O que, no final das contas, vai importar

Quando você partir dessa vida, o que você deixará? Bens, valores, posses? O que as pessoas dirão a seu respeito? Como você gostaria de ser lembrado?

Se você está lendo esse post nesse momento, saiba que é impossível prever o que ocorrerá no seu futuro, o que irá acontecer amanhã, como será o mês que vem. A vida é marcada por uma sucessão de mudanças, e boa parte delas ocorre de modo totalmente inesperado e alheio à nossa vontade – algumas mudanças são boas, outras nem tanto. O importante é que a vida está aí, à nossa frente, pronta para ser construída e preenchida com nossas atitudes, nossa energia, nossas ações…

O planejamento para alcançar a independência financeira e o próprio processo de educação financeira e aprendizado nos investimentos são fatores importantes, sim, para construir uma vida com mais clareza acerca dos reais propósitos do dinheiro, e também de uma vida mais sadia e com mais qualidade de vida. Entretanto, essa busca desenfreada por mais dinheiro, mais bens materiais e mais status acaba, muitas vezes, obscurecendo o que realmente vai importar no final das contas. Na verdade, nessa busca incessante por mais bens e mais posses, o ser humano vai relegando num plano secundário valores extremamente importantes na edificação de uma vida, tais como:

– relacionamentos (o dinheiro é a principal causa de divórcios e separações),

– saúde (as pessoas gastam saúde para ter dinheiro, para, depois, gastarem dinheiro para voltarem a ter saúde),

– solidariedade (a idéia de doar parte do salário para causas nobres é vista com repugnância por grande parte da sociedade, o que se reflete em parcela dos profissionais que lidam com as finanças, que recomendam doar somente o dinheiro da rentabilidade dos investimentos, e não do salário – não vou entrar em discussão, porque o tema é polêmico),

Uma vida construída com base na obsessão de ter mais dinheiro apenas por ter mais dinheiro não passa de uma vida completamente vazia e destituída de sentido e propósito. A pessoa que segue essa trilha perigosa na construção de seu patrimônio acaba caindo numa perigosa armadilha, na medida em que se esquece que é impossível fazer as coisas responderem ao amor que a pessoa dá a elas. Em outros termos: a única atitude inteligente é amar as pessoas, pois estas poderão responder ao amor que você dá por elas. Se você se preocupar em amar as coisas, você estará perdido, pois elas nunca expressarão esse afeto incondicional expresso pelo seu proprietário. Em outras palavras: será, literalmente, um amor não-correspondido.

Já abordamos isso em outro tópico, e voltamos a falar aqui: se você quiser que sua vida faça sentido, terá que se esforçar também na construção de um patrimônio de ativos intangíveis, cujo “portfólio” é constituído de tantos outros valores imateriais que o dinheiro literalmente não pode e jamais comprará: uma boa família, amigos genuínos, satisfação no trabalho voluntário, energia renovada na prática de exercícios físicos…

É impossível comprar o que as pessoas dirão a seu respeito. Nesse exato instante, você tem a chance única de construir a sua própria vida, baseada nos valores que são mais caros a você, e tendo em vista as metas e sonhos que você quer alcançar. Se você deseja ser um profissional de sucesso, deverá basear a formação de sua carreira num histórico de bom desempenho, honestidade, dedicação e ética. Será assim que você será lembrado, e será por causa disso que as pessoas desejarão te imitar e seguir seu exemplo. E isso independentemente do tamanho do salário ou do tipo de relógio que tiver em seu pulso.

Se você quiser ter uma boa família e filhos bem criados, deverá lhes ensinar a importância dos estudos, de acompanhar a lição de casa, de ser comedido nas compras, e de ter tempo de qualidade com eles, não lhes dedicando as sobras de tempo – sobras essas, muitas vezes, destituídas de energia e atenção adequadas. Só assim você conseguirá ser um pai/mãe de família cujo exemplo possa ser digno de imitação. E isso ocorrerá independentemente do grau de renda da família.

Tanto num caso como no outro, as pessoas se lembrarão de você não em função do grau de salário, ou do tamanho da casa, ou ainda da quantidade de carros na garagem ou de viagens para o exterior – podem até se lembrar, mas isso será insignificante. As pessoas se lembrarão de você pelo legado que você deixou, pelo exemplo de vida que você ofereceu, pelo seu caráter, pela sua forma de tratar as pessoas, pela sua integridade e bom-senso. E essa é a única coisa que poderá ser transmitida aos outros, e a única também que os outros também poderão transmitir a tantos outros. Simplesmente pelo fato de que tal coisa – o caráter, o exemplo de vida, os valores que cultivou – não depende de uma conta bancária recheada ou de uma garagem bonita, ou ainda de uma casa grande para serem “passadas pra frente”. Dependem apenas da vontade. De um ato de vontade de querer transmitir os mesmos valores.

E é por isso que, no final das contas, o que vai importar não é o que você teve, ou o que você fez. O que vai importar, no final das contas, é o que você foi.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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15 Responses to O que, no final das contas, vai importar

  1. Luciano 2 de abril de 2010 at 10:58 #

    Solidariedade é um tema maravilhoso.. compreender o verdadeiro valor da necessidade das pessoas que precisam de ajuda, o trabalho voluntario,e por fim o compromisso com a sociedades, são valores que valem muito mais que qualquer rentabilidade financeira….

  2. hotmar 2 de abril de 2010 at 11:24 #

    Falou tudo Luciano.

    Faço minhas suas palavras.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Flávio 2 de abril de 2010 at 15:02 #

    Excelentes palavras para uma semana santa. Obrigado Hotmar.

  4. hotmar 2 de abril de 2010 at 15:07 #

    Ôpa, grande Flávio, valeu pelo comentário!

    E, pra finalizar com chaves de ouro, não percam a minha resenha do livro “Família, acima de tudo”, que sairá domingo.

    Foi uma bela coincidência esses artigos terem sido programados justamente para essa Semana Santa. Só agora que estou me dando conta de que as mensagens dos textos “se encaixam” no espírito dessa semana. 😀

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Luciano 2 de abril de 2010 at 23:36 #

    Isso aí Hotmar, fico feliz por ter a mesma linha de pensamento ref a um tema tão desprezado pela nossa sociedade…
    abração
    Luciano

  6. Luciano 3 de abril de 2010 at 0:24 #

    Proteção Familiar….

    Esse é um assunto muito pertinente, muito polêmico..Infelizmente no Brasil é tratado com muito descaso e PRECONCEITO pelas nossas familias brasileiras…
    Estou falando sim, do bom e velho SEGURO DE VIDA, ele mesmo,será que a gente pode parar um pouquinho pra pensar e mudar a nossa mentalidade tirando de vez esse tabu e pensar seriamente nas pessoas que a gente mais AMA…. eles estão protegidos?..vc está protegido caso algo aconteça contigo?..uma invalidez..imagina que impacto isso fará em toda sua estrutura financeira…e a psicológica? nem se fala!!! A vida não AVISA..Falamos muito sobre independencia financeira.. e a PROTEÇÃO financeira?
    Temos que ser muito cuidadosos com a nossa família,e pricipalmente com nossos filhos.. trazendo para eles um produto que um verdadeiro Gesto de Amor….
    abração
    Luciano

  7. hotmar 3 de abril de 2010 at 8:52 #

    Luciano, seu ótimo comentário me inspirou a escrever um artigo que trata justamente desse tema: a importância dos seguros de vida e por invalidez. Acabei de redigi-lo, ele já está programado para ser publicado no decorrer da próxima semana!

    Valeu pelo comentário: ele acaba de virar pauta do blog! 😀

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  8. Luciano 3 de abril de 2010 at 10:21 #

    Vou estar aguardando anciosamente Hotmar, é sempre muito bom acompanhar seus textos com base no seu grande conhecimento…
    Infelizmente,devido a falta de Maturação do cliente brasileiro , o nosso mercado não trata a comercialização desse produto de forma trasnparente, vendem de qualquer jeito juntos com os VGBLs e PGBLS…seguradoras fazem grandes parcerias com bancos para venderem “segurinhos” vinculados a cartões de créditos,muitas nem oferecem apólices com o valor das coberturas…bem, sobre os problemas operacionais e tambem das grandes companhias que oferecem um produto de vida DIGNO e TRANSPARENTE, a gente fala depois das pautas que virão logo logo…
    abração
    Luciano

    Luciano

  9. hotmar 3 de abril de 2010 at 10:43 #

    Obrigado, Luciano!

    Olha que a verdade nua e crua é essa mesma: desinformação e políticas pouco transparentes ainda perduram nesse universo de comercialização de seguros. O duro é que esse é um produto tão essencial pra muitas famílias que, por conta justamente da falta de atenção, os produtos são escolhidos de forma errada ou não são nem escolhidos, diante do desânimo, do valor custo/benefício nada atraente ou do jogo de “empurra-empurra” que muitos gerentes acabam fazendo para os clientes, jogando produtos que nada tem a ver com a necessidade específica deles.

    Isso sem falar nesses “segurinhos” dos cartões de crédito. Eu já desisti deles e cancelei-os do meu cartão de crédito. É uma economia pequena – R$ 3 – mas é uma economia.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  10. Luciano 4 de abril de 2010 at 0:24 #

    concordo integralmente contigo Hotmar, o maior problema é quando acontece o sinistro…vc nem imagima a dor de cabeça..processos, brigas na justiça,isso numa fase em que a pessoa esta no processo de “restabelecimento de vida”..vc acha isso justo? isso acontece muito com o produto “VIDA”,infelizmente muitas seguradoras no Brasil não estão estruturadas na operação desse produto. Cadê a analise de risco na hora da contratação como é feito nos EUA..,estou falando de um consultor especializado em VIDA, ele analise seu estado de saude, faz sempre um acompanhamento periódico se necessário, verifica sua estrutura financeira , e assim elabora um plano e uma cobertura de acordo com as suas necessidades, ou seja levam a SÉRIO, evitam correr RISCOS, são planejadores e contam com uma população madura e inteligente.no final quem ganha é o consumidor americano.. qualquer problema relacionado com morte ou invalidez o beneficio é liberado na hora…

    abração amigo
    Luciano

  11. hotmar 4 de abril de 2010 at 10:31 #

    Luciano, bem lembrado: é muito importante contar com profissionais especializados, que poderão dar as orientações necessárias, traçar o perfil de risco do cliente e indicar os produtos mais adequados.

    Vamos torcer para uma mudança de mentalidade da população na hora de contratar seguros também. Afinal, investimento sem proteção é uma das piores coisas que existem.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  12. Coringa 7 de outubro de 2010 at 13:17 #

    Discordo parcialmente com o que foi colocado nos post´s. A sua vida é única.Voce não deve satisfação a ninguem!!!! Foda-se o que os outros pensam de voce.Voce vive a sua vida, ninguem viverá por voce.
    Viver pensando no que os outros vão achar quando voce estiver morto é estupidez!

  13. Lucia 21 de janeiro de 2016 at 10:41 #

    Muito bom.

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