Jovem casal queria gastar R$ 100 mil para comprar um carro *USADO*. E teve a seguinte resposta do Mauro Halfeld (CBN)…

Há mais de 10 anos ouço diariamente, via podcast, as colunas do Mauro Halfeld e da Mara Luquet, na rádio CBN.

Trata-se de uma maneira salutar de alimentar meu cérebro, continuamente, das vitaminas, proteínas e sais minerais proporcionadas pela educação financeira, que, como eu disse no post da semana passada, não é uma coisa que você aprende hoje, usa hoje, e, depois, descarta, joga fora, e interrompe o uso quando atinge a estabilidade financeira.

Praticar a educação financeira tem serventia durante toda uma vida. É como escovar os dentes, almoçar, jantar, e fazer exercícios físicos: é uma coisa que você deve levar para o resto de sua vida, como se fosse um hábito.

De vez em quando, o Mauro nos brinda com histórias interessantes e curiosas, de leitores que estão prestes a fazer uma ca**da financeira, mas são devidamente orientados a agir de forma diferente. 😆

Aliás, não é de hoje que utilizo as colunas do Halfeld como base para textos publicados aqui no blog, onde trato de aprofundar os debates sobre temas que considero essenciais na educação financeira dos leitores. Quem já é leitor antigo e assíduo do blog sabe que muitos comentários do Mauro já foram debatidos por aqui:

Apesar das críticas que o trabalho dele recebe em alguns fóruns, blogs e mídias sociais, principalmente quando aborda temas muito específicos (como fundos imobiliários e ações individuais, por exemplo), temos que considerar que ele fala para o, digamos assim, “grande público”, para pessoas completamente leigas em educação financeira, e que às vezes não tem nem a educação básica. Portanto, partindo dessa premissa, eu avalio como bastante positivo o trabalho dele, que tenta traduzir o “economês” para um universo mais abrangente de pessoas.

Semana passada, ele narrou a história de um jovem casal (o comentário pode ser ouvido aqui), que pretendia gastar de R$ 90 mil a R$ 100 mil na compra de um carro usado, seminovo.

Não, você não leu errado: eles queriam comprar um carro usado de R$ 100 mil. R$ 100k. Seis dígitos.

Esse casal já tinha reservas de R$ 51 mil para dar de entrada, e mais R$ 15 mil que poderiam ser utilizados, sacando recursos do FGTS. O restante do valor seria pago através de um financiamento com juros.

A moça que enviou a pergunta disse que eles “estavam começando a vida deles agora”.

A resposta do Mauro Halfeld foi bastante incisiva e direta:

“Procure modelos de automóveis mais baratos. Eles se desvalorizam com grande rapidez e podem destruir a sua riqueza. Pior ainda é pagar juros para comprar um carro. Esta combinação acaba virando perversa.”

Além disso, o Halfeld ainda disse para o casal ser econômico na compra do primeiro carro, a fim de priorizar a construção de uma reserva em renda fixa (o popular colchão de segurança). Assim, o que eles precisam na verdade é deixar de pagar juros, e começarem a receber juros. O conselho final dele foi para evitarem se endividar, para se tornarem investidores de verdade.

Carro: um velho (e tão atual) problema

Eu não tenho a menor dúvida de que estaremos em abril de 2037 discutindo os mesmíssimos problemas que estamos discutindo no texto de hoje, 13 de fevereiro de 2017: a ignorância financeira dos brasileiros em relação a esse passivo monstruoso chamado carro.

Não me entendam mal: não estou falando que o carro é um problema em si.

O problema está, em verdade, nas atitudes das pessoas em relação à compra do carro. Quantas pessoas verdadeiramente não corroem seu patrimônio financeiro para comprar, como disse um colega blogueiro (do qual eu não me recordo agora o nome), um objeto (carro), que está mais pra “sofá motorizado” do que qualquer outra coisa?

E não, não são somente homens que enveredam por esse caminho de suicídio financeiro. Veja que, na dúvida do ouvinte da CBN, era a mulher quem estava tomando a iniciativa de comprar o carro. Pode ser que não, que ela tenha tomado a iniciativa por sugestão do marido, não sei, mas o fato é que, no mínimo, ela abraçou a ideia da compra do carro usado no valor de seis dígitos.

Existem dois erros gritantes já facilmente identificáveis à primeira vista, no problema trazido pelo Mauro Halfeld. O primeiro é, obviamente, o valor exagerado do carro – R$ 100k, ainda mais para um carro usado.

E o segundo problema é o “momento” da compra: trata-se do primeiro – ou um dos primeiros – carro(s) da vida do casal, que está “começando a vida agora”. Será que não é mais racional começar a vida com um modelo mais simples, e fazendo upgrades (ou não…rsrsr) ao longo da vida?

Melhor ainda: será que esse casal já não tinha um carro antes? Se eles ainda não têm um carro, e consideram necessário comprar um agora, ok.

Agora, se eles já têm um carro (ou dois, vai saber), não vale a pena comprar outro carro agora, ainda mais fazendo dívida (comprando financiado).

Bom, quanto ao valor exagerado do carro, não preciso me alongar muito. O que assusta não é apenas os modelos de carros que o casal estava olhando – modelos entre R$ 90 mil a R$ 100 mil – mas principalmente, como eu disse antes, o fato de que eram modelos de carros usados.

Um carro usado de R$ 100 mil? Hã? Quanto ele então estaria custando na concessionária, se fosse zero quilômetro? R$ 150 mil? R$ 200 mil?

Enquanto eu escrevia esse artigo, resolvi dar uma pesquisada na OLX pra ver qual seria um carro usado que se enquadrasse dentro desses parâmetros de valores, e um dos carros que apareceram nessa pesquisa foi esse:

Land Rover 97k

Carro ano 2013 (portanto, já com 4 anos de uso), e com 78 mil Km rodados.

Sem adentrar no mérito da questão, mas será que não é muita pretensão comprar um carro desse naipe logo como o primeiro carro de um casal? E pior ainda, financiado, ou seja, pagando dois carros, e levando somente um?

Eu, particularmente, não pagaria esse valor nem se fosse meu último carro, mas, enfim, cada um com seu cada um…

É interessante até traçar um paralelo, ou melhor, um paradoxo, com o caso do leitor Henrique, exposto na semana passada: lá, estávamos comentando um caso de sucesso de um leitor experiente que, após muito trabalho e educação financeira sólida e praticada há décadas, conseguiu construir um patrimônio invejável.

Já hoje, estamos lidando com um casal que ainda não tem educação financeira, expondo a importância crucial de se adquirir bons hábitos financeiros, a fim e evitar decisões desastradas no trato com o dinheiro, ainda mais quando se é muito jovem, e há uma certa quantia em dinheiro em mãos.

Dentro dessa linha de raciocínio, é importante destacar que eles já tinham R$ 51 mil no banco, e ainda mais R$ 15 mil que poderiam ser retirados do FGTS.

Com R$ 51 mil – e sem considerar os R$ 15k do FGTS – já é possível comprar um baita carro, novinho em folha, zero km, ou um carro usado em ótimas condições.

Resolvi retomar as pesquisas na OLX, e, por R$ 51 mil, encontrei essa oferta de carro usado:

OLX Corolla

Toyota Corolla, um pouco mais velho que a Land Rover, mas ainda assim em bom estado de conservação (aparentemente), câmbio automático, e com 85 mil KM rodados.

E daí vem minha pergunta: será que as pessoas não estão gastando com carro mais dinheiro do que realmente o necessário?

Faço minhas as palavras do Mauro Halfeld, quando disse:

“Procure modelos de automóveis mais baratos. Eles se desvalorizam com grande rapidez e podem destruir a sua riqueza. Pior ainda é pagar juros para comprar um carro. Esta combinação acaba virando perversa.”

Na blogosfera financeira, temos relatos de vários leitores que narraram a péssima experiência na compra de um carro novo financiado, e das duras lições que tiraram dessa história. Não tenho os links aqui, mas se algum colega blogueiro quiser deixar o comentário com o link, eu acrescentarei no post posteriormente.

Carros são verdadeiros drenadores de riqueza, tendo o perverso potencial de destrui-la por completo. Muitas pessoas acabam comprando, em menos de uma década, 4 ou mais carros diferentes, num ritmo frenético, a cada 2 ou 3 anos, achando que estão fazendo um bom negócio. Eu conheci uma servidora pública que trocava de carro todo ano. Todo mundo conhece alguém assim.

Pior ainda, como disse o Mauro Halfeld, é a compra com juros, ou seja, a compra financiada, de um passivo que já vale pouco hoje, vale menos quando sai da concessionária (no caso de compra de carro novo), e valerá menos ainda quando a última prestação do financiamento for quitada.

A palavrinha mágica por trás de uma boa compra de carro

Para mim, o critério fundamental que define a compra de um carro é essa: suficiência.

Não preciso de luxos, preciso apenas que o carro que eu vá comprar preencha a todos os critérios de suficiência. E o que é suficiência?

Para mim, particularmente, é ter câmbio automático, ar-condicionado, quatro portas, ter um custo de manutenção anual baixo, dentre outros.

O problema é que critérios subjetivos frequentemente entram na decisão da compra de um carro. Critérios subjetivos e emocionais. Critérios subjetivos, emocionais e irracionais:

Será que vou conseguir impressionar os outros nas ruas com meu Volvo?

Será que a menina vai me olhar se eu parar na porta da boate com esse BMW?

Será que meus colegas de trabalho comentarão entre eles sobre o L200 Triton que eu acabei de estacionar na garagem?

Sim, meus amigos e minhas amigas, esse é o problema de muitas compras de carros: a necessidade de afirmação.

Não são critérios objetivos de uso que entram no cálculo da compra do carro: são o desejo de chamar a atenção, de causar inveja. “Olhe pra mim, veja que carro bacana eu tenho”. Essa é a ideia. Essas pessoas querem ser reconhecidas não pelos feitos que conquistaram, mas sim pelos bens que possuem. Fazem uma confusão entre o sujeito e o objeto. Fazem uma confusão entre dinheiro e vida.

Quando carências emocionais e afetivas passam a influenciar a compra de passivos, pode ter a certeza: a conta vai sair mais caro do que o inicialmente planejado, pois os seres humanos não são agentes econômicos racionais, como pensava a teoria econômica tradicional, mas agentes econômicos muitas vezes movidos por razões que a própria razão desconhece.

Conclusão

A temática “carro e seu dinheiro”, reconheço, raramente é abordada no blog, principalmente porque, como eu já disse em outras ocasiões, é um passivo que não me interessa muito. Em quase 20 anos dirigindo, só comprei um carro até hoje, já fiquei alguns anos sem carro (muito bem, obrigado), andando de táxi, ônibus e a pé, e não tenho essa tara por sofás motorizados que muitos têm, não só no Brasil, como também no resto do mundo.

Mas esse é um assunto que de vez em quando precisa ser abordado no blog, justamente pela sua função educativa de alimentar a mente dos leitores, principalmente a dos que estão iniciando no mundo da educação financeira, de que é preciso ter controle emocional quanto às decisões de compras de bens de consumo que envolvem uma quantia tão alta de dinheiro de uma só vez, como é a compra do carro.

Espero que o casal em questão reveja suas decisões de compra de passivos, e faça uma escolha mais acertada, do ângulo financeiro: comprar um carro usado mais simples, pago à vista. Essa é a melhor solução. Vai salvar o bolso deles, e irá preservar a integridade financeira desse casal, que é o que, no final das contas, vai importar.

E você, já ficou tentado a comprar um carrão, mas, por algum motivo, desistiu na última hora, e optou por um modelo mais simples? Ou foi tomado pela “emoção” e fez uma compra de carro… sobre a qual se arrependeu depois?

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58 Responses to Jovem casal queria gastar R$ 100 mil para comprar um carro *USADO*. E teve a seguinte resposta do Mauro Halfeld (CBN)…

  1. Frugal Simple 13 de fevereiro de 2017 at 1:34 #

    Grande Guilherme! Belo post!

    Acredito que o blogueiro que chamou o carro de “sofá motorizado” por aqui tenha sido eu.
    E nada mais é do que isso mesmo. Esse conceito eu importei do blog do Mr Money Mustache que é excelente por sinal.

    Fiz uma postagem espeficicamente sobre como a compra de um carro pode arruinar o indivíduo, está aqui: http://frugalsimple.net/carfinancialfreedom/

    (para ler em português é só descer a tela.)

    Esse assunto tem que ser batido e rebatido, pois novas pessoas estão fazendo 18 anos todos os dias e sempre teremos que passar essa mensagem à frente.

    Esse casal não tem condições de ter esse carro, isso é ponto passivo. Vai custar entre 15-20 mil reais anuais para manter o carro entre seguro, ipva, gasolina, lavagens e estacionamentos. Carros de luxo costumam ter seguro muito caro e peças muito caras também.

    O problema é que o brasileiro acha que fica rico assumindo dívida.
    “Olha Fulaninho está andando de Land Rover, está rico!” pensamento muito comum.

    Na verdade Fulaninho dirige o carro do banco e trabalha para sustentar o banco, e na conta do fulaninho quase não tem dinheiro livre. Essa busca incessante por aumentar o padrão de vida e de ter um status que não temos é um dos males do brasileiro.

    Grande abraço!

    • Li 13 de fevereiro de 2017 at 16:11 #

      Boa tarde!
      Lembrei do Frugal na hora em que li “sofá motorizado”, rs.

      Estou tomando várias medidas em relação às finanças!

      Estou vendendo meu carro, pois só usava de final de semana e olhe lá.

      E a minha conta agora é digital no Itaú.

      Aos poucos, colocando ordem nas finanças!

      • Rosana 14 de fevereiro de 2017 at 6:03 #

        Eu também me lembrei do Frugal ao ler “sofá motorizado”.
        Gostei também da descrição do Armando, “caixote sobre rodas” para SUV.

        Infelizmente o desinteresse pela educação financeira parece que perdurará ainda por muito tempo nesse país como você disse, Guilherme.

        Sobre a pergunta inicial, fiquei pensando: para que e porque um carro tão caro?

        Então, termino com um pensamento:
        “Status é comprar coisas que você não quer, com o dinheiro que você não tem, a fim de mostrar para gente que você não gosta, uma pessoa que você não é.”
        Geraldo Eustáquio de Souza

        Abraços,

  2. Scant Tales 13 de fevereiro de 2017 at 6:35 #

    Excelente post!

  3. MJC 13 de fevereiro de 2017 at 6:52 #

    Bom, pra mim eu acho mais importante a questão da segurança. Hoje todo carro novo sai com ABS, mas antes não era assim. Além disso, quanto mais airbags, melhor. Como eu rodo cerca de 1000~1200 km por mês na estrada, não abro mão da segurança do carro. Obviamente, a questão do conforto também é atraente (eu enquadro câmbio automático e ar-condicionado nessa categoria). Carro 4 portas pra mim eu já encaro como obrigação (é muito mais difícil colocar bebê em carro 2 portas, por conta de bebê conforto/cadeirinha).

    Enfim, na época que comprei meu carro, financiei. Estava com taxa zero na concessionária e eles não abaixaram um centavo pra pagar a vista. Paguei a taxa de abertura de crédito, deixei o dinheiro no tesouro direto. No final, deu pra ganhar dinheiro rs.

    Isso fez 5 anos agora, e é interessante a quantidade de gente perguntando quando vou trocar de carro (e o carro ainda está novinho, manutenção em dia e tudo certo!). A justificativa é que quanto mais tempo eu demorar pra trocar, mais eu vou ter que voltar quando eu for trocar e, por isso, mais vou perder dinheiro rs. Obviamente tenha uma falha muito clara nessa lógica aí, só que muita gente não percebe. O dinheiro já foi perdido, e quanto mais carros eu tirar da concessionária ao longo da vida, pior em termos financeiros.

    Conheço colegas de trabalho nesse esquema de 1 carro/ano. São cerca de 20 mil perdidos por ano com o custo da troca. É incrível. Dá pra viajar bem com essa grana!

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 20:05 #

      Raríssimo alguém que entende essa lógica. Meus parabéns. A depreciação não sai do seu bolso, a troca do carro sim!!!

  4. Alice Désirée 13 de fevereiro de 2017 at 8:17 #

    Hoje em dia eu não tenho nenhuma vontade de ter carro. Existem vários tipos de serviço que me levam a todo lugar na minha cidade. Uso muito Uber e taxi, além do próprio transporte público que na minha opinião hoje é muito melhor do que já foi um dia. Acho que muitos problemas de sustentabilidade e mobilidade urbana hoje são piorados pelo uso excessivo de carro como meio pessoal de se locomover – tirando os que são taxistas e motoristas de outros serviços. Todas as vezes que pensei em ter carro pensei nas piores coisas possíveis. Vivo no Rio de Janeiro onde tudo já tem preços exorbitantes. Além disso, tem a violência. Posso ser roubada, assaltada a qualquer momento. No topo disso, tenho que pensar que a todo momento pessoas loucas matam outras no trânsito, seja porque estão com pressa ou porque simplesmente não se importam com ninguém ou pior, ambos. E ainda paro pra pensar que vou ter que pagar um carro durante uma vida, pagar gasolina que não é nem um pouco barata, e ainda tenho que pagar taxas. Aí eu desisto de carros. Acho alguns bonitos, sou apaixonada por carros antigos como Opala e Fusca, mas sou apenas isso. Fico só namorando mesmo! É mais seguro pro meu bolso e para o meio ambiente!

  5. Acionista25 13 de fevereiro de 2017 at 9:32 #

    Parabéns por mais um excelente post.Estou com o Frugal acima,temos de bater nesta tecla por que além de cada dia mais pessoas fazerem 18 anos,o fetiche por carro é mundial.Interessante o que o amigo falou acima também aconteceu comigo.Apesar de não existir juro zero(que na verdade é um juro menor do que o convencional),só troco de carro a cada 5 anos e com “juro zero”.Agora que a sensação de quanto mais tempo passar com o carro se volta mais na troca,era bom de ser desmistificada.E por último não foi abordado por ser muito polêmico e até revoltante que pesa ainda o fato de no Brasil carro ser muito caro e não possuir os mesmos itens dos carros lá fora!
    Abraço!

  6. Cleiton Oliveira 13 de fevereiro de 2017 at 9:43 #

    Levei muito tempo para comprar meu primeiro carro e fui constantemente criticado por conta disso, as vezes até minha esposa entrava na pilha. Não via necessidade de ter esse objeto de desejo e status.

    Efetuei a compra quando vi que era necessário e foi exatamente no momento da chegada do primeiro filho. Mas para enfrentar essa enxurrada de “você ainda não comprou um carro?”, é necessário ter um objetivo bem definido e não dar atenção para a opinião alheia.

  7. Daniel 13 de fevereiro de 2017 at 12:06 #

    Carro para mim tem que ter pelo menos 4 airbags, abs, controle de tração e mesmo se for usado estar dentro da garantia. Eu não quero ter surpresas.
    Não olho o consumo. Pois 1 km/l a mais ou a menos só vai fazer diferença em 4 ou 5 anos.
    Olho o seguro. Pois se for muito caro, ou a dificuldade de manutenção é grande ou é um carro muito visado pelos amigos do alheio.
    Acho que apesar de economicamente o carro só dar prejuízo a pessoa tem o direito de periodicamente satisfazer seus sonhos, preferencialmente não entrando em dívidas.

  8. Marcos Arcanjo 13 de fevereiro de 2017 at 12:30 #

    Estou fazendo minha poupança compra de meu 1º carro usado. Ela terminará ano que vem após 36 meses. Ouço muitas pessoas perguntando porque não financio ou então entro consórcio….
    Outro questionamento é quanto ao valor do veículo, como minha renda ainda não é alta, poderei comprar um veículo na faixa de 10-12 mil o qual os custos com ipva/seguro não comprometa meu orçamento, entretanto, sou criticado por verem que essa é uma decisão equivocada e que eu deveria comprar um carro mais caro… essas críticas me geram muitas dúvidas.

    • sandro 13 de fevereiro de 2017 at 14:18 #

      Considerando que o dinheiro é seu e quem vai pagar as contas é você, aconselho a ignorar os outros. Dar palpite com o dinheiro dos outros é mole.

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 20:01 #

      Melhor coisa que fiz foi comprar o carro a vista. Você acaba de deteriorar seu patrimônio mas não tem boletos para pagar. Imagine se você financiar e ficar com uma linda despesa de 500 a 1000 reais (não tenho ideia) para pagar todo mês, considerando que após a compra do carro você já tem a despesa de combustível e seguro?

      Não caia nessa. Pois o valor que os outros estão gastando com financiamento, enquanto exibem um carro melhor do que podem pagar, é o valor que você estará investindo todo mês, juntando dinheiro e juros para que o próximo você pague a vista também. O primeiro carro é o que vai definir se você vai ficar o resto da vida comprando financiado ou a vista. Comprou a vista todos os outros também serão a vista, pois o dinheiro que sobra é investido. Comprou financiado não sobra dinheiro, vai financiar o resto da vida.

      Com casa a mesma coisa. Bem mais difícil de fazer é claro, mas a maioria compromete 1/3 da renda com financiamento. Me explica como que uma pessoa dessa junta dinheiro?

  9. Rafael 13 de fevereiro de 2017 at 13:26 #

    É justamente por causa desse tipo de comportamento igual ao casal que a maioria dos brasileiros têm, que pagamos tão caro num automóvel aqui.

    Eu tenho a convicção que um carro não deve custar mais do que um mês de trabalho por ano (valor líquido médio). Isso exagerando. Felizmente eu tenho conseguido me manter abaixo dos 5% do meu rendimento liquido anual.

    Por exemplo:
    Imagine uma pessoa que tenha um carro que vale 30 mil e já está com esse carro há 5 anos. E essa pessoa ganha 60 mil por ano (valor liquido, somando os 13 salários e quaisquer outros benefícios). Ou seja, ganha 5 mil por mês de média.
    Na minha opinião, essa pessoa deveria comprar a vista um carro seminovo de, no máximo, 55 mil, sendo os 30 mil do carro velho mais 25 mil que juntou (5 anos x 5 mil).

    Gostei da sua definição de suficiência, Guilherme. É praticamente o mesmo critério que eu uso. Só acrescento a questão de segurança, pois os resultados no crash test têm um peso grande nas minhas decisões.

  10. Isabela 13 de fevereiro de 2017 at 13:30 #

    Guilherme, apesar de carros não ser sua paixão, acho sim necessário falar sobre o assunto vez por outra.
    Meu carro faz 5 anos agora em maio e estou pensando de troca-lo. Quero ficar trocando a cada 5 anos. Inclusive porque quando comprei, não pude comprar com air bag, abs, direção elétrica etc.
    Minha dúvida cruel é se compro à vista ou se compro financiado, usando o juros que ganho do rendimento que tenho.
    Foi muito bom ler este artigo neste momento porque às vezes fico querendo me dar de presente o carro que sempre quis (uma ecosport ou um suv similar em preço), no entanto sei que a decisão mais acertada será trocar por um carro mais simples, na faixa dos 40 até 45k.
    Espero que o casal deste post use a razão! Acho que o corolla 2012 com 85 mil km rodados uma péssima opção! Jamais compraria. Prefiro um zero mais simples neste preço, assim posso ficar mais tempo com o carro e com a certeza de estar em perfeito estado, garantia e que nunca foi batido ou usado em assaltos…
    Minha cunhada quer vender o corolla dela por 47 mil e tem apenas 40 mil rodados. Não quis!
    Vcs poderiam me dizer se um carro de cambio automático consome muito? Gostaria de ter um carro automático pela comodidade, no entanto ainda não tive porque tenho medo que consuma muito combustivel.
    Sempre que vou trocar também checo, junto a minha corretora, o valor do seguro! Acho muito importante para ajudar na escolha.

    • gustavo 13 de fevereiro de 2017 at 16:44 #

      CONSUMIR mais em geral consome de 5 a 10%… mas VALE muito a pena, o CONFORTO vale cada centavo pago a mais.

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 19:46 #

      Isabela, depois que você tiver cambio automática nunca mais vai querer voltar atras. Estará condenada a pagar a mais por isso, não recomendo! :)

      Recomendo procurar por câmbios automatizados. Não vejo nenhuma diferença (alias acho melhor) e custa bem menos. São os carros Dualogic (FIAT), e IMotion (VW). Reanult parece que tem o EasyR. São câmbios encontrados em veículos populares como Uno e Gol.
      Eu não acho que consome muito além de preservar melhor o motor. Dizem que gasta mais embreagem mas estou com o meu há 4 anos e nunca troquei embreagem.

      • Isabela 14 de fevereiro de 2017 at 15:26 #

        Obrigada pelas dicas!!! Vou procurar me informar melhor…

        • Gustavo Baptisti Ludwig 14 de fevereiro de 2017 at 15:53 #

          Automatizado eu acho que náo vale a pena…. dão problema e gastam mais combustível que os automáticos de verdade….

    • selet 18 de fevereiro de 2017 at 21:27 #

      Pesquise sobre a regra 20/4/10. Dê entrada de pelo menos 20%, financie por no máximo 4 anos. Não gaste mais do que 10% de sua renda anual.

  11. Ramos 13 de fevereiro de 2017 at 13:43 #

    Eu sempre gostei muito de carro, os meus 3 primeiros comprei financiados mas paguei de forma antecipada antes do final do financiamento e fiquei em média 5 anos com eles. Após começar a me interessar por finanças e ler seus artigos decidir nunca mais comprar carro a prestação. Mas ao ler este artigo sinto um peso na consciência, conseguir ajuntar um grana boa que em parte era para trocar de carro mesmo, mas na hora me empolguei com o dinheiro e comprei um carrão, dei o meu usado e ainda torrei metade das minhas aplicações. Agora fico entre curtir o carro e o arrependimento de ter gasto tanto dinheiro, (fora o seguro e IPVA bem mas caro do que antes) minha mulher e filha colocam um pilha terrível para comprar o carro, to pensando em não levá-las mais comigo quando for comprar carro. rs

  12. Claudinei Fernandes 13 de fevereiro de 2017 at 14:21 #

    Por rodar muito pouco, cerca de 350 km mês, fiquei 15 anos com um fusca 86 que atendia perfeitamente as minhas necessidades. Neste meio tempo sofria muita pressão de parentes e amigos para trocar por um mais novo. A única coisa que me preocupava era com a segurança. Assim que se tornou obrigatório o abs e o airbag no carro novo fui lá e comprei meu golzinho 2014 à vista com 8% de desconto para surpresa do vendedor que esperava um financiamento. Agora os palpiteiros de plantão tentam me convencer que o melhor é trocar logo o carro antes que desvaloriza mais. Isso para um carro com 10.000 rodados!!!

  13. Felipe Silva 13 de fevereiro de 2017 at 14:43 #

    Comprei meu primeiro carro a vista e toda vez que troquei não me endividei.
    Em uma época tive um carro considerado de luxo, completo, que meu deu certo status.
    E em um período das “vacas magras” tive um carro simples, apenas com vidro elétrico.
    Creio que tudo depende de nossas condições financeiras, se pensarmos apenas no conforto e no status, nunca teremos nossa liberdade financeira. Sempre temos que ter o equilíbrio entre a razão e a emoção.
    Sem contar que somos bombardeados frequentemente com propagandas nos mostrando o quanto somos obsoletos aos olhos do próximo, fazendo com que temos a sensação de que “precisamos” obter algo. Isso se chama obsolescência perceptiva. Que é uma das grandes armadilhas para o consumismo.

    • sandro 13 de fevereiro de 2017 at 14:51 #

      Perfeito, o grande problema é que as pessoas não tem noção do custo total envolvido, além da questão status também. Compre o carro que você quiser, mesmo que seja puramente pelo status mas saiba quanto isso vai pesar no bolso.

  14. Ubu 13 de fevereiro de 2017 at 15:11 #

    Legal o post!

    Esse assunto é muito interessante e às vezes polêmico… Uma coisa importante que você pontuou no texto é que cada caso é um caso, depende muito da pessoa, da situação, do momento da vida, da logística e distâncias envolvidas no dia a dia, se tem que levar os filhos pra escola, da qualidade do transporte público na cidade, se tem uber, etc… A maioria das pessoas não entende isso e costuma criticar os outros que não seguem seu padrão de consumo.

    Bom, eu esperei quase 10 anos pra comprar meu primeiro carro (mesmo ouvindo muitas críticas de amigos e familiares), e ainda assim, comprei um popular usado (mas completo) em bom estado e à vista. Paguei pra ver. Achava que daria outro uso para o carro, que faria mais viagens que antes não teria feito por não ter carro, que teria mais comodidade e me deslocaria com mais facilidade pela cidade, mas estava enganado. Usava somente para ir e voltar do trabalho e ir ao mercado nos finais de semana.

    Fiquei com ele por pouco mais de um ano e vendi, não fazia sentido ter um carro pra ficar 23 horas e meia por dia parado na garagem ou no estacionamento da empresa (praticamente 98% do tempo, já que morava a 15 minutos do trabalho). Voltei a andar de ônibus para ir e voltar do trabalho, e não economizo no uber quando tenho algum imprevisto.

    Resultado: venho gastando bem menos da metade na categoria “transporte” do que gastava quando tinha o carro (aportando a diferença, claro;), e a sensação de ter uma coisa a menos pra se preocupar é libertadora. Claro que levo mais tempo, na média, pra me deslocar, mas a relação preço/valor está compensando muito pra mim. Agora só volto a ter carro novamente se meu contexto mudar bastante.

    • Camila 13 de fevereiro de 2017 at 17:08 #

      Eu já pensei várias vezes em vender meu carro e andar de uber, mas trabalho em um posto de saúde em um bairro da periferia da minha cidade e muito perigoso, por isso nenhum motorista de uber aceita chamados daquela região. Táxi não vale a pena por ser muito mais caro, e morro de medo de andar de ônibus. Infelizmente, me desfazer do carro não é uma coisa possível pra mim.

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 19:51 #

      Estou no mesmo barco. Meu trajeto ao trabalho é de 10 minutos no carro. Pensei em vender, a economia seria enorme, mas não me vejo usando Uber para ir a academia, sair com a namorada no final de semana ou ir ao supermercado. As vezes tem também algumas viagens de lazer que não podem ser feitas nem mesmo de ônibus. Cidades pequenas mas turísticas como Olímpia ou Boituva tem péssimas conexões de ônibus.
      É bem complicado ficar sem carro.

      Já pensei por exemplo se eu chamasse o Uber para ir a padaria e espontaneamente decidisse ir a farmácia. Ou quando a farmácia não tem o que preciso e necessito passar em outra. Coisas simples de carro tornam-se um transtorno de outra forma. Também já tive necessidade de ir de madrugada levar uma pessoa no hospital. São coisas muito difíceis de mensurar em dinheiro.

      • Ubu 14 de fevereiro de 2017 at 11:30 #

        Então Douglas, entendo perfeitamente. Por isso que disse que é sempre uma questão bastante pessoal.

        Eu acho que todas essas questões/situações que você disse se encaixam naquelas questões de lifestyle design e de ter a mente aberta pra estar sempre reavaliando nossas escolhas e seus efeitos colaterais.

        Por exemplo, morar num lugar onde não tem mercearia/padaria/academia a uma distância que dê pra ir a pé, sempre foi uma escolha fora de cogitação pra mim (farmácia já faz anos que só compro online por preço e comodidade). Ideal mesmo seria morar perto do trabalho E perto dessas facilidades, mas infelizmente nem sempre é possível né…

        Sair pra jantar eu já ia de táxi/uber mesmo quando tinha carro pra poder beber sem me preocupar, então não fez diferença.

        Mas sobre viajar concordo com você. Dependendo da frequência e das distâncias vale a pena ter carro mesmo. Eu como faço no máximo uma ou duas viagens curtas por ano, pretendo ir de ônibus/avião e/ou alugar carro… mesmo assim, na média anual, vai sair bem mais barato.

        No fim das contas, a gente só sabe se vai se adapatar ao experimentar e se impor certos desafios pra sair da zona de conforto… eu mesmo decidi que ia ficar pelo menos um ano sem o carro pra ver como seria a adaptação. Bom, agora faz quase 6 meses e não penso em comprar outro, já que sinto bem menos falta do que eu achei que fosse sentir. Claro que se a minha realidade mudar muito, tipo uma mudança de emprego ou de cidade, compraria outro carro sem problemas.

    • Felipe Silva 14 de fevereiro de 2017 at 13:41 #

      Legal seu relato!
      No meu caso, não me vejo sem carro por alguns motivos!
      Mas vou trabalhar de bicicleta, gasto meia hora do serviço para casa, o mesmo tempo que levo de ônibus. Não seria uma opção para você?
      Eu recomendo, em questão de economia e saúde. Tem a questão de segurança, que não é 100% favorável, mas acho que vale a penas colocar as variáveis em questão e ver no que dá. Só uma sugestão.
      Abraços

  15. Adriana 13 de fevereiro de 2017 at 15:15 #

    Nem vou falar nada… na minha família, minha prima – que é professora de matemática, num município pobre e pequeno no interior do Espírito Santo – acabou de comprar um carro de R$ 100 mil – financiado!!! – junto com o marido. Aquele lance de unir duas rendas e tal.
    Esse marido tá estragando minha prima, isso sim. O carro foi só mais um detalhe. Cara arrogante, chato, metido. Ninguém gosta dele.

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 19:41 #

      Depois não sabem porque preço de carro só aumenta. A inflação do mercado automotivo é muito alta. O JEEP Renegade aumentou de preço 3 vezes em 2 meses. Se uma professora de matemática (que de acordo com o conhecimento empírico ganha miséria) pode comprar um carro de 100 mil, quem não pode?

      Oferta vs demanda. Ou param de comprar ou o preço só vai subir cada vez mais. E isso com juros altos! Imaginem quando os juros baixarem, o dinheiro vai inundar o comércio nacional.

  16. Zé da Silva 13 de fevereiro de 2017 at 15:17 #

    Fazendo o papel do “advogado do diabo” … não custa lembrar que toda história pode ter um outro ponto de vista. 😉

    No post “Como comprei um carro financiado e ainda ganhei dinheiro com isso” – http://www.clubedopairico.com.br/como-comprei-um-carro-financiado-e-ainda-ganhei-dinheiro-com-isso/3886 – falo justamente sobre a minha experiência ao comprar um carro financiado TENDO O DINHEIRO em conta para pagá-lo à vista, mas dando preferência pelo financiamento.

    (tu que pediu pra postar o link Guilherme, hehehe)

    Mas o tema que você nos trouxe é realmente um daqueles que mais atrapalha a saúde financeira de muitos e muitos brasileiros … O carro. Usado muitas vezes para impressionar, outras poucas como meio de transporte … :(

    Se formos mais fundo, veremos que o problema não é só em relação ao carro. Aceitamos pagar R$4 mil em um celular … outras centenas/milhares de reais em roupas, bolsas, etc etc etc.

    Parece que o brasileiro gosta de gastar dinheiro só para aparecer, mostrar que “tem”.

    Lembras daquela história de um frequentador do Fórum que havia comprado uma calça jeans de R$1.000 e não sabia como faria o pagamento das parcelas ? Isso já tem quase 10 anos …

    Em tempos de UBER, a real necessidade de um carro vai ficando cada vez menor. 😉

    Ótimo texto ! 😀

    • Ubu 14 de fevereiro de 2017 at 11:57 #

      Zé, seu relato é interessante, mas seu ponto de vista é muito particular. Entendo a sua conta e ela faz todo sentido. Eu mesmo quando não tenho desconto à vista e a parcela não tem juros, opto por comprar parcelado para não descapitalizar. Mas veja bem, esse sou eu, que tenho disciplina pra investir todos os meses tudo o que deixo de gastar. Quantas pessoas você conhece que tem essa disciplina?

      Não sei se foi a sua intenção, mas você faz parecer que ganhar em média 2,5% líquido ao mês na bolsa com consistência por um prazo de 5 anos é uma coisa super trivial (não é).

      Pode até ser verdade, não estou duvidando, mas pra 99,9% das pessoas a tua estratégia não se aplica. Já é raro ver alguém com disciplina de investir todos os meses, mais raro ainda é ver alguém que investe todos os meses e tem um lucro de 2,5% com consistência no médio/longo prazo.

      Alguém que, como você, faz 35% ao ano com consistência por 5 anos poderia estar ganhando comissão pra ser gestor de um excelente fundo de investimento.

      • Isabela 14 de fevereiro de 2017 at 15:37 #

        Também li no blog dele e realmente concordo que 2,5% de lucro mensal é impossível de se obter para 99,9% dos investidores. Lucro surreal!
        Nos comentários do artigo dele, teve um leitor que sugeriu que ele abrisse um fundo de investimento que ele ficaria milionário, mas a resposta dele foi que não abre porque não quer…rsrsrs

        • Zé da Silva 16 de fevereiro de 2017 at 13:54 #

          E fico muito feliz que você encare desta forma ! Fico muito feliz que você fique com os 2 pés atrás com essa afirmação. :)

          Mas só uma correção … não é impossível, é improvável … 😉

          Impossível não é, pois apresento “n” estratégias que pode sim te proporcionar um retorno médio de 2,5% ao mês … Basta conhecer as ferramentas e métodos para tal feito. (nada mirabolante, e que está acessível a todos)

          Sobre a minha decisão de não operar com o dinheiro dos outros …

          Para poder assumir tal posição, a pessoa precisa antes de qualquer coisa ser “gelada” ao extremo. Sentimento zero em relação a quem deposita em suas mãos as economias (muitas vezes) de uma vida e uma tonelada de confiança.

          Como você lidaria se por acaso perdesse parte do dinheiro dela ? Pois é … eu não ficaria nada bem. É questão de perfil, de “nível de responsabilidade” … Sabe ?

          É justamente esse sentimento que me impede de oferecer esse tipo de serviço a terceiros. Sei o tipo de risco que corro. Sei que a chance de perda está ali na esquina.

          O stress por cuidar do próprio dinheiro é um. O de cuidar do de outros, ao menos para mim, é outro … em nível BEM mais elevado … 😉

          Abraços !

      • Zé da Silva 16 de fevereiro de 2017 at 13:46 #

        Certamente que é particular. :)

        Nunca disse que o que faço deve ser feito por todos … mas aponto a possibilidade de que é possível …

        Se você analisar com muito carinho e atenção, verá que apresento lá no site inúmeras estratégias que te permitem obter um retorno mensal médio bem próximo dos 2,5% … sem riscos exagerados … sem alavancagem … sem firula. 😉

        Te convido a conhecer mais profundamente o que já publicamos lá. :)

  17. Camila 13 de fevereiro de 2017 at 17:03 #

    Ótimo texto Guilherme!! Ele teria sido perfeito pra mim alguns anos atrás, antes de eu me educar financeiramente. Em cerca de 15 anos de carteira, entre 0km e usados, tive 7 carros. E o Mauro está certíssimo: eles destruíram a minha riqueza. OK, não vamos ser injustos e culpar os pobres carros que nada tem a ver com isso. Eles não foram sozinhos para a minha garagem. EU MESMA destruí minha riqueza comprando carros. Foram rios de dinheiro jogados ao vento, mas hoje, educada financeiramente que sou, me serviu como exemplo do que NÃO FAZER. Atualmente, com a cabeça mudada, dirijo há 2 anos um carro 2011 completíssimo, ótimo e que paguei um preço muito baixo. Fiz investimentos no IPCA 2019 para comprar outro à vista quando o título vencer. E mesmo que hoje ele já não seja mais ofertado pelo tesouro, já tem valor suficiente para a compra de outro ótimo carro.

    Agora que penso diferente, gosto de observar as pessoas, principalmente os moradores do meu condomínio. As coisas aqui parecem reação em cadeia: basta um único morador trocar de carro, que os outros começam, e sempre por carros melhores do que aqueles que trocaram primeiro. Enquanto isso só vejo chegando correspondências de aviso de cobrança, suspensão de fornecimento de serviços por falta de pagamento, carnês de financiamentos intermináveis, etc. E se vc olhar nas garagens e redes sociais, só vê viagens internacionais, restaurantes badalados, carrões…. nada disso tem mais valor pra mim e graças à Deus nunca cheguei ao ponto de deixar de pagar minhas contas!!

    Espero que a maturidade e a educação financeira chegue para essas pessoas!! Abraços!!

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 19:37 #

      As pessoas não sabem o que fazer com o dinheiro que sobra. Já tem tudo o que precisa em casa, não tem esperança de trocar de apartamento ou casa por ser um custo muito acima do que pretendem juntar jamais na vida, ou por estar pagando pelo resto da vida o financiamento do atual. Fazem algumas viagens mais ainda assim ao longo dos anos sobra dinheiro. O que fazer? É troca de carro mesmo. Complementa com o décimo terceiro e faz o financiamento. É incrível a quantidade de pessoas que troca de carro no final do ano.
      As pessoas não pensam que o dinheiro poderia estar fazendo outra coisa. O dinheiro é para ser gasto e pronto. Essa é a mentalidade de muitos, mas é por pura falta de conhecimento do que fazer com o dinheiro extra.

  18. Vania 13 de fevereiro de 2017 at 18:44 #

    Muito boa a definição: carro é um drenador de riqueza. A cada vez que se troca, lá se vai uma gorda fatia dos valores investidos
    Basta dar uma volta no estacionamento aqui do condominio em que moro, pra ver qta gente está disposta a pagar perto de 100 mil em um carro.
    Já pensei muito em ficar sem carro, na verdade eu poderia. Trabalho em home-office, tem uma estação de metrô a uns poucos quarteirões de casa, e sempre que chamo um Uber ele chega em 2 ou 3 minutos. Acredito que o transporte individual está em declínio, de forma lenta mas irreversível. Mesmo com tudo isso, carro é um conforto dificil de abrir mão depois que estamos acostumados. Sempre tem os dias de chuva, as compras maiores, os passeios em lugares mais longe.
    Meu ultimo carro ficou comigo por 5 anos, e o atual pretendo que fique 5 anos tbem. Na hora da troca, estabeleci um teto de preço. Pra comprar o novo carro, venderia o anterior e daria mais uma parte em dinheiro. Essa parte em dinheiro não poderia ultrapassar 4 meses da minha renda, já contando com documentação e complementação de seguro. Considerando que a troca se dê a cada 5 anos, então estou colocando uns 7% de toda a minha renda só na troca de carro.
    Isso não me agrada, mas é o melhor que consigo fazer.

    • Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 19:31 #

      Exato Vania. Mesmo que poderíamos viver como Europeus :) depois que se tem um carro é muito difícil abrir mão dessa liberdade.

  19. Douglas 13 de fevereiro de 2017 at 19:30 #

    O carro realmente pode acabar com o seu patrimônio. Imagine o preço do seguro e manutenção desse carrinho de 100 mil usado, com certeza em torno de 5 mil reais anuais.

    Tenho um exemplo de um conhecido que comprou uma Pajero zero km. Como o carro já é muito caro, optou por não incluir nenhum opcional, como som. Levou então o veículo em uma loja especializada para instalar som, alarme etc. O funcionário da loja, como deve ser de praxe, cortou fios para ver onde iria ligar o som alternativo e era uma fibra ótica. Nem sequer sabia o que era isso (ou até sabia) e passou fita isolante e cortou outro fio. O som foi instalado e funcionando. Ele pegou o carro e saiu normal, quando no primeiro semáforo o carro ficou louco. Piscava luzes e não andava mais. Guinchou na concessionária, descobriram o problema. Valor do conserto? 25 mil reais. Ele vendeu o carro da esposa, arrumou a Pajero, depois vendeu a Pajero e comprou 2 carros populares, 1 para ele e outro para a esposa. Ou seja, um carro desse pode te afundar na lama.

    Moro em um condomínio fechado e há uns meses atrás o porteiro trocou o carro dele por um Cruze zero km, de 109 mil reais. Talvez ele tenha outras fontes de renda, talvez não. Se eu tivesse outras fontes de renda além do trabalho de porteiro, com certeza pararia de trabalhar como porteiro ao invés de gastar 100 mil em um carro.

    Eu gostaria de vender o meu carro, parar de pagar IPVA e seguro e andar de bicicleta. Mas a liberdade que o carro dá é enorme. Já avaliei seriamente 2 vezes e conclui que não tem como. O que posso fazer é economizar combustível, optando pela bicicleta de vez em quando. E obviamente, não trocar de veículo a cada 2 anos, ou trocar de veículo para mostrar que está indo bem. Prefiro que minha renda passiva me mostre o quanto estou indo bem :) E o carro vai ficando até que realmente não seja possível manter as manutenções. Trocar para evitar depreciação?! Jamais.

    Esse país precisa muito de educação financeira.

    • Gustavo 14 de fevereiro de 2017 at 14:06 #

      ESTou na mesma situação, náo tenho como NÃO ter carro… trabalho noutra cidade, o transporte publico é deficitário, tem metro, mas este náo tem segurança alguma ou ar-condicionado, e tem sido alvo de arrastões nos últimos tempos. Além disso, tenho dois filhos e toda hora tenho que me deslocar para levar eles para vários lugares. Se eu não tivesse carro teria MUITO MENOS TEMPO (e TEMPO é muito importante) para mim e para minha família.

      Mas não troco de carro a cada ano, em média fico cinco anos com cada carro. E quando troco o faço por modelos que tenham um mínimo de requisitos, e náo por carros de luxo.

  20. Armando 14 de fevereiro de 2017 at 0:09 #

    Sou meio chato pra carro. Tenho a impressão que as pessoas não gostam ou não entendem nada de carro. Corolla é meio de transporte. Suve é caixote sobre rodas. Sim, é subjetivo, mas a indústria faz a festa com nossa ignorância e desejos.

    Um bom exemplo é esse Corolla, modelo famoso por oferecer menos por mais. Um colega comprou uma versão abaixo, mesmo desenho, menos rodado, pagou 36 mil.

    Só faço um alerta, quando puder, compre carro importado. É mais resistente estruturalmente e possui mais itens de segurança ativa e passiva.

    • Isabela 14 de fevereiro de 2017 at 15:54 #

      Que carro você sugere? Com exceção dos carros de luxo…
      Até 50 mil o que você sugere?

      Suv é caixote sobre rodas kkkkkkk Essa expressão foi ótima!!!! kkkkkk

  21. Jacqueline 14 de fevereiro de 2017 at 7:04 #

    Minha mãe ganhou um carro e mesmo com o fato de ele ter vindo de graça, está gerando despesas como se fosse um bebê.
    O casal nem deve ter considerado custos como IPVA, seguro, manutenção e depreciação. No final, esses 100k sairiam muito mais caros do que eles possam imaginar!

  22. Marcela 14 de fevereiro de 2017 at 9:31 #

    Bom dia,
    Gostaria de uma ajuda do grupo.Tenho uma renda de R$4000 e gostaria de comprar um carro futuramente. Pensei em um celta ou Uno Mile 2012.O que acham?

  23. Guilherme 14 de fevereiro de 2017 at 10:43 #

    Caro xará, não acredito que seja uma questão de educação financeira alguém querer comprar carro importado de 100K, como você mesmo falou, o problema é psicológico, tem a ver com desejos subjetivos do indivíduo. Sofro deste mal através da minha noiva, termina de pagar o carnê e já quer trocar de carro, o último custou R$ 86.000.00. Já dei o Pai Rico, Pai Pobre para ela de presente mas esta semana mesmo começou a conversa quando me contou que só faltam 11 parcelas…

  24. Isabela 14 de fevereiro de 2017 at 15:55 #

    Guilherme, sugiro que sua noiva leia os artigos deste blog! :)

  25. Valdemar Engroff 15 de fevereiro de 2017 at 9:27 #

    Bueno. Isso é loucura simplesmente. Agora, comprando um carro neste valor e seguindo as instruções do manual, fazendo as revisões e manutenções, onde vai parar o valor????

    Tenho carro 13/13 comprado zero. Quase popular (1.4). Com planilha e te digo, é um estou no bolso da bombacha. Basta ler e ver o chasque (postagem) no meu modesto sítio clicando em http://obolsodabombacha.blogspot.com.br/2016/08/atitude-90-nosso-veiculo-e-todos-os.html

    Olhando para esta planilha, me dá saudade do meu velho guerreiro – Uno Mille, sem ar condicionado, econômico uma barbaridade e uma manutenção em valores muito mais em conta…. Jamais investiria meus cobres (dinheiro) num carro usado (ou zero km) que me custasse 100 mil reais….

    • Vania 15 de fevereiro de 2017 at 10:38 #

      Ora, um comentário no mais castiço gauchês! Legal!

    • Gustavo 15 de fevereiro de 2017 at 13:51 #

      Aí não dá, vivente… sou aqui de POA, e carro sem ar-condicionado aqui é coisa de maluco… com o calor que faz, é de passar mal…

      Tem uma atitude limitrofe entre educação financeira e o exagero e até a sordidez. Passar mal para economizar dinheiro náo é uma atitude interessante para ninguém.

      • Jacqueline 15 de fevereiro de 2017 at 14:02 #

        Você está certíssimo. Existe uma coisa chamada custo x benefício e as pessoas pecam por pensar somente em um dos lados dessa balança.

        • Valdemar Engroff 22 de fevereiro de 2017 at 9:52 #

          Olhei apenas para o consumo de combustível. Mas jamais trocaria de volta para um carro sem ar condicionado….. lógico, um cavalo desses, mais equipado e com mais conforto, vai onerar mais o bolso da bombacha, com aumento do consumo de combustível…. Baita abraço pra ti, e pro Gustavo que comentou antes de ti….

  26. Pedro 16 de fevereiro de 2017 at 0:16 #

    Para quebrar um pouco a homogeneidade de opiniões “contra” ter um veículo de R$ 100 mil,
    vou relatar a minha experiência pessoal. Tenho 28 anos e ganho em média 30 mil por mês. A minha profissão exige de mim que eu trabalhe em cidades pequenas nas quais não há condições de morar. Por isso, pego estrada todos os dias, por volta de 120 Km por dia. A previsão é que eu fique assim pelos próximos 10 anos até me fixar em uma cidade boa para morar. Até lá, portanto, não poderei comprar meu primeiro imóvel, pois não sei onde vou morar. Não tenho filhos nem dependentes econômicos. Adquiri um carro de 133 mil há 8 meses e sinceramente não me arrependo. Ele me dá a segurança de que preciso para continuar exercendo o meu ofício. Ele me dá o prazer de dirigi-lo quase duas horas todos os dias e muitas vezes isso representa o único momento de lazer que tenho. Não ligo para status e o que possuo vem da minha profissão, e não do carro em que ando. Não tenho interesse em impressionar mulheres, porque sou casado e feliz no matrimônio. Na minha condição existem muito mais pessoas do que se imagina. Concordo que, para a ouvinte do Mauro Halfeld, o carro de R$ 100 mil seria desnecessário e mesmo prejudicial. Mas isso não se aplica a toda e qualquer pessoa. Ver carro premium como sofá de rodas é algo subjetivo e tem a ver com padrão de vida e preferências pessoais. Tem gente que gasta 200 mil em cavalo para hipismo. Eu jamais faria isso, mas consigo entender quem o faça porque tem condições e sente prazer ao fazê-lo. Parabéns pelo blog de excelente conteúdo e personalidade. Abraços!

    • Gustavo 16 de fevereiro de 2017 at 14:54 #

      Concordo…. sofá de rodas é um grande exagero… infelizmente os carros estáo muito caros mesmo, até os tais de populares. Aliás, o custoxbenefício de comprar um “popular”é péssimo, pois muitos nem ar condicionado tem…

  27. Self 18 de fevereiro de 2017 at 21:24 #

    Eu ouvi o podcast nesse dia, mas não prestei atenção ao fato que o carro era usado. Agora estou ainda mais estupefado. Impressionante mesmo o nível de ignorância.

  28. Vinicius Mesquita 24 de fevereiro de 2017 at 16:31 #

    Gostei do comentário do Pedro, embora para a maioria das pessoas um carro mais caro seja realmente um luxo desnecessário e nocivo ao patrimônio, existem casos em que isso não se aplica. Tudo deve ser avaliado caso a caso, sem generalizar.

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