Há algumas semanas atrás, publicamos um estudo prático de caso: investimento mensal, no “piloto automático”, de R$ 1 mil, num ETF – BOVA11, desde o seu começo até hoje.
Encartado naquele artigo, fizemos referência a um artigo do jornal Brasil Econômico, que comparava o investimento entre fundo de ações de banco, e fundo de ações negociado em Bolsa, o ETF:
Nela, a comparação dos ETFs foi feita com fundos de índice passivos comercializados nos bancos de varejo e, por meio de uma metodologia própria, chegou-se à conclusão de que, partindo-se da premissa de ganhos iguais (entre o ETF e o fundo do banco), da ordem de 20%, num prazo de 12 meses, e considerando uma taxa de administração de 2% para o fundo de índice, e considerando ainda taxas de custódia de R$ 6,90 e de corretagem de R$ 20, no ETF, o investimento no ETF passa a ser mais vantajoso para aportes a partir de R$ 6.401,18. As tabelas e as premissas da metodologia estão listadas na reportagem – vale a pena lê-la.
Fizemos algumas observações em relação a esse estudo, considerando premissas diferentes:
O nosso investidor conseguiu uma corretora que cobrasse R$ 5 de corretagem + isenção de custódia mensal de R$ 6,90 (e há várias corretoras que fazem isso). Com isso, ele pagou R$ 5 (corretagem) + R$ 0,00 (custódia) + R$ 5,94 (taxas de administração) = R$ 10,94. Comparado com o fundo, cujos custos totais somaram R$ 22 para o mesmo aporte de R$ 1 mil, houve uma economia de R$ 11,06, ou seja, de mais de 50% nos custos operacionais.
Ou seja, escolher corretoras que cobrem menos taxas fazem até investimentos em quantias menores valerem mais a pena do que nos fundos de bancos.
Ademais, a taxa de administração de 2% deve ser tomada apenas como uma referência. Na tabela de fundos de ações do Banco do Brasil, por exemplo, os fundos indexados ao Ibovespa cobram 4%, e os fundos Small Caps, 3%. O fundo Small Caps do Bradesco também cobra 3%, embora seus fundos indexados ao IBovespa cobrem 2%. Os fundos indexados do Itaú cobram também 2%.
Vamos considerar, nesse artigo, um aspecto de fundamental importância: a escolha da corretora com custos operacionais (taxa de custódia + taxa de administração) menores, e de como esses custos podem impactar o investimento de valores ainda menores do que os considerados no estudo.
Aqui, daremos prioridade a um valor ainda mais baixo: R$ 500. Suponha que você tenha R$ 500 para investir e esteja em dúvida quanto a qual fundo colocar seu dinheiro. Você está em dúvida entre o fundo de ações comercializado no banco ou gestora independente, e um ETF, ou seja, um fundo de índice passivo negociado em Bolsa, como o PIBB11, BOVA11, SMAL11 etc.
Premissas metodológicas
Vamos, então, partir das mesmas premissas utilizadas naquele artigo, adaptadas ao nosso estudo:
- Investimento: aporte único de R$ 500;
- Produto: fundo de índice passivo, ou seja, que acompanha determinado índice;
- Prazo de aplicação: 12 meses;
- Rentabilidade alcançada: 20%
- Taxa de administração do fundo comercializado no banco: 2% a.a.
- Taxa de administração do ETF: 0,54% a.a.
Resultados
Custos no fundo comum. O fundo comum de banco de varejo apresentou um custo total de R$ 11. Não houve incidência de taxas de custódia nem de corretagem, “apenas” da taxa de administração.
Custos no ETF. Os custos no ETF são determinados pela corretora que você escolher para operar. Principalmente para valores pequenos, os impactos que as taxas de administração e de corretagem exercem pode afetar de tal modo o investimento que compensaria mais investir num fundo de ações. Quanto maiores foram essas taxas, pior será o impacto dos custos. A tabela abaixo mostra o resultado:
A corretora A é uma corretora típica de banco, que cobra uma taxa de custódia (R$ 10) acima do padrão de R$ 6,90. Além disso, cobra também uma taxa de corretagem maior, R$ 20. Com isso, os custos acabam inviabilizando totalmente o investimento. Lembro que a taxa de custódia anual da tabela é a soma das 12 taxas mensais de custódia. A Bovespa não cobra taxa de custódia anual, mas sim mensal. Fiz a simplificação para efeitos didáticos.
A corretora B é aquela que cobra a taxa de custódia padrão da Bovespa, de R$ 6,90, mas ainda uma corretagem fixa, independentemente do valor da operação, e do mercado da operação. O valor também é monstruoso. Descarte-a.
A corretora C não cobra taxa de custódia mensal, mas ainda não diferencia a taxa de corretagem pelo mercado em que você irá operar: se lote-padrão ou fracionário. Mesmo com uma corretagem fixa de R$ 10, o valor já começa a ficar competitivo. O mercado padrão é o mercado onde se negociam lotes inteiros, normalmente múltiplos de 100. Já o mercado fracionário é onde se negociam frações, números “quebrados”, 94 ações, 5 ações, 16 ações etc. No nosso caso, como se trata de fundo de ações, e não de ações, negociam-se “cotas”. Na prática, a negociação é igual a de uma ação, ou seja, tudo é feito no home broker, até o código no fracionário utiliza-se da letra “F” no final (PIBB11F, BOVA11F etc.).
A corretora D é a melhor de todas. Não cobra taxa de custódia mensal, e favorece o investimento no mercado fracionário, por meio de uma corretagem ainda menor, facilitando a vida dos investidores. Ponto pra ela.
Cuidado! Algumas corretoras só isentam da taxa mensal de custódia se o cliente fizer pelo menos uma operação no mês. Ou seja, se você aplicar R$ 500, num mês, você ganha a isenção dos R$ 6,90 naquele mês, mas, se não fizer operação alguma nos 11 meses seguintes, irá pagar R$ 6,90 por cada um desses meses inativos, tornando a corretora desvantajosa.
EDITADO: como bem lembrado pelo leitor Alan, na caixa de comentários a esse artigo, ainda é preciso levar em consideração os custos de transferência do dinheiro do banco em que você é correntista para a conta da corretora. Isso normalmente é feito mediante o uso de TEDs/DOCs, os quais podem encarecer ainda mais os custos de transação (para + R$ 10), caso você tenha conta numa corretora que não trabalhe com seu banco, ou caso você não seja contemplado com DOCs/TEDs isentos de tarifa, no pacote mensal do banco do qual você é cliente. E, como oportunamente lembrado pela leitora Ediclécia, também se deve levar em conta os custos operacionais da saída, tendo em vista que, nas ordens de vendas, também se paga taxa de corretagem e outros custos operacionais (emolumentos, ISS etc.), além do ganho de capital, atendidas determinadas condições (se é ETF ou ação, se é acima de R$ 20k ou não etc.). Obrigado aos leitores Alan e Ediclécia pelos comentários!
Ademais, lembre-se de que estamos considerando estritamente os custos operacionais, sem levar em conta outros aspectos importantes na escolha da corretora, como relatórios de analistas, opções gráficas, corretagem cobrada no Tesouro Direto, ferramentas do home broker, suporte técnico etc. Se você investir só em ETFs, e mais, se investir de forma programada, aplicando mensalmente, pode dispensar esses “extras” e focar exclusivamente no aspecto dos custos.
De acordo com informações que recebi assistindo uma palestra, as corretoras estavam negociando com a Bovespa a eliminação da cobrança dessa custódia mensal. Isso faz bastante sentido, pois ela foi instituída apenas recentemente, de uns 2 anos pra cá. Enquanto houver essa cobrança de custódia, tal item deverá ser levado em conta na avaliação dos critérios para a escolha de qual corretora operar, sobretudo para investimentos de valores pequenos.
Conclusão
Pesquisar é fundamental. Escolha as corretoras que cobrem as menores taxas de custódia e de administração, pois elas afetarão negativamente o retorno de seus investimentos. E, quanto menores os valores investidos, maior será o impacto desses custos sobre a sua rentabilidade líquida.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Artigos relacionados:
- Vanguard Total Stock Market (VTI): o PIBB dos norte-americanos – pelo menos na taxa de administração…
- Dois guias de corretoras de ações e Tesouro Direto
- 4 fundos de ações realmente baratos
- Dando nomes #2 aos bois (digo, às corretoras): 4 corretoras que cobram taxas não muito caras de corretagem e/ou podem te isentar da taxa de custódia
- Fundos referenciados DI com até 1% de taxa de administração não perdem da poupança




Olá
Muito interessante seu comentário, pois exatamente R$ 500,00 e o valor que terei para investir mensalmente em PIBB, porém pelo que pesquisei a corretora que se encaixa na corretora “D”, da reportagem hoje seria a Linktrade, ou na sua opiniao tem outra mais em conta??
Boa tarde Guilherme,
Achei muito boa a explicação, já foi até uma pergunta que eu fiz no fórum do Clube do Pai Rico. Faço as palavras do Alexandre minhas palavras: é a Linktrade mesmo ou haveria outra “similar” às taxas?
Abraço, fica com Deus.
Boa tarde Guilherme!
É bacana esta simulação com valores inferiores, no entanto, como você considera um prazo determinado (12 meses), não seria justo considerar o custo de saída, (no caso das corretoras, 2x a corretagem entrada/saída) além dos emulentos (0,0345% -2x entrada/saída) + iss (2x).
Com relação aos outros comentários, acho que a link caíra naquele item de atenção pois
ela (a link) não cobra custódia se você fizer pelo menos uma operação no mês.
Abs a todos
Hotmar, além do alerta da possível cobrança mensal de custódia quando não houver operação mensal, é importante avisar que pode haver o custo de transferência (TED/DOC) entre o banco do cliente e o banco utilizado pela corretora. O TED/DOC custa em torno de R$ 10,00, que encarece bastante a operação de pequenas quantias.
Obrigado a todos pelos comentários!
Alexandre e David, outras corretoras que têm corretagem barata são, numa rápida pesquisa que fiz: Spinelli/Investbolsa, que cobra R$ 5,90 no fracionário, com isenção incondicional da taxa de custódia de R$ 6,90 (ou seja, independente de realizar ou não operações); Socopa, que cobra R$ 5 no fracionário, e isenção condicional da tarifa de custódia de R$ 10 (ou seja, condiciona a isenção à realização de pelo menos 1 ordem no mês).
A observação que faço em relação ao InvestBolsa é que ela trabalha com banco próprio, o que obriga o cliente a arcar com custos de TED/DOC, ao contrário da LinkTrade, que trabalha com Itaú/Bradesco, livrando os clientes desses bancos dos custos de transferência do dinheiro.
Ediclécia, bem lembrado quanto à isenção da tarifa mensal de custódia na LinkTrade: só vale se o cliente realizar uma operação no mês.
Alan e Ediclécia, modifiquei o artigo acrescentando suas valiosas observações!
Como os leitores estão muito interessados na questão dos custos dos investimentos, pretendo fazer em breve um post destacando as corretoras com os custos mais baratos, que se aproximem da corretora “D” do artigo.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Muito bom o artigo Hotmar, parabéns!
Gente, minha corretora é a LinkTrade, estou satisfeito com o serviço.
Abraço
Jônatas
Valeu, Jônatas!
E parabéns pelo blog Efetividade, os artigos estão a cada dia melhores!
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Belo texto!
Para pequenos valores investidos os custos normais de se investir por conta própria podem sufocar bastante os rendimentos.
Os custos fixos (corretagem, custódia, etc) são baixos, mas o capital também é muito pequeno.
Entretanto, com um capital maior a viabilidade se torna enorme, já que os custos continuam fixos e seu montante é em maior. Logo, os custos fixos tem menor impacto no portfólio do que uma taxa de adm de 2% a.a.
Abraço!
Parabéns Guilherme por mais um belo texto sobre ETFS.
Bem lembrado esses custos de transferencia TED/DOC, muitas vezes esquecidos pelas pessoas. Se você aceitar um sugestão, gostaria de ver uma análise sua sobre o ETF SMAL11 baseado no Fundo de Indices Small Caps.
Grande abraço.
Guilherme, boa notícia para os ETF. A Bolsa reduz lote de negociação de ETF, de 100 para 10.
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/7/1/bolsa-reduz-lote-de-negociacao-de-etf/?searchterm=bolsa%20reduz%20lote
Henrique, ótima explicação sobre a questão dos custos fixos vs. tamanho dos aportes!
Willy, obrigado! Irei sim fazer uma análise mais acurada desse ETF, principalmente tendo em vista que, numa retrospectiva histórica, ações small caps tendem a render um pouco mais do que as large caps.
Flávio, excelente notícia! Creio que irá melhorar bastante a liquidez dos ETFs.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
[...] impacto da taxa de corretagem sobre o valor total investido, como bem disse o Henrique Carvalho em comentários ao artigo Qual é o melhor investimento para R$ 500: fundo de ações ou ETF? Segundo, você deve [...]
[...] passada, o leitor Flávio postou uma notícia em princípio muito boa para quem faz seus investimentos em Bolsa por meio de ETFs: a redução, a [...]
[...] do VR já utilizam o Clipping do MP como fonte de leitura, como é o caso do leitor Flávio, que noticiou, no artigo Qual é o melhor investimento para R$ 500: fundo de ações ou ETF? a redução do lote [...]
eu tenho uma renda de 500,00 reais e queria saber como posso ivestir esta renda para ter bons lucros e quem sabe ficar rica
sera em que posso ivestir, sei que e pouco mas para deus e muiiiito
kaka, nesse caso eu recomendo inicialmente colocar na poupança, e, depois, juntar um bom valor até conseguir migrar para um CDB. Paralelamente, busque meios de aumentar suas fontes de renda ativa, como trabalhos temporários, vendas de bolos etc. Bem como invista em sua educação, porque normalmente o acesso a níveis mais altos de educação é acompanhado de melhora nos rendimentos de salário.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Cara tem como vc entrar em contato comigo pq quero muito saber como investir meu dinheiro ainda sou jovem, mas quero saber se vc pode me ajudar nesse começo pra eu terminar legal blz entra em contato ae. O EMAIL É ESSE AI: junior_gameleira@hotmail.com
Xau vlw
Jorge, mande sua pergunta através da página de Contato do site: http://www.valoresreais.com/contato/
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!