Resenha: The Little Book of Main Street Money, de Jonathan Clements (livro em inglês) – Capítulos 11 a 21, e Conclusão final

Essa é a continuação da resenha do livro The Little Book of Main Street Money: 21 Simple Truths that Help Real People Make Real Money, de Jonathan Clements. A primeira parte pode ser lida aqui.

11 | Wild investments can tame your portfolio

Clements considera investimentos “selvagens” aqueles que, embora sejam um tanto quanto “exóticos” e possam carregar algum risco em si, apresentam possibilidades de retornos diferenciados, sendo bom, portanto, para efeitos de diversificação. Aqui entram as ações de mercados emergentes (sim, meu povo, o Brasil é um investimento “selvagem”….hahaha), e metais preciosos. Mas vamos dar o troco: quer investimento mais exótico para compor uma carteira do que… o dólar americano!!?? Hehehehe…….não gera dividendos, não paga juros, perde da inflação, não é ativo real… mas pode ser útil em momentos de crise. Lembre-se de colocar apenas uma pequena porção de seu portfólio nesses ativos exóticos.

12 | Short-term results matter to long-term investors

Como assim o curto prazo importa? Clements está se referindo àquelas possíveis situações em que podemos precisar do dinheiro no curto prazo, para resolver uma questão de emergência (além daquelas próprias ligadas à fase de aposentadoria). Dessa forma, recomenda-se colocar parte do dinheiro em investimentos mais conservadores, justamente para evitar que seja necessário recorrer ao capital alocado em ações em momentos de crise – crise dupla: baixa no mercado de ações, e crise pessoal também, tudo ao mesmo tempo. É o bom e velho colchão de segurança fazendo sua parte…

13 | A long life is a big risk

O risco de viver além da conta é não ter dinheiro suficiente para bancar todos os anos extras de vida que você terá. E não se engane: as pessoas estão vivendo cada vez mais. Se você atualmente esta na faixa dos 20 a 35, 40 anos, considere seriamente a possibilidade de viver até o começo do século XXII. Afinal, se a expectativa média da população está caminhando para os 80 anos, quantos anos a mais viverão as pessoas que estão acima da média, ou seja, as bem-educadas, que se exercitam regularmente, não fumam, bebem com moderação, e ainda por cima lêem blogs de finanças pessoais? 😀 A solução é única: invista o máximo que puder para ter o máximo que conseguir, na aposentadoria.

14 | Markets may be rational, bu we aren´t

O negócio é o seguinte: nós, seres humanos, não somos agentes econômicos racionais. Somos profundamente influenciados por nossas emoções, e isso pode interferir no resultado de nossos investimentos. A saída? Ter um plano, um bom plano, e segui-lo. Não seja um “maria-vai-com-as-outras”: tenha persistência e disciplina na montagem de sua própria estratégia de investimentos.

15 | Our homes are a fine investment that won´t appreciate much

A casa própria muitas vezes representa mais da metade do patrimônio financeiro de uma pessoa, mas não pode ser considerada um ativo, pois não gera juros nem dividendos – pelo contrário, gera despesas e mais despesas… Pode até proporcionar valorização de capital no longo prazo, mas não tanto quanto as ações ou a renda fixa. Além disso, ela serve justamente para isso: para morar, e não para ser alugada. A dica do autor é simples e direta: não compre um imóvel para morar a menos que você vá morar nesse local pelo menos 5 anos, preferencialmente 7 ou mais. Se morar menos tempo do que isso, prefira alugar um imóvel.

16 | Paying off debts could be our best bond investment

É interessante a visão do autor, que considera as dívidas como títulos negativos. Se você está investindo numa renda fixa que rentabilize 0,8% a.m., e têm dívidas no cheque especial que estão rendendo 8,0% a.m., você está fazendo um mau negócio. Livre-se das dívidas o quanto antes – elas podem ser o melhor investimento para você. Capítulo menos interessante do livro, porque os leitores do VR não gostam de se endividar. 😀

17 | Saving taxes can cost us dearly

Investir pensando apenas na economia de impostos pode ser um grande erro. É o que muitas pessoas fazem no Brasil, quando se trata do PGBL: só investem nesse produto pensando na restituição do IR, e se esquecem completamente das taxas de administração e de carregamento, bem como da baixa rentabilidade desses produtos, que em alguns casos chegam até a perder vergonhosamente da rentabilidade da poupança. O autor usa o exemplo das hipotecas, que, nos EUA, podem significar economia de impostos. Como esse exemplo não se aplica no Brasil, utilizei o exemplo da previdência privada.

18 | A tax deffered is extra money made

Por outro lado, se bem escolhidos e adequados ao perfil do investidor, a restituição de impostos via dedução do PGBL pode significar ganhos extras, se o dinheiro restituído for bem investido. Ademais, frise-se a importante questão da não tributação nos ganhos de capital dentro dos fundos que compõem esse plano, quando se transfere de um fundo para outro, dentro do mesmo plano PGBL, na fase de acumulação de capital.

19 | Insurance won´t make us any money – if we´re lucky

Uma palavrinha sobre os seguros. As pessoas muitas vezes fazem contratações desnecessárias de seguros, e tentam visualizá-las como se fossem uma coisa que não são, ou seja, como investimentos. A melhor estratégia para cortar os custos com seguros é juntar uma quantia decente em investimentos, assim, você precisará cada vez menos da cobertura dos seguros.

20 | Even if we have a will, we may not get our way

Comentários sobre questões relativas à transmissão de patrimônio para os herdeiros. Capítulo menos interessante para nós, brasileiros, haja vista as diferenças legais quanto às regras de sucessão do patrimônio familiar. Se for ler o livro, pule essa parte – você não perderá nada.

21 |   Financial success: it´s more about money

Sucesso financeiro é ter meios para aproveitar as coisas que você mais valoriza, onde quer que elas estejam. Capítulo muito interessante em que Clements destaca o valor da família, e defende a opção de ter filhos, não os visualizando em termos de custos financeiros, mas sim como valores a serem agregados a uma pessoa. Educar as crianças nos caminhos de uma vida financeira tranquila é um passo fundamental para que elas saibam lidar com o dinheiro quando chegarem à fase adulta.

Conclusão

Olha, para quem está começando a organizar sua vida financeira, e entender um pouquinho de inglês, esse é um dos melhores livros disponíveis para leitura, em termos de leitura para iniciantes. Tirando os capítulos 17 e 20, do conteúdo restante, eu diria que algo próximo a 100% pode ser perfeitamente aproveitado à realidade brasileira – com as devidas adaptações, claro (como aquela dos investimentos “selvagens”….hehehe).

Custando menos de R$ 20, pela cotação atual, The Little Book of Main Street Money: 21 Simple Truths that Help Real People Make Real Money, é uma verdadeira barganha: sem dúvida, um dos melhores e mais fáceis títulos que já li em termos de literatura norte-americana de finanças pessoais.

É claro que recorri ao dicionário para aproveitar melhor algumas passagens da obra, mas nada que prejudique o ritmo da leitura. Os conselhos de Clements são práticos e atemporais, servindo essa obra como fonte de consulta sempre que tiver dúvida acerca de como incorporar princípios financeiros básicos em sua vida.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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9 Responses to Resenha: The Little Book of Main Street Money, de Jonathan Clements (livro em inglês) – Capítulos 11 a 21, e Conclusão final

  1. Gisely Chessed 28 de novembro de 2010 at 14:19 #

    Ótima resenha!
    Conhecí o blog há 2 dias e lí praticamente tudo!
    Esse tema me interessa bastante e apesar de ter gostado de um post seu sobre as diferenças entre blogs financeiros masculinos e femininos, prefiro os masculinos, não gosto muito do tom de consumo nos blogs para “meninas”, então, já assinei o feed e estarei aqui sempre.
    Abraços,

  2. Guilherme 28 de novembro de 2010 at 15:16 #

    Obrigado, Gisely! E parabéns pela intensidade de leitura, afinal, ler em dois dias os quase 500 artigos do site exige dedicação e esforço!

    Mais uma vez, obrigado pela força!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Jônatas 28 de novembro de 2010 at 17:55 #

    Mais uma excelente resenha Guilherme, parabéns!

  4. Guilherme 28 de novembro de 2010 at 21:26 #

    Obrigado, Jônatas!

  5. Gisely Chessed 28 de novembro de 2010 at 22:37 #

    Então, quando o tema é interessante e escrito de forma empolgante, fica fácil. Além disso, meu livro de cabeceira é o Bola de Neve, então, sou hard reader!

  6. Finanças Inteligentes 29 de novembro de 2010 at 11:46 #

    Olá Guilherme

    Não entendi muito bem sobre a questão dos seguros, concordo que não tem nada a ver com investimentos mas no caso de um seguro residencial ou de veículo considero uma forma de preservar o capital em situações atípicas que acabam acontecendo.

    Abcs,

  7. Guilherme 1 de dezembro de 2010 at 21:34 #

    Atualizando os comentários até agora dessa semana…

    Gisely, parabéns pela empolgação na leitura! O livro do Bola de Neve é ótimo, continue assim!

    F.I., concordo também. O que o Clements destaca é que muitas pessoas acabam contratando seguros sem necessidade. Eles têm um papel importante, e devem ser contratados quando a situação assim o exige, como vc bem afirmou.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  8. Fabio 11 de julho de 2011 at 23:08 #

    A primeira parte esta quebrada, por favor, veja se tem como recuperar pois me interessei bastante pelo review

  9. Guilherme 14 de julho de 2011 at 9:27 #

    Link corrigido, Fábio! Obrigado pela visita!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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