros. É sobre investimentos não-financeiros: o que fazer para melhorar a auto-estima, no que investir para incrementar a saúde, como investir em diversão. E, para quase todas essas opções, são dadas dicas sobre aonde investir o dinheiro para ter esses investimentos, os quais, ao final, redundariam em mais felicidade. Daí o sugestivo nome do livro: de que o dinheiro pode, em certos casos, comprar felicidade.

Conclusão

Para os que buscam motivação para gastar o dinheiro em coisas importantes para a sua vida, bem como dicas práticas sobre como incrementar o consumo em áreas-chave como saúde, relacionamentos e hobbies pessoais, esse livro pode ser um guia útil para fazê-lo sair da inércia e consumir conscientemente, sem culpa.

Porém, para aqueles já familiarizados com os roteiros listados nos ativos acima descritos, bem como para aqueles que procuram lições sobre investimentos financeiros, a leitura desse livro pode ser substituída por outros livros, uma vez que, como afirmado acima, esse não é um livro sobre investimentos no mercado financeiro, mas sim sobre a interconexão entre o dinheiro e outras áreas não-financeiras da vida de uma pessoa.

Penso que o livro é mais dirigido para o público leigo que está iniciando seu processo de educação financeira, e, embora tenha esse perfil, não deixa de trazer visões e perspectivas interessantes sobre finanças comportamentais, que, afinal, é um dos temas mais fascinantes nessa área do conhecimento humano.

Por fim, uma observação muito pessoal, e não menos curiosa: apesar de ter, como um dos objetivos, fazer o leitor gastar mais e melhor seu dinheiro, é extremamente interessante observar a seguinte conclusão na última página do livro:

“Tudo o que sei é que, se você está buscando equilíbrio financeiro, coloque seu dinheiro onde sua felicidade está”.

Ora, isso não é nada mais nada menos do que a lei básica da frugalidade. O que demonstra que o livro, apesar de seu viés consumista (moderado), ainda conserva, em seu núcleo, uma tática frugal, como segredo para a felicidade. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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Categories: Livros Tags: ,
  1. 15, março, 2010 em 17:39 | #1

    Interessante o título do livro e a abordagem dele.

    Parabéns pela resenha Hotmar!

    E parabéns também pelo ritmo de leitura!

    Grande Abraço!

  2. 15, março, 2010 em 20:20 | #2

    Grande Henrique, obrigado pelo comentário! :D

    E vamos que vamos nas leituras! :)

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Investimentos e Finanças
    16, março, 2010 em 10:18 | #3

    Um dos melhores livros que já li sobre o uso equilibrado e correto do dinheiro, em que foca o dinheiro como um meio e não como um fim em si.

  4. Luciano
    16, março, 2010 em 10:53 | #4

    A parte do livro que fala de trabalhos voluntários deve ser super interresante..
    Ajudar as pessoas faz bem para a alma e ao coração…traz paz de espirito…
    coisas muito mais grandiosas que o dinheiro…
    abração Hotmar
    Luciano

  5. Glaucia
    16, março, 2010 em 13:09 | #5

    Adoro suas resenhas, muito boas!! Ótimas dicas!
    Obrigada
    Glaucia

  6. 16, março, 2010 em 13:55 | #6

    IF, realmente, é ótima a leitura do livro. Tanto que ganhou um prêmio como melhor livro do ano de 2008 (ou 2009), na área de finanças pessoais, de uma organização. Obrigado pelo acompanhamento do blog!

    Luciano, concordo integralmente. Aliás, esse também é um dos pontos-chave do livro Dinheiro e Vida. Dada a relevância do tema, pretendo voltar a ele futuramente, juntamente com reflexões sobre uma questão que hoje em dia está meio esquecida: a doação.

    Gláucia, obrigado pelos comentários! :D

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  1. 10, abril, 2010 em 00:38 | #1
  2. 12, abril, 2010 em 14:11 | #2