Resenha: Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não, de Carol S. Dweck

Se você diz para uma criança que tirou 10 na prova de matemática que ela é inteligente e tem talento, você estará contribuindo para o desenvolvimento de sua personalidade? Para Carol Dweck, não. Essa é a forma errada de elogiar uma criança. Isso porque, ao dizer essas palavras, a mensagem que a criança recebe é que talento e inteligência bastam para tirar 10 na prova, relegando a segundo plano valores como esforço e aprendizado. Mas por quê isso ocorre? Por quê algumas pessoas e empresas fazem sucesso, e um sucesso permanente, e outras acabam não atingindo os seus objetivos? Segundo a autora, o primeiro e fundamental passo para entender os motivos pelos quais isso ocorre é compreender o código de sua mente. É o que a autora se propõe a fazer nesse livro, fruto de várias décadas de profunda pesquisa junto a diferentes alunos e instituições, bem como empresas, atletas profissionais e casais. Será que as conclusões dessa pesquisa podem ser aproveitadas de forma útil em sua vida pessoal? Vamos ver mergulhando no conteúdo do livro objeto dessa resenha exclusiva do blog Valores Reais! 😀

Informações técnicas

Título: Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não: saiba como você pode ter êxito entendendo o código da sua mente

Autora: Carol S. Dweck

Número de páginas: 252

Editora: Fontanar

Faixa de preço: R$ 22 a R$ 40

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O código da mente. O livro sustenta a tese da existência de dois tipos de códigos mentais: o fixo e o construtivo. As pessoas de código mental fixo acreditam que suas qualidades são imutáveis, e que seu objetivo principal é provarem-se a si mesmas, seja na escola, na carreira ou nos relacionamentos. Cada situação contém uma oportunidade para confirmar sua inteligência, personalidade e caráter. Já as pessoas de código mental construtivo acreditam que suas qualidades básicas podem ser cultivadas por meio de seus próprios esforços. Ou seja, é possível se desenvolver e se aprimorar, com treinamento, paixão e esforço.

A diferença entre esses dois tipos de código aparece sobretudo pela maneira com que lidam com dificuldades: as de código fixo tendem a recuar e a arranjar desculpas, achando que não “iria dar certo mesmo”, que “não era para ela”, ao passo que as de código mental construtivo as encaram como desafios e oportunidades para se desenvolverem.

Por dentro dos códigos. Dessa forma, os códigos mentais funcionam como convicções, que estão em sua mente, e que podem mudar suas idéias. É interessante observar o comportamento dos bebês. Eles não se intimidam diante de tarefas extremamente difíceis, como aprender a andar, aprender a falar. Imagina o quão difícil deve ser para uma criança aprender um idioma qualquer, seja ele russo, árabe, português, chinês, grego… a fase de aprendizado é exuberante. O que poderia detê-las? O código mental fixo. As crianças com esse código sempre querem ter êxito. Já as de código construtivo querem se desenvolver, mesmo que isso custe tempo. Estão mais interessadas no aprendizado do que em provarem que são inteligentes. Essa é uma das notas diferenciais entre esses dois tipos de código.

O problema é que a sociedade dá, infelizmente, mais importância às realizações obtidas sem esforço do que as que necessitam de trabalho. Valorizam demais o talento em detrimento do desenvolvimento. Logo, dão mais valor às pessoas de código fixo, quando, em verdade, muitas das pessoas representativas de sucesso só chegaram lá por conta de seu extraordinário treinamento e esforço. Não é preciso ir muito longe. Esportistas como Ayrton Senna, Gustavo Kuerten e a seleção brasileira de vôlei treinada pelo Bernardinho só conseguiram tantas façanhas devido a uma dedicação intensiva aos aspectos de treinamento e de preparação.

Só que a nossa sociedade pensa o contrário. As pessoas de código fixo pensam que o esforço é para suprir deficiências, logo, o talento seria o que mais conta. Ora, sabemos que isso evidentemente não é verdade. É certo que ter um DNA pré-disposto para certas atividades facilita, mas nada substitui a vontade de se preparar e de aprender. Isso é fato.

A verdade sobre aptidão e realização. Você certamente tinha colegas na escola que se gabavam de tirar notas altas sem estudar, ou estudando pouco. Isso também atraía a atenção de outros colegas, querendo saber qual é a “fórmula secreta”. Ora, não existe fórmula secreta. Não existem atalhos. Essas pessoas que desprezam o esforço, os seus colegas, pode ter a certeza de que eram pessoas de código mental fixo. Será que algumas delas foram pra frente? Só se tiverem mudado seus códigos mentais, passando de fixos a construtivos. Pessoas com código mental construtivo não estabelecem limites para aptidões e realizações, e, por isso, avançam em seus projetos, mesmo que isso demande esforço e aprendizado. Dweck fala também dos cuidados que os pais devem ter ao darem rótulos aos seus filhos, como esse é “cientista”, ou aquele é “artista”. Deve-se elogiar usando o código construtivo.

Esportes: o código dos campeões. Carol Dweck dá nesse capítulo exemplos de esportistas que tiveram código mental fixo, como o tenista John McEnroe, e atletas que usaram o código mental construtivo, como Michael Jordan e Pete Sampras. É interessante observar as conclusões acerca de como cada um dos códigos lida com o fracasso. As de código mental construtivo as encaram como fontes de motivação, pois as situações adversas revelam informações, que podem ser usadas para corrigir os erros. Já as de código mental fixo acham que os fracassos engessam, na medida em que demonstravam que não eram fortes o suficiente. As pessoas de código mental construtivo não só dominam os processos que levam ao sucesso, como os conservam.

No mundo dos negócios: o código da mente e a liderança. Os exemplos práticos são também demonstrados no campo dos negócios: de empresas com código fixo, são abordados os exemplos da Enron e da AOL-Time Warner, e, das de código mental construtivo, são destacados os exemplos de Jack Welch, que revolucionou a GE, e de Lou Gerstner, da IBM.

Relacionamentos: códigos mentais apaixonados (ou não). Capítulo muito interessante sobre a influência que os códigos mentais exercem sobre os relacionamentos. As pessoas com código mental fixo acreditam que tudo precisa ocorrer automaticamente, como se um devesse ler a mente do outro. Já as pessoas de código mental construtivo acreditam que uma relação duradoura é resultado de esforço e da vontade de superar as diferenças que inevitavelmente irão ocorrer no meio do caminho.

Pais, professores e técnicos esportivos: de onde vêm os códigos mentais? Para mim, é a melhor parte do livro, pois demonstra os motivos pelos quais os códigos mentais podem ser firmados desde a infância, e, portanto, contém dicas de como lidar diante das inevitáveis situações em que os pais ficam propensos ou a elogiar de maneira errada, ou a criticar de maneira também errada. Isso ocorre porque as crianças prestam muito atenção às mensagens que lhes são passadas através seja dos rótulos positivos, seja dos rótulos negativos, e saber se comportar diante das situações do dia-a-dia é fundamental para incutir nelas o código mental construtivo. Contém dicas também para professores e técnicos esportivos.

Mudança de código: workshop. O último capítulo é destinado a oferecer orientações práticas de como sair de uma situação de código mental fixo para código mental construtivo, a partir de exemplos tirados de casos que normalmente ocorrem no dia-a-dia, como a reprovação num exame para ingresso no mestrado, como mudar o código mental do filho, e assim por diante. Dweck enfatiza a importância de construir um plano concreto de ação e de levá-lo adiante, pois amplia o crescimento e faz as pessoas operarem mudanças positivas em suas vidas. Dois outros excelentes livros que também focam no desenvolvimento pessoal como chave para conseguir grandes resultados são Uncertainty: Turning Fear and Doubt into Fuel for Brilliance, de Jonathan Fields, e The Education of Millionaires: It’s Not What You Think and It’s Not Too Late (Portfolio), de Michael Ellsberg.

Conclusão

A mensagem central da tese da autora é a mesma com a qual compartilho: a de que, embora o talento seja importante, o fundamental mesmo para ter sucesso em qualquer área da vida é trabalho duro, perseverança e paixão pelo aprendizado permanente.

Dessa forma, ter um código mental construtivo lhe ajudará principalmente naqueles momentos da vida marcados por dificuldades, pois é a forma com que você lida com os testes que surgem durante a vida que definirão e moldarão os resultados subsequentes.

A leitura flui de uma maneira bastante agradável principalmente porque é recheada de exemplos práticos colhidos durante a pesquisa científica realizada pela autora, provando por A + B os fundamentos que sustentam suas opiniões.

O livro, como não poderia deixar de ser, é excelente fonte para você que deseja ter mais conhecimento acerca dos aspectos mentais que estão subjacentes aos diferentes comportamentos humanos diante de distintos cenários.

Uma leitura recomendadíssima! 😀

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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14 Responses to Resenha: Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não, de Carol S. Dweck

  1. naldinho 18 de abril de 2010 at 14:44 #

    ótima recomendação, realmente temos que valorizar mais o constante aprimoramento, do que se preocupar em provar algo a si mesmo e au outros, o importante é viver melhor se tornando uma pessoa melhor!!!
    fik com Deus
    abraços

  2. hotmar 18 de abril de 2010 at 15:00 #

    naldinho, essa é a mensagem, que você captou muito bem!

    Obrigado pela visita e pelo comentário!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. naldinho 18 de abril de 2010 at 15:12 #

    eu trabalho na área de vendas e ”melhorar” pra mim é algo que eu não posso deixar de buscar! to lendo outros artigos e parabéns pelo blog…
    t+

  4. hotmar 18 de abril de 2010 at 15:16 #

    naldinho, parabéns pela atitude! Siga em frente que os resultados dessa colheita e preparação árdua logo logo virão!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Gui 21 de abril de 2010 at 11:04 #

    grande resenha Hotmar, eu mesmo me identifiquei com algumas situações em que eu fico do lado “errado”, e agora sei de alguns aspectos que eu posso melhorar…

    abraços

  6. hotmar 21 de abril de 2010 at 11:18 #

    Ôpa, valeu Gui!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Washington Chalegre 27 de junho de 2012 at 0:33 #

    Muito interessante e a sua resenha convence a adquirir o livro.

    No entanto, percebo que no trâmite dos dois processos mentais, há fatores internos e externos que associados ao contexto vívido e ao desenvolvimento cultural do indivíduo, poderiam alterar o diagnóstico e reformar o próprio processo.

    O construtivismo e o fixismo se assemelham ao pensamento de fé (religioso) que divulga o caminho do céu, difícil e o do inferno, largo e fácil.

    Assim, longe de ser pessimista, penso que o sucesso ou o fracasso são resultados muito relativos, pois não estão condicionados a um padrão de indicadores. Estão definidos na percepção individual-coletiva de cada ser humano.

    Abraço.

  8. Guilherme 7 de julho de 2012 at 13:15 #

    Grato, Washington, pelo comentário muito bem escrito!

  9. Dulce 16 de maio de 2013 at 10:28 #

    Muito boa a resenha, me incentivou a comprar o livro, o assunto é interessantíssimo.

  10. Lan Dellaflora 10 de janeiro de 2014 at 17:04 #

    Através da resenha do livro “Aprenda a ser otimista” cheguei nesta resenha e fiquei interessada em ler este livro. Já estou com os dois na minha lista de próximas leituras :). Obrigada por resenhar livros tão interessantes e parabéns pela iniciativa!

    Abraço.

    • Guilherme 10 de janeiro de 2014 at 18:22 #

      Muito obrigado pelas palavras, Lan!

      Abç!

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