Resenha: Felicidade autêntica, de Martin Seligman

Como eu disse anteriormente, nas diversas leituras que tenho feito, algumas citações passam a ocorrer de forma frequente. O mais curioso é que, como tenho lido livros de diferentes áreas do conhecimento, indo de investimentos no mercado de ações até produtividade pessoal, e passando pela psicologia cognitiva e literatura brasileira, alguns escritores têm sido objeto de citação em todas essas diferentes áreas do conhecimento humano, o que me instiga a procurar a leitura deles.

Um desses autores, que costuma ser citado em obras de diferentes áreas do saber humano, é Martin Seligman, e um dos livros que é citado com frequência nessas diferentes obras é Aprenda a ser otimista, resenhado recentemente. Bem, usando os mecanismos de comparação de preços disponíveis na Web, e aproveitando as promoções de um cartão de crédito, fui à caça desse exemplar, o qual, felizmente, estava disponível na livraria. Ocorre que eu precisava comprar uma quantidade mínima em reais para ter direito ao desconto e ao frete grátis.

Então fiquei matutando em torno de obras mais baratas – até R$ 10 – que completasse o valor mínimo da compra elegível para os benefícios. Fiz uma pesquisa na referida livraria, anotando os possíveis títulos que poderiam compor a cesta de compras daquele dia. Eis que, movido por um lampejo de curiosidade, resolvo investigar: será que o Seligman não tem algum outro livro disponível para venda? E eis que me deparo com esse livro objeto de resenha no dia de hoje, no formato de bolso, mas com conteúdo integral, e com um preço bastante atraente. Fecho a compra com esse título e, não por acaso, devido ao instigante título, e já sabendo da qualidade do autor – ph.D. em psicologia nos Estados Unidos, e referenciado por livros sérios e competentes de diferentes áreas do saber humano – resolvo ler o que vem a estar por trás da capa.

O curioso é que a gente acaba se perguntando, à medida que avança na leitura: “por quê descobri esse livro somente agora?” Afinal, ele foi lançado no Brasil em 2004, e inclusive o autor foi o entrevistado nas páginas amarelas da revista Veja no mês de março daquele remoto ano – há inclusive a versão integral disponível para leitura na página virtual da revista. O que me leva à conclusão de que, mais importante do que acumular dinheiro, é acumular saber, já que o conhecimento está aí, disponível para todos. O livro “A arte de fazer acontecer” foi publicado em 2001, e só descobri o método GTD nesse ano. O livro “O milionário mora ao lado” foi publicado mais remotamente ainda, em 1999, e eu tive a graça de consegui-lo via sebo virtual…em 2010!.

Aliás, devo dizer que essa é outra coisa da qual me orgulho aqui no Valores Reais: a resenha de livros que não se restringem a lançamentos. Se o livro lido é merecedor de resenha aqui no blog, escrevo-a não importa a data de sua publicação, até porque boa parte desses tesouros descobertos foram lançados vários anos atrás. Inclusive, fiz a encomenda de outro livro publicado em outra data remota, conforme verão em um dos próximos domingos…

Martin Seligman é um dos fundadores de um novo ramo da Psicologia, chamada de Psicologia Positiva. Ao invés de centrar seus estudos nos transtornos mentais, Seligman elege como alvo de prioridade o estudo das emoções positivas, isto é, dos fatores que levam as pessoas a ter mais felicidade. A Psicologia Positiva está assentada sobre três pilares: estudo das emoções positivas, estudo dos traços positivos, principalmente as forças e virtudes, e, finalmente, o estudo das instituições positivas – democracia, liberdade, família – que dão amparo às virtudes, as quais, por sua vez, sustentam as emoções positivas. Vamos ver do que trata então o livro Felicidade autêntica?

Informações técnicas

Título: Felicidade autêntica – usando a psicologia positiva para a realização permanente

Autor: Martin Seligman

Número de páginas: 459

Editora: Objetiva-Ponto de Leitura

Faixa de preço: R$ 12 a R$ 18 – edição de bolso, e R$ 38 a R$ 49 – edição normal

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Parte I: Emoção positiva.

O cerne da primeira parte da obra é mostrar que a felicidade pode aumentar e se estender. Trata, pois, do entendimento e da intensificação das emoções positivas, procurando derrubar o “dogma imprestável” de que não existiria felicidade autêntica. A fórmula da felicidade seria constituída pela seguinte equação:

H = S + C + V

Onde:

H (happiness) = nível constante de felicidade

S (set range) = limites preestabelecidos

C (circunstances) = circunstâncias da vida

V (voluntary) = fatores que obedecem ao seu controle voluntário

As variáveis “S” tendem a impedir que o nível de felicidade aumente. Elas são constituídas por fatores genéticos, rotina hedonista e limites preestabelecidos.

O estudo das circunstâncias abrange o dinheiro (que não teria grande influência para o aumento do nível constante de felicidade), casamento (esse sim, com forte influência para tornar as pessoas felizes), vida social, emoções negativas, saúde, educação, religião, dentre outras circunstâncias.

A emoção positiva se apresenta em três diferentes níveis: passado, presente e futuro, sendo possível cultivar cada um de modo separado.

As emoções positivas em relação ao passado abrangem a elevação dos níveis de satisfação, contentamento, orgulho e serenidade. Nesse ponto, Seligman é um crítico severo da teoria que sustenta que eventos negativos na infância levem sempre a problemas na idade adulta. De acordo com o autor, a importância que se dá aos fatos passados é exagerada, ou seja, o passado, em geral, é superestimado. Aliás, é a pouca valorização dos acontecimentos positivos do passado, bem com a ênfase excessiva aos negativos, que são as responsáveis pelo enfraquecimento da satisfação, contentamento e serenidade.

Para amplificar as emoções positivas em relação ao passado, propõe-se uma série de exercícios, como a expressão da gratidão, do perdão, do esquecimento. Eis um bom trecho para se guardar na memória (p. 125):

“O que você sente em relação ao passado – satisfação ou orgulho versus amargura ou vergonha – depende inteiramente das suas lembranças. Não existe outra fonte. A razão pela qual a gratidão contribui para aumentar a satisfação com a vida é que ela amplia as boas lembranças do passado – a intensidade, a frequência e a graça”.

As emoções positivas em relação ao futuro compreendem a esperança, o otimismo, a fé e a confiança. Nesse capítulo, são mostrados exercícios de como fazer com que o leitor aumente o grau de emoções positivas em relação ao futuro, bem como são apresentados exemplos práticos que ilustram tais possibilidades.

Por fim, uma das melhores partes do livro: como aumentar a felicidade no presente, ancorada em sólidas  evidências e bases científicas, e resultantes de milhares de pesquisas. As emoções positivas em relação ao presente abrangem os prazeres e as gratificações. Os prazeres se definem por serem momentâneos, fugazes, e pela emoção que provocam. Exemplo: comer chocolate, assistir televisão. Eles podem ser intensificados pela anulação do efeito negativo da habituação (isto é, aumentando o intervalo temporal entre eles, por exemplo, tomar refrigerante só no final de semana), pela apreciação (“curtir o momento”), e pela atenção (“concentrar-se na experiência”).

As gratificações, que talvez constituam uma das pedras angulares da Psicologia Positiva, estão ancoradas não nas emoções, mas sim nas forças e virtudes pessoais. Isto é, no “flow”, que ocorre quando nos dedicamos e nos concentramos em uma atividade de tal modo que o tempo parece parar. Caracterizam-se, portanto, pela plenitude, pelo engajamento, pela absorção. Não existe, na gratificação, emoção positiva ou consciência, mas sim o exercício de forças e virtudes pessoais. Participar de um projeto social voluntário não requer emoção nem consciência, mas produz extrema gratificação para quem assume esse desafio. A teoria do fluxo, ou “flow”, foi criada por Mihaly Csíkszentmihály, um respeitado cientista social que forneceu uma das bases estruturais para a criação da ciência da Psicologia Positiva.

É aqui que encontramos resposta para uma indagação que na verdade é uma contradição: se os indicadores atuais de bem-estar objetivo – tais como grau de instrução, poder de compra, alimentação – vêm subindo e estão maiores do que há 50 anos atrás, por quê os indicadores de bem-estar subjetivo vêm caindo – representado, por exemplo, pelo aumento dos casos de depressão? Se as condições materiais de vida vêm melhorando, por quê as pessoas não estão mais felizes?

Porque a nossa sociedade prioriza os prazeres em detrimento das gratificações. Buscam-se atalhos para a felicidade: televisão, compras, drogas, junk food… e esses atalhos não geram mudanças nem desenvolvem as virtudes nem as forças pessoais. Como diz o autor (p. 186):

“O que me aconteceria se a vida fosse toda feita de prazeres fáceis, nunca exigindo o uso de minhas forças nem apresentando desafios? Uma vida assim predispõe à depressão. As forças e virtudes podem murchar durante uma vida de facilidades, oposta a uma vida plena pela busca da gratificação”.

Parte II – Força e virtude

Essa parte é dedicada ao estudo das forças e virtudes. Inicialmente, os autores fazem uma catalogação das seis virtudes que estão presentes em praticamente todas as culturas e tradições existentes ou que existiram, ou seja, estudaram diversas religiões e tradições filosóficas – Velho Testamento, Confúcio, Buda, Alcorão, Benjamin Franklin, tribos indígenas da América do Norte etc. – encontrando seis virtudes comuns a todas elas: saber e conhecimento, coragem, amor e humanidade, justiça, moderação e espiritualidade e transcendência.

Além das seis virtudes, a Psicologia Positiva catalogou 24 forças que podem ser desenvolvidas por praticamente qualquer ser humano, cada uma relacionada a uma virtude específica. Por exemplo, dentro da virtude do “saber e conhecimento”, foram localizadas seis forças pessoais: curiosidade, gosto pela aprendizagem, critério, habilidade, inteligência social e perspectiva. Dentro da virtude da moderação, estão autocontrole, prudência e humildade, e assim por diante. Toda pessoa possui inclinação a desenvolver certo tipo de força ou virtude específica, e o autor apresenta uma série de exercícios que visam fazer com que o leitor encontre as que lhe são mais poderosas e as que mais poderiam ser desenvolvidas e aprimoradas.

Parte III – Nas moradas da vida

Essa terceira parte trata da aplicação prática de como ampliar as emoções positivas, desenvolvendo as forças e as virtudes, a fim de produzirem gratificação, e, portanto, felicidade autêntica, em diferentes segmentos da vida, tais como trabalho – como desenvolver as suas forças pessoais nas rotinas profissionais, e, assim, recriá-las, tornando-se uma vocação – no amor, mais especificamente no casamento, afirmando-se que esse é tanto melhor quanto mais se torna um veículo para uso diário de nossas forças pessoais – e na criação de filhos, com orientações práticas de como desenvolver emoções positivas, principalmente em crianças pequenas.

Nesse último capítulo – criação de filhos – o autor se vale de sua própria experiência pessoal na criação de seus quatro filhos pequenos, e conta as oito técnicas para criar emoção positiva, apresentando seus prós e contras: dormir com o bebê, uso de jogos sincrônicos, tesouros da hora de dormir etc. Para pais marinheiros de primeira viagem, só esse capítulo já valeria o investimento.

O último capítulo do livro destina-se a investigar o significado e propósito da vida. De acordo com Seligman, tendo em vista que a humanidade parece caminhar em um processo de maior complexidade e em mais situações em que todos saem ganhando, o nosso objetivo, como indivíduos, é escolher ser uma parte do avanço nesse sentido, nos unindo a algo maior.

Todas as partes do livro – Partes I, II e III – estão repletos de exercícios e questionários visando a que os leitores coloquem em prática os ensinamentos ali repassados, promovendo um grau de interatividade entre autor e leitor bastante interessante, útil e oportuno.

O autor distingue quatro tipos de vida: a agradável, a boa, a significativa e a plena. A vida agradável é a que busca os sentimentos positivos, bem como o desenvolvimento de habilidades para aumentar essas emoções. A vida boa vai além, e visa utilizar as forças pessoas para produção de gratificação abundante. A vida significativa constitui igualmente um passo a mais, e define-se pela busca de alguma coisa maior que nós mesmos. E a vida plena, por sua vez, é viver todas essas três vidas, de forma integrada e harmoniosa.

Conclusão

Como já vem se tornando praxe nas resenhas que fazemos todos os domingos, esse é mais outro livro que merece a qualificação de excelente. É um livro de psicologia voltada não para profissionais da psicologia, mas para leigos. E o que mais me impressionou foi a metodologia científica com a qual foram elaborados os argumentos que levaram à fundação dessa nova área da Psicologia – a Psicologia Positiva – inclusive, o última parte da obra revela as origens e os bastidores da criação dessa nova área.

Dentre tantas novidades que estão contidas na obra, uma das mais úteis e interessantes, sem dúvida, é a distinção que se estabelece entre prazeres e gratificações, como requisitos para manutenção e abastecimento dos reservatórios de felicidade no momento presente. O autor não descarta a importância dos prazeres como componentes da felicidade, mas lhes redimensiona a função, dando dicas úteis de como amplificá-los, bem como reforça o papel vital que as gratificações desempenham na construção de uma felicidade autêntica baseada no desenvolvimento de nossas forças e virtudes.

Não é um livro que fica só na teoria, pois dá exemplos práticos de como fatos que poderiam passar despercebidos – como o sorriso em fotografias antigas – pode revelar muito se a pessoa teve uma vida de felicidade autêntica ou não. São muito engraçadas as situações que o autor narra ter vivido com seus filhos pequenos, já que essas mesmas situações despertaram nele o momento “eureca” para diversas teorias que procurava explicitar.

Esse foi outro livro recheado de sublinhados e asteriscos, cujas ideias – muitas profundas, brilhantes e incrivelmente simples – merecem ser revistas e discutidas em outros artigos aqui no blog.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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16 Responses to Resenha: Felicidade autêntica, de Martin Seligman

  1. Willy Fog 21 de outubro de 2010 at 16:14 #

    Excelente esta resenha! 😛
    .
    Preciso ler este livro. Este assunto muito me interessa.
    .
    Abcs

  2. Guilherme 22 de outubro de 2010 at 10:38 #

    Valeu, Willy!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Andreia 2 de maio de 2011 at 22:35 #

    Parabéns Guilherme! Òtima resenha,é isso aí, se o livro é bom, merece ter um destaque como esse que vc deu, não não importa a quanto tempo tenha sido publicado.Tomara q vc continue a nos presentear com esses tesouros do baú!

    Um abraço,fique com Deus!

  4. Guilherme 3 de maio de 2011 at 21:01 #

    Andreia, obrigado! Vou continuar garimpando boas obras para meu público que ama ler livros de altíssimo grau de qualidade!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. maria del pilar ferrer camara 25 de outubro de 2011 at 9:30 #

    Prezado Senhor
    Gostaria de saber de um livro deste mesmo autor que em inglês se chama Self Help . não sei o resto, deculpe.
    Me disseram que é dos anos 70.
    Grata
    e graças a sua resenha estou adquuirindo o livro e sei que vou gostar muito]

  6. Guilherme 26 de outubro de 2011 at 12:13 #

    Maria, não sei lhe informar sobre esse livro Self Help. Grato pelas palavras!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Carlos Manoel Marques 8 de abril de 2015 at 23:00 #

    Guilherme,

    Estou tendo o prazer diário de ler o seu Blog e a resenha sobre este livro é TOP! :-) E sabe o que foi mais bacana? O fato de você ter apreciado! Por que? Porque já li esse livro também, lá nos idos de 2005 ou 2006. Foi um livro que deixou-me uma forte impressão positiva! :-)
    Abraço,

    • Guilherme 9 de abril de 2015 at 11:54 #

      Olá Carlos, muito legal que você também o tenha lido, e gostado da resenha! 😀

      Abç!

  8. Mônica Japiassú 28 de agosto de 2015 at 9:55 #

    Olá, Guilherme!

    Uma amiga me indicou conhecer Martin Seligman, por causa das ações que temos feito pela Família Quadrada, e cheguei a esta excelente resenha!

    Assim que terminei de ler este post, fui direto ao site da Amazon e comprei o livro para o Kindle.

    Obrigada por ter divulgado esse livro que parece ser excelente com uma resenha igualmente excelente! :)

    Abraço!

    • Guilherme 1 de setembro de 2015 at 19:18 #

      Maravilha, Mônica!!!!

      Obrigado pelas palavras!!!!

      O livro é um dos melhores que eu já li, dentre todos os tipos de livros. Leitura simplesmente fantástica! 😀

      Abraços!

  9. Eliane Cristina dos Anjos Silva 10 de janeiro de 2016 at 14:13 #

    Muito Importante ! Estou pretendendo fazer meu TCC em Psico sobre Felicidade. Tudo isso me interessa! GOSTEI.

  10. Walkyria Augusto 23 de junho de 2016 at 4:20 #

    Parabéns pela resenha Guilherme.
    Sou Psicóloga, coach e tenho trabalhado muito com pessoas que buscam ser feliz únicamente através do ter e não do ser.
    Sou fã de Seligman e utilizo a Psicologia Positiva no meu trabalho, na minha vida, com meus filhos, nos meus relacionamentos…
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Tenho certeza que ao escrever no seu blog, certamente o faz em flow!!!!
    abraços
    Walkyria Augusto

    • Guilherme 24 de junho de 2016 at 11:00 #

      Oi Walkyria, obrigado!

      Sim, sem dúvida, eu faço o trabalho de escrita no blog em total flow! 😀

      Abraços!

Trackbacks/Pingbacks

  1. Valores Reais » Não deixe a Copa do Mundo controlar sua vida - 27 de maio de 2010

    […] capaz de produzir felicidade no presente, ainda que fugaz, é ele ter sua habituação controlada, de acordo com os ensinamentos de Martin Seligman. Isso é, ele não pode se repetir a todo momento, porque acaba se tornando um evento redundante, […]

  2. Valores Reais » Viva sua paixão - 18 de junho de 2010

    […] mais antigos produziam muito prazer, mas relativamente pouca gratificação. Vale dizer, produziam felicidade no momento presente, é inegável, mas não chegavam a produzir mudanças duradouras. Já esses últimos produzem […]

  3. Resenha: Longevidade emocional, de Norman Anderson « Valores Reais - 16 de setembro de 2011

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