Se você parou de aprender, você parou no tempo

Sabe qual é a máquina com maior poder de processamento de dados no mundo? Seria uma engenhoca fabricada pela IBM? Pela Intel? Pela AMD? Não. A máquina com maior poder de processamento de dados do mundo é o cérebro humano. É você. Você é um super computador. Você é uma verdadeira máquina de aprendizado. Com seu cérebro, com sua inteligência, com sua criatividade, você pode mudar o mundo. A questão é: você está usando esse incrível poder computacional que possui dentro de si? Ou parou de aprender? Se você parou de aprender, meu caro(a), tenho uma má notícia: você parou no tempo.

Créditos da imagem: Free Digital Photos

O cérebro é capaz de coisas incríveis, e isso é insanamente notável na cabeça dos pequeninos. As crianças são seres muito inteligentes. Por quê? Ora, dentre outros motivos, porque elas, quando estão na fase de alfabetização, têm o poder nato de aprender qualquer idioma do mundo: português, inglês, mandarim, russo, grego, hebraico, tagalo, ou qualquer outro idioma.  E isso ocorre com absoluta naturalidade. É difícil para você aprender um idioma estrangeiro? Mas não seria igualmente difícil para uma criança de 4 anos fazer o mesmo? E se ela, apesar de tão tenra idade, consegue fazê-lo, por quê você não conseguiria também? A inteligência, felizmente, não é um dom reservado somente a quem tem determinado tipo de DNA, mas sim uma ferramenta prática, gratuita e fantástica, posta à disposição de qualquer ser humano, que serve para melhorar sua própria vida, em qualquer aspecto, e não somente no financeiro.

Pessoas que desenvolvem continuamente novas experiências de aprendizagem ao longo de toda sua jornada de vida naturalmente têm uma maior probabilidade de viverem mais, e com mais saúde, pois o cérebro é como qualquer outro músculo: se não for exercitado, ele se atrofia. Luzia de Maria, no magnífico livro O clube do livro: ser leitor – que diferença faz?, afirmou, com propriedade, que:

“A palavra que melhor caracteriza o cérebro é a plasticidade. A cada momento em que nos lançamos numa nova experiência, em que fazemos novos contatos – com pessoas ou conhecimentos e informações -, novas conexões neurais são estabelecidas e isso significa uma permanente reformulação no desenho de nosso mapa cerebral. O que somos agora, já não o seremos amanhã. O cérebro pode ser modelado. Tem a mesma propriedade da argila, do barro. […]. Não há destino preestabelecido. Nós somos o maestro. Não há forma definitiva. Nós somos o artesão de nós mesmos. Não é formidável?” (p. 128-129)

E o que nós vemos no dia-a-dia é, muitas vezes, exatamente o contrário. Vemos pessoas acomodadas, com cérebros atrofiados, que, depois que alcançaram uma promoção ou uma estabilidade, no emprego privado ou no cargo público, pararam de aprender. Você conhece pessoas assim. Vemos pessoas que não têm o menor interesse em se lançar em novos desafios, em novos empreendimentos. Pessoas que não sabem um idioma estrangeiro, e mesmo assim, não se permitem fazer aulas para melhorar o seu grau de fluência nesse idioma. Vemos pessoas que, em vez de gastarem seu precioso tempo com coisas que importam na vida delas, preferem gastá-lo lendo revistas fúteis e assistindo noticiários que nada repercutirão na vida delas.

E tudo isso é muito triste e muito perigoso, porque o aprendizado, o conhecimento, modifica o comportamento. Vejamos um pequeno exemplo: uma pessoa começa a fumar. Fuma durante bons anos. Aí, de repente, vê um aviso de advertência numa propaganda de TV, que nunca tinha visto antes (exemplo radical): fumar faz mal à saúde. Será que esse registro não tem o poder de modificar o comportamento dessa pessoa? Conhecimento modifica comportamento. Quanto mais você aprende sobre uma coisa – sobre qualquer coisa -, mais você tem domínio sobre ela. Quanto mais você aprende sobre sua vida, em suas múltiplas dimensões (nutricional, financeira, intelectual, psicológica, espiritual etc.), mais você tem domínio sobre ela. Quem não gosta de aprender – ou quem não quer aprender – é dominado pela vida, ao invés de dominá-la. Em qual lado você prefere estar?

Uma das áreas em que isso talvez seja mais emblemático seja a de tecnologia. Se você nasceu no fim dos anos 70 e começo dos anos 80, viveu boa parte do começo de sua juventude sem Internet, celular e talvez até sem computador. Ora, sem Internet e sem computador, você nem estaria lendo esse blog! E, se você está lendo esse blog, é porque você, de alguma forma, em algum ponto do passado, teve que aprender a usar tanto a Internet quanto o computador. Por isso eu digo: não tenha medo de aprender. O processo de aprendizado, por definição, é um processo concebido para explorar o desconhecido. Em certo sentido, é uma aventura. Não tenha medo. Vá em frente.

No livro As 10 principais diferenças entre os milionários e a classe média, de Keith Cameron Smith, a diferença nº 6 aborda exatamente a temática que estamos tratando nesse artigo: os milionários aprendem e crescem sem parar, enquanto a classe média pensa que o aprendizado termina quando acaba a educação formal.  Smith aborda com bastante propriedade esse aspecto:

“Os milionários são estudiosos da vida. Eles continuam a aprender com as circunstâncias. Uma pergunta comum que fazem é: ‘o que posso aprender com isso?’ A classe média, por outro lado, se pergunta: ‘por que isso sempre acontece comigo?’. A pergunta ‘por que isso sempre acontece comigo?’ mostra que algo está acontecendo de novo. Uma situação ruim surge diversas vezes porque o conhecimento permanece inalterado. É necessário continuar a aprender e a crescer” (p. 55-56, com destaques no original).

Por falar em classe média, não poderia deixar de falar aqui que de nada adianta festejar a “ascensão” da classe média brasileira se não houver investimentos em educação financeira dessa mesma classe social, como muito bem apontado pelo Jônatas num excelente artigo do Efetividade.blog, denominado A real necessidade da “Classe C” brasileira:

“O que a classe C precisa, e cabe ao governo tal incentivo, é gastar mais em educação. O aumento de renda deve ser gasto para aumentar a base cultural da família e proporcionar constantes e sustentáveis aumentos da renda. Afinal, ganha mais quem conhece mais.

Eu nunca vi alguém dizendo que com o aumento da renda pôde adquirir mais livros, realizar cursos e participar de seminários. Também nunca vi alguém falando em investir parte da renda adicional, em economizar hoje pensando no amanhã”.

Na verdade, o valor do aprendizado, e aqui estamos falando especificamente do aprendizado financeiro, não produz resultados apenas entre diferentes classes sociais, mas também dentro de uma mesma classe social. O leitor Ricardo me enviou um excelente link de um artigo publicado no Valor, que citou um estudo realizado na Holanda, com famílias abastadas, em que mostrou que:

“Nas famílias holandesas em que o nível de informação sobre finanças pessoais é maior, a riqueza é quatro vezes superior à do grupo das famílias menos informadas financeiramente [apesar de ambas ostentarem o mesmo nível de riqueza financeira]”.

Somos criaturas moldadas pelos nossos hábitos. Ocorre que, justamente pela ausência de interesse em modificar nossos comportamentos, esses hábitos, muitas vezes, não passam de hábitos ruins, verdadeiros vícios, que podem gradativamente diminuir nossa qualidade de vida, se não buscarmos uma maneira de aprender coisas novas, destinadas a transformar esses vícios em hábitos, como, aliás, já escrevi em outro artigo, As pequenas coisas, feitas de modo constante, criam maior impacto.

Você precisa ser um curioso da vida, uma pessoa receptiva a testar novas ideias e experiências. Isso porque o futuro não é um quadro estático: pelo contrário, é um quadro dinâmico, que está sendo continuamente remodelado pelas ações de pessoas ávidas por transformações oriundas de novos conhecimentos, pessoas que agem a partir de habilidades adquiridas através de treinamento, preparação e ação. Continue aprendendo, a fim de estar preparado para as oportunidades que surgirão nessa nova etapa de sua vida!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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16 Responses to Se você parou de aprender, você parou no tempo

  1. Jônatas R. Silva 7 de novembro de 2011 at 14:41 #

    Navegar (aprender) é preciso.
    Muito bom começar a semana com mais um excelente artigo Guilherme.

    Obrigado pela lembrança mais uma vez do Efetividade blog.

    Abraço e boa semana.

  2. Daniel 7 de novembro de 2011 at 22:05 #

    Procurei o botão “Compartilhar no Facebook” e não achei…

  3. Leandro 8 de novembro de 2011 at 13:13 #

    Nesses dias saiu a pesquisa sobre o IDH da educação brasileira. A galera meteu o pau, que a educação no Brasil é um lixo, etc., os lugares comuns de sempre. Aí ouvi um educador falar na BandNews (não me lembro o nome do cara) mas ele fez considerações muito interessantes sobre o assunto:
    (i) nas famílias em que os pais têm maior escolaridade, gasta-se mais e dá-se mais importância à educação do que em famílias em que os país possuem menos;
    (ii) o suposto “sucateamento” da escola pública é uma falácia. É outro lugar comum muito falado, mas o fato é que a base aumentou absurdamente. Nas famosas décadas de 60 ou 70 em que as escolas públicas eram modelo, o Brasil era um país eminentemente rural em que a maior parte das pessoas sequer estudava. Os poucos privilegiados que tinham essa oportunidade usufruiam de um bom sistema, eis que feito para a elite, obviamente.
    (iii) é muito mais interessante investir na base da educação visando à sua UNIVERSALIZAÇÃO, do que investir em algumas pessoas tecnicamente brilhantes. Isso porque o Brasil está atingindo, apenas agora, a educação de base (fundamental). A evasão é muito grande no ensino médio, que dirá superior.

    Porque eu falei disso nesse tópico? Porque aprender é um HÁBITO que só será adquirido quando a escola estiver inserida em nosso dia a dia. Isso está ocorrendo gradativamente (segundo as pesquisas). Estudar é chato, maçante e entediante quando você deve aprender um pouco de tudo (escola). Quando você se especializa e estuda algo que gosta, na minha visão, deixa de ser algo chato para ser algo prazeroso. Mas esse é um segundo passo, que só pode ser dado após o primeiro (hábito) ter sido adquirido…

    Acredito que essa evolução na educação fará com que mais pessoas comecem a usar o cérebro. Por enquanto, isso ainda é privilégio de poucos no nosso país…

    Abraços e parabéns pelo ótimo post, como sempre.

    • Rosana 23 de novembro de 2014 at 10:06 #

      Guilherme,

      Muito bom esse post.
      O hábito é muito poderoso, tanto pra o bem quanto para o mal. Cabe à nós escolhermos se os nossos nos ajudarão a crescer ou a afundar.

      Gostei dos comentários do Leandro.
      A escola pública já foi boa, mas era feita para os filhos de pais abastados ou então para os sortudos filhos de pessoas de classe baixa que moravam nas cidades. Mesmo assim, não eram todos que estudavam, mas apenas aqueles que tinham pais com visão de futuro, que sabiam da importância do estudo na vida dos filhos.

      Abraços,
      Rosana

      • Guilherme 24 de novembro de 2014 at 16:58 #

        OI Rosana, obrigado.

        Ótimo seu comentário sobre a realidade da escola pública, concordo integralmente. Passam-se os anos, e a educação continua sendo a “porta” para as chances de uma vida melhor.

        Abç!

  4. Gisely Chessed 10 de novembro de 2011 at 9:42 #

    Olá, Guilherme!
    Acho que você resumiu bem: aprendizado gostoso e viciante (estão aí as madrugadas na web que não me deixam mentir rssrs)é aquele em que o tema é escolhido por nós. Por vezes, um tema desconhecido torna-se fascinante ao pesquisá-lo à fundo e a web, apesar de adorar um bom livro de papel, é fundamental para ter as informações à mão, o tempo todo. Tenho certeza que eu estudo muito mais hoje do que quando estava no colégio! bjss

  5. Guilherme 12 de novembro de 2011 at 14:37 #

    Jônatas, obrigado!

    Daniel, vou providenciar esse botão em breve. Estou com um pouco de falta de tempo no momento. Grato pela sugestão!

    Leandro, excelentes comentários! Destaco particularmente esse ponto: “aprender é um HÁBITO que só será adquirido quando a escola estiver inserida em nosso dia a dia”. Que possamos, pois, estimular e desenvolver os bons hábitos!

    Gisely, olá! Eu também estou aprendendo muito mais hoje do que na época do colégio….rsrs!!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Everton Ricardo de Almeida 12 de novembro de 2011 at 16:24 #

    Meu amigo, era exatamente sobre isso que eu e meus amigos conversamos dias desse. A minha prática em ler e escrever faz com que eu estude mais e mais.
    Me possibilita aprender a aprimorar meus conhecimentos.
    E te digo mais, escrever para meu blog é como ir na academia (pelo menos para mim). Virou um vício e é super prazeroso. O dia em que não consigo escrever ou terminar o texto que iniciei no dia anterior, fico de mal humor e me sentindo como não tivesse terminado meu exercício de reflexão.
    PS. Grato pelos twitters e o comentário lá no meu blog.
    Abraços e bom fds!
    @everton_ric

    • Douglas 7 de dezembro de 2011 at 1:59 #

      Bacana Everton!
      Ler “é prazeroso escrever” nos dias de hoje é algo no mínimo interessante… Digo, escrever bem, pois na mesma velocidade que as redes sociais convidaram milhares a escrever cada vez mais, infelizmente é cada vez mais raro ler textos com qualidade (estou me restringindo apenas a escrever corretamente)… Mas tudo leva a isso, vamos torcer!
      Fiquei animado com suas palavras. Espero também ter tempo para dedicar a esse gostoso “exercício”…rssss
      Abraços!
      Douglas
      http://facebook.com/douglascoliveira

  7. Guilherme 13 de novembro de 2011 at 20:42 #

    Grande Everton!

    Exatamente. Escrever é uma atividade contagiante, que é auto-reflexiva, na medida em que nos beneficia à medida que mais escrevemos e nos interessamos por um dado assunto. Parabéns e continue nessa toada!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  8. Credenciamento Finame 22 de novembro de 2011 at 14:02 #

    Muito bom o artigo, realmente as pessoas não usam a mente até mesmo porque estão acomodadas em uma zona de conforto que a tecnologia tem oferecido a sociedade.

  9. Everton Ricardo de Almeida 22 de novembro de 2011 at 16:18 #

    Olá Credenciamento Finame,
    É exatamente isso, a zona de conforto deixa as pessoas a mercê do conhecimento. Digo, um proativo aumenta a probabilidade de aprender mais. desde que seja sobre assuntos de seu interesse, como bem lembrou o grande Guilherme no comentário logo acima.
    Abraços!

  10. Guilherme 22 de novembro de 2011 at 17:16 #

    Credenciamento e Everton, grato pelos comentários!

    Aprender e evoluir são palavras indissociáveis!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  11. Bruna 4 de fevereiro de 2014 at 11:34 #

    Seus textos são excelentes! Gosto muito da maneira como você aborda esses temas e me fazem refletir sobre a maneira que estou levando a minha vida. Sempre achei que conhecimento nunca é o suficiente… Quanto mais aprendemos mais desperta em nós a vontade de aprender, de crescer e de nos transformar. E o processo transformador que o conhecimento traz pra vida de milhares de pessoas é incrivel! Que todos tenhamos consciência de estar sempre nos aprimorando em todos os sentidos da vida!

    Abraço!

    • Guilherme 5 de fevereiro de 2014 at 6:56 #

      Oi Bruna, obrigado!

      Concordo com tudo o que você disse, o processo de aprendizado é transformador e libertador!

      Abç!

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  1. Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez? | sorriavoceestasendofilmado - 2 de março de 2018

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