As pessoas não decidem seu futuro, elas decidem seus hábitos

“As pessoas não decidem seu futuro, elas decidem seus hábitos, e seus hábitos decidem seu futuro”.

– F. Matthias Alexander

Na transição entre um ano e outro, é comum você se deparar com reportagens e artigos sobre as famigeradas “Resoluções de Ano Novo”, isto é, todas aquelas listas de promessas que as pessoas querem cumprir para o ano que se inicia, mas que 99,9% não conseguem realizar. Mas por quê isso acontece?

Execução

Simples: porque elas ficam presas em hábitos antigos.

Para você mudar algo em sua vida, conforme eu disse no último post, Transforme seus pensamentos em ações. Suas ações em hábitos. E seus hábitos num estilo de vida, você precisa de 3 níveis de transformações: em seus pensamentos, em suas ações e em seus hábitos. Quando você vive simplesmente “dia após dia”, sem modificar algum elemento de seu cotidiano, fica impossível converter em realidade aquelas metas que você tanto deseja.

Bruce Van Horn, num artigo publicado no começo desse ano, People don’t decide their futures, they decide their habits, aborda exatamente esse aspecto do problema, que, de certa forma, complementa muito bem o conteúdo do artigo que eu publiquei aqui no blog semana passada. Seu futuro não é um ponto imutável localizado mais adiante no tempo, mas o resultado das ações que você leva a cabo na maioria de seus dias.

“O modo como você gasta a maioria de seus dias irá determinar o modo como você gastará a maioria de seus anos”.

– Bruce Van Horn

Se você sonha em passar num concurso público, mas não estuda com dedicação pelo menos 4 horas por dia, preferindo perder tempo com coisas que nada tem a ver com seu objetivo de vida, você irremediavelmente estará decidindo por não passar num concurso público.

Se você tem 89 quilos e 36% de gordura corporal, e quer um futuro mais esbelto e com menos pança, mas opta por no dia-a-dia tomar refrigerante e comer biscoito Todeschini, e ficar deitado no sofá à noite assistindo Discovery Channel ou Polishop, você fatalmente estará decidindo por não ficar mais saudável.

Se você quer alcançar a independência financeira e uma aposentadoria mais tranquila, mas resolve, na prática, aproveitar todas as promoções da Black Friday e de passagens aéreas para viajar para lugares que você não precisa, fazer compras parceladas até do supermercado e do posto de gasolina, e não investir um centavo sequer em ações, Tesouro Direto ou fundos imobiliários, você estará optando, de forma retumbante, por não conquistar a independência financeira.

Leia novamente a frase que inaugura esse post.

Sim, você não decide seu futuro, você decide seus hábitos, e seus hábitos é que decidirão seu futuro.

E o que fazer para mudar tudo isso?

Viva intencionalmente.

Pare por um momento e reflita sobre o modo como você tem gastado seus dias. Tenho quase certeza de que você os vive no “piloto automático”. Na pressa. Na correria: precisa de um despertador para acordar, porque tem dificuldade para adormecer no dia anterior. Pula o café da manhã porque precisa estar no trabalho às 9. Sacia-se com “qualquer besteira” no meio da manhã porque sente que está faltando energia mental e física para aguentar o tranco. Toma 300 ml de café no começo da tarde porque senão vai ficar com sono para o resto do dia. Assiste TV a cabo à noite porque precisa “desopilar”. Eu posso ler sua mente. Literalmente.

Se esse for seu caso, é hora de dar um “break mental” e reavaliar se o modo como você está conduzindo sua vida está aproximando você de suas metas e objetivos de vida. Ou, pelo contrário, se o que existe na verdade é um desalinhamento, uma desconformidade, entre seus propósitos de vida e suas ações diárias de vida.

Você pode até não ter uma lista de objetivos futuros escritos no papel: eles podem estar simplesmente “passeando” em seu cérebro, como “quero ter mais dinheiro”, “quero ter mais tempo”, “quero ter mais energia”… não importa.

O importante é você parar por um momento e refletir se seus hábitos estão de fato te conduzindo a uma evolução em sua vida, ou a uma estagnação.

Se você estiver no segundo grupo – o grupo dos estagnados – é preciso, para o bem ou para o mal (mas para seu próprio bem), mudar hábitos.

Elimine de sua vida camadas que você não é capaz de suportar.

Corte despesas desnecessárias.

Pare de gastar tanto tempo bisbilhotando a vida alheia no Facebook.

Tenha a coragem de executar as suas tarefas diárias de modo mais organizado.

Não fuja de certas perguntas.

Pare de se importar tanto com coisas que nada mudarão sua vida.

Escolha a realidade que você quer viver. Pare de ser controlado pelos outros.

Conclusão

Na minha própria vida, as coisas só começaram a fluir a partir do momento em que eu decidi melhorar meus hábitos. Isso não só transformou meu presente, mas também fez com que minhas ações estivessem mais alinhadas a meus objetivos futuros de vida.

Se você quiser também dar um “upgrade” em sua qualidade de vida, não fique de braços cruzados esperando algo acontecer. Execute o conhecimento que você já possui, pois, como diz Tony Robbins, temos que mudar a frase “conhecimento é poder” para “execução é poder”. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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29 Responses to As pessoas não decidem seu futuro, elas decidem seus hábitos

  1. Rosana 8 de dezembro de 2014 at 6:05 #

    Guilherme,

    Excelente post, muito motivador para o início da semana! :)

    Abraços,
    Rosana

  2. MJC 8 de dezembro de 2014 at 8:02 #

    Muito bom.

    É muito difícil mudar hábitos, mas vale a pena quando se consegue. Estou indo bem com algumas mudanças, já outras são mais difíceis.

    Esse ano estou tentando corrigir alguns hábitos ruins. Por exemplo, minha meta no início do ano era ir na academia 200 vezes. Não vou conseguir, mas devo chegar nuns 170, o que já é bom para quem era sedentário.

    Estou tentando corrigir definitivamente minha alimentação também. Já perdi alguns bons pontos percentuais de gordura e consegui baixar dos 20% (próximo da minha meta de 15%, região já saudável).

    Ontem me dei conta de que estava perdendo muito tempo com o celular e excluí meu Facebook.

    Além disso, quero passar num concurso top top (o meu já é muito bom, mas porque não tentar melhores?). Consigo estudar uma hora por dia, mas preciso aumentar isso. Preciso ver como melhorar isso, nesse ponto tenho que pensar mais um pouco em como fazer. Difícil rs

    Mas é isso aí, excelente post!

    • Guilherme 8 de dezembro de 2014 at 11:13 #

      Olá MJC, muito legal e proveitosa a forma como você controla seus hábitos: através dos números.

      Mauro Halfeld já dizia que “tudo o que é medido é melhor controlado”, e penso que isso se aplica em várias áreas de nossa vida, não apenas na financeira.

      Ter indicadores e parâmetros objetivos na frequência à academia, percentual de gordura corporal, quantidade de horas de estudo, é uma excelente maneira de verificarmos se estamos progredindo no cumprimento de nossas metas ou, se ao contrário, estamos regredindo.

      Torço para que você consiga atingir os objetivos em todas essas áreas.

      Em relação especificamente ao concurso, sugiro a leitura de um post – ou a releitura, pois provavelmente você já deve ter lido – http://www.valoresreais.com/2011/08/28/quanto-vale-sua-forca-de-trabalho-pensando-no-seu-capital-humano-como-um-titulo-de-renda-fixa/

      Valeu e #tamojunto!

      • Gil 9 de dezembro de 2014 at 12:06 #

        Essa idéia de contabilizar as idas na academia é uma boa.
        Vou fazer assim no ano que vem.
        Acho que 150 está de bom tamanho (pouco mais de 40% do ano).

        • Guilherme 9 de dezembro de 2014 at 21:08 #

          Pois é, Gil, a ideia do MJC ficou habitando na minha mente… e resolvi que vou adotá-la também, começando por esse mês de dezembro.

          Também considero 150 uma ótima métrica (parabéns ao MJC por conseguir 170, isso dá uma ida à academia dia sim, dia não!).

          Abç!

          • MJC 10 de dezembro de 2014 at 8:18 #

            Eu imprimi um calendário e colei na parte de dentro da porta do meu guarda roupa. Daí todo dia que eu vou eu faço um x. No final do mês eu somo quantas vezes fui e meu peso naquele mês. Daí dá pra ver se tem algo saindo do controle.

            Boa sorte para nós!

            • Guilherme 10 de dezembro de 2014 at 14:29 #

              Excelente método de controle, MJC!

              Papel e caneta continuam sendo ferramentas incríveis, numa era de tecnologia digital. 😀

              Abç

    • alfa55 3 de maio de 2016 at 4:21 #

      MJC, só de ler sua resposta já dá para ficar motivado com sua metodologia e perseverança.
      Estou tentando sair da inércia, da “zona de conforto”. Batalhando.
      Boa sorte !

      Alfredo Sérgio

      • Guilherme 3 de maio de 2016 at 7:16 #

        E o mais legal é que o MJC está atuando em “diferentes frentes de batalha”! :-)

        Eu também adotei essa metodologia de marcar no calendário as idas à academia, e é legal ver e acompanhar que há uma correlação positiva entre frequência e saúde: quanto mais frequência, melhor é a saúde. 😀

  3. Diego BA 8 de dezembro de 2014 at 8:30 #

    Obrigado por compartilhar tanto conhecimento de qualidade!

  4. Ronaldo Suett 8 de dezembro de 2014 at 10:12 #

    Bom dia…

    Que maravilha de post…

    Abraço!

  5. Antonio Alves 8 de dezembro de 2014 at 15:57 #

    Excelente texto!
    Creio que a dificuldade, além do comodismo, seja porque há muita coisa pra mudar, metas grandes… Uma sugestão é escolher uma coisa de cada vez, pequenas melhorias em cada área. Fazer possível alcançar grandes objetivos e mudanças drásticas acontecerem no longo prazo. De forma sistemática, comemorando as pequenas conquistas, pouco a pouco, caminhando pra melhor, do jeito que cada um almeja e consegue…
    Abraços, Antonio.

  6. Leonardo 8 de dezembro de 2014 at 19:55 #

    É por isso que sou seu fã!

    • Guilherme 8 de dezembro de 2014 at 20:20 #

      Ôpa, grande Leonardo, prazer te ver por aqui, cara!

      Obrigado pelas palavras!

      Abç!

  7. The Bat 11 de dezembro de 2014 at 14:05 #

    boa

  8. Andrea 13 de dezembro de 2014 at 10:40 #

    Olá! Conheci o blog há pouco tempo e queria agradecer pelo maravilhoso conteúdo! Não entendo nada de finanças (tanto que era do tipo que gastava mais do que ganhava), mas esse ano decidi que essa vida não ia me levar pra frente. E eis eu aqui tentando aprender!
    Já consegui diminuir o uso do cartão de crédito (e cortar um deles, porque eu tinha dois!), parei de pagar taxa de manutenção de conta (vinha disfarçado num seguro de vida e ainda por cima eu só usava os serviços básicos da conta) e, agora no final do ano, passei a usar aplicação/resgate automático e tenho até um dinheirinho na poupança! É pouquinho, mas pra quem vivia de pagamento em pagamento só quitando contas…
    O próximo passo é aprender o suficiente pra começar a investir.

    Obrigada!

    • Guilherme 13 de dezembro de 2014 at 14:32 #

      Obrigado pelas palavras, Andrea!

      Ao mesmo tempo, te parabenizo pela excelente ideia de fazer mudanças de hábitos em sua própria vida, que já estão produzindo resultados excepcionais quanto à sua saúde financeira!

      Bons investimentos!

      Abç

  9. QualBanco 15 de dezembro de 2014 at 12:11 #

    às vezes a menor mudança em nossas vidas – como o jeito de preparar o café da manhã – pode ter implicações surpreendentes…

  10. Anna Monteiro 15 de junho de 2015 at 14:34 #

    Perfeito! Pra começar a semana então,mais ainda!
    O começo é sempre difícil,mas quando a gente repetidamente executa o ato,vira um hábito, como escovar os dentes.

    Falo isso porque há anos atrás,eu não sabia pra onde meu dinheiro ia.Ficava tentando lembrar de cabeça onde tinha ido tanto $. Depois passei a imprimir uma planilha e preenchê-la manualmente,deixando-a na frente do computador (eu pessoalmente,funciono melhor escrevendo e não digitando,pois me lembro melhor das coisas). Hj em dia, ao fazer uma compra ou pedir por um serviço, automaticamente eu já procuro ou lembro essa planilha. Nem preciso mais de lembrete para anotar tudo. E eu também de tanto ter agenda durante todo o colegial,me habituei tbem a trazer isso pra vida.

    Minhas mesas sempre têm bloco de anotação (nunca pedacinho de papel,senão vira lixo sem querer). Anoto tudo e vou dando tiques quando cumpro a meta. É claro q tem uma vez ou outra que esqueço de incluir alguma coisa que me prometi fazer ou que eu deveria ter feito, mas hj em dia acontece com menos frequência. Sensação de dever cumprido é a melhor sensação que existe! E eu sinto isso a cada tique dado ali na lista =)

    Como dizia uma professora que tive no ensino médio:
    “Palavra dita é promessa; palavra escrita é compromisso.”
    Abraços!

    • Guilherme 15 de junho de 2015 at 14:50 #

      Excelente depoimento, Anna!

      Taí um exemplo perfeito de um ato que virou um hábito, e se incorporou à rotina de tal forma que passou a “girar no automático”! 😀

      Sistema de organização 100% eficiente, parabéns!

      E gostei muito da frase da sua professora!

      Abç!

  11. Flavio Mattos 25 de janeiro de 2016 at 7:14 #

    Guilherme, às vezes eu penso que você está lendo nossos pensamentos, com posts que se encaixam como uma luva em nossas vidas. Não posso deixar de ler suas mensagens.

    • Guilherme 29 de janeiro de 2016 at 18:35 #

      Muitíssimo obrigado pelas palavras, Flavio, ainda mais sabendo que vêm de você, uma pessoa que tenho grande admiração!

      Abraços!

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