Resenha: Olha quem está poupando, de Maria Fernanda Delmas

Como se preparar financeiramente para a chegada do bebê? É certo que a chegada do rebento provoca uma revolução de 180 graus na vida financeira da maioria das famílias brasileiras, e a questão é como se organizar para que os gastos sejam feitos de forma consciente e planejada. Dirigido essencialmente às mães, esse é o livro que vem na medida certa para que haja planejamento nos gastos que cercam esse momento tão importante, pois é totalmente adaptado à realidade do mercado nacional, com dicas muito práticas e um bom humor que torna a leitura leve e divertida. Vamos, então, mergulhar na obra! 😀

Informações técnicas

Título: Olha quem está poupando: o livro essencial que prepara seu bolso para a chegada do bebê

Autora: Maria Fernanda Delmas

Editora: Elsevier

Número de páginas: 121

Preço médio: R$ 30

1. Os gastos que amamos

Leiam a definição que a autora fez do momento em que a mulher descobre que está grávida (p. 5):

“Eu diria que é o ápice do altruísmo consumista da mulher. Entre comprar algo para nós ou para o bebê, não titubeamos. Queremos levar tudo que vemos de bonitinho. Nós e as avós. Esse comportamento é elevado à enésima potência quando descobrimos o sexo do bebê”.

Nesse primeiro capítulo, a autora dá dicas sobre os tipos de roupas que a mulher grávida deve ter em seu guarda-roupas, dicas para o enxoval, decoração do quarto e utensílios que o bebê vai precisar usar. A lista realmente é enorme. Vamos citar algumas das parafernálias comentadas pela autora: carrinho e seus adendos, bebê-conforto, cadeira de carro, Moisés (nem sabia o que era isso!), carrinho-brinquedo, berço de camping, cadeira de alimentação, tapete de atividades, banheira, termômetro de banheira, protetor solar para carro, andador, cangurus, babá eletrônica, chupeta, mamadeira, dosador de leite, nebulizador, colher térmica, troninho, bolsa do dia-a-dia para o bebê, trocador portátil de fraldas, mala de bebê, porta-fraldas, travesseiros, protetor de colchão, escova, aquecedor de mamadeiras, pratinhos e talheres, aspirador nasal, pente e escova… ufa! A lista continua – os itens que citei foram apenas parcialmente retirados desse capítulo – e olha que estamos apenas no primeiro capítulo! :)

Um conselho que Delmas sugere é comprar boa parte do enxoval nos Estados Unidos, onde os utensílios costumam ser muito mais baratos.

Uma coisa interessante desse capítulo é o tal do chá de bebê. Muitas mães estão optando por fazer um chá de fraldas, ou seja, só pedir fraldas, que é, seguramente, um dos itens que mais pesam em qualquer orçamento baby-doméstico. Outra lista de itens se encontra na farmácia particular, e Delmas detalha os itens que não podem faltar nessa farmacinha.

2. Comer, beber e se cuidar

A sequência de ótimas dicas para os cuidados com o bebê continua. A autora destaca a importância da amamentação, não só por questões nutricionais, mas também econômicas, uma vez que isso irá evitar muito o gasto com supermercado – pelo menos nos seis primeiros meses de vida do infante.

Também são destacados os cuidados com o plano de saúde, com os pequenos mimos (fazer uma drenagem linfática para melhorar a auto-estima, por exemplo) e com a escolha do obstreta, que deve vir antes da gravidez, bem como com os exames laboratoriais e a “vida de consultório”, no período pré-parto. De acordo com Delmas (p. 43):

“Iminência do parto e consumo racional caminham em sentidos opostos. É o momento perfeito para empurrarem para você coisas nas quais você não teve tempo de pensar”

Os cuidados não devem parar na hora “H” – um parto chega a custar de R$ 10 a R$ 12 mil. Os cuidados devem continuar no pós-parto, com a escolha de um bom pediatra, que deve levar em conta a certeza de que ele atenderá aos chamados nas horas mais inconvenientes, como madrugadas e finais de semana. Vacinas e exames do bebê complementam esse capítulo.

3. Mudanças de hábitos

A chegada do bebê provoca mudança também em casa. É preciso preparar os cômodos para evitar pequenos acidentes domésticos, instalando protetores para tomada, isolando a cozinha etc. O interessante é essa constatação da autora (p. 77):

“O número de tralhas é inversamente proporcional ao tamanho da criança. É incrível a quantidade de bagagem de um bebê. Quanto mais os filhos crescem, mais você se livra dos equipamentos maiores”.

Dicas para presentes, “kit visitas” e festas de aniversário são também outros pontos abordados nesse capítulo.

4. Papo de gente grande

É quase indispensável a contratação de uma empregada, e, nesse ponto, Delmas enfatiza que:

“Disparadamente, o gasto com empregada vira o maior peso no orçamento mensal de uma casa que acabou de ganhar um bebê. É um divisor de águas, marcando bem a diferença entre antes e depois dos filhos”.

Para preparar bem as leitoras quanto a esse tipo de serviço, a autora fornece um guia bastante detalhado de como proceder na escolha da empregada doméstica, sobre seus direitos e deveres etc.

Por outro lado, o bebê pode começar a frequentar uma creche desde muito miudinho, pois há creches que aceitam bebês a partir dos 2 ou 3 meses de vida. Novamente lemos o alerta da autora:

“Creche é um dos itens mais caros no seu novo orçamento e virará o novo grande baque na despesa mensal.”

Apesar das despesas que aumentam – contas de água, luz, telefone etc. – colocar o filho como dependente na declaração do IR poderá abater uma série de despesas, se optar pelo modelo completo.

No final desse capítulo, a autora dá dicas de como economizar e investir para o futuro adulto, com explicações básicas sobre poupança, Tesouro Direto, previdência privada, CDBs, ações etc. E, com base em uma pesquisa, mostra que os gastos com a criação de um filho, até os 23 anos, podem variar de R$ 400 mil, nas famílias de menor poder aquisitivo, com renda de R$ 2 a R$ 5 mil mensais, a R$ 1,6 milhão, nas famílias classe A, com renda superior a R$ 25 mil no mês.

Conclusão

Esse é um dos livros mais práticos que já passaram pela mesa de leitura do blog Valores Reais. Não só pela extraordinária quantidade de detalhes que cercam a chegada de um bebê, como também pelas inúmeras dicas que são fornecidas ao longo de toda a obra.

Escrito numa linguagem franca, direta, sem rodeios, e num tom leve e bem-humorado, “Olha quem está poupando” é um livro de mão cheia para quem pretende se planejar para a maternidade – e, por tabela, para a paternidade.

Saber organizar as finanças de maneira prévia à chegada do filhote é essencial para atravessar essa fase com menos rombos no orçamento doméstico, e mais dinheiro para investimentos. Evitar o desperdício, na medida do possível, é fator crucial para que não haja economia de gastos onde não deve haver economia de gastos.

Maria Fernanda Delmas, com a experiência de quem já viveu esse momento, mostra que é possível, apesar dos zilhões de detalhes que cercam a chegada de um bebê na família, fazer compras inteligentes e aproveitar os bons momentos da maternidade sem fazer dívidas nem se descabelar. Ponto para a autora. Ponto para o livro.

E não se esqueçam de que, apesar de todos os custos envolvidos, há coisas que não têm preço, como diz a propaganda da Mastercard. Por exemplo: o sorriso do bebê, o cheirinho do bebê, o primeiro “papai” (ou “papá”, de papinha….rsrrs), a alegria enchendo a casa, a “arte” que as crianças apontam, e por aí vai.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

7 Responses to Resenha: Olha quem está poupando, de Maria Fernanda Delmas

  1. Luciana Fox 3 de outubro de 2010 at 9:18 #

    Me desculpe a obs. Mas revolução de 360 graus retorna ao mesmo ponto de partida, e um circulo completo. 180 ficaria melhor []’s

  2. Guilherme 3 de outubro de 2010 at 10:40 #

    Luciana, correção realizada.

    Obrigado pela observação. Aliás, toda vez que tiver uma sugestão de ortografia/gramática/sentido, peço a gentileza de informá-la. Só assim poderei aperfeiçoar a elaboração dos textos aqui no blog.

    O leitor rodpba fez uma sugestão, em outro artigo, explicando a diferença entre “em vez de” e “ao invés de”. Foi fundamental para eu melhorar esse aspecto do idioma que eu até então não dominava.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Jônatas 3 de outubro de 2010 at 16:08 #

    Oi Guilherme,
    Com tantos gastos, essa sua excelente resenha irá desanimar muitos a terem filhos. rss.

    Abraço!

  4. Deuteron 3 de outubro de 2010 at 17:29 #

    R$ 1,6 milhão até os 23 anos? Isso dá, sem correção, aprox. R$ 5.800,00 por mês (1,6 milhão por 276 meses). Um gasto desses é irreal, é o mesmo que o Viver de Renda vem fazendo de aportes mensalmente. Tô fora!

  5. Guilherme 3 de outubro de 2010 at 18:16 #

    Jônatas, dimensionar os gastos totais na criação dos filhos é um assunto deveras polêmico, e a autora conseguiu de forma franca abordar o assunto. Obrigado pelo comentário!

    Deuteron, pois é, esses são os cálculos da autora, mas levam em consideração aqueles pertinentes às famílias que estão no topo da pirâmide social brasileira, com renda mensal superior a R$ 25 mil. Além disso, são apenas projeções, que podem ou não se confirmar dependendo do estilo de vida da família.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Willy Fog 3 de outubro de 2010 at 23:00 #

    “Os cuidados não devem parar na hora “H” – um parto chega a custar de R$ 10 a R$ 12 mil.”
    .
    Caramba Guilherme………….o cara já nasce devendo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    .
    Afinal o que é este tal de Moisés que você citou?? 😳
    .
    Abcs

  7. Guilherme 5 de outubro de 2010 at 15:02 #

    Kkkkkk………..

    O Moisés é uma espécie de berço.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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