Quando se trata de economizar dinheiro, uma mentalidade determinada faz toda a diferença

Não é segredo para ninguém que a crise econômica que o Brasil atravessa está causando terríveis males às famílias brasileiras. Notícias como a persistência da inflação em níveis altos, o aumento dos índices de desemprego, a diminuição da renda real dos trabalhadores brasileiros, a queda na atividade econômica, o fechamento de centenas de milhares de empresas, o aumento do endividamento, os recordes nos saques da poupança e até dos planos de previdência privada etc., têm assustado os investidores e diminuído o consumo de milhões de brasileiros.

No âmbito do planejamento financeiro pessoal, a ordem é cortar gastos. Afinal, ninguém quer se aprofundar na crise quando os preços aumentam e, ao mesmo tempo, a renda diminui, não é mesmo?

Dentro desse contexto, para se sair vitorioso, não tenha dúvidas de que ter uma mentalidade determinada faz toda a diferença. O fator chave aqui não diz tanto com a renda que você tem, mas sim com o modelo mental que você incorpora em épocas de crise. É preciso adotar comportamentos que vão de encontro aos apelos consumistas do marketing que nos rodeia, que vão de encontro com o comportamento de endividamento suicida que muitos de seus colegas de trabalho, parentes e vizinhos insistem em adotar; e, finalmente, que podem ir de encontro ao seu próprio comportamento.

Vou enumerar abaixo algumas dicas altamente práticas a fim de diminuir gastos desnecessários, e fazer sobrar mais dinheiro no bolso. Algumas delas, inclusive, venho aplicando em minha própria vida financeira, com resultado positivo comprovado.

Cancele planos de viagens já pagos

Talvez você tenha comprado ou financiado viagens num momento de sua vida que havia dinheiro sobrando e, por alguma razão superveniente (perda de emprego, diminuição de renda, aumento inesperado de gastos etc.), você precise agora economizar dinheiro, em vez de gastar mais.

Nesse contexto, sacrifícios temporários serão absolutamente indispensáveis para retomar o controle de sua vida financeira, e cancelar planos de viagens terá dois efeitos altamente positivos em seu orçamento doméstico. Primeiro, ao cancelar pacotes, hospedagens ou passagens já integralmente compradas, você terá dinheiro no presente, já que obterá um estorno em seu cartão de crédito ou um crédito em conta-corrente bancária, que aliviará bastante seu orçamento doméstico agora.

Não se trata de dinheiro novo, obviamente, já que o que haverá será uma simples restituição (com o provável pagamento de alguma multa por cancelamento). Porém, isso inegavelmente ajudará bastante o seu orçamento do mês, que ficará mais folgado com o crédito dos valores já pagos.

E, segundo, ao não mais viajar, você evitará gastos futuros no local da viagem, com itens como refeições, passeios e compras.

Cancelar planos de viagens já pagos pode ser uma medida dura e difícil, já que você estará abdicando de momentos de lazer, mas, em épocas de crise, é um item que pode, para muitas pessoas, ser perfeitamente aceitável que se corte.

Além disso, quando as épocas de vacas magras acabarem, você poderá retomar os planos de viagens, sem endividamentos e sem preocupações com déficit no orçamento doméstico. 😉

Supermercados: aproveite os folhetos das promoções e escolha, sempre que aceitável, alternativas mais baratas

Os gastos com supermercados compõem um dos itens mais pesados de qualquer orçamento doméstico.

Por isso, a tática aqui tem que ser “de guerra”: cada centavo conta. Um real economizado é um real ganho. Cem reais economizados, por mês, são cem reais a mais que não saem de seu bolso.

Nesse sentido, é hora de voltar a “olhar com bons olhos” os folhetos das promoções. Muitas vezes, os supermercados, principalmente os das grandes redes de varejo, colocam na Internet cópias dos folhetos das promoções. Está na hora de visitar também essas páginas, pois a economia pode ser significativa em itens que você consome ou compra com frequência.

E se o produto anunciado em promoção estiver com um preço realmente bem abaixo do normal? Se ele for um produto do tipo “durável”, em que valha a pena fazer estoque, como os produtos de limpeza em geral (sabão em pó, amaciante etc.), não pense duas vezes e compre uma boa quantidade de uma só vez. A economia, a médio prazo, será bastante significativa.

Além disso, sempre que aceitável, vale a pena escolher alternativas mais baratas. O “sempre que aceitável” é um critério que é bastante subjetivo, e depende 100% de suas necessidades, gostos e preferências. O que é aceitável para você pode não ser aceitável para outro.

Por exemplo: muitas vezes, a carne – um dos itens que certamente mais pesam em qualquer orçamento doméstico – é mais barata comprando em açougues de esquina do que em supermercados. Mas tem gente que prefere comprar em supermercados, alegando “confiabilidade” na origem do produto, comodidade etc. Já outros consideram “aceitável” pagar menos comprando diretamente em açougues especializados.

Produtos hortifrutigranjeiros também podem ser mais baratos comprando em feiras livres do que em supermercados (ou vice-versa).

O importante, no final das contas, é economizar num segmento do orçamento doméstico – supermercados – que quase sempre ocupa fatias expressivas das despesas.

Cancele cartões de crédito que não aceitam negociação de anuidades

A crise não está, por evidente, atingindo somente as pessoas físicas. Os bancos também querem “garantir o seu”, e uma das medidas que passaram a implementar foi o maior rigor na negociação das anuidades dos cartões de crédito.

Muitos cartões de crédito que antes não cobravam anuidades passaram a cobrá-las, e outros tantos passaram a ser mais rigorosos na negociação dessa tarifa, o que exige do consumidor muita atenção e, sobretudo, uma mentalidade determinada, a fim de não gastar dinheiro com uma tarifa inútil, que não traz valor agregado ao cliente.

Eu tenho uma posição bastante clara a respeito: se o cartão de crédito, que cobra anuidade, pode ser substituído por outro meio de pagamento equivalente (outro cartão de crédito que não cobre anuidade, por exemplo), e se ele não retorna benefícios tangíveis a você, está na hora de cancelá-lo.

Como eu disse acima, por ocasião dos gastos com mercados, a regra tem que ser “cada centavo conta”. 😉

Troque os pacotes de serviços bancários, que custam uma fortuna, por contas digitais ou contas de serviços essenciais (ambas gratuitas)

O post Os bancos querem seu dinheiro: R$ 150 mil para não pagar tarifas bancárias. Casos Banco do Brasil Estilo, Itaú Personnalité e Bradesco Prime gerou acalorados debates e mostrou bem que, conforme disse acima, os bancos também querem tirar o deles da reta nessa crise econômica.

Felizmente, existem maneiras simples e práticas de economizar dinheiro com esse tipo de tarifa (inútil, na maioria das vezes): migrar os famigerados pacotes de serviços por contas gratuitas, a saber: as contas de serviços essenciais, e as contas digitais ou eletrônicas, cujos serviços incluídos são suficientes para boa parte das pessoas.

No caso do Banco do Brasil, a troca do pacote “Estilo” por um pacote de serviços essenciais pode ser realizada sem precisar ir à agência. Basta, no Internet Banking, solicitar o cancelamento do atual pacote, conforme demonstra a imagem abaixo:

BB Serviços Essenciais

Já a troca para a conta digital exige, infelizmente, uma ida à agência, o que chega a ser contraditório, uma vez que a ideia central da conta digital é justamente realizar todas as operações financeiras sem a intervenção humana.

Façamos os cálculos: R$ 50 mensais pagos no Pacote Estilo significa um gasto anual de mais de R$ 600 (considerando o custo de oportunidade de não aplicá-lo num investimento). Um dinheiro que pode ser perfeitamente economizado, ainda mais se você não utiliza os serviços do banco incluídos no pacote.

O mesmo raciocínio se aplica no caso dos demais bancos que cobram tarifas caras de cestas de serviços: Itaú Personnalité (R$ 70), Citibank Citigold (R$ 70), Bradesco Prime (R$ 62), Santander Select (R$ 99), HSBC Premier (R$ 55,90). Quem tem conta em todos esses segmentos, e não tem investimentos suficientes a ponto de obter desconto ou isenção, paga mais de R$ 350 mensais em pacotes de serviços. Por ano, o gasto ultrapassa R$ 4 mil. Que caro!

Revise sua planilha de orçamento doméstico 3 vezes por semana, e foque nos gastos mensais fixos

A ideia por trás dessa dica é ter níveis cada vez maiores de controle sobre o seu gasto de dinheiro.

Eu particularmente gosto de revisar meu orçamento doméstico 3 vezes por semana: às terças (quando o sistema atualiza os gastos com cartões de crédito ocorridos no final de semana), quintas (a fim de monitorar o andamento dos gastos na semana) e sábados (onde faço a revisão semanal e faço uma estimativa dos gastos totais do mês).

Mas conheço gente que se sente confortável realizando a revisão uma vez por semana, por exemplo, aos sábados (caso da leitora Vânia, salvo engano). Para quem tem uma vida financeira estabilizada, a quantidade de revisões pode ser menor, mas, para quem está agora enxugando seus gastos, o mínimo recomendável é revisar a planilha do orçamento doméstico ao menos três vezes por semana.

Se você estiver num momento da vida que requer uma reestruturação completa do orçamento doméstico, eu diria que não é má ideia a revisão diária da planilha, e isso por um motivo bastante simples: quanto mais tempo você gastar analisando seus gastos, maior capacidade crítica você acumulará de pensar meios e modos de diminuí-los.

Vou dar um exemplo concreto: como eu costumava viajar com frequência de avião, e, portanto, circulava bastante em aeroportos, havia contratado um plano de Internet WiFi, que, por cerca de USD 10 mensais (~R$ 40), me dava acesso ilimitado aos serviços de Internet WiFi onde esse provedor tinha serviço (o que incluía 100% dos aeroportos em que eu costumava me deslocar), sem necessidade de uso da Internet 4G do celular.

Porém, como meu ritmo de viagens desacelerou consideravelmente nos últimos anos, e particularmente nos últimos meses, me dei conta, num dia desses em que eu revisava minha planilha de gastos, de que eu já não precisava mais da assinatura mensal desse serviço.

Ato contínuo, fui até a página do provedor, e solicitei o cancelamento. Pronto! São mais R$ 40 mensais incorporados ao meu patrimônio financeiro.

E essa diminuição de gastos só foi possível graças a essa estratégia de revisar semanalmente minha planilha de gastos, com foco especial nos gastos mensais fixos. Olhei aquela linha de despesa mensal fixa de R$ 40, pensei… pensei… pensei… e me indaguei: “será que agora que não viajo tanto essa despesa continua válida?”

Para melhor análise desse tipo de gastos recorrentes, eu criei, na planilha onde registro as despesas, uma tabela separada contendo somente os gastos mensais fixos. Dessa forma, eu consigo refletir melhor sobre eles, e eu reavalio periodicamente a “necessidade” de eles estarem naquela porção da planilha, seja para eliminá-lo (no caso do serviço WiFi), seja para diminuir seu valor.

Conclusão

Existe um “fio condutor” que une todas as pontas de gastos descritas separadamente acima: é a existência de uma mentalidade determinada.

Quando você está determinado a realizar ajustes em seu orçamento doméstico, você passa a fazer uma análise crítica sobre o que são suas reais necessidades, e o que não passa de simples desejo.

Vivemos imersos num ambiente cultural onde imperam os excessos e o foco naquilo que não se tem. Somos bombardeados diariamente por uma cultura consumista cuja mensagem subliminar parece ser: “a felicidade está naquilo que você não possui. Ainda”.

Diante desse perverso sistema, não há outra alternativa a não ser a de escolher pela redução dos excessos. Tire o excesso da sua vida. O excesso – de coisas, de “experiências”, de contas bancárias, de cartões de crédito, enfim, de tudo o que pode ser comprado – sufoca. Escraviza. Vicia.

Dê espaço à sua vida para aquilo que você precisa, e não para aquilo que você deseja.

O que você precisa é de mais tempo para você, e não de mais tempo para impressionar os outros.

O que você precisa não é de um carro novo, mas de valorizar ao máximo o carro que você já tem.

O que você precisa não é de mais uma conta bancária, mas sim de simplificar sua vida financeira.

O que você precisa não é de mais uma peça de roupa, mas sim de maximizar a utilidade daquelas peças de vestuário que você já tem.

O que você precisa não é de outro final de semana viajando com o objetivo (velado) de se exibir pros outros, mas sim de aproveitá-lo descansando em casa, dormindo mais, e organizando a tralha (e, portanto, gastando menos dinheiro).

Limite seus desejos. Não deixe que os outros façam sua cabeça. Não deixe que os outros controlem onde você deve gastar seu dinheiro. Limite seu contentamento. Você já tem tudo aquilo de que você precisa.

Não há que se ter nenhuma vergonha em adotar medidas que pareceriam estranhas à primeira vista, como catar os folhetos de promoções de supermercado, ou migrar para uma conta bancária de “pobre”. Vergonhoso é, sim, continuar desperdiçando dinheiro em itens que não trazem nenhum benefício agregado à sua vida pessoal, como anuidades de cartões de crédito, e serviços que sequer são utilizados.

O mais interessante dessa atitude mental determinada a cortar despesas é que, se você for disciplinado financeiramente, acabará gastando bem menos dinheiro do que gastava, porque a mentalidade determinada amplia seu raio de influência para todas as áreas de gastos da sua vida.

Seu orçamento doméstico será, a partir de então, um espelho fiel de uma nova atitude mental: sobrará mais dinheiro na sua carteira, e você viverá com menos excessos. E seu patrimônio financeiro crescerá, como decorrência dessa nova atitude incorporada em sua vida e em seus hábitos diários.

Assim, você começará, aos poucos e de forma gradual, a ter uma vida financeira mais equilibrada, abrindo espaço em sua vida sobre o que de fato é importante e faz diferença positiva em sua vida. 😉

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37 Responses to Quando se trata de economizar dinheiro, uma mentalidade determinada faz toda a diferença

  1. 13 de junho de 2016 at 7:09 #

    Excelentes dicas. Como já disse um grande pensador, gastos são como unhas, tem que cortar toda semana, rs
    Boa semana!

    • Guilherme 13 de junho de 2016 at 11:47 #

      Obrigado, Uó!

      Gostei da frase do pensador……rs

      Abç e boa semana também!

  2. Zé da Silva 13 de junho de 2016 at 8:46 #

    Excelentes conselhos Guilherme !! 🙂

    O do cancelamento de viagens que já estão sendo pagos, para uma data futuro é o tipo de reflexão que poucos fazem. Poucos fazem e menos ainda são os que se dão conta de que se pode efetuar o cancelamento …

    “Ah, mas eu já estou pagando, paguei 70% da viagem, não tem porque eu cancelar agora …”. Tem sim, tudo o que foi falado aqui no post, e mais um pouco. 😉

    Ainda existe um certo receio de algumas pessoas com esse tipo de cancelamento, pois, muitas vezes, existe a perda de parcela do valor pago. Bobagem !! Sim, se perde uma parte do que foi pago. Mas ao se colocar tudo no papel, vemos que é um valor muito pequeno em relação ao todo. Quem sabe 5% … Até mesmo 10% …

    É muito ? É. Mas se a situação complicou, você conseguiu aumentar o seu caixa com os outros 90% ou 95%. (isso sem contar com o que seria gasto durante a viagem, como você bem lembrou)

    É ruim ? É. Você havia se planejado, estava tudo certo. Mas é pior você fazer a viagem e ficar com aquela dor de tê-la feito em um momento inoportuno, quando as coisas não estavam bem e a grana estava curta.

    E sobre a perda … O valor se recupera rapidamente: se aplicado em algo simples, ao estilo renda fixa, em poucos meses. 😀

    Abraços !

    • Guilherme 13 de junho de 2016 at 11:50 #

      Excelente comentário, Zé!!!! 😀

      Gostei particularmente da seguinte reflexão:

      “É ruim ? É. Você havia se planejado, estava tudo certo. Mas é pior você fazer a viagem e ficar com aquela dor de tê-la feito em um momento inoportuno, quando as coisas não estavam bem e a grana estava curta.”

      Concordo plenamente! 🙂

      A grande questão aqui envolve, para muitas pessoas, deixar de ser teimoso, e admitir que o caixa não dá pra bancar esses grandes gastos. Envolve coisas como deixar de lado o orgulho, e ter humildade de saber que o momento exige sacrifícios.

      Além do mais, você disse bem, que o valor se recupera em poucos meses, em investimentos simples. 😀

      Abraços!

  3. Nilton Benfatti 13 de junho de 2016 at 10:31 #

    Recentemente entrei em uma batalha com o Itaú personalitte para obter isenção de tarifas. Deu um pouco de trabalho mas consegui. Também fiz uma negociação com a VIVO para baixar a mensalidade do Speedy e aumentar a velocidade com sucesso.
    A ordem é cortar gastos e renegociar!

    • Guilherme 13 de junho de 2016 at 11:50 #

      Excelentes iniciativas, Nilton!

      O negócio é negociar, com o perdão do trocadilho! ….rs 😀

      Abraços!

  4. Adriana 13 de junho de 2016 at 15:24 #

    Ótimo texto, muito pertinente. Nos faz refletir sobre o que realmente importa.
    Tenho dois exemplos básicos de cortes que adotei e que não fizeram falta:
    Eu gostava bastante de comprar produtos para o cabelo em sites pela internet. Era ótimo dispor de uma variedade grande de produtos que usualmente não encontro na farmácia. O problema era que cada vez que efetuava uma compra, para aproveitar o frete grátis, tinha que gastar pelo menos um valor X. No ano, acabava sendo um valor significativo. Resolvi que gastava muito com o cabelo e que nem sempre o resultado impressionava! Parei de comprar esse tipo de produto pela internet e lá se vai mais de um ano e meio. Fica o alerta sobre a abundância de sites e blogs com dicas de cabelo e maquiagem que nos incentivam muito a gastar com esses itens, como se fosse normal e imprescindível um gasto desse tipo. Temos que ser mais críticos em relação ao que lemos.

    Lanchava todo o dia no bar do local de trabalho. Todo dia pelo menos um suco ou café, um salgado e muitas vezes um doce também, quando não era um café mais elaborado e mais caro! Vi que era um gasto significativo no mês comendo besteira. Passei a trazer lanche de casa sempre que possível (ou pelo menos parte do lanche) ou a comprar algo no supermercado antes do trabalho. Ainda compro no bar em dias de correria, mas passou a ser um gasto eventual, não diário. De quebra, agora aproveito o intervalo para fazer academia. 😀

    Foram exemplos que só descobri olhando o controle de gastos.

    • Guilherme 13 de junho de 2016 at 18:52 #

      Excelentes dicas, Adriana! 😀

      O controle dos gastos permite exercer uma auto crítica bem aprofundada, pois “olhamos com nossos próprios olhos” aquilo que tira dinheiro do nosso bolso, ao mesmo tempo em que reavaliamos nossas verdadeiras necessidades e até hábitos arraigados.

      Abraços!

    • Douglas 13 de junho de 2016 at 20:37 #

      Esse exemplo do bar no local de trabalho é perfeito. Muita gente acha que é mesquinharinha, mas vamos aos números:

      Imagine que você vá até a padaria todos os dias para comprar um lanche da tarde e gaste 5 reais (um valor bem singelo para uma ida a padaria hoje em dia). Isso dá 25 reais por semana (já descontando os finais de semana) ou 100 reais por mês. Se você investir esse dinheiro todos os meses, em 5 anos teria R$ 8.521,61. O que acontece se em vez de deixar 5 anos, você deixar 10 anos? O valor sobe para R$ 24.929,23, bem acima do dobro. Deixe por 180 meses e tenha R$ 56.520,71, o valor de um carro. E por 360 meses ou 30 anos, R$ 459,962,06, o valor de uma casa. Você imaginaria que poderia comprar um carro ou uma casa apenas deixando de ir à padaria todos os dias?

      • Guilherme 13 de junho de 2016 at 21:57 #

        Excelente ilustração, Douglas!

        O efeito dos juros compostos acaba sendo impressionante a longo prazo. 😀

      • Investidor Internacional 15 de junho de 2016 at 15:41 #

        Olá Douglas,

        Essa teoria “do cafezinho” é algo que também li nos primórdios dos meus estudos e que fazia todo o sentido para mim.

        Com o passar dos anos e acúmulo de diversas leituras, percebi que é algo que não faz muito sentido.

        Esses pequenos gastos fazem parte da vida e dão sabor a ela, seja tomar um sorvete, um algodão-doce, comprar um pirulito pro filho.

        Se o Guilherme me permitir, veja o meu artigo sobre conselhos financeiros. Procurei abordar tópicos um pouco fora dos tradicionais.

        http://www.investidorinternacional.com/2015/12/13/8-conselhos-financeiros-que-todo-brasileiro-deveria-ouvir-parte-1/

        Abçs!

      • Vania 15 de junho de 2016 at 16:26 #

        Acho importante reservar ma pequena parcela dos rendimentos para os pequenos prazeres que tornam a vida mais feliz. O café no meio da tarde, o chopp na sexta, o cinema – tudo isso faz parte do pacote de uma vida bem vivida. Creio que o fundamental é separar uma parcela X para esses gastos “inúteis”, e ficar dentro dela.
        Dentro dessa parcela pré-definida, aí a pessoa prioriza. Talvez 5 reais diários na padaria estejam levando muito dinheiro sem tanto retorno em prazer. Talvez compense substituir esse gasto por uma pizza na sexta. O importante é que a pessoa tenha a sua “mesada”, um valor que pode gastar sem comprometer seus investimentos e sem peso na consciencia.
        Claro que isso só é possível de ser feito qdo a vida financeira do cidadão está equilibrada…

        • Investidor Internacional 15 de junho de 2016 at 21:51 #

          Ótimo comentário, Vânia!

        • Adriana 20 de junho de 2016 at 15:34 #

          Isso aí Vânia. Adorei o que você escreveu! Penso bastante que a gente também não pode ser “miserável” isto é, se privar dos pequenos cuidados conosco, fazer as pequeninas compras que nos fazem sentir bem, que ajudam a cuidar do corpo e da alma, porque do contrário acabamos nos ressentindo com nós mesmos por não aproveitarmos nada. O importante é pensar no que realmente é útil, no que realmente dá prazer e no que não acrescenta nada ao bem-estar.

    • Vania 13 de junho de 2016 at 21:56 #

      Perfeito, Adriana! Lembremos que as blogueiras que indicam maquiagens e produtos de cabelo vivem disso, e não compram o produto que indicam. Pelo contrário, recebem para indicá-lo. melhor usar nosso tempo vendo outras coisas na internet!

  5. MadGuitarMan 13 de junho de 2016 at 16:50 #

    Posso deixar algumas mais algumas sugestões que funcionam ?

    – Cancele tv a cabo e use netflix + tv digital aberta;
    – uma banda larga residencial de 10Mb é mais do que suficiente para 99% dos usuários;
    – Tente compartilhar a banda larga com seu(s) vizinho(s);
    – cancele residencial fixo e compre créditos voip (skype, etc) p/ligar para fixos e celulares;
    – Desfilie-se de sindicatos, associações de classe, etc, na maior parte das vezes é dinheiro jogado fora;
    – Faça um downgrade no seu plano de saúde de quarto para enfermaria;
    – lâmpadas led geram uma economia de uns 20% na conta de luz. Compre nas promoções on-line e não nas lojas, onde são caríssimas;
    – faça seguro de automóvel só contra 3os, principalmente se conhecer uma oficina honesta;
    – Desalavanque sua vida: venda os seus pertences não usados e transforme em investimentos, venda uns 15% abaixo do preço para vender bem rápido;
    – cancele todos os recebimentos de emails de lojas, promoções, etc, só servem para fazer vc comprar o que não precisa;
    – Farmácia hoje é uma fortuna, não desperdice com coisas de eficiência duvidosa como vitaminas e suplementos, use antioxidantes mais poderosos e baratos como o chá verde, ao invés. Compre só medicamentos absolutamente necessários.

    • Guilherme 13 de junho de 2016 at 18:54 #

      Ótimas dicas, MadGuitar!

      Às vezes, precisamos agir como “tratores” na hora de eliminar gastos desnecessários e atitudes que impulsionam o consumismo.

    • Felipe Lima 13 de junho de 2016 at 22:20 #

      ” – lâmpadas led geram uma economia de uns 20% na conta de luz. Compre nas promoções on-line e não nas lojas, onde são caríssimas;”

      Pegando o embalo e se aprofundando um pouco mais no assunto, é importante frisar que o que de fato faz economizar com energia é o fato de desligar os aparelhos elétricos e lâmpadas.

      Porém é um fato que a economia com lâmpadas LED é realmente significativa, tanto reduzindo a conta de energia mensal quanto levando um maior tempo para a substituição das mesmas.

      Em residências, por exemplo, supondo 10 lâmpadas fluorescentes de 15 W de potência, ligadas 6 horas por dia, com uma vida útil média de 8000 horas e custo de aquisição de R$ 14 por lâmpada.

      O custo total de aquisição será de R$ 140, e a cada 3,65 anos terão de ser substituidas. O consumo anual será 328,5 kWh. O que para uma tarifa de R$ 0,80 por kWh, se traduz em um custo anual de R$ 262,8.

      Assim, supondo que a tarifa não variasse ao longo dos anos, em 10 anos teria-se gastado: 2.628 de consumo e 420 (3×140) com troca de lâmpadas, totalizando R$ 3.048,00.

      Já para as LED, supondo 10 lâmpadas de 10 W de potência (equivalente às fluorescentes de 15w), ligadas 6 horas por dia, com uma vida útil média de 25000 horas e custo de aquisição de R$ 60 por lâmpada.

      O custo total de aquisição será de R$ 600, e a cada 11,42 anos terão de ser substituidas. O consumo anual será 219 kWh. O que para uma tarifa de R$ 0,80 por kWh, se traduz em um custo anual de R$ 175,20.

      Assim, supondo que a tarifa não variasse ao longo dos anos, em 10 anos teria-se gastado: 1.752 de consumo e 600 com troca de lâmpadas, totalizando R$ 2.352,00.

      Neste exemplo, a simples substituição de lâmpadas gerou uma redução no consumo de 33% e uma economia de 23% com iluminação.

      Para o caso de empresas, a substituição é ainda mais vantajosa. Onde se utiliza lâmpadas fluorescentes tubulares, por exemplo, pode-se substituir satisfatoriamente lâmpadas de 40 W por lâmpadas LED de 18 W a 20 W, com vida útil entre 40 a 50 mil horas.

      • Zé da Silva 14 de junho de 2016 at 18:51 #

        Só para lembrar: não troque as lâmpadas que ainda estão funcionando por lâmpadas LED !! Espere elas queimarem, para só ai efetuar a troca.

        Já vi muita gente saindo feito maluco, trocando todas as lâmpadas de casa, para “economizar”. Esqueceram-se do fator compra delas. 😉

        Queimou ? Troca. Aproveite ao máximo o dinheiro que já foi gasto. 😀

        Abraços !

        • Guilherme 14 de junho de 2016 at 21:50 #

          Felipe, fantástico exemplo! A economia no longo prazo é significativa. Contra fatos não há argumentos. Parabéns! 🙂

          Zé, você lembrou de um ponto importante: é o famoso fazer as coisas gastarem, antes de gastar com as coisas. 😀

          Abraços!

        • Vania 15 de junho de 2016 at 16:09 #

          Exato, Zé da Silva. Ando substituindo à medida em que queimam.

  6. Vania 13 de junho de 2016 at 22:12 #

    Mto bom este post! Custos merecem atenção constante, sempre se pode reduzir.
    Uma redução singela que fiz no inicio do ano, e recomendo: eu tinha o Sem Parar, e pagava nele uma mensalidade de $13,00.
    Cancelei e fiz o Conectar Plano Básico. Não é debitado em conta nem no cartão. Tenho que fazer as recargas eu mesma, pela internet, o que naturalmente requer algum planejamento. Mas tem sido ótimo. Fazer as recargas manualmente me fez pensar melhor no qto estava gastando em estacionamentos e pedágios. Racionalizei o uso, e passei a gastar $5,90 a cada recarga. E NÃO FACO A RECARGA TODO MES. Tenho feito recargas de $50,00 um mes sim, outro não. A redução de gasto foi bem interessante, cerca de $40,00 a menos por mes.
    Se a pessoa nao se incomoda em pagar o pedágio ou estacionamento em dinheiro, a cada vez que usa, esse ainda é o melhor método, o mais economico. Caso se incomode, como eu, e prefira que a cancela se abra qdo seu carro chega, então esse Plano Básico é uma ótima alternativa.

    • Guilherme 14 de junho de 2016 at 21:52 #

      Vania, excelente exemplo de economia com esse Sem Parar!

      É bastante interessante o fato de que novos hábitos nos fazem de fato pensar melhor sobre gastos que achávamos “rotineiros”, e que poderiam ser perfeitamente reduzidos.

      É como eu disse no texto: cada centavo conta.

      Abraços!

  7. Akemi Koyaishi 13 de junho de 2016 at 23:09 #

    Há 1 ano, resolvi colocar em uma planilha todos os meus gastos desta forma: ALIMENTAÇÃO, BÁSICO, CONTORNAVEL E DISPENSÁVEL. Anoto tudo, tudo, tudo.
    Cortei o cafe e o pão na chapa no barzinho próximo ao local de trabalho e comecei a tomar o café da manhã na própria empresa e de graça.
    Passei, sempre que possível, a levar marmita para o almoço.
    A diarista que era semanal, agora é quinzenal.
    O plano de telefone celular que era de 500min e 1G de internet que eu pagava cerca de 200,00 passou para 500 mine 2G , caiu para 50,00 após intensa negociação.
    Depois que eu comecei a controlar rigidamente os meus gastos, percebi o quanto eu gastava com bobagens e estou orgulhosa com as economias que venho fazendo.

    • Guilherme 14 de junho de 2016 at 21:53 #

      Akemi, bastante original a forma como você organiza o orçamento doméstico! 🙂

      Seus exemplos são excelentes formas de demonstrar que é possível economizar bem.

      Abraços!

  8. Iza 14 de junho de 2016 at 15:31 #

    Guilherme, excelente post!!! Caiu como uma luva…

    Adorei especialmente quando você disse:

    1 – “Dê espaço à sua vida para aquilo que você precisa, e não para aquilo que você deseja”.
    Isso me fez relembrar as vezes que desejei trocar meu iphone 4S por um mais atual. Mas tento sempre lembrar quando me vem esse desejo: não preciso! Meu telefone está funcionando muito bem, pois ligo para quem quiser e tenho acesso a internet e whatssap numa boa…

    2 – “O que você precisa é de mais tempo para você, e não de mais tempo para impressionar os outros”.
    Verdade! Quando estiver de folga do trabalho, devo aproveitar meu tempo não para ir ao shopping passear e gastar com coisas que não preciso. Tenho é de ficar em casa, ler um bom livro, assistir um programa na tv comendo pipoca ou relaxando na rede da minha varanda 🙂

    3 – “O que você precisa não é de um carro novo, mas de valorizar ao máximo o carro que você já tem”.
    Nossaaaaa Guilherme! Quantas vezes me vem o desejo de trocar o meu carro… olhe que meu carro tem apenas 4 anos e 38 mil km. Comprei ele zero e não tem a menor necessidade de trocar…tem que ter muita força de vontade para não fazer a loucura de troca-lo…

    Vâniaaaaa…rsrsrs
    Estava feito você… gastando horrores com produtos para o cabelo. O último item comprei início do mês e depois que comprei pensei: acho que sou doida! Foi um leave in da Revlon que custou nada menos que 159,00 kkkkk Fora um monte de shampoos e condicionadores que vou estocando no meu guarda roupa sem necessidade. Concordo que as blogueiras recebem os produtos para testar e fazer propaganda e é obvio que não vão falar mal do produto…rsrsr

    • Guilherme 14 de junho de 2016 at 21:56 #

      Oi Iza, obrigado!

      1) Concordo, no seu caso específico, você está fazendo o iPhone 4S gastar o máximo que pode, ao invés de gastar com um novo iPhone. 😉

      2) Exato! Atividades mais relaxantes e menos estressantes produzem o efeito benéfico de também serem boas organicamente, além do fator financeiro. 🙂

      3) Certeza, e ainda mais na nossa sociedade onde a cada outdoor você vê um carro novo. É literalmente remar contra a maré, pois nunca veremos propagandas ensinando a valorizar aquilo que já temos.

      Abraços!

      • Investidor Internacional 15 de junho de 2016 at 15:51 #

        A maneira mais fácil de economizar com troca de carro é só ver o preço do novo e o quanto te pagam pelo usado.

        Você irá ficar com tanta raiva da concessionária que não voltará lá por muito tempo.

        Abçs!

        • Guilherme 16 de junho de 2016 at 10:04 #

          Verdade, II!

          As concessionárias jogam o preço lá pra baixo na hora da avaliação!

  9. Caos 18 de junho de 2016 at 16:36 #

    VR,

    Você não acha que deveria se expor ao bitcoin?

    Num mundo com 10 trilhões de dólares em títulos com yield negativo (http://www.straitstimes.com/business/companies-markets/bill-gross-warns-us10-trillion-negative-yield-bond-pile-is-a-supernova), trilhões depositados num país que segue apertando o controle de capitais e desvalorizando a moeda (China), trilhões em paraísos fiscais que a cada dia mais se parecem com um purgatório (Panama Papers etc), déficits soberanos multibilionários, dívidas soberanas trilionárias across the board e uma demografia que não deve cooperar…um market cap de apenas 12 bi de dólares para algo como o bitcoin me parece muito baixo. Não acredito que a informação sobre o bitcoin seja tão disseminada a ponto de julgar o preço “eficiente”.

    • Guilherme 22 de junho de 2016 at 6:48 #

      Olá, Caos, ainda preciso estudar mais sobre essa moeda, antes de me expor a ela.

      E vou levar seus argumentos em conta nesse estudo. 😉

  10. paulo 23 de junho de 2016 at 22:47 #

    Guilherme mais uma vez parabéns pelo artigo. Muito pertinente principalmente sobre o fato de não sobrecarregamos nossas vidas com mais e mais coisas que em muitos casos não agregam nada além de mais preocupação e energia dispersada. Uma situação que talvez reflita isso, aconteceu comigo neste ano. Decidir que as ferias desse ano que iria ter grandes viagens. Passei basicamente em casa, coloquei as leituras em dia, o inglês em dia, a atividade física em dia com poucos gastos e por incrível que pareça muito mais tempo para mim. Sem stress, preocupação ou um falso status para facebook. Abraços rei.

    • Guilherme 24 de junho de 2016 at 11:04 #

      Excelente exemplo, Paulo, gostei da forma positiva com que decidiu mudar seu plano de férias! Parabéns pela atitude também!

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