Tratamento de choque para quebrar o ciclo do endividamento

Sejamos francos: a absoluta maioria das famílias brasileiras – algo em torno de 60% a 80% – está muito longe de vivenciar a realidade de investir na Bolsa quando o Ibovespa estava nos 40 mil pontos, comprar Tesouro IPCA quando ele estava pagando 7,82% a.a. + IPCA, ou investir em fundos imobiliários para geração de renda passiva.

Não.

O que a maioria das pessoas querem é simplesmente quebrar o ciclo do endividamento. Viver com um mínimo de paz com seu dinheiro. Libertarem-se da escravidão das dívidas.

O texto de hoje é dirigido especificamente para essas pessoas. Certamente não é a maior parcela do público que costuma frequentar o blog, mas certamente é do interesse de uma parcela significativa da população que procura na Internet conhecimento financeiro para fazer aquilo que é mais urgente: sair da dívidas.

Não vou abordar nesse post o conteúdo específico de como sair das dívidas. Para tanto, já escrevi outros artigos aqui no blog (e o amigo Cleiton Oliveira escreveu vários artigos no excelente blog dele), e, embora seja definitivamente crucial para eliminar o problema, não é a única coisa a ser feita.

O conteúdo desse artigo é baseado num excelente vídeo (em inglês) publicado pelo Jesse Mechan, criador do software de gestão financeira YNAB, do qual já falamos algumas vezes antes (post aqui). E, embora o vídeo tenha servido de base para o texto, procurei, nesse texto, desenvolver e ampliar as ideias que ele explanou, pois esse é um tema que fornece muito material para pensar e aplicar.

 

Clique aqui para abrir o vídeo direto do YouTube.

Outro ponto que vale a pena mencionar é que você não precisa instalar e usar o software do YNAB para utilizar as dicas que foram fornecidas. Você não precisa também sequer dominar os fundamentos básicos para a construção e manutenção de uma planilha de um orçamento doméstico. As estratégias ensinadas nesse artigo se aplicam a qualquer pessoa, independentemente do grau de instrução financeira que possuem, por serem exatamente isso: estratégias simples, fáceis de serem aprendidas.

Para quê serve um tratamento de choque nas finanças pessoais?

Resposta: para dar uma chacoalhada no modo como você administra seu dinheiro. O choque é, genericamente falando, uma pancada, uma agressão.

Logo, dar um tratamento de choque, no contexto desse artigo, é ser submetido a um conjunto de “pancadas” financeiras, mas com um objetivo positivo: melhorar suas finanças pessoais.

Como bem disse o Jesse no vídeo acima, por ser algo excepcional, você precisa fazê-lo apenas uma única vez. Não é uma coisa que você precisa fazer todos os dias, pelo resto de sua vida, como se fosse um hábito (e convenhamos: está na moda hoje em dia falar sobre hábitos), mas sim algo que se faz como se você fosse correr uma corrida de 100 metros, e não uma maratona.

Numa corrida de 100 metros, você se submete a um grande esforço físico, de curta duração, mas chega no final da linha de chegada sem fôlego, cansado, destruído. Você não quer correr mais 100 metros tão cedo. Por quê? Ora, porque se esgotou fisicamente na corrida que acabou de fazer.

A situação aqui é semelhante. Encare esse tratamento de choque como um sprint, e não como uma maratona.

O objetivo de tudo isso é você dar um alívio para o seu bolso. Tirar você do estresse financeiro agudo em que se encontra.

Se isso não te ajudar a eliminar completamente as dívidas, pelo menos vai ajudar bastante. Jesse diz que em média esse processo inicial de quebra do ciclo de endividamento (living from paycheck to paycheck, ou, literalmente, viver de salário em salário), leva em média 4 meses. Pense, portanto, nesses 4 meses como uma corrida de 100 metros, como um sprint.

O que fazer nesse período? Aqui vão as dicas.

Venda coisas usadas

Jogando na ofensiva: você precisa aumentar sua renda temporariamente. E, se comprou mais do que sua renda permite, é porque certamente comprou bem mais coisas do que precisava. A solução?

Livrar-se da tralha.

Celulares, roupas, sapatos, eletroeletrônicos, milhas aéreas, bugigangas diversas, carros… tudo o que tiver valor comercial, que tiver em bom estado de conservação, e que for ainda passível de utilização, pode entrar na sua lista de vendas num site como o OLX ou Mercado Livre. Você pode até usar sua rede social para anunciar vendas de coisas, por quê não?

Você precisa fazer dinheiro novo, e nada melhor do que fazê-lo se livrando de coisas que não mais usa.

Além disso, existem as oportunidades de trabalho temporário.

Fazer horas extras em seu serviço, dirigir como motorista do Uber (se ele já tiver chegado em sua cidade), dar aulas particulares, enfim, a lista é grande, oportunidades não faltam, e demanda sempre existirá para os bons profissionais.

Corte gastos com coisas necessárias

Não, você não leu errado. Não é para cortar gastos com coisas desnecessárias. É para cortar gastos com coisas necessárias.

Essa estratégia vai gerar controvérsia, mas está alinhada com o que disse o Jesse: evite gastar com coisas que você gosta de gastar. Faça economias que provoquem dor. O raciocínio aqui é mais ou menos parecido com aquele fornecido pela leitora Camila no artigo 8 dicas práticas de organização financeira fornecidas pelos leitores.

Eu vou até além do que o Jesse disse. Para ele, você deve abdicar de coisas que gosta. Jantares em restaurantes, cinemas etc. Eu sugiro algo mais radical: se a coisa tá feia nas suas finanças, é preciso abdicar até de coisas que seriam indispensáveis.

Não gastar com aquilo que é supérfluo é fácil, quero ver você não gastar com aquilo que você considera essencial.

Dorme sempre com ar-condicionado e toma banho com chuveiro quente? Experimente dormir com ventilador e tomar banho com chuveiro frio. Ah, e desligue o aparelho de ar-condicionado da tomada. No final de 30 dias, veja a economia que teve na conta de luz.

Não dispensa carne, frango, peixe, café Pilão, e aquela cervejinha gelada no churrasco do final de semana? Corte tudo isso de sua lista de compras do supermercado. Substitua o café em pó por café solúvel. E passe os finais de semana tomando água. Pura.

Vai de carro para o trabalho, faculdade, banco, academia e o mercado? Pegue o ônibus.

Não dispensa a TV a cabo? Ligue agora na NET e cancele o plano.

Inviável? Quase que com certeza. Vai doer? E como. Vai fazer falta? Claro que vai.

Mas lembre-se: essa não é uma maratona, é uma corrida de 100 metros. Como disse o Jesse, faça o teste por 60 dias. O que são 60 dias? Come on, 60 dias.

Além disso, o objetivo é esse mesmo: você precisa sentir na pele a dor de ter se enfiado no buraco que você mesmo cavou, antes que seja tarde demais.

Repito: antes que seja tarde demais. Gastar em excesso é muito bom e provoca alegria e prazer indescritíveis, mas se arrepender de ter feito isso e de não ter tomado as providências enquanto era tempo causa uma dor pior ainda.

A neurociência que estuda as finanças comportamentais já comprovou: a dor de perder dinheiro é duas vezes pior que a alegria de ganhar dinheiro.

Pense na última vez que você perdeu dinheiro por bobagem: comprou um ingresso que não utilizou; foi no buffet por quilo e não comeu tudo que pegou; fez uma operação na Bolsa ou com imóveis em que perdeu dinheiro.

Agora, lembre-se de alguma situação em que ganhou uma quantia equivalente a aquele em que perdeu. Normalmente, nos lembramos mais das situações ruins de perda de dinheiro, o que só prova que a dor da perda de dinheiro costuma ser maior que a alegria do ganho desse mesmo dinheiro.

Lembre-se: todos esses cortes de gastos são temporários, e têm como objetivo principal fazer você voltar a ter uma sobra no seu orçamento doméstico.

Se é verdade que você não pode economizar como se tivesse prendendo a respiração debaixo d’água, não é menos verdade que situações excepcionais requerem medidas excepcionais.

Você está enrolado até o pescoço com dívidas, então, é preciso, ainda que de forma temporária, fazer uma terapia de choque em suas finanças pessoais. Você tem que no mínimo experimentar, a fim de ver se isso vai produzir resultados em sua vida. E é claro que vai funcionar, afinal de contas, estamos falando de economizar dinheiro em modo ultra hard.

Conclusão

Tempo

Qual é o mantra principal das finanças pessoais, a regra nº 1 para ter uma vida financeira equilibrada?

Gastar menos do que se ganha. Ou ganhar mais do que se gasta.

Quando você costuma gastar mais do que ganha, e faz isso num mês, e faz isso no mês seguinte, e faz isso no outro mês… você inicia um ciclo. O ciclo do endividamento.

As dicas explicadas nesse artigo visam interromper esse ciclo. Elas são antipáticas por natureza, mas não há outro jeito para quebrar esse ciclo a não ser tomando medidas radicais.

Você vai fazer o quê? Vai continuar comprando iPhone de R$ 4 mil, sabendo que existem outras 17 compras parceladas correndo no seu cartão de crédito? Continuar gastando R$ 140 no restaurante do final de semana vai aliviar seu bolso já comprometido com R$ 3 mil de empréstimo consignado todo santo mês?

Se você pode “o mais”, que é gastar mais do que sua renda permite – porque, afinal de contas, crédito é o que não falta na praça – você pode também perfeitamente o “menos”, que é abdicar de tudo isso.

E você vai sobreviver, afinal de contas, ninguém morre se deixar de comer coisas mais caras (ainda que por curto espaço de tempo), ninguém morre se viajar na classe econômica, em vez de classe executiva; ninguém morre se deixar de usar o ar-condicionado, e passar a usar o ventilador.

Lembre-se: ninguém vai cuidar melhor do seu dinheiro do que você mesmo. Ou você começar a economizar já, ou você sofrerá as consequências de sua inércia. Pare de cavar o próprio buraco enquanto ainda é tempo, pois, quanto mais tarde você querer sair dele, mais drásticas serão as mudanças que precisarão ser feitas.

A dor é temporária, mas os benefícios serão permanentes. E eu acho que essa troca compensa. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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31 Responses to Tratamento de choque para quebrar o ciclo do endividamento

  1. sandro 10 de abril de 2017 at 8:44 #

    Também gosto da dica do japonês.
    Se a coisa ta feia, se mude.
    A outra opção é o segundo “emprego”,trabalhar o resto da vida pros bancos pagando dívidas e sem receber PL, férias, 13°, etc…

    Vejo várias pessoas que dizem não ter dinheiro suficiente, aí eu penso, se fosse manter esse padrão de vida nem eu teria mesmo. Como o meu padrão é outro, dá e sobra.

    Naturalmente tem o outro lado, as pessoas que pouco, aí não tem jeito, tem que arrumar uma renda extra mesmo. Pode ser que os cortes e até mesmo se mudar não tenham um impacto significativo. Aumentar 10% de nada (baixa remuneração) continua sendo nada.

    • Guilherme 10 de abril de 2017 at 9:11 #

      Oi Sandro, ótimas reflexões.

      De fato, tudo começar no estado mental da pessoa.

      Abç!

      • sandro 10 de abril de 2017 at 12:47 #

        Essa parte que dá pena.

        • Guilherme 10 de abril de 2017 at 15:31 #

          É a triste realidade de milhões de pessoas… :-(

      • Douglas 10 de abril de 2017 at 22:12 #

        É 90% no mental mesmo. E isso é muito difícil de mudar. Tenho uma funcionária que ganha 1.200 reais. Ela já comeu várias vezes em um restaurante que não vou citar o nome. De tanto falar resolvi ir lá. Entrei, sentei, olhei o cardápio, levantei, agradeci os garçons e fui embora. Não tenho coragem de gastar o que pedem na refeição nem ganhando 10x mais que a funcionária. E ela tem filhos e eu não. Reclama de falta de dinheiro mas não pode deixar de se dar mimos. Ai não tem jeito.

        O mimo que eu me dou é investir :)

        • Rosana 11 de abril de 2017 at 7:21 #

          Douglas,

          Infelizmente o que você relatou não é exceção. As pessoas compram demais, se endividam demais, até porque há um grande incentivo para isso através do parcelamento no cartão de crédito e do marketing, que sempre apresenta novas criações como se fossem estritamente necessárias.

          Muitas vezes acreditamos ser essencial algo que na realidade não é.
          Alguns aprendem mais cedo o que é necessário de verdade. Outros, mais tarde.
          E muitos, nunca aprendem.

          Como vocês disseram, tudo começa na mente mesmo.
          Muitas vezes nós somos nossos piores inimigos. Em todos os sentidos.

          • Guilherme 11 de abril de 2017 at 16:04 #

            Douglas, de fato, as pessoas continuam fazendo as mesmas coisas erradas, e o resultado é que a vida delas continua na estaca zero.

            Rosana, é verdade, no Brasil (e no mundo), poucos se dedicam a aprender mais sobre a própria realidade, seja porque não querem se defrontar com a realidade, seja por opção mesmo. Triste essa realidade.

  2. Zé da Silva 10 de abril de 2017 at 9:06 #

    Dívidas … :(

    Excelente tema Guilherme !! :)

    Somente uma observação em relação ao “Não dispensa a TV a cabo? Ligue agora na NET e cancele o plano.”

    Tome cuidado com uma coisa: se você tiver um pacote combo, o cancelamento do pacote de canais pode fazer com que a sua conta final seja mais cara (somente com banda larga e telefonia fixa) do que se mantivesse o pacote completo …

    Eles costumam oferecer preços “especiais” para quem tem o combo, e o cancelamento de um dos itens do pacote faz com que o preço dos restantes aumente.

    Vi isso na semana passada quando pensei em cancelar o meu pacote de canais. (só usamos Netflix em casa, hehehe)

    Se eu cancelasse, gastaria mais com banda larga e telefonia fixa, do que se mantivesse o pacote de canais junto deles. 😯

    Apenas um detalhe … mas que algumas vezes pode fazer “alguma” diferença. 😉

    Abraços !

    • Guilherme 10 de abril de 2017 at 9:20 #

      Oi Zé, excelente observação! :-)

      Tem que realmente prestar atenção nessas minúcias quando se trata de planos “combos”.

      Abraços!

  3. EINSTEIN DOS NEGÓCIOS 10 de abril de 2017 at 10:21 #

    Valores Reais sempre orientando a galera para sair do fundo do poço. Gostei principalmente da parte de CORTAR GASTOS NECESSÁRIOS. Porque muitas vezes a gente gasta com coisas que achamos necessárias, mas na verdade não são. Semana passada o meu celular de R$ 1.500,00 quebrou, então estou utilizando um Galaxy Pocket sucateado, mas que atende todas as minhas necessidades, que são Whatsapp, e ligações. PRA REFLETIR.
    Abraços!

    • Guilherme 10 de abril de 2017 at 15:32 #

      Excelente exemplo, Einstein!

      De fato, tudo tem que passar pelo teste da realidade, a fim de verificarmos se realmente aquelas coisas indispensáveis seriam assim tão indispensáveis.

      Abç!

  4. Cleiton Oliveira 10 de abril de 2017 at 11:44 #

    Excelente texto Guilherme. Muito obrigado pela referência :-)

    Por ser algo temporário tem que ser radical mesmo para colocar as contas em ordem e se livrar das dívidas.

    Quem sabe durante esses quatros meses, as pessoas comecem a ter uma vida mais frugal e a gostar dela.

    O maior benefício e não se apegar a tantos ao bens materiais e aproveitar as coisas mais simples como uma boa noite de sono (quem está inadimplente muitas vezes não sabe o que é isso :-( )

    Um grande abraço.

    • Guilherme 10 de abril de 2017 at 15:34 #

      Oi Cleiton, eu é quem agradeço!

      De fato, os benefícios de quebra do ciclo do endividamento vão além da mera eliminação das dívidas. Há importantes benefícios de ordem psicológica, como você bem destacou.

      Abç!

  5. 10 de abril de 2017 at 14:52 #

    Olá Guilherme, excelente reflexão! Olhando num primeiro momento, as pessoas podem achar as medidas radicais demais. Mas, colocando-as em prática, muitas vezes se percebe que as coisas que considerávamos indispensáveis são totalmente dispensáveis. O ser humano é uma criatura muito adaptável. Cria novos hábitos. Eu mesma e meu marido, depois de percebermos como nossa net combo era sub-utilizada (o telefone fixo não usávamos – não sabíamos nem o número, dos canais da tv assistíamos apenas 3 e só de vez em quando, só usávamos mesmo a internet), decidimos cancelar e não fez falta nenhuma. Estamos com netflix e conseguimos um provedor de internet por um preço super bom!! Isso é apenas um exemplo dentre vários. Depois que decidimos levar uma vida mais minimalista, mudamos muitos hábitos, escolhemos as informações e objetos que entram em nossa vida com muito cuidado. Olhando pra trás, não consigo imaginar ter aquela vida antiga novamente. Aos que estão relutantes/receosos para mudar de vida (seja por problemas financeiros ou não) acreditem em mim: VALE MUITO A PENA!!!

    • Guilherme 10 de abril de 2017 at 15:35 #

      Oi Cá, obrigado!

      Gostei muito da sua frase:

      “O ser humano é uma criatura muito adaptável.”

      Gostei bastante do seu exemplo pessoal, é mais uma prova de que é possível modificar hábitos que nós mesmos julgávamos impensáveis anos atrás.

      Abraços!

    • Adriana 11 de abril de 2017 at 11:10 #


      Você tem mais exemplos de simplificação da vida e de como torná-la mais minimalista? Estou tentando me livrar de muita tralha (e olha que nunca tive muita) e abrir mais espaço, dicas sempre são bem vindas!

  6. 10 de abril de 2017 at 14:55 #

    Post maravilhoso! Nunca tinha lido em lugar nenhum “Corte gastos com coisas necessárias”!!!! Pensei até que tivesse lido errado! :) Foi uma pancada na boca do estômago, ao mesmo tempo em que me encheu de esperança e determinação. E eu achando que já estava fazendo tudo o que é possível fazer pra sair do buraco…
    Obrigada! Mil vezes obrigada!!!

    • Guilherme 10 de abril de 2017 at 15:36 #

      Obrigado, Rê, é sempre bom termos a mente receptiva para novas e interessantes ideias! 😀

      Abç!

  7. Douglas 10 de abril de 2017 at 22:05 #

    Esse negócio de vender coisas usadas é muito bom Guilherme. Você nem imagina o que pode ser vendido. Nunca pensei em vender peças velhas que troco do computador, um dia meu primo me falou que vendeu uma carcaça de notebook no mercado livre. Isso mesmo, somente a carcaça de um laptop antigo. E quem comprou estava na Bolivia e pagou DHL para receber. Depois disso pensei, vou vender de tudo então, nunca se sabe o que o outro precisa.

    Vendi capa de celular, fonte de alimentação do PC que não usava mais, placa de vídeo antiga, palmtop! Lembram do que é isso? Agenda eletrônica! Uma agenda eletrônica e um palmtop de mais de 15 anos cada um, vendi cada por 50 reais. 100 reais só nisso. Tem gente que vende roupa antiga. Dá pra vender de tudo, desocupar a casa e ainda ganhar dinheiro. Essa é uma ótima dica.

    • Felipe Silva 11 de abril de 2017 at 11:05 #

      Legal Douglas, eu também utilizo desta técnica. Tem coisas imagináveis nestes sites, uma vez uma pessoa ofereceu um chevette em um iphone de um colega meu. hehehe…

      • Guilherme 11 de abril de 2017 at 15:55 #

        Oi Douglas, realmente, é impressionante como nós subestimamos, às vezes, as coisas que temos. Às vezes coisas que não têm valor algum para nós, são buscadas incessantemente por outras pessoas.

        Então, vem a calhar os sites de classificados.

        Felipe, emblemática essa troca do carro pelo celular….rsrsrs

        Abç!

  8. MJC 11 de abril de 2017 at 7:45 #

    Eu tenho tentado vender algumas coisas usadas também.

    Eu sempre acumulei muitos livros, mas recentemente concluí que não fazia muito sentido ficar guardando livro. Com exceção de livros técnicos que são consultados frequentemente ou livros para estudos que a gente tem que ficar voltando neles, romances/novelas etc não fazem muito sentido de se ter guardado. São pesados, juntam poeira e ocupam muito espaço.

    Então há alguns meses comecei um processo longo de tentar vendê-los. E vou te falar que está sendo bem difícil! Já consegui vender cerca de 55 (entre livros, mangás e HQs) por cerca de 750 reais. Mas ainda falta muita coisa pra vender. Muita coisa mesmo! Vejo algumas dificuldades principais na venda de livros: você acaba tendo que vender pacotes com alguns, pro frete compensar; e não há muitos leitores!

    Enfim, apesar disso, melhor deixar o anúncio lá parado aguardando, já que criar um anúncio é muito rápido e de graça…

    • Guilherme 11 de abril de 2017 at 15:57 #

      Oi MJC, não sabia dessa dificuldade da venda de livros.

      E concordo que é melhor deixar o anúncio lá, vai que alguém encontre o que estava precisando na sua lista de venda, não é mesmo?

      Abç!

  9. Adriana 11 de abril de 2017 at 11:12 #

    Sobre o discutido há algumas semanas a respeito do fim das contas digitais, li a seguinte notícia hoje:

    http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/consumo/noticia/6336085/itau-deixa-oferecer-conta-digital-gratuita-iconta-para-clientes

    • Guilherme 11 de abril de 2017 at 15:57 #

      Puxa vida, triste notícia essa, Adriana.

      Os grandes bancos de fato querendo tirar o corpo das contas digitais.

      Abç!

  10. Felipe Silva 11 de abril de 2017 at 11:29 #

    Legal Ghilherme,

    Nunca pensei desta forma como um “Tratamento de choque”, mas é verdade.
    Eu mesmo juntei o desapego com os cortes necessários e vendi algo na qual eu gosto muito. Isso em uma fase mais apertada. Hoje tenho condições de adquirir novamente, mas estou adiando o quanto eu posso. =]
    E é impressionante como adquirimos coisas desnecessárias. Ontem mesmo minha esposa comentou em comprar um guarda roupa maior e melhor. Então perguntei pra que? Ela me respondeu: “Para guardar as tranqueiras”. Eu ri, e falei que não fazia sentido algum gastar dinheiro com algo, para guardar coisas que nem utilizamos. rs
    Mas ela é muito sensata e temos os mesmo objetivos e ela já esta mudando de ideia.
    Mas temos que ficar muito atentos com estes gastos desnecessário.
    Vlw Guilherme. Uma boa Semana

    • Guilherme 11 de abril de 2017 at 15:58 #

      Oi Felipe, legal esse exemplo pessoal a respeito do guarda-roupas. É como disse o Sandro, linhas acima, tudo começa com uma mentalidade correta. :-)

      Boa semana para você também!

      Abç!

  11. Luiza 12 de abril de 2017 at 23:52 #

    Olá Guilherme, adoro ler o seu blog! Sempre pego algumas dicas por aqui. Economizei comprando coisas usadas que necessitava pra minha bebê..iria gastar aproximadamente R$4000,00 para o carrinho do bebê, moisés, bebê conforto, etc…gastei somente R$1000,00. Ela já está deixando de usar esse conjunto e já vou revender para comprar outra cadeira para o carro, também usada em boas condições!! Costumo não gastar muito nesses itens que serão perdidos rapidamente!!

    • Guilherme 14 de abril de 2017 at 11:01 #

      Obrigado, Luiza!

      Ótimas as suas dicas também! A economia é sempre significativa.

      Abraços!

  12. Vania 13 de abril de 2017 at 21:50 #

    Muito bom o post!
    Há umas frases ótimas aí: “pare de cavar o próprio buraco”, e “o ser humano é mto adaptável”. Verdades inquestionáveis.
    Vou dar o meu testemunho. Sou uma pessoa muito organizada financeiramente, sempre fui. Mas há alguns anos atrás eu tive que fazer uma redução brusca em minhas despesas, tive que fazer um downsizing em meu estilo de vida.
    Foi a época em que me divorciei, e isso coincidiu com a perda de uma segunda renda que eu tinha (além de minha ocupação principal). De repente, a quantidade de dinheiro que entrava mensalmente em casa caiu muito. Havia tres entradas de dinheiro (meu salario, salario do marido e minha segunda renda), e de repente passou a ter uma só. Foi necessário reduzir as despesas, e urgente.
    Não vou dizer que foi fácil. Não é fácil lavar e passar as roupas qdo vc sempre teve quem fizesse isso pra vc, Nao é fácil deixar de ir naquele restaurante cuja comida vc adora, e que combina tão bem com vinho. Mas a adaptação é rápida, isso posso afirmar. Dali a tres ou quatro meses cuidar das roupas e da casa se tornou uma tarefa simplérrima, que inclusive dá um sensação única de autonomia, a ponto de eu nem cogitar mais em delegar para outros. E o restaurante foi substituido, com ganhos, pelas corridas no parque que é logo ali, uma água de coco depois, e quem sabe uma visita às muitas atividades culturais baratíssimas que tem na cidade.
    A adaptação é rápida, se a gente enfrenta logo o problema, sem adiamentos. Coisas que parecem necessárias na verdade não são. Em quatro meses, voltei a poupar os 20% dos rendimentos que sempre achei adequados (uso a regra dos 50/30/20). Mais dois meses e consegui de novo uma segunda renda. O restaurante e outros “extras” passaram a caber no orçamento, mas olha…não preciso mais deles.

    • Guilherme 14 de abril de 2017 at 11:03 #

      Excelente depoimento, Vania!

      Gostei bastante do seu testemunho, pois é mais uma prova evidente de que podemos nos adaptar facilmente a determinadas situações, que antes considerávamos inimagináveis.

      Abraços!

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