3 princípios para uma carteira de investimentos mais inteligente, do mestre John Bogle

John Bogle é um cara cujas ideias merecem ser mais divulgadas no Brasil. Isso porque foi ele o criador dos fundos de índice passivo, isto é, daqueles fundos de ações que apenas replicam determinado índice de ações, e cujos administradores não exercem gestão ativa das ações. No Brasil, os fundos de índice passivo mais conhecidos são os ETFs BOVA11, que espelha o Índice Bovespa, e o PIBB11, que replica o IBrX-50.

São várias as vantagens de se investir em ações utilizando fundos de índice, mas vou citar apenas 5 benefícios, extraídos do antológico artigo escrito no HC Investimentos, denominado 5 Motivos para Investir em Fundos de Índice (ETFs): PIBB11, BOVA11 e SMAL11, do meu amigo Henrique Carvalho:

  • Diversificação
  • Baixo Custo
  • Dividendos Reinvestidos Automaticamente
  • Baixo Tracking Error
  • Mais Tempo Fora do Mercado

Se quiser saber mais detalhes sobre cada uma dessas vantagens, recomendo a leitura do artigo na íntegra. Também escrevi um artigo a respeito, falando especificamente do PIBB11: 6 vantagens do PIBB11 – e não vou falar da baixa taxa de administração!

Já publicamos bastante material a respeito de Bogle, incluindo a resenha de um livro em inglês, Common Sense on Mutual Funds,a resenha de um livro traduzido para o português, A dose certa, e um link para uma entrevista em vídeo com Jack Bogle para a Forbes com transcrições.

Hoje, iremos fazer comentários sobre um recente artigo, escrito pelo jornalista John Wasik, intitulado “Taxas, especuladores e três princípios para um portfólio mais inteligente”, que saiu no jornal Valor, o qual foi trazido até nós pelo sempre atento leitor Diogo Costa.

1) O custo é importante

Isso tem sido um mantra de Bogle há décadas. Ele surgiu como uma ideia em sua tese de graduação em Princeton, em 1949. Sua fórmula é simples: “retorno bruto do mercado menos o custo da intermediação financeira é igual a retorno líquido”.

Resumindo, isso significa que você fica com o retorno do investimento, menos todas as taxas que os gestores e outros intermediários cobram. A matemática é sempre cativante. Um levantamento sobre investimentos para aposentadoria do centro de estudos “Demos”, feito no começo deste ano, constatou que, no longo prazo, os fundos de ações têm em média um ganho de 7%, igualando mais ou menos o retorno do mercado acionário. Quando todas as taxas são subtraídas, porém, o retorno líquido cai para 4,5%. As despesas comem até um terço dos retornos ao longo da vida útil (de 1965 a 2005) de um americano médio.

Bogle afirma que você sempre pode reduzir os custos para aumentar os retornos, uma vez que quase todos os grupos de fundos mútuos oferecem fundos de índices de baixos custos. Ele escreve: “Se bater o mercado é um jogo de soma zero antes dos custos, é um jogo de perdedor após deduzidos os custos“.

Se a importância de manter os custos em patamares baixos já era importante 3 anos atrás, quando as ideias de Bogle começaram a ser divulgadas nesse blog, e quando a SELIC girava na faixa de 12% a.a., hoje essa importância aumentou de forma exponencial, já que estamos convivendo com uma SELIC que bateu na casa dos 7,5% a.a., conforme noticiado pelo amigo Jônatas no blog Efetividade.

O atual patamar da renda fixa brasileira, com o nível da taxa de inflação que hoje temos (ao redor de 5% a.a.), não deixa margem para dúvidas: se você quiser ter ganhos acima da inflação, terá que correr mais riscos, em qualquer uma das modalidades alternativas que hoje se apresentam, quais sejam: títulos de longo prazo do Tesouro Direto atrelados à inflação, fundos imobiliários, ações, ou, finalmente, títulos privados de renda fixa (debêntures, letras de crédito imobiliário, CDBs etc.).

“2) A especulação tem um custo para todos

Pelos cálculos de Bogle, cerca de 99,2% do mercado envolve negócios orientados pela especulação, em oposição aos investimentos em que empresas e indivíduos mantêm posições durante anos, em vez de milionésimos de segundos. Com as negociações eletrônicas e algoritmos dominando o mercado, será que o pequeno investidor tem alguma chance?

Não tente superar especuladores que possuem uma mentalidade de cassino, aconselha Bogle. Invista no valor intrínseco do “negócio” das companhias e colha seus dividendos. Encontre índices de baixo custo que representem um espectro que envolva grandes companhias e empresas iniciantes. Bogle constatou que esse tipo de investimento passivo superou os investimentos ativos em 1,2 ponto percentual entre 1976 e 2011″.

Esse princípio de investimento é auto-explicativo. Ter visão de longo prazo, e, mais do que isso, ter comportamento de longo prazo, evitando usar a Bolsa como um cassino, é a melhor coisa que nos resta a fazer. Isso não só evita que percamos tempo com o home broker, mas também que tenhamos mais saúde e menos estresse por conta dos invariáveis altos e baixos do mercado.

3) Regras básicas não mudam

Bogle diz que os gestores de fundos podem ter anos de sorte, mas em algum momento seus retornos se revertem para a média do mercado. Sempre há riscos no mercado de ações; portanto, não os aumente tentando determinar o ritmo do mercado. Ajuste suas alocações de ações à medida que você for envelhecendo – a porcentagem de bônus que você tem deve ser mais ou menos parecida com a sua idade. Não invista com base nos retornos dos últimos anos.

Mesmo com as manchetes dos jornais alardeando muitos problemas financeiros e turbulências econômicas, Bogle é a voz da tranquilidade. Como os mercados oscilam, faça o seu melhor para ignorar e separar o transitório do durável. Essa disciplina é mais bem resumida pelo princípio mais importante do investimento inteligente: mantenha o rumo!

Depois de tudo isso, você pode perguntar: “Qual é o rumo?”. Comece com uma declaração de investimentos que coloque no papel seus objetivos e tolerância ao risco. Se você não conseguir fazer isso sozinho, trabalhe com um consultor que não ofereça produtos. Em seguida, encontre ou crie um portfólio que seja ideal para você.

“Stay the course!” é o lema de Bogle. O que ele quer dizer com isso? Simples: seja DISCIPLINADO. Eu não destaquei essa palavra à toa. Ela é mais do que uma palavra: é uma qualidade, que pode também ser traduzida como sinônimo de paciência. Faço um link aqui para outro excepcional artigo do blog HC Investimentos, A qualidade mais importante do investidor: Conheça a Teoria do Marshmallow.

E você, tem aplicado esses 3 princípios de investimento ao seu portfólio pessoal?  🙂

Obrigado ao leitor Diogo Costa pelo envio do link, que gerou esse artigo!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

* Créditos da imagem: Free Digital Photos

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7 Responses to 3 princípios para uma carteira de investimentos mais inteligente, do mestre John Bogle

  1. Jônatas R. Silva 3 de setembro de 2012 at 10:45 #

    Gui, perfeitas as colocações de Bogle, é ilusão de superioridade achar que se pode ganhar do mercado. ETF é a melhor escolha.

    Abraço meu amigo e obrigado pela referência ao Efetividade blog.

    • Guilherme 5 de setembro de 2012 at 20:00 #

      Obrigado pelas palavras, Jô!

      É isso aí!
      Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  2. Diogo Costa 3 de setembro de 2012 at 13:46 #

    Excelente, Guilherme. Fico feliz em contribuir com esse maravilhoso site, que sempre agrega informações de alta qualidade, e sempre visando a imparcialidade! O que é algo muito difícil nos dias atuais, com o Brasil e sua taxa de juros baixas como você mesmo mencionou.
    Em relação à taxa de juros baixa (de 7,5% a.a algo inédito e com tendência de novas reduções), gostaria de comentar que também temos um PIB muito baixo e a inflação está em alta! Por isso, é bom analisar com muita tranquilidade todas as opções no Mercado, levando em conta todas as medidas de estímulos adotadas pelo Governo, e não deixar que a euforia de altos retornos (FUNDOS IMOBILIÁRIOS, AÇÕES, TÍTULOS PÚBLICOS E PRIVADOS) nos faça tomar uma decisão que pode nos custar muito mais na frente, é importante observar o preço x valor intrínseco dos ativos. Dessa forma, seguir os ensinamentos do mestre John Bogle é uma ótima maneira de reduzir os erros nas nossas decisões de investimento. Abraços, e uma ótima semana para todos do site.

    • Guilherme 5 de setembro de 2012 at 20:01 #

      Olá, Diogo, e grato pelas gentis palavras! São leitores como você que ajudam a edificar esse blog e torná-lo uma ferramenta de apoio útil na vida dos leitores.

      Gostei muito do seu comentário: ter prudência hoje em dia é fundamental, não se deixando levar pelo oba-oba do mercado, e pela distorção na precificação de certos ativos.

      É isso aí!
      Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Daniel 4 de setembro de 2012 at 10:14 #

    Olha, há tempos não lia um artigo tão legal sobre fundos. Sem dúvida preciso me informar mais sobre fundos, apesar de preferir investir diretamente em ações. Gosto da idéia do investimento em valor (value investing), embora tenha apelado para alguns movimentos meramente especulativos ultimamente. Parabéns! Excelente Post, com referências importantes. Sucesso!

    • Guilherme 5 de setembro de 2012 at 20:02 #

      Muitíssimo obrigado pelas palavras, Daniel!

      É isso aí!
      Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  4. Fabiana 11 de setembro de 2012 at 15:06 #

    Ótimo texto!

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