Os 4 princípios do sistema de controle do orçamento doméstico do YNAB

Para ter uma vida financeira bem sucedida, não basta apenas saber fazer os investimentos certos para sua situação pessoal. É preciso antes ter um bom controle do orçamento doméstico, ou seja, administrar bem as despesas do dia-a-dia. Afinal de contas, você só consegue investir se conseguir, antes disso, fazer sobrar dinheiro todo mês.

O tema do orçamento doméstico muitas vezes é negligenciado no Brasil, seja porque o efeito da mera exposição faz as pessoas pensarem em investir mesmo sem ter dinheiro, seja porque boa parte das famílias brasileiras vivem endividadas, o que significa que não lidam bem com o controle das despesas.

Na verdade, saber controlar de forma eficiente e racional o orçamento doméstico é o primeiro passo para se conseguir estabilidade e independência financeiras. Embora hoje existam muitos softwares e dicas para se controlar o orçamento doméstico, nunca eu havia lido um sistema tão bom de controle quanto o do YNAB.

YNAB significa You Need A Budget. Em português, “Você Precisa de um Orçamento”. O YNAB é um software, um app, pago, em inglês, cujo foco central é te ajudar a controlar o orçamento doméstico. Custa USD 5 por mês, ou USD 50 por ano.

Mas ele não é só um software. Ele é mais do que isso. É um sistema de controle das finanças pessoais, cujo objetivo é lidar com as despesas, ou seja, com os gastos, e que é possível aplicar em sua vida pessoal mesmo que você não use o app. Ou seja, o app não é essencial para você aplicar os princípios dessa filosofia de gerenciamento das finanças.

O sistema YNAB de controlar o orçamento doméstico está centrado em 4 princípios. Vamos a eles.

1. Dê a cada real um emprego.

O primeiro passo é você pré-definir, com base em sua renda mensal, a quantia de dinheiro que poderá gastar em cada categoria de despesas, e agir, durante o mês, para que “seus empregados” (o seu dinheiro) trabalhem exatamente na função que você predeterminou para eles. Isso significa dar a cada real um emprego, uma finalidade específica.

Por exemplo, vamos supor que você tenha recebido R$ 1.000,00 de salário na sua conta e, no dia seguinte, um amigo te chame para comer na churrascaria, onde o preço médio do rodízio (com bebida, taxa de serviço, sobremesa etc.) é de R$ 150. Se você não utiliza o YNAB, ou melhor, se você não age de acordo com esse princípio, você iria aceitar o convite numa boa, afinal, “tenho R$ 1.000,00 na conta, tirando R$ 150, ainda sobram R$ 850”.

Porém, o problema é que os dias vão passando, as contas de outras despesas vão chegando, e você acaba ficando com um déficit orçamentário, tudo porque não percebeu que, na categoria “restaurantes”, sua média mensal de gastos é de R$ 100, e você, com uma única refeição, ultrapassou toda a cota do mês, ocasionando não só desvio de finalidade do seu “trabalhador”, mas também um desajuste fiscal no seu orçamento doméstico.

Quem dá a cada real um emprego planeja os gastos antes deles acontecerem. Voltando ao exemplo dos R$ 1.000,00, você pode distribui-los da seguinte forma, com base na sua média mensal de gastos:

  • R$ 300: estudos;
  • R$ 300: mercado;
  • R$ 200: transporte;
  • R$ 100: restaurantes;
  • R$ 100: prestação do seguro do carro;

É claro que o exemplo foi simplificado, mas é suficiente para demonstrar a importância do planejamento financeiro. Trata-se de pensar antes de executar; de planejar antes de agir; de mentalizar antes de materializar. Sobre essa ideia de controle do orçamento, vale a pena ler de novo um artigo publicado 4 anos atrás, Controlar as despesas é preciso, viver… não é preciso.

2. Abrace suas verdadeiras despesas (ou: guarde para um dia chuvoso).

O segundo princípio da filosofia YNAB foca nas despesas infrequentes, mas que têm impacto às vezes colossal num determinado mês do ano, tais como os gastos de viagens de férias, seguro e IPVA do carro, matrícula dos filhos na escola, gastos extras de Natal etc.

Para esse grupo de despesas infrequentes, mas impactantes, a ideia é antecipar-se à despesa fatiando-a em porções mensais menores.

Suponha que seu seguro do carro custe R$ 1.500,00 e vença todo mês de setembro de cada ano. Se você não for uma pessoa disciplinada, e se não provisionar antes o dinheiro para essa despesa certa que ocorrerá no futuro, quando chegar setembro, você fatalmente vai querer “empurrar a despesa pra frente”, ou seja, pagar o seguro de forma parcelada, na maior quantidade possível de prestações mensais, e torcer pra ter dinheiro para quitar essa dívida todo mês.

Agora, se você agir de acordo com esse princípio, guardando, digamos, R$ 250 por mês para pagar o seguro, quando chegar setembro, você não só estará tranquilo, porque já terá todo dinheiro para pagar o seguro, como também poderá negociar um valor ainda melhor para pagá-lo à vista, economizando ainda mais dinheiro.

Ou seja, enquanto o sujeito acima, que não se planejou, vai ter que viver “ainda mais no sufoco”, adicionando uma prestação mensal ao seu já apertadíssimo orçamento doméstico, você ficará tranquilo, e terá ainda mais dinheiro no bolso, exatamente pelo fato de ter “guardado para um dia chuvoso”.

Essa técnica de se antecipar às grandes despesas eu já tinha abordado em artigos anteriores aqui no blog – vide os textos Estabelecendo um plano plurianual para a troca do carro – 2 alternativas de investimentos e Faça as despesas anuais (IPVA, IPTU, anuidades de órgão de classe etc.) entrarem no planejamento mensal… e se livre do sufoco do começo de ano! – mas a vantagem do YNAB é que tal técnica é “encaixada” dentro de uma filosofia maior de controle do orçamento doméstico.

Uma das grandes vantagens da aplicação prática desse princípio é que ele te obriga a pensar em termos anuais, coisa, aliás, que eu também já havia abordado aqui no blog antes, no artigo Mapeie suas 10 maiores despesas anuais – e trate de reduzi-las!

Quem não “guarda para um dia chuvoso” certamente vai se molhar de forma desnecessária. Não seja uma dessas pessoas! 🙂

3. Gire com os socos

Esse princípio centra sua atenção na necessidade de implementação de ajustes quando forem necessários, a fim de manter o orçamento doméstico como um todo de forma equilibrada. Isso é necessário porque todo mês, eu repito, todo mês, ocorrem eventos imprevistos que nos obrigam a gastar mais dinheiro numa determinada área de nossas vidas.

Suponha que nesse mês de março você tenha gasto R$ 800 em supermercados, quando a sua meta mensal estimada era R$ 600. O que fazer com esse excesso de R$ 200 nessa categoria de despesas?

Simples: remanejamento. Transfira o dinheiro que “sobrou” de uma determinada categoria com superávit, para a categoria onde houve excesso de gastos. No exemplo acima, se você gastou, com o item “casa”, apenas R$ 200, quando seu limite era R$ 500, você transfere as sobras dessa categoria (digamos, R$ 200) para a categoria de supermercados, a fim de manter os gastos totais do orçamento doméstico dentro do planejado.

O site oficial do YNAB (em inglês) contém mais dicas a respeito desse terceiro princípio.

4. Envelheça seu dinheiro

Se você incorporar, ao seu gerenciamento financeiro pessoal, as ideias contidas nos 3 princípios anteriores, certamente conseguirá adotar a ideia dessa quarto princípio, que é uma consequência natural de um bom planejamento financeiro bem executado: sobrar cada vez mais dinheiro ao final de cada mês.

Quem vive “com a corda no pescoço”, não consegue administrar suas despesas, e gasta mais do que ganha, não consegue fazer o dinheiro sobrar no final do mês. Em outros termos, quando recebe o salário de, digamos, R$ 2 mil no começo do mês, esse salário já é automaticamente consumido para pagar todas as contas que se vencem nos dias seguintes: gasta R$ 1 mil para pagar as contas fixas mensais (luz, condomínio, telefone etc.), gasta mais R$ 1 mil com a fatura do cartão de crédito, e, com o dinheiro zerado já no dia 5, vai pagando no cartão todas as demais despesas do mês, torcendo pra chegar logo o próximo dia de pagamento de salário.

Por outro lado, quem segue os princípios de um bom planejamento financeiro, como os descritos acima, segue um caminho diametralmente oposto. No primeiro mês, recebe R$ 2 mil e gasta R$ 1,7 mil. Sobram R$ 300. No segundo mês, recebe R$ 2 mil, e gasta R$ 1,4 mil. Sobram mais R$ 600. No terceiro mês, recebe R$ 2 mil, e gasta R$ 1,1 mil. Sobram mais R$ 900. No quarto mês, recebe R$ 2 mil, mas percebe que as sobras dos meses anteriores já somam R$ 1,8 mil, para despesas de R$ 1,1 mil. Ele para de viver de salário em salário. Sobra um salário inteirinho de R$ 2 mil para investir.

Essa é a beleza da quarta regra: você paga as despesas do mês corrente com o dinheiro envelhecido dos meses anteriores. E, quanto mais você envelhecer seu dinheiro, mais preparado você estará para sua aposentadoria financeira. Envelhecer os ativos, fazê-los gastarem, ao invés de gastá-los, é um dos segredos para se alcançar a tão sonhada independência financeira.

No caso particular de quem vive no Brasil, quem envelhece o dinheiro na renda fixa ainda conta com uma vantagem adicional: menores alíquotas de imposto de renda a pagar. É um justo prêmio para quem consegue ter um bom sistema de orçamento doméstico.

Já quem vive de salário em salário, nunca vai ter esse privilégio de envelhecer o dinheiro. Sempre vai estar pagando a alíquota mais alta de IR (e às vezes paga até IOF). Quem você quer ser?

Conclusão

YNAB

Gostei muito de conhecer essa filosofia de controle do orçamento doméstico do YNAB, principalmente porque o Jesse Mecham (seu criador) conseguiu reunir e sistematizar, de modo bastante coerente, os princípios fundamentais do controle das despesas, que até então estavam meio “soltos” em diversos artigos e blogs espalhados pela Web. Dá até pra dizer que a alocação de ativos está para os investimentos assim como o sistema YNAB está para as despesas.

Quem quiser saber mais sobre essa filosofia pode acessar aqui 4 links, muitos dos quais usei como base para escrever esse artigo:

Eu particularmente ainda não usei o app YNAB, pois já gerencio meu orçamento doméstico através de uma planilha Excel que foi (na verdade, está) sendo aprimorada ao longo dos anos, mas eu pretendo experimentá-lo no futuro e, quem sabe, incorporá-lo ao meu dia-a-dia – embora eu já esteja adotando gradualmente os princípios do YNAB, cujo uso independe do uso do software.

E você? Como gerencia seu orçamento doméstico? Utiliza um software, um app? Que princípios segue? Deixe um comentário e compartilhe sua experiência com os demais leitores do blog!

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29 Responses to Os 4 princípios do sistema de controle do orçamento doméstico do YNAB

  1. Anna Monteiro 28 de março de 2016 at 0:44 #

    Olá Guilherme,

    Por coincidência, encontrei uma resposta a uma questão financeira no FB,um dia desses, o seguinte relato:

    “Eu faço minha vida financeira da seguinte fórmula :
    Pago todas as despesas com 60% de minha renda;
    20% guardo para investir;
    10% doação;
    5% lazer;
    5% emergências.”

    Achei super sensata e inteligente a medida ! Acredito que se todos, sem exceção, tivessem essa conduta, a pobreza no país se reduziria bastante.
    Qual a sua opinião? 😉

    Abraços e uma ótima semana!

    • Guilherme 31 de março de 2016 at 10:47 #

      Oi Anna!

      Gostei bastante dessa distribuição do orçamento em fatias percentuais, porque racionaliza o uso do dinheiro, dando uma destinação específica para cada parte do salário.

      Abraços! 🙂

  2. Marco 28 de março de 2016 at 1:49 #

    Utilizo o YNAB desde janeiro, depois que meu pai faleceu e passei a ter que me virar sozinho. Esse programa tá me ajudando muito. Já tenho algumas despesas planejadas que só vão acontecer daqui alguns meses, e o fato de já ter me planejado pra isso me traz uma tranquilidade muito grande, principalmente agora nesse momento de luto.

    Uma dica para quem é universitário (como eu): se você mandar um comprovante de matrícula para a equipe do YNAB, eles te dão uma chave gratuita pra você usar o programa. É só seguir os passos descritos aqui: http://www.youneedabudget.com/blog/post/ynab-is-now-free-for-college-students

    • Guilherme 31 de março de 2016 at 10:48 #

      Ótimo depoimento!

      E ótima essa dica sobre a chave universitária, Marco!

  3. Douglas 28 de março de 2016 at 12:19 #

    Eu uso o YNAB a muitos anos. É o melhor programa de controle que já usei. Já usei o Microsoft Money e o GNU Cash. E também opções online como Buxfer e Mint. No fim das contas você registra tudo o que gasta e anos e anos de registro que não levam a nada. Com o YNAB já no primeiro mês você vê a utilidade em registrar as despesas e receitas. A minha declaração de IR é feita em minutos.

    O interessante do YNAB é que não importa se você gasta no dinheiro ou no cartão de crédito, você tem que gastar o dinheiro que você tem agora, mesmo que o cartão vença em 45 dias, o importante é nunca gastar o que não tem.

    Eu comprei o YNAB a alguns anos no Steam e não pago nada mensal. Devem ter mudado a forma de compra do produto.

    O YNAB também tem cursos e seminários, pra quem sabe inglês, são muito bons. Pode-se tirar dúvidas, ensinam algumas dicas bem interessantes.

    • Douglas 28 de março de 2016 at 12:20 #

      Ah o YNAB agora é online por isso é pago mensal. O que eu tenho é o software (YNAB 4) e este é offline no computador e no android.

  4. Bruna 28 de março de 2016 at 17:50 #

    Eu uso o YNAB há uns 4 anos e também foi a melhor forma que encontrei de me organizar financeiramente.
    Além desses 4 princípios, o YNAB ainda nos incentiva a criar um “buffer”, semelhante com o 4o princípio, e fazer o orçamento baseados apenas em dinheiro que JÁ temos, não que achamos que receberemos.
    Acho interessante porque isso nos obriga a ser intencionais e perguntar todos os meses “o que esse dinheiro precisa fazer até que eu receba novamente?”
    Enfim, gosto muito do YNAB. Pra quem sabe inglês, o fórum tb é muito legal.
    Abraço

    • Guilherme 31 de março de 2016 at 10:49 #

      Realmente, Bruna, fazer o orçamento baseado apenas no dinheiro que já se tem é fundamental para ter controle do orçamento doméstico.

      Abraço

  5. SwineOne 28 de março de 2016 at 20:33 #

    Guilherme,

    O YNAB foi um dos métodos que avaliei quando buscava uma metodologia para montar um orçamento.

    Acredito que ele seja excelente para quem quer um método pronto, e está disposto a aceitar suas eventuais limitações. Basicamente, ele junta a ideia do método dos envelopes para orçamento, com uma reserva de emergência de curto prazo (o “buffer”). Também incorpora a ideia de economizar dinheiro mensalmente para pagar despesas anuais como IPTU, IPVA, seguro do carro, etc. Vejo também que pode ajudar as pessoas do ponto de vistas psicológico, devido à forma como os conceitos são explicados (o “buffer” pode fazer mais sentido do que a reserva de emergência, por exemplo).

    Porém, não me adaptei 100% com ele, e como tenho facilidade com este tipo de coisa (e diria que até um certo prazer intelectual pelo desafio), uso um método mais ou menos próprio, fortemente baseado no o método dos envelopes.

    Algo que faço, e nunca vi ser muito bem explicado, é algo similar ao método das partidas dobradas da contabilidade para parte do meu patrimônio.

    Por exemplo, ao comprar um carro (ou, em geral, qualquer outro item de maior valor que será vendido futuramente), eu crio uma conta do tipo “ativo” no meu software, e transfiro para ele valores de outras contas: se dei entrada em dinheiro, um valor da conta corrente; se usei meu carro antigo como parte da entrada, transfiro da conta relativa a este outro carro; se o resto foi financiado, crio uma conta do tipo “passivo” e transfiro o valor de lá, deixando esta conta negativa até que o financiamento seja quitado. Veja, são transferências, não apenas créditos e débitos associados a uma certa categoria.

    Para manter este valor atualizado, a cada mês eu checo o valor do carro na tabela FIPE e desconto desta conta, categorizando como depreciação. Na hora de vender o carro, é só transferir o dinheiro para outra conta (conta corrente do banco, ou a conta criada para o próximo carro que eu comprar, se o antigo foi dado como entrada do novo).

    Também sigo uma ideia semelhante com compras parceladas no cartão de crédito: tenho uma conta referente aos parcelamentos de um dado cartão, e quando faço uma compra parcelada, crio um débito nesta conta para o valor total (soma das parcelas), e a cada mês faço as transferências dos valores das parcelas para esta conta, até zerar os débitos referentes àquela compra.

    Tenho contas para o meu carro, computador, celular, tablet, etc., enfim, para todos os itens de valor um pouco mais alto que serão vendidos posteriormente. Hoje tenho até uma conta para os meus pontos na Accor, pois a marcação a mercado da pontuação é muito fácil (cada ponto vale 0.02€). Um dos meus projetos, para quando tiver mais tempo livre, é criar contas para outros programas de fidelidade como Multiplus e Smiles, mas nestes casos a marcação a mercado é um pouco mais complexa.

    Para curiosidade, o software que uso é o Banktivity (https://www.iggsoftware.com). Esse software atende 95% das minhas necessidades. Inclusive, é possível instalar o aplicativo no meu celular e no da minha esposa, e se ela lançar uma despesa no dela, quando abrir o meu, a despesa já estará lá. A principal restrição que vejo é que a versão para celular é mais restrita que a do computador — por exemplo, no celular não tenho acesso aos envelopes, então todas as operações com os envelopes precisam ser feitas no computador.

    Antes dele, usava um software excelente chamado PocketMoney, mas infelizmente, o seu autor morreu, e parece que apenas recentemente alguém adquiriu os direitos e está desenvolvendo uma versão mais atualizada. Gostava bastante do PocketMoney, e inclusive foi nele que montei meu primeiro sistema de orçamento (até hoje sinto “saudades” desse sistema, onde lançava uma despesa média esperada para cada categoria, e gastos a mais ou a menos eram rolados para o mês seguinte, mas o método dos envelopes pode funcionar igualmente bem, é apenas uma forma diferente de enxergar as coisas).

    Fora isso, devo dizer que sofri muito para encontrar softwares que funcionam de um jeito que se encaixe na minha metodologia. Comecei com o PocketMoney, e quando vi que não seria mais atualizado, tentei literalmente mais de uma dezena de softwares diferentes até achar o Banktivity, que funcionava mais ou menos da forma que eu queria, e que conseguia importar meus dados do PocketMoney (que exportava em diversos formatos comuns, mas tem software que não importa dados, e se eu não me engano o YNAB é um deles). Um que quase deu certo é chamado Moneywiz, só não consegui fazê-lo funcionar porque uma dada categoria só pode ter créditos ou só débitos, nunca uma mistura dos dois, e para algumas das minhas categorias, isto era indispensável (por exemplo, milhas aéreas: posso gastar dinheiro comprando na Ipiranga para transferir para a Multiplus, ou ganhar dinheiro vendendo as milhas). Mas para quem não considerar isto uma restrição, vejo que é um software muito atraente.

    • Guilherme 31 de março de 2016 at 10:50 #

      Excelente depoimento, Swine!

      Ter o controle total do orçamento doméstico é fundamental para uma vida financeiramente saudável.

      Abraços!

  6. Marcelo Guterman 28 de março de 2016 at 21:41 #

    Guilherme, muito obrigado por citar o meu site. Infelizmente, o pessoal do YNAB mudou o software, e tiraram algumas coisas que fazem falta, como a possibilidade de jogar para o mês seguinte um “estouro do orçamento” dentro da mesma categoria, ou programar uma receita para ser gasta no mês seguinte. Além disso, fizeram apenas uma versão Web, que, pelas características do Java, é bem mais limitado que a versão residente. Não reclamo da versão Web, acho útil para quando se está remoto, mas não disponibilizar uma versão residente a zero de jogo (eles prometem esta versão as soon as possible) foi um erro comercial.

    Mas, na minha opinião, o maior erro em termos de estratégia comercial foi terem mudado a lógica do software não a ponto de desfigurá-lo, mas a ponto de tornar o seu uso pouco intuitivo para quem está acostumado com o YNAB4 (que virou YNAB Classic). Acho que foi um erro porque pessoas como eu, que estavam acostumadas com o YNAB4, não fizeram a migração para o novo YNAB. O certo seria manter as características do software anterior, e agregar novas funcionalidades, de modo a tornar a transição mais suave.

    Eles vão manter a assistência ao YNAB4 até o final deste ano, razão pela qual ainda estou usando o software. Mas estou procurando algo que o substitua, o que não é fácil, pois o software é realmente muito bom. Infelizmente, os softwares nacionais não chegam aos pés. Quem sabe, no decorrer do ano, eles lancem um software residente mais familiar aos usuários do YNAB4.

    Para quem quiser o YNAB4 (para o qual tem o treinamento no meu site), eles ainda estão disponibilizando o software para download no site http://classic.youneedabudget.com/.

    • Guilherme 31 de março de 2016 at 10:51 #

      Oi Marcelo, concordo sobre esse erro de estratégia comercial mudando a lógica do software.

      Boa a dica do YNAB4.

      Abraços!

  7. Michelle 28 de março de 2016 at 23:47 #

    “No caso particular de quem vive no Brasil, quem envelhece o dinheiro na renda fixa ainda conta com uma vantagem adicional: menores alíquotas de imposto de renda a pagar. É um justo prêmio para quem consegue ter um bom sistema de orçamento doméstico.”

    Guilherme, pode explicar mais sobre isso? Não entendi pq a alíquota de IR diminuiria se a renda continuaria a mesma. Obrigada!

    • SwineOne 29 de março de 2016 at 11:36 #

      A alíquota de IR para aplicações em renda fixa é de 22.5% para dinheiro que ficou parado por menos de 6 meses, 20% para 6 meses a 12 meses, 17.5% para 12 meses a 24 meses, e 15% para mais de 24 meses. Além do IOF, que diminui proporcionalmente de 100% (sim, 100%, você não leu errado) a 0% nos primeiros 30 dias de aplicação.

  8. Scantales 29 de março de 2016 at 17:09 #

    Sobre economizar no mercado gostaria de dividir minha experiência com vocês:

    1 – passei a levar refeições prontas de casa (almoço e lanche da tarde);

    2 – recentemente, troquei meu café da manhã e lanche da tarde, que consistia em sanduiches: pão integral, tomate e creme cheese, por batata doce cozida, seguindo preceitos de uma dieta low carb.

    Abç

    • SwineOne 30 de março de 2016 at 0:23 #

      Batata doce é uma das coisas que está mais longe de low carb que se pode imaginar (sei porque faço a dieta). Não sou adepto dos lanches no meio das refeições, já que não sinto fome com a dieta, mas se fosse, levaria um queijo (pode até ser um Polenguinho ou similar) e nozes/castanhas.

      • Leonardo 30 de março de 2016 at 19:57 #

        Esse queijo vendido em supermercado não é low carb. Nesse tipo de queijo as bactérias não entram no processo de fabricação e por isso não existe a quebra das moléculas de açúcar do leite, o açúcar continua todo lá.Sem contar que alguns queijos tem adição de gordura vegetal hidrogenada pra baratear o preço

        Uma das ideias do Lowcarb é justamente não fazer lanches entre as refeições

        Mas se for pra comer carboidrato é melhor uma batata doce a um derivado de trigo

        • SwineOne 1 de abril de 2016 at 8:51 #

          Suponho que depende do queijo. Eu tenho na geladeira alguns potes de um queijo estilo Polenguinho, da marca Président, que tem 1.1 g de carboidratos (tudo açúcar) a cada porção de 17.5 g, que corresponde a um “quadradinho” do queijo, pré-embalado. Isso dá cerca de 6% de carboidratos por peso. Meu limiar para uma comida ser considerada low carb é 5%, então é algo praticamente aceitável — e como eu não como todos os dias, e quando como é um só, não acho que são 1.1 g de carboidratos que vão arrasar minha dieta.

          Já uma batata doce cozida, pelo que encontrei na internet, tem 18% de carboidratos por peso (não sei se incluindo ou não as fibras, mas a diferença seria de 2%), e se é pra chutar o balde dessa maneira, eu prefiro algo como alguns quadradinhos de chocolate 85% da Cacau Show, com 24%, ou uma fatia de cheesecake com 26%.

  9. Gabriel 31 de março de 2016 at 15:22 #

    Depois de muito procurar eu gostaria de algo mais automático tipo o guiabolso.com.br (que se pudesse extrair a base de dados do aplicativo seria perfeito), mas com não dá não gostei.

    Depois de várias tentativas eu adaptei uma planilha do Gustavo Cerbasi que inclusive peguei aqui no Valores Reais. Nela criei uma segunda aba e colo o extrato bancário e vou classificando operação a operação que já aparece somada no resumo.

    Se quiser posso compartilhar sem problemas. Será que você não pode compartilhar a sua com a gente?

  10. Alice 2 de abril de 2016 at 19:30 #

    Olá, tudo bom?

    Admirei muito este site.

    Cumprimentos!

    Lice Nunes do Portal Shame Intelimax

  11. Iara 28 de abril de 2016 at 16:44 #

    Olá Guilherme,

    Interessante, eu ainda não conhecia o YNAB, ele incentiva bem a educação financeira.
    Acho que o mais importante de tudo é as pessoas se conscientizarem que precisam de um orçamento doméstico, que precisam ter esse controle.
    Esses 4 princípios são excelentes para serem colocados em prática, independente do uso do aplicativo.
    Obrigada pelas ótimas informações.
    Abraços!

    • Guilherme 29 de abril de 2016 at 13:54 #

      Olá Iara!

      Concordo, os 4 princípios são bem fáceis de entender, e eles dão uma boa base para a pessoa começar a ter uma educação financeira de qualidade.

      Abraços!

  12. Bruno Maciel 22 de outubro de 2016 at 8:27 #

    Ótima matéria Guilherme. Gostei da parte que disse que está aperfeiçoando sua planilha ao longo dos anos. Também tenho uma que fiz online no Google drive. Decidi elaborar uma planilha após perceber que seria a MELHOR MANEIRA de ter o um Controle personalizado.

    A dificuldade que tinha era de como reunir os dados para jogar nela. Daí eu descobri o GUIA DE BOLSO.

    Todas as transações que faço com cartões de débito e crédito, como as movimentações minhas contas correntes aparecem lá.

    Os pagamentos que faço em espécie em lanço manualmente no programa.

    No fim do mês eu pego os dados do GUIA DE BOLSO e jogo na minha planilha.
    Diga-se de passagem minha planilha tem gráficos para que todos os gastos.

    Espero ter ajudado

  13. Viver de Dividendos 5 de fevereiro de 2017 at 19:34 #

    YNAB é muito bom, gosto muito de sua metodologia, ate hoje mesmo usando outro app de finança ainda continuo aplicando os conceitos do YNAB que pra mim foram fundamentais no sucesso do controle financeiro

    ps. Obrigado por referencia nosso artigo.

    Vocês tem uma area de troca de links aqui ?

    • Guilherme 5 de fevereiro de 2017 at 20:04 #

      Uau, quanta honra receber o Viver de Dividendos aqui no nosso blog! Muito obrigado!
      Acompanhamos há muitos anos seu trabalho, e sei do esforço e do suor gastos ensinando as pessoas a administrarem melhor suas finanças. Parabéns!

      Temos, sim, uma área de troca de links – http://www.valoresreais.com/links/ -, podemos fazer essa troca, que tal? 🙂

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