Resenha: Fora de Série: Outliers, de Malcom Gladwell

Quais são os fatores que levam uma pessoa a se destacar no meio da multidão? Apenas o talento e o esforço são suficientes? O meio em que vivem exerce alguma influência? E o QI, é um bom indicador de sucesso na vida profissional?

No livro Outliers, Malcom Gladwell elabora uma extensa pesquisa destinada a comprovar que são inúmeras as variáveis que levam uma pessoa ao topo. Os indivíduos fora de série – como Mozart, Bill Gates ou os britânicos da banda The Beatles – além de terem praticado suas habilidades por uma quantidade de tempo extraordinária (mais de 10.000 horas), se beneficiaram de oportunidades disponíveis, vantagens ocultas e heranças culturais.

Além de estudar as pessoas em si, é preciso focar a análise em questões como o meio em que viveram, a época em que viveram, e quem foram seus amigos, dentre outros fatores, pois tudo isso exerce influência nas realizações humanas. Esse livro é uma viagem, mas no bom sentido do termo: uma viagem por histórias de pessoas em todos os cantos do mundo, desde as escolas públicas dos bairros mais pobres de Nova York até os centros de treinamento de empresas aéreas da Coréia do Sul, passando pelos campos de arroz da China e as montanhas rochosas e improdutivas da Escócia, sem esquecer das vilas campesinas da Jamaica. Vamos explorar o mundo dos fora de série!? 😀

Informações técnicas


Título: Fora de Série: Outliers

Autor: Malcolm Gladwell

Número de páginas: 288

Editora: Sextante

Preço médio: R$ 19,90

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I | O “efeito Mateus”

Gladwell começa analisando as equipes infanto-juvenis de hóquei do Canadá, e descobre que a grande maioria dos destaques desse esporte nascem no começo do ano, particularmente nos meses de janeiro, fevereiro e março. Isso ocorre porque há uma diferença de desenvoltura corporal bastante acentuada entre quem nasce no começo e quem nasce no final do ano, na faixa dos 9 a 11 anos, e isso acaba sendo determinando na escolha dos melhores atletas. Já por aí se vê que não é apenas o esforço individual dos meninos que conta, mas sobretudo um fato totalmente aleatório, que é a época de nascimento deles (!).

2 | A regra das 10 mil horas

Analisando a biografia de personalidades que se destacaram pela excelência em seus respectivos campos de atuação, como Bill Gates, Mozart e The Beatles, o autor conclui que, para que alguém atinja um nível internacional de expert, são necessárias pelo menos 10 mil horas de prática, o que equivale a cerca de três horas por dia, ou 20 horas por semana, de treinamento, durante 10 anos. Trata-se de uma quantidade de tempo enorme, mas necessária para alcançar um padrão superior de qualidade em seu campo de atuação. Gostei particularmente dessa passagem do livro (p. 45):

“A prática não é aquilo que uma pessoa faz quando se torna boa em algo, mas aquilo que ela faz para se tornar boa em algo”.

Outro aspecto interessante desse capítulo é a constatação de que determinados grupos de pessoas de sucesso em áreas específicas nasceram também em demarcados momentos temporais. Por exemplo, os grandes industriais norte-americanos do século XIX nasceram todos na década de 1830. Boa parte dos gênios da informática, como Bill Gates, Bill Joy (Sun Microsystems) e Steve Jobs, nasceram todos na década de 1950. Isso significa que eles alcançaram a fase produtiva num momento em que a indústria estava florescendo, e souberam aproveitar as oportunidades que estavam disponíveis.

Em outros termos, para ser um fora de série, talento e esforço por si só não são suficientes. É preciso saber também aproveitar as oportunidades, e se beneficiar dos legados culturais do ambiente em que viveram. Além disso tudo, existe um fator aleatório, que é a sorte de terem nascido na melhor época.

3 | O problema com os gênios – parte 1

Ter um alto nível de inteligência medido pelos testes de QI não é suficiente para conseguir destaque. A partir de certo ponto, um conjunto de fatores que nada tem a ver com a inteligência lógica passam a preponderar para determinar o nível de sucesso de uma pessoa, como sua cultura, seu contexto familiar e as oportunidades que tiveram ao longo da vida.

4 | O problema com os gênios – parte 2

É interessante concluir que os pais nas famílias de classes mais altas – ao contrário do que se imagina, muitas vezes – se envolvem mais com as atividades dos seus filhos, do que pais de classes mais pobres, e isso tem um efeito avassalador sobre o desempenho educacional das crianças. O conhecimento não é construído somente a partir do que se ensina em sala de aula, pois ele requer a construção de habilidades sociais, sendo que a família desempenha papel crucial nesse aspecto. Gostei muito dessa outra passagem do livro (p. 97):

“O QI é um indicador, em grande medida, de habilidade inata. Mas a destreza social é construída por conhecimento. É um conjunto de habilidades que precisam ser aprendidas. Elas têm origem em algum lugar – e é no ambiente familiar que parecemos desenvolver essas atitudes e aptidões”.

5 | As três lições de Joe Flom

Gladwell conta a história de Joe Flom, que ergueu, do nada, um dos mais prestigiados escritórios de advocacia de Nova York, e, por tabela, dos Estados Unidos, sem dar especial ênfase ao seu nível de inteligência. Isto é, a história se desenvolve a partir das oportunidades que ele recebeu em sua época, e de como as aproveitou para avançar na carreira, como o fato de ter pertencido a uma geração de poucos indivíduos, e de ter sido criado numa família que adquiriu e desenvolveu um trabalho significativo trabalhando em indústrias de confecções.

Um trabalho, para ser significativo, precisa de três fatores: autonomia, complexidade e relação clara entre esforço e recompensa.

6 | Harlan, Kentucky

Os cinco primeiros capítulos trabalharam a importância de criar e aproveitar as oportunidades. A partir do capítulo 6, o autor demonstra a importância e a influência dos legados culturais na formação de indivíduos fora de série, os outliers. A pergunta que se coloca a partir daqui é se as tradições e atitudes que herdamos de nossos ancestrais podem resultar no sucesso de uma pessoa.

Esse capítulo faz comentários sobre a cultura da honra que imperava em algumas regiões da Grã-Bretanha, e que foi “exportada” para os Estados Unidos, por meio dos colonizadores.

7 | A teoria étnica dos acidentes de avião

Muitos acidentes aéreos estavam ocorrendo com uma cia. aérea da Coréia do Sul. Analisando esses acidentes, verificou-se que um dos fatores que estava contribuindo para essa estatística nada positiva era a próprio cultura que imperava no ambiente de trabalho dos coreanos, fundados na submissão exagerada. Então, depois de detectados tais problemas, uma revisão nos procedimentos da empresa foi realizada, e uma dessas revisões incluía a mudança de cultura, uma vez que o treinamento passou a ser oferecido por norte-americanos. O resultado foi positivo, uma vez que a empresa passou a ser uma das mais seguras do mundo.

Uma nota curiosa desse capítulo: quanto maior o índice de distância do poder (IDP) em um determinado país, maiores são as chances de ocorrer um acidente aéreo. O IDP é um estudo que toma por base atitudes referentes à hierarquia, ou seja, o grau em que uma cultura valoriza e respeita a autoridade. Países de baixo IDP são aqueles em que o poder é “algo de que seus detentores quase se envergonham e tentam minimizar”. Por exemplo: Suécia e Áustria. Nesses países, os líderes abrem mão de seus símbolos formais de poder, como ir ao trabalho de transporte público, por exemplo.

Coincidência ou não, o país com o maior índice de distância do poder, mais alto IDP, é… tchã tchã tchã tchã….Brasil-il-il. Cry E é um país com um índice alto de acidentes aéreos (infelizmente). A boa notícia é que é possível reverter esse quadro, pois a Coréia do Sul é a vice-líder no IDP, mas suas cia. aéreas agora estão entre as mais seguras do mundo, justamente devido à mudança dos legados culturais no treinamento dos pilotos.

8 | Arrozais e testes de matemática

Numa obra que prende o leitor do começo ao fim, é difícil para o resenhista eleger o melhor capítulo do livro. Mas esse pode ser considerado o melhor. Gladwell explica as razões pelas quais os asiáticos têm mais inteligência matemática, fundada tanto em razões de origem cultural, como a formação do alfabeto, que se reflete numa maior facilidade na forma de contagem dos números, como em razões de ordem histórico-geográfica, baseada no trabalho nos campos de arroz, que exigem precisão, trabalho duro, persistência e esforço. Esse “trabalho duro” se transmitiu para a persistência em resolver problemas de matemática, o que, aliado a vantagens de ordem cultural (maior facilidade na contagem de números), oferece vantagens competitivas aos asiáticos, que estão sempre ganhando competições internacionais de matemática (observe que até mesmo os países ocidentais premiados nesse tipo de competição levam para os testes pessoas com descendência oriental, uma exceção que só vem a comprovar a regra).

Essa verdade – habilidade dos asiáticos para a matemática – se manifesta de forma transparente em dois pontos. Primeiro, nos provérbios chineses, baseados no trabalho duro como fator determinante para recompensas, ao contrário, por exemplo, dos provérbios russos, baseados em fatalismo e pessimismo, próprios de um sistema feudal opressor. E, segundo, na constatação de que, em qualquer universidade, , você verá que os estudantes de origem asiática passam muito mais tempo na biblioteca, do que seus pares de origem não asiática.

Gostei dessa passagem do livro (p. 223):

“Dar duro é o que as pessoas bem-sucedidas fazem, e a virtude da cultura formada pela labuta nos arrozais foi proporcionar aos camponeses uma forma de encontrar significado em meio a toda aquela adversidade e pobreza”.

9 | A barganha de Marita

O sistema educacional norte-americano é marcado, dentre outros fatores, pelas longas férias de verão. Ocorre que os alunos de classes mais baixas sempre apresentam desempenho escolar inferior aos alunos de classes mais altas, quando tais testes são realizados logo após as férias de verão. Por quê? Porque, durante as férias, enquanto os alunos de classes mais baixas não têm aprendizado, se limitando, muitas vezes, a assistir TV, os alunos de classes mais altas não interrompem seu aprendizado: eles estão sempre aprendendo mais.

Logo, foi implantado nos EUA um programa de escolas, localizadas em periferia, baseado em mais carga horária, o que resultou em desempenho mais eficiente dos alunos, todos vindos de classes mais pobres. A conclusão é a de que não é a classe social da criança que determina seu rendimento escolar, mas sim a quantidade de tempo que ela dedica aos estudos. Exatamente como nos campos de arroz vistos no capítulo anterior: os chineses do delta do Rio das Pérolas cultivam seus arrozais durante o ano inteiro, com dedicação, persistência e trabalho duro.

Essa passagem do capítulo reflete seu conteúdo (p. 242):

“As causas da superioridade dos asiáticos em matemática se mostram ainda mais óbvias. As férias dos alunos das escolas asiáticas não são longas. Por quê haveriam de ser? Culturas que acreditam que o caminho para o sucesso está em acordar antes do amanhecer, 360 dias por ano, dificilmente concederão às suas crianças três meses de férias no verão. Nos Estados Unidos, o ano escolar dura, em média, 180 dias; na Coréia do Sul, 220 dias; no Japão, 243 dias”.

E aqui vai uma opinião estritamente pessoal: e se engana quem acha que, por trabalharem mais, os asiáticos viveriam menos, e “aproveitariam menos” a vida. Pois não só eles têm uma expectativa média de vida maior, como também são os grupos mais ativos de viajantes – basta perceber a incrível quantidade de asiáticos que circulam em países como Estados Unidos e Europa para comprovar isso. Além disso, gostam de fazer coisas de qualidade: basta lembrar de algumas cias. aéreas, como a Singapore Airlines, e alguns outras marcas, como Sony, LG e Samsung, para eletrônicos, e Hyundai e Honda para carros.

Epílogo | Uma história jamaicana

O livro fecha com uma história dos antepassados do próprio autor, para demonstrar que fatores como legados culturais e oportunidades aproveitadas por seus ancestrais foram fatores determinantes para se alcançar o sucesso.

Conclusão

É um livro excelente. Demonstra que, para alcançar o sucesso, é preciso dominar um conjunto de habilidades, e, se você quer preparar seus filhos para serem pessoas bem-sucedidas, é necessário desenvolver um ambiente familiar que estimule a criatividade e a inteligência.

É um livro que nos ensina a ter foco. É indispensável prática, muito prática, no ofício, até se tornar um expert em sua área. Mas isso por si só não é suficiente. Legados culturais importam, sim, na determinação do nível de sucesso de uma pessoa. O caminho para o sucesso envolve uma combinação de meritocracia com o saber aproveitar as oportunidades do contexto em que se vive, sem se esquecer da própria herança cultural, que também exerce um papel importante.

Leitura recomendada e aprovada! 😀

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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25 Responses to Resenha: Fora de Série: Outliers, de Malcom Gladwell

  1. Javier Cesano 10 de outubro de 2010 at 14:20 #

    Uma resenha de um livro com conteúdo muito interessante. Remeteu-me, também, aos portadores da síndrome de savant, que, apesar de não terem um QI elevado, possuem capacidades superiores, quase sobrenaturais. Basta lembrar Kim Peek (Rain Man), o americano que possuía um acervo de 18.000 volumes em sua memória, ou o alemão Rudiger, que efetua cálculos matemáticos com uma rapidez maior que a de uma calculadora. São exemplos de indivíduos superdotados, porém limitados em diversas áreas. Num índice de inteligência global seriam considerados retardados. Faço especial menção, porém, ao grande matemático russo Grisha Perelman, ainda vivo, que recentemente decifrou um dos grandes enigmas do milênio e recusou o prêmio de 1 milhão de dólares pelo feito.

  2. Guilherme 10 de outubro de 2010 at 19:00 #

    Muito interessante seus comentários, Javier.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Vinícius Barenho 11 de outubro de 2010 at 9:45 #

    Como dizia Einstein

    “O único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no dicionário.”

    Interessante, ainda tenho 3 livros na fila. Mas se lembrar, compro este para ler.

    Obrigado!!

  4. Jônatas 11 de outubro de 2010 at 18:45 #

    10.000 horas. Gostei disso.

  5. Guilherme 12 de outubro de 2010 at 11:41 #

    Obrigado, Vinícius e Jônatas.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Willy Fog 12 de outubro de 2010 at 20:29 #

    Preciso ler este livro. Gostei da resenha! 😛
    .
    Eu posso falar por mim sobre o 1o efeito: sempre fui um dos alunos mais rápido nas corridas de 50 e 100m entre os outros alunos do colégio. Acontece que nasci no fim do ano e quando participava de jogos municipais aos 11/12 anos acabava concorrendo com alunos de idade 13/14 anos e entre 12 e 14 anos há diferença significativa. Esses jogos só ocorriam a cada 3 anos acho, sei que pelo fato de ter nascido no fim do ano sempre estava concorrendo com alunos 2/3 anos mais velhos. E o resultado foi que nunca cheguei a ganhar nem um 3o lugar, mesmo sendo um dos mais rápidos na minha faixa etária. :(
    .
    Ahhhh……….Se eu tivesse esperado só algumas semanas a mais para nascer………….

    • Beto 20 de julho de 2017 at 14:12 #

      Veja pelo lado bom, isso deve ter desenvolvido em você ainda mais velocidade. Ganhar sempre e com pouco esforço teria te colocado numa zona de conforto e atrapalhado seu desenvolvimento. Aprenda a tirar proveito do seu contexto sempre!

      Ab.

  7. Guilherme 12 de outubro de 2010 at 21:35 #

    Obrigado, Willy!

    Super Interessante a sua experiência prática nas atividades de corrida. Temos aqui uma comprovação empírica das pesquisas descritas no primeiro capítulo de Outliers!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  8. Flávio Andrade 11 de abril de 2011 at 17:35 #

    Tenho vários artigos publicados na Internet e me interesso por temas sobre altas habilidades e sou autodidata já que li vários livros sobre o assunto e continuo pesquisando e estudando mais. Este livro é um dos que preciso ler! Congratulações ao Autor Gladwell!

  9. Guilherme 11 de abril de 2011 at 20:49 #

    Valeu, Flávio!

  10. Bruno 26 de abril de 2011 at 9:58 #

    Muito boa sua resenha, Guilherme.
    Também gostei bastante de “Fora de série – Outliers” mas considero ainda melhores os dois livros anteriores do autor, “The tipping point” (publicado no Brasil pela Rocco em 2005 como “O ponto de equilíbrio” e, em 2009, pela Sextante, como “O ponto da virada”) e “Blink – a decisão num piscar de olhos”, também publicado pela Rocco em 2007).

  11. Guilherme 26 de abril de 2011 at 23:21 #

    Obrigado Bruno!

  12. Flávio Andrade 26 de novembro de 2011 at 20:42 #

    Olá Guilherme:

    Olha eu de novo. Veja só: após alguns meses que tinha postado aqui uma mensagem consegui o livro Outliers que estou quase aacabando de ler … realmente muito interessante! Obrigado pela dica!

  13. Guilherme 27 de novembro de 2011 at 14:11 #

    Legal, Flávio, que tenha gostado de lê-lo! Continue acompanhando o blog, tenho outra “fornada” de resenhas para serem publicadas!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  14. Carlos 15 de novembro de 2012 at 18:32 #

    Li o livro e gostei, porém tenho uma correção importante sobre a resenha do livro, no item 7: “a teoría étnica nos acidentes de aviões”. A resenha diz que o livro afirma o Brasil ser o campeão mundial no Índice de Distância de pPder (IDP). Não. O campeão mundial é a Filipinas. O Brasil, é o campeão mundial em IDP dentro do cockpit (cabine do avião). Conforme o autor, alto IDP “tende” a representar altos índices de acidentes, com algumas exceções. o Brasil é a exceção. Nem o autor disse, nem o Brasil tem altos índices de acidentes aeronáuticos. Os índices de segurança do Brasil são muito bons, quem é do setor sabe. Um abraço.

  15. Guilherme 1 de dezembro de 2012 at 17:42 #

    Carlos, grato pela correção!

  16. Rosana 24 de abril de 2014 at 17:33 #

    Guilherme,

    Muito boa a sua resenha, me interessei pelo livro. :)
    Interessante a ligação entre os arrozais asiáticos e os testes de matemática. Como o trabalho nos campos de arroz exigem precisão, trabalho duro, persistência e esforço, naturalmente o povo conseguiu levar essas características para os estudos. E como você disse, empresas mundiais de destaque são de origem asiática.
    Concordo com o comentário do Carlos: ” O Brasil, é o campeão mundial em IDP dentro do cockpit “. Devido ao setor ser controlado primeiramente por militares, é normal um alto IDP, embora esse cenário começou a mudar após a criação da ANAC em substituição ao DAC e também o controle do tráfego aéreo ser feito não mais apenas por militares.

    “Conforme o autor, alto IDP “tende” a representar altos índices de acidentes, com algumas exceções. o Brasil é a exceção.”
    Eu acredito que ser exceção – uma excelente exceção – seja devido ao bom nível de treinamento exigido para quem trabalha no setor, embora minha opinião é que no tempo do DAC as coisas funcionavam melhor, principalmente se consideramos que as agências reguladoras não são independentes, mas fazem parte do corrupto governo do país. Aqui, o interesse dos fortes está acima de tudo.
    Por exemplo, em 2007 no acidente da TAM em Congonhas, a diretora da ANAC que autorizou o pouso em condições adversas era advogada e não entendia nada de aviação. O DAC jamais autorizaria tal pouso, pois as consequências seriam graves, assim como aconteceu com os controladores militares que estavam no controle do Cindacta 1 no momento do acidente entre o Legacy e o B737 da Gol, que foram presos. Da mesma forma, o atual presidente da Infraero entende de economia e não de aviação (se não me engano ele é do Bacen). A própria Infraero teve presidentes militares de carreira até 2008, se não me engano, e após isso, somente presidentes que nada entendem do ramo, e que estão levando a empresa à falência. Ao meu ver, é muito estranho o governo conseguir a proeza de falir uma empresa que em 2008 apresentou uma receita comercial de 1 bilhão de reais e que nos primeiros 6 meses de 2009 já apresentava um prejuízo operacional de quase 400 milhões de reais, dando a desculpa de que as obras não ficariam prontas até a copa. Propositalmente não houve planejamento a tempo e hoje, empresas privadas estão com os aeroportos mais lucrativos do país. A explicação é que em países como Inglaterra e Espanha os aeroportos são privatizados, mas não falam que esses são países pequenos em território, se comparados com o Brasil. Aqui, a área de fronteira é muito extensa, e como nos EUA, há muitos lugares em que o controle da aviação é questão de segurança nacional. Então, esses aeroportos jamais sairão das mãos do governo, mas agora, o que a estatal Infraero conseguia cobrir, será coberto com dinheiro público. Para você ter uma ideia melhor, no máximo 5 dos 68 aeroportos eram lucrativos e 63 deficitários, que eram cobertos por esses 5. Agora imagine: quais será que foram os vendidos?
    Acho que acabei me estendendo demais sobre esse assunto… rsrsrsrs

    “Países de baixo IDP são aqueles em que o poder é “algo de que seus detentores quase se envergonham e tentam minimizar”. Por exemplo: Suécia e Áustria. Nesses países, os líderes abrem mão de seus símbolos formais de poder, como ir ao trabalho de transporte público, por exemplo.”
    Um belo exemplo como esse é uma utopia por aqui, pois o governo primeiro se atém aos seus interesses e somente depois, muito depois, para o povo. Podemos dizer que a mesa farta é o que o governo faz por si mesmo, e as migalhas que caem no chão, é o que o governo faz para o povo.

    Abraços,

    • Guilherme 28 de abril de 2014 at 11:37 #

      Olá Rosana, excelente comentário!

      Muito legal a sua argumentação sobre o funcionamento das “entranhas” da Infraero e dos órgão ligados ao controle da aviação nacional. Concordo integralmente com seus argumentos.

      Nesse Brasil de corruptos, é difícil até mesmo acreditar na existência de uma luz no fim do túnel, ou se há realmente um fundo do poço, pois a cada dia nós presenciamos o descalabro com as coisas públicas nesse país.

      Abç!

      • Rosana 28 de abril de 2014 at 15:44 #

        Em se tratando de Brasil, eu acho que o fundo do poço é infinito… Uma pena, pois uma país tão rico ser tratado dessa maneira pelos governantes é um ato de heroísmo ao contrário.

        • Guilherme 29 de abril de 2014 at 10:00 #

          Exato! Faço minhas suas palavras.

          • Rosana 29 de abril de 2014 at 17:09 #

            Hoje eu li uma entrevista que me fez voltar ao assunto.
            É do presidente da Statoil, que é a estatal norueguesa no ramo de exploração de petróleo, Helde Lund.
            Ele disse que o governo não arbitra nos rumos da empresa e que se ela não apresentar lucro, ele é mandado embora.
            Que diferença em relação ao brasil!
            Aqui, o governo conseguiu a proeza de falir uma empresa que apresentou receita comercial de 1 bilhão de reais e além disso, os cargos estratégicos estão na mão de pessoas que nada entendem do setor. Qual o motivo?
            Infelizmente a Petrobrás parece seguir pelo mesmo caminho…

            Abraços,

            • Guilherme 29 de abril de 2014 at 19:24 #

              Oi Rosana, a diferença é gritante mesmo!

              Aqui no Brasil, enquanto os cargos técnicos forem ocupados por pessoas não técnicas, continuaremos a ver desmandos como o que se verificou na refinaria de Pasadena.

              Abç

  17. Cris 11 de maio de 2014 at 19:52 #

    Maravilha!!!

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