Resenha: All about asset allocation, de Richard Ferri – Parte I: Introdução, e Capítulos 1 a 8

A alocação de ativos é um dos temas mais fascinantes no mundo das estratégias de investimentos. Implementar uma estratégia inteligente, diversificar os investimentos entre ações, renda fixa, imóveis e outras classes, e mudar a alocação em busca de ganhos, são ingredientes fundamentais para conseguir construir um patrimônio de forma constante, crescente e sob controle.

Tentar adivinhar o que o mercado irá fazer é uma aposta de azar. O segredo é focar sua atenção naquilo que é passível de controle, que é a gestão de sua carteira de investimentos. Felizmente, nós, brasileiros, temos acesso – embora um pouco caro – a livros norte-americanos de qualidade, que tratam do assunto de forma profissional e científica.

Quando fiz a resenha do livro The Intelligent Asset Allocator, de William Bernstein (livro em inglês) escrevi:

“A minha ideia inicial era ler o “All about asset allocation“, mas vou esperar a segunda edição, atualizada, chegar”.

Pois bem. A segunda edição chegou. Aliás, não só chegou, como foi devidamente lida. E, agora, será resenhada, para a felicidade dos leitores do blog Valores Reais. 😀 Vamos lá!?

Informações técnicas


Título: All About Asset Allocation, Second Edition

Autor: Richard A. Ferri

Número de páginas: 336

Preço: US$ 19,95

Introduction

Nas páginas iniciais do livro, Ferri resume as 4 lições básicas que irá destrinchar nos capítulos seguintes. Primeiro, alocar seus investimentos entre múltiplas classes de ativos para reduzir o risco geral da carteira. Segundo, investir de forma diversificada em cada classe de ativos para eliminar o risco específico de possuir um ativo em particular. Terceiro, manter seus custos tão baixos quanto possíveis, incluindo os aspectos tributários. E, quarto, rebalancear seu portfólio periodicamente para manter seu risco sob controle, dentro de sua política de investimentos.

1 | Planning for investment success

Para conquistar a segurança financeira no longo prazo, é preciso elaborar um plano de investimentos, e a alocação de ativos é o elemento central do plano. Ferri diz que não há atalhos para tal, ou seja, quanto mais cedo você aprender sobre gerenciamento de dinheiro, em melhores condições você estará em termos financeiros e emocionais.

A alocação de ativos modelada pelo autor está baseada numa prudente repartição dos recursos entre investimentos líquidos e de baixo custo, como fundos de renda fixa e ETFs. Deve-se evitar a busca de “dicas quentes”, pois o que costuma funcionar é a estratégia mais chata (leia-se = alocação de ativos).

A seleção de investimentos envolve dois passos. Primeiro, você deve selecionar um mix de ativos que seja o melhor tendo em vista suas necessidades. E, segundo, você deve selecionar investimentos individuais que sejam os que melhor representem tais classes de ativos, e isso pode ser perfeitamente obtido mediante o uso de fundos indexados, ao invés dos fundos de gestão ativa – que quase sempre apanham dos fundos que ficam “colados” num índice.

2 | Understanding investment risk

Controlar os riscos dos investimentos é um dos pontos fundamentais da estratégia de alocação de ativos, uma vez que não há ativos isentos de risco – “no pain, no gain”. Embora não haja ativos sem risco, é possível reduzir o risco geral de uma carteira, e usar esse conhecimento é de suma importância para criar uma carteira com diferentes classes de ativos, para que você possa aumentar as probabilidades de conquistar suas metas financeiras e ter respaldo para cumprir futuras obrigações.

3 | Asset allocation explained

Aqui está explicada a importância da diversificação: diversificar entre muitos investimentos que têm baixa correlação, e rebalanceá-los para o seu percentual original no final do ano, pode reduzir a volatilidade anual do portfólio no longo prazo, bem como aumentar os retornos compostos. Esse “almoço grátis” do rebalanceamento é a essência da moderna teoria do portfólio.

4 | Multi-asset-class investing

Investir em múltiplas classes de ativos reduz o risco geral da carteira, ao mesmo tempo em que aumenta o potencial de altos retornos. Assim, cada classe nova de ativos introduzida na carteira tem potencial para reduzir o risco do portfólio.

O problema é encontrar ativos que têm baixa correlação entre si, ainda mais levando-se em conta que a correlação costuma ser dinâmica, e não meramente estática. Entretanto, apesar das dificuldades, você deve cuidar para construir um plano que seja bom, e não perfeito. Implementá-lo e mantê-lo é um dos desafios que lhe são colocados.

5 | A framework for investment selection

A seleção de investimentos deve obedecer ao princípio da diversificação de risco. Além disso, cada classe de ativos deve ter a expectativa de retornos reais, ou seja, acima da inflação, uma vez que isso também contribui para a redução de risco e incremento de retornos no longo prazo.

Nesse ponto, aliás, o autor faz uma crítica às commodities e aos metais preciosos, como classe de ativos que historicamente não apresentam retornos reais. Dentre as desvantagens delas, são citadas a ausência de pagamento de juros e dividendos, bem como a impossibilidade de criar riqueza real para o investidor de longo prazo.

Outra crítica é feita sobre os fundos de private equity e fundos de hedge, dentre outros fundos, devido à sua falta de liquidez, altas taxas, regulamentação incompleta e políticas de investimento obscuras.

6 | U.S. Equity investments

Aqui, são feitos comentários sobre o mercado americano de ações: fundos de índice amplo, fundos de small caps, ETFs etc.

7 | International equity investments

Para os norte-americanos, o investimento em ações internacionais promove a diversificação em moeda. Daí o destaque especial dado a esse capítulo, onde são abordados os mercados europeus, asiáticos, emergentes etc.

8 | Fixed-income investments

É interessante observar que o uso de uma estratégia de renda fixa amplamente diversificada pode incrementar os retornos da carteira sem risco adicional. O autor dá as noções básicas de risco de crédito, bem como explica as modalidades de investimento previstas nesta área, para o investidor norte-americano, com destaque para as TIPS, títulos do Tesouro dos EUA atrelados à inflação, o que corresponde às nossas queridas NTN-Bs. :)

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Amanhã publicaremos a segunda parte da resenha, comentando os últimos capítulos, e fazendo a conclusão final. Não percam! Wink

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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11 Responses to Resenha: All about asset allocation, de Richard Ferri – Parte I: Introdução, e Capítulos 1 a 8

  1. Willy Fog 18 de setembro de 2010 at 16:50 #

    Show de bola Guilherme!

    Tenho muito interesse por este assunto, Asset Allocation.

    Rapaiz, só tenho a lhe agradecer por nos proporcionar artigos de ótima qualidade. Seu blog deveria ser leitura obrigatória para todo investidor. Me considero um privilegiado por ser leitor do blog Valores Reais. :)

    Abcs

    :)

  2. Guilherme 18 de setembro de 2010 at 19:16 #

    Willy, valeu!!!

    Esse assunto é realmente fascinante! E eu quem tenho a honra de ter leitores tão participativos, sempre com ótimos comentários!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Henrique Carvalho 18 de setembro de 2010 at 21:27 #

    Um dos melhores (senão o melhor) livro de investimentos que já li até hoje! E olha que não foram poucos não hein…

    Guilherme,

    Parabéns por trazer uma resenha de um livro tão fabuloso como esse. Eu realmente aprendi bastante com ele e recomendo à todos aqueles que desejam buscar estratégias sólidas para gerenciamento de uma carteira.

    Estou no aguardo da segunda parte. Esta 2a edição possui algum capítulo extra ou atualização de alguns dados? Se possível, poderia citar a diferença para a 1a edição?

    Suas leituras estão à pleno vapor! Parabéns!

    Abração!

  4. Guilherme 18 de setembro de 2010 at 22:11 #

    Ôpa, valeu Henrique! Lembrando que essa resenha só existe porque foi você quem deu as dicas naquele artigo excepcional “A importância da leitura” (recomenda a todos a leitura desse artigo).

    Henrique, essa nova edição possui um capítulo extra, dedicado ao estudo das hipóteses de quando mudar sua alocação de ativos. Inclusive, esse capítulo forneceu alimento (“food”) para um outro artigo que será publicado semana que vem aqui no blog, que trata do grau de tolerância ao risco, matéria mais pertinente às finanças comportamentais.

    Essa, aliás, é uma área que tem tido grande destaque nos mais recentes livros de finanças que tenho lido. Acabei de terminar outra leitura que, embora não seja exatamente de economia, traz aspectos interessantes das neurociências aplicadas a comportamentos financeiros (resenha também em breve no blog). Finalmente estão descobrindo que o ser humano não é um agente econômico racional……rsrsrssrs

    Ademais, o autor atualizou as bases de dados e estatísticas das diversas classes de ativos, trazendo informações até o ano passado, ou seja, 2009, cobrindo, assim, um panorama completo da década representada pelos anos 2000 a 2009. Naqueles em que ele não conseguiu os dados completos, como informações sobre alguns REITs, ele fez projeções e estimativas.

    Ele também faz comentários ácidos sobre a indústria de investimentos, em especial sobre a pirâmide do Madoff …..rsrsrsr…… bem como às taxas e altos custos das transações.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Henrique Carvalho 19 de setembro de 2010 at 1:05 #

    Grande Guilherme!

    Muito obrigado pelo seu tempo em escrever esta ótima resposta.

    Fico muito feliz que tenha seguido alguma de minhas indicações. Pela sequência, o próximo livro é o do Gibson – Asset Allocation, Balancing Financial Risk. Muito bom também. Talvez você goste mais dele do que esse do Ferri. Ele escreve o livro como se estivesse atuando como seu consultor financeiro particular.

    E muito legal saber que ele atualizou os dados. Eu só tenho dados até 2005 da 1a edição. Os gráficos devem ter ficados bem “loucos” após a crise de 2008.

    Obrigado por compartilhar conosco esta ótima resenha de um livro tão gostoso de se ler.

    Espero novas resenhas! Tenha certeza de que esta seção é um sucesso no Valores Reais!

    Abraços!

  6. Guilherme 19 de setembro de 2010 at 21:12 #

    Henrique, indicação do livro já anotada por aqui!

    Quanto ao “All about”, de fato, a atualização dos dados serviu para dar uma “corrigida” no mercado americano, e também para realizar estimativas mais conservadoras de ganhos futuros.

    Valeu pelo comentário!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Marco Tulio Campos 12 de junho de 2013 at 9:06 #

    existe exemplar em português?

Trackbacks/Pingbacks

  1. Valores Reais » Não invista em ações sem antes conhecer seu grau de tolerância ao risco - 21 de setembro de 2010

    […] mudança de postura na própria alocação de ativos. De acordo com Richard Ferri, na obra “All about asset allocation“, há três razões legítimas para justificar uma mudança na alocação de ativos, e uma […]

  2. Lauro Wolff Valente - 27 de setembro de 2010

    Resenha: All about asset allocation, de Richard Ferri – Parte I: Introdução, e Capítulos 1 a 8 http://migre.me/1puPH

  3. Valores Reais » Resenha: All about asset allocation, de Richard Ferri – Parte II: Capítulos 9 a 15, e conclusão final - 27 de outubro de 2010

    […] Essa é a segunda parte da resenha do livro All About Asset Allocation, Second Edition A primeira parte pode ser lida aqui. […]

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