Nessa série “aprenda com meus erros de investimentos”, estarei mostrando a vocês os erros que cometi com diversos tipos de investimentos, bem como mostrando os caminhos para que você não incida nos mesmos erros, e tome decisões acertadas acerca de seus investimentos no mesmo tipo de produto narrado na história, para evidenciar que o erro está menos no investimento e mais no comportamento do investidor.
A história
Há uns 4 anos atrás, eu fui até o gerente de banco resolvido a tirar o dinheiro que tinha na poupança a fim de colocá-lo numa aplicação mais rentável, e optei pelo tal de CDB. Chegando até a agência bancária, fui conversar com a gerente, falei que queria aplicar no CDB o valor, que não lembro se era mil ou cinco mil reais, e a gerente falou para mim:
- 85% do CDI está bom?
Ao que eu respondi:
- Claro, está ótimo!
Então, ela fez a operação bancária, assinei um papel, peguei o recibo, e fui embora, feliz da vida, na certeza de que tinha feito um “ótimo negócio”…
Os erros
Vários foram os erros que eu cometi nessa história toda.
O primeiro, e mais gritante, foi não saber em que produto eu estava investindo. Eu só sabia que CDB era um tipo de investimento em renda fixa, e que a sigla significava “Certificado de Depósito Bancário”. Eu nem tinha idéia do que significava CDI, e muito menos o que representava 85% do CDI. Como o vencimento do dito cujo estava marcado para dali a alguns anos, eu achava que a rentabilidade seria de 85% naquele período!
Além disso, outro erro crasso foi sequer questionar para a gerente o que, afinal de contas, significava esses 85% do CDI. Eu simplesmente passei batido. Na verdade, eu estava correndo um risco muito grande. Se me fosse oferecido qualquer percentual, eu tenderia a aceitar.
Outra coisa importante é o modo ineficiente do uso do tempo. Foi-se o tempo em que, para investir, era necessário ir até a agência bancária. Mesmo naquela época, o home banking estava funcionando 100%, e eu poderia muito bem ter feito a aplicação via Internet – e ainda por cima usar o Google para descobrir a sopa de letras e números envolvendo o investimento…
Ademais, a falta de objetivos claros também é patente. Afinal, por qual motivo eu estava querendo aplicar em CDB? Para ter mais rentabilidade? Para comprar alguma coisa? Naquela época, eu “mudei por mudar”, o que equivale a dizer que investi sem motivação, o que é um perigo. Falta de educação financeira total.
Em resumo: houve muita falta de atenção de minha parte, e os erros acima constituem parcela significativa desse comportamento. Espero que você não incida nos mesmos erros.
O erro não está no investimento, mas no comportamento do investidor
O CDB, como dito acima, é um investimento conservador, do tipo renda fixa, normalmente oferecido pelos bancos em duas modalidades distintas: prefixado e pós-fixado. Nos prefixados, como o próprio nome diz, a remuneração é fixada no momento da aplicação. Já os pós-fixados, geralmente vendidos como CDB DI, pagam um percentual fixo do CDI fixado no momento da aplicação. Normalmente, quanto maior o valor inicialmente investido, maior é o percentual do CDI. E o CDI é um índice que procura acompanhar a taxa SELIC. Assim, se a SELIC é de 8,75%, 100% do CDI significa que o CDB em questão pagará 8,75% a.a., aproximadamente. No exemplo acima, 85% do CDI significaria o pagamento de cerca de 7,43% a.a. – que é 85% de 8,75.
Os investimentos em CDBs sujeitam-se à tabela regressiva da alíquota do imposto de renda, e também pagam IOF, para resgates realizados antes de 30 dias. No entanto, não pagam o come-cotas semestral (recolhimento do IR no final dos meses de maio e novembro), nem se sujeitam ao pagamento de taxa de administração, o que são diferenciais positivos em relação aos fundos de renda fixa tradicionais, que pagam o come-cotas e também taxas de administração.
Normalmente, as aplicações e resgates ocorrem no mesmo dia dos aportes e saques, o que torna o investimento bastante atrativo em termos de liquidez (= facilidade de conversão em dinheiro vivo ou transferências bancárias).
Porém – há sempre alguns “poréns” – normalmente as aplicações são feitas em múltiplos de determinados valores, por exemplo, múltiplo de R$ 500, múltiplo de R$ 1 mil e assim por diante. Ademais, os valores atualmente pagos aos CDBs, em termos de percentuais do CDI, estão num patamar historicamente baixo: exceto nos pequenos bancos, é difícil encontrar CDBs dos grandes bancos pagando boa remuneração do CDI para valores pequenos.
Outra vantagem do CDB é que ele possui garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$60 mil por CPF. Ou seja, se o banco quebrar, você não irá perder o investimento aplicado em CDB até o limite de R$ 60 mil.
Lições para o investidor
A principal lição que tirei dessa minha história de investimento é essa: conheça o produto em que está investindo. Informe-se, pesquise, não se envergonhe de perguntar ao seu gerente de que tipo de investimento você está tratando.
Além disso, faça uma pesquisa com outras alternativas de investimento, para ver se realmente compensa. No meu caso, por exemplo, era muito melhor ter aplicado o dinheiro em um título do Tesouro Direto (LFT) ou até mesmo num fundo de renda fixa com baixa taxa de administração.
Outra coisa importante é saber investir pela Internet. Isso lhe dá uma economia enorme de tempo, e facilidade para gerenciar suas operações e ter autonomia para decidir por si mesmo.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
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Poderia falar um pouco mais sobre CDB? O que os 85% querem dizer?
J, no meu caso específico, os 85% queriam dizer que a remuneração do empréstimo era de 85% do CDI – Certificado de Depósito Interbancário, o qual, na prática, corresponde a um valor bem próximo da taxa SELIC, que regula os juros no Brasil.
Assim, por exemplo, com uma taxa SELIC de 8,75% a.a., 85% do CDB significa uma remuneração bruta de cerca de 7,43% a.a.
Eu gosto muito dos CDBs, principalmente dos CDBs pós-fixados, atrelados ao CDI. Porém, atualmente, os bancos estão pagando muito pouco de percentual do CDI para valores pequenos, entre 75% e 85%, o que torna essa aplicação inferior inclusive à poupança.
Uma das vantagens do CDB é servir como ótimo colchão de segurança, já que o crédito ocorre em D+0, e o resgate também em D+0, o que significa que ocorre no mesmo dia da solicitação. O fato d também não ter taxa de administração pesa favoravelmente.
Uma das dificuldades é que os depósitos para aplicações normalmente são o múltiplo de um valor predeterminado, p.ex., múltiplos de 500 reais.
Amanhã o Banco Central pode aumentar a SELIC, pra 9,25% a.a., o que automaticamente aumentaria a rentabilidade dos CDBs DI. Entretanto, como os bancos não devem aumentar a remuneração – percentual do CDI – oferecida, talvez seja melhor continuar com a poupança, que é, aliás, o que venho fazendo, já que o meu colchão de segurança está atualmente alocado 100% na poupança.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Olá, obrigada pela dica!
No final do texto, vc acrescennta que preferia ter aplicado o dinheiro em um título do Tesouro Direto (LFT) ou até mesmo num fundo de renda fixa com baixa taxa de administração.
O que é isso? e porque é melhor?
Mto obrigada!
Karol, sim, porque rende mais!
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Agradecendo por compartilhar seus erros!!
Estou estudando para fazer meu primeiro investimento (fora da Poupança), e seu post foi muito útil!
Legal seu depoimento, Marcu_S!
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
[COMENTÁRIO EDITADO PELO MODERADOR]
Valmir, infelizmente, tive que editar seu comentário, pois você violou um dos termos das condições de uso do site, expostas de forma detalhada nessa página do blog: http://www.valoresreais.com/condicoes-de-uso/ Seu comentário se insere na seguinte regra de conduta:
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Vale lembrar ainda que, de acordo com as regras acima enumeradas, “antes de publicar qualquer comentário, o leitor concorda integralmente com os termos de uso contidos aqui e nas regras da legislação em vigor”.