3 lições extraídas da vida de Jeff Bezos

Semana passada, Jeff Bezos, o criador da Amazon, foi notícia no mundo inteiro por ter alcançado o “posto” de pessoa mais rica do mundo por algumas horas. Para que não está a par, segue notícia extraída do Globo.com:

“Não foram nem 24 horas em que o CEO da AmazonJeff Bezos pode se considerar a pessoa mais rica do mundo. Depois de ultrapassar o co-fundador da Microsoft Bill Gates na última quarta-feira (27), Bezos já voltou à segunda posição.

E tudo graças ao flutuante mercado financeiro. Com a subida das ações da Amazon no início da quarta-feira, o patrimônio líquido de Bezos atingou US$ 90,9 bilhões, superando a fortuna de Gates, de US$ 90,7 bilhões. Nos últimos quatro anos, Gates ocupou o primeiro lugar no Bloomberg Billionaires Index. Bezos, por outro lado, começou em 2017 no quarto lugar, atrás Warren Buffett e Amancio Ortega.

Mas nesta quinta-feira a Amazon divulgou seus ganhos no segundo trimestre, mostrando um lucro de apenas US$ 197 milhões dos US$ 38 bilhões em vendas. Isso marca uma queda de 77% nos ganhos da empresa, que foram de US$ 857 milhões no ano passado. Para Bezos, isso significa uma diminuição em sua fortuna pessoal – considerando que ele tem quase 80 milhões de ações da Amazon.

Ao final da atividade do mercado de hoje, Bezos volta à segunda posição e Bill Gates mantém o título com sua fortuna pessoal de pouco mais de US$ 90 bilhões.

Não que uma pessoa com quase US$ 90 milhões se preocupe muito com isso”.

O texto de hoje irá mostrar 3 lições que podemos extrair da vida desse empreendedor norte-americano. O artigo foi resultado de uma incrível sucessão de referências ao seu nome que retirei das mais diversas fontes: livros em português, audiobooks em inglês, e sites de notícias, sendo que a maior parte dessas referências não teria existido se ele mesmo não tivesse criado os meios necessários para se chegar até elas. Sabe aqueles sinais que a vida dá a você de vez em quando, meio que indicando que você deve fazer algo?

Pois é, eu tenho certeza de que essa sucessão impressionante de referências em menos de uma semana não veio à toa. Ela veio para que eu escrevesse esse artigo. E aqui está ele. 😉

1. Crie um ambiente propício ao desenvolvimento de suas habilidades: o episódio da “cama grande”.

Warren Buffett gosta de dizer que foi programado geneticamente para alocar ativos. Prova eloquente disso é o presente de Natal que ele pediu ao pai dele quando tinha 7 anos de idade. Clique aqui e refresque sua memória sobre esse saboroso episódio da vida do então menino Buffett.

Se frase semelhante pudesse ser construída para explicar o sucesso de Jeff Bezos, poderíamos então afirmar que ele foi programado geneticamente para inventar soluções. E o episódio da “cama grande” explica bem o que viria a ser a tônica desse mega empresário de sucesso.

No excelente livro Garra: o poder da paixão e da perseverança (comprado, por sinal, na loja criada por Bezos) a psicóloga Angela Duckworth dá mais detalhes sobre o ocorrido (p. 121-122):

“A incomum infância cheia de interesses de Jeff tem muito a ver com Jackie, sua mãe curiosa e singular.

Jeff veio ao mundo duas semanas após Jackie completar dezessete anos. ‘Por isso, eu não tinha tantas ideias preconcebidas sobre o que eu deveria fazer’, contou-me ela.

Ela se lembra de ter ficado muito intrigada com Jeff e com seu irmão e sua irmã mais novos: ‘Eu ficava curiosíssima sobre aquelas pequenas criaturas, sobre quem eram e o que viriam a ser. Prestava atenção ao que interessava cada uma delas – eram crianças muito diferentes entre si – e me deixava guiar. Sentia que era minha responsabilidade permitir que eles mergulhassem fundo naquilo de que gostavam’.

Aos três anos, por exemplo, Jeff pediu muitas vezes para dormir numa ‘cama grande’. Jackie explicou que um dia ele dormiria numa ‘cama grande’, mas ainda não. No dia seguinte, ela entrou no quarto dele e o encontrou com uma chave de fenda na mão, desmontando o berço. Jackie não o repreendeu. Sentou-se no chão e começou a ajudá-lo. Naquela noite, Jeff dormiu numa ‘cama grande’.”

Ok, talvez você já tenha passado da idade de desmontar berços. Talvez também você não esteja morando junto com uma mãe que incentiva a curiosidade, como Jackie fazia em relação ao pequeno Jeff.

Porém, esses não são motivos para você não criar, por conta própria, um ambiente propício para o estímulo à criatividade e à inovação. Já discorremos sobre esse assunto no ano passado (clique aqui), e hoje reforçamos essa valiosa ideia.

Quebre paradigmas.

Ao desmontar o próprio berço, com pouco mais de 36 meses (eu disse meses) de vida, Jeff Bezos dá uma tremenda lição de empreendedorismo e de inovação a todos aqueles adultos que querem progredir no trabalho: desenvolvam habilidades capazes de produzir coisas novas.

Pense fora do berço, quero dizer, fora da caixa. Quais são suas “caixas de ferramentas”? É sua capacidade de produzir textos? É a sua capacidade de elaborar projetos industriais? É a sua capacidade de curar doenças? É a sua capacidade de programar? Então trabalhe para melhorar cada vez mais no seu ofício.

É esse, em síntese, o recado do Jeff “neném” para os adultos de hoje: se você se esforçar continuamente, se você desenvolver suas forças e virtudes através de trabalho árduo, se você treinar todos os dias e receber feedback constante para corrigir os erros e aprimorar os acertos, você terá um conjunto de habilidades difíceis de serem replicadas pela maioria das pessoas. Seu trabalho, então, será cada vez mais valioso, uma vez que será cada vez mais raro de se achar. Use esse arsenal a seu favor. 😉

2. Tenha um carro que não represente mais do que 10% de seu patrimônio financeiro

Essa regra eu peguei emprestado do leitor SwineOne: o valor do seu carro não deve ultrapassar 10% do dinheiro que você tem investido.

Logo, se você tiver um carro de R$ 50 mil, seu patrimônio investido deve estar na ordem de meio milhão de reais. Se tiver um carro, ainda que usado, que custe R$ 100 mil, então deve ter um patrimônio financeiro de um milhão de reais. E assim por diante.

Qual é o objetivo por trás dessa regra? Controle dos gastos com passivos. Pessoas que gastam muito dinheiro com carros tendem a ter mais dificuldades na acumulação de ativos financeiros, na construção de patrimônio.

Como Jeff Bezos tem USD 90 bilhões “no banco”, fica fácil imaginar que ele deva seguir a regra.

E, pesquisando no Google sobre o carro que Jeff Bezos dirige, me surpreendi com o “achado”:

Bezos

What? Jeff Bezos dirigindo um Honda ano 96!?

Pois é, enquanto a segunda pessoa mais rica do mundo dirige um carro produzido no século passado, seu vizinho falido, quebrado e endividado roda por aí com uma SUV financiada em 60 prestações mensais que custa 10x mais que o carro de Jeff… cosas della vita... 😉

3. Você se arrependerá mais das coisas que não fez, do que das coisas que fez

O arrependimento é um sentimento comum a todas as pessoas. Todos nós nos arrependemos de coisas que ocorreram no passado, que poderiam ter sido diferentes se tivéssemos feito ou não feito, isso ou aquilo. Isso é realmente natural e intrínseco ao ser humano.

Porém, Jeff Bezos nos deixa uma valiosa lição: se você tiver em dúvida entre fazer ou não fazer algo, na dúvida, vá lá e faça.

Atualmente, em paralelo ao livro Garra, estou também lendo, ou melhor, ouvindo, o excelente audiolivro Algorithyms to live by, que comprado, por sinal, na Audible, que foi, por sua vez, comprada por Bezos.

Esses dois livros tratam de temas completamente distintos entre si – o livro Garra trata do poder da paixão e da perseverança, ao passo que o livro dos Algoritmos trata da ciência da computação por trás das tomadas de decisões humanas -, porém, em algumas passagens deles, episódios da vida de Jeff Bezos são citados para ilustrar algumas ideias.

No Algorithms to Live By, Brian Christian e Tom Griffiths contam a história de Jeff Bezos, na época em que estava bem sucedido no mercado financeiro. Empregado de uma grande firma em Nova York, com salários e bônus polpudos, ele resolveu abandonar tudo para abrir uma livraria virtual do outro lado dos EUA, em Seattle, em meados dos anos 90. Ele fez uma aposta de que a Internet daria certo para o mercado de varejo.

Mas as coisas não foram fáceis para ele. O seu chefe lhe dizia que ele iria se arrepender bastante da decisão. Mas Jeff pensava diferente.

Ele ficava se imaginando quando tivesse mais de 80 anos de idade: olhando para trás, ele iria se arrepender mais por ter continuado na empresa e não arriscado, ou por ter aberto a livraria virtual, uma tal de Amazon?

Ainda que hipoteticamente a Amazon fosse um negócio que não desse certo, ele só saberia disso se agisse. Como disse Angela no livro Garra (p. 186):

“Quando você continua buscando maneiras de melhorar sua situação, tem a chance de encontrá-las. Quando desiste de procurar, pensando que não existem, está garantindo que não vai achá-las”.

Quase sempre na vida, quando olhamos em retrospectiva, nos arrependemos mais pelas coisas que deixamos de fazer, pois essa é uma maneira garantida de nunca saber o que teria acontecido se você tivesse tomado uma ação.

Em outras palavras: o custo das omissões quase sempre gera um ônus maior do que o custo das ações, simplesmente porque não sabemos o que teria ocorrido se tivéssemos agido.

É claro que nem tudo que fazemos na vida dá certo, assim como nem tudo que Jeff Bezos fez – e outros bilionários fizeram – deu certo. Jeff lançou uma linha de smartphones que não deram certo. Steve Jobs lançou uma linha de computadores pessoais que foi um fracasso de vendas. Steven Spielberg produziu filmes que não foram um sucesso de bilheteria. Jorge Paulo Lehman não impediu que o Banco Garantia quebrasse.

Mas todos eles aprenderam com os erros, se levantaram, e procuraram trabalhar novamente de modo a não cometer os mesmos erros. E o fizeram porque agiram. É no mundo das experiências práticas que testamos se nossas ideias são válidas ou não. Mais vale um grama de prática do que uma tonelada de teoria.

Olhe para sua vida hoje. Agora, olhe para sua vida daqui a 5 anos. Agora, olhe para sua vida quando você tiver com 80 anos.

Se você tiver a oportunidade de trabalhar, estudar ou empreender ou explorar coisas novas, ou fazer o que quer que seja, nos próximos 5 anos, você se arrependerá mais, no futuro remoto, se tiver agido, ou se não tiver agido?

As respostas a essas perguntas deverão conduzir suas ações nos próximos anos. 🙂

Conclusão

Estudar pessoas de sucesso tem uma vantagem inegável: é possível modelar o comportamento dessas pessoas, aplicando os mesmos princípios em nossa vida.

É o famoso aprendizado por imitação. Criar um ambiente estimulante à criatividade, limitar os gastos com passivos, e fazer as apostas certas, crendo no sucesso de suas ideias, e agindo nessa direção, são algumas das valiosas lições que a vida de Jeff Bezos nos ensina.

Não é à toa que a Amazon hoje vale mais de meio trilhão de dólares, e não é à toa que ela continue prestando serviços cada vez mais úteis às pessoas: porque Jeff Bezos vê “lacunas que precisam ser preenchidas” onde os outros não enxergam nada.


Amazon Air: entregas de encomendas por drones


Amazon Go: supermercado sem caixa e sem filas

Pessoas assim são capazes de criar o futuro onde iremos morar, e são uma forte fonte de inspiração para que nós também possamos evoluir na vida em nossas respectivas áreas de atuação. 😀

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26 Responses to 3 lições extraídas da vida de Jeff Bezos

  1. ANDRE R AZEVEDO 7 de agosto de 2017 at 8:38 #

    Olá Guilherme!

    Parabéns pela pesquisa sobre Bezos! É um cara para se admirar realmente!

    A melhor parte foi sobre o automóvel que ele dirige. Concordo totalmente com ele. O meu não é de 1996 (aliás é bem mais novo, de 2009), mas não me vejo mais trocando de carro no futuro. Ele me atende perfeitamente, tem todo o conforto que eu preciso e está apenas com 50.000km. Ainda vai ficar comigo por muito tempo. E quando eu vendê-lo, vai ser para migrar de vez para o aluguel de carros ou P2P…

    Mas eu confesso que torço o nariz para alguns livros que gostam de contar estorinhas de vida e fazem dessa história, grandes lições de moral. Acho que forçam muito a barra. Esse lance do berço é um exemplo. Crianças são curiosas por si mesmas e podemos dar milhares de exemplos em milhões de crianças do mundo que já tiveram dezenas de fatos em sua vida onde demonstraram curiosidade pelas coisas. Mas a imensa maioria delas não vai se tornar um Jeff Bezos.

    Enfim, não foi porque ele quis desmontar o berço que ele virou o que é hoje. Ele não foi uma criança, um jovem, um empreendedor mais especial do que os demais por causa desse fato especificamente. O conjunto de ensinamentos que ele adquiriu durante toda a sua vida sim.

    Esse tipo de discurso pode até colaborar pelo estresse que alguns pais impingem aos seus filhos, querendo que eles sejam os novos bambambans do mundo. Criam uma expectativa que pode até no futuro, resultar em grandes frustrações.

    Grande abraço e boa semana!

    • Guilherme 7 de agosto de 2017 at 10:36 #

      Oi André, obrigado!

      De fato, Jeff é mais um típico – e não atípico – milionário norte-americano descrito nos livros do Thomas Stanley. Assim como você, esse tipo de pessoa não precisa de um objeto para demonstrar o sucesso. Antes, o sucesso vem das realizações profissionais e pessoais, muito mais do que qualquer pedaço de metal.

      Quanto à questão do berço, na verdade, a autora quis demonstrar mais a importância da atitude da mãe em relação às travessuras do filho, do que do comportamento do filho propriamente dito.

      É que muitos pais reprimem e bloqueiam a criatividade dos filhos, impedindo-os de desenvolverem naturalmente seus imensos potenciais criativos. Isso foi, inclusive, objeto de um artigo aqui no blog, publicado em seus primórdios – http://www.valoresreais.com/2010/05/13/por-que-voce-diz-as-suas-criancas-que-elas-estao-%e2%80%9cfazendo-arte%e2%80%9d/

      O desmonte do berço foi apenas um dos inúmeros exemplos citados pela autora do livro para demonstrar que a mãe de Jeff, em vez de reprimir as atitudes criativas do filho, o incentivava. Esse é o ponto: ela jamais imaginaria que o filho dele iria se tornar quem ele é hoje, nem ficou criando expectativas exageradas sobre o futuro dele a partir dessas curiosas atitudes. Ela apenas deu o impulso certo, fornecendo-lhe um ambiente favorável e estimulante para inventar soluções – e se divertia com isso.

      Eu até pensei em transcrever um trecho mais longo dessa passagem do texto dela para tornar isso mais detalhado, mas o texto iria ficar muito longo.

      Em suma: olhando isoladamente o exemplo do desmonte do berço, sem a devida contextualização em que foi inserido, realmente daria a impressão de que esse livro estaria querendo passar uma lição de moral.

      Mas na verdade ele foi apenas uma ponta de lança para o que viria a ser o Jeff hoje, como você bem disse: “O conjunto de ensinamentos que ele adquiriu durante toda a sua vida sim”.

      O livro da Angela é ótimo, essa semana eu terminarei de lê-lo, e fornece muitos exemplos práticos do poder da garra e da determinação – e ela fala muito sobre a criação de filhos de maneira a cultivá-los para serem adultos responsáveis e capazes de superar os reveses da vida. Não é à toa que ele virou um best seller no New York Times e na própria Amazon.

      Abraços, e ótima semana também!

      • ANDRE R AZEVEDO 8 de agosto de 2017 at 8:08 #

        Sim, Guilherme, pode ser lido dessa forma também.

        Meu comentário deveu-se mais pelo parágrafo seguinte, onde diz que Jeff deu uma grande lição de empreendedorismo e inovação com 36 meses de vida. E posteriormente, o “recado” e a lição que o neném dá para todos nós, adultos 🙂

        De fato, estimular a criatividade dos filhos é algo muito significativo e pode ajudar ele a se tornar uma grande pessoa. Mas esse tipo de literatura (não conheço especificamente esse livro, mas já li muuuitos) cria uma ideia de causa e consequência, que não acho válida.

        Os fatores de sucesso são inúmeros e eles passam a ideia de que uma situação ou outra determinaram isso e aquilo. Há muitas outras variáveis e o fator “sorte”, o fator “local de nascimento”, o fator “época de nascimento”, e muitas decisões que a pessoa toma no decorrer da vida, nunca podem ser negligenciado. Provavelmente vc já leu o livro Outliers.

        Enfim, o que eu quero dizer é que vejo esse tipo de ações isoladas, contadas nesse tipo de livros, com um pouco de “exagero” e penso que há coisas muito mais determinantes do que essas ações isoladas para o sucesso pessoal.

        Grande abraço!

        • Guilherme 8 de agosto de 2017 at 13:35 #

          Olá André!

          Concordo com o fato de que ações isoladas não constroem o sucesso de ninguém. Na verdade, é uma reiteração de práticas e condutas que acaba modelando o sucesso ou o insucesso de uma pessoa.

          No caso específico do livro da Angela, as histórias contadas sobre episódios nas vidas de certas pessoas na verdade apenas reforçam os estudos e as teses defendidas por ela, que estão, aliás, muito mais embasadas em inúmeras pesquisas científicas conduzidas com milhares e milhares de alunos e pessoas.

          São pesquisas avalizadas por importantes universidades dos EUA, e que têm, portanto, aval científico e metodologia específica (ela foi aluna de Martin Seligman, e trabalhou com Adam Grant, Mihaly Csikszentmihalyi, Carol Dweck, dentre outros); além de muitas outras pesquisas terem sido financiadas por fundações privadas – ela conta inclusive que uma dessas pesquisas foi financiada por nada mais nada menos do que a Fundação Bill e Melinda Gates.

          O interessante é que livro narra determinadas histórias pessoais e casos ocorridos com determinados indivíduos como ilustrações e reforço das teses apresentadas. Não vi em nenhuma passagem do livro a intenção dela de se apoiar no “acontecimento X com a pessoa Y'” como determinante para o sucesso da pessoa.

          Sim, eu li o livro do Outliers, tanto que fiz uma resenha no blog: http://www.valoresreais.com/2010/10/10/resenha-fora-de-serie-outliers-de-malcom-gladwell/

          No entanto, se há muitas variáveis que não podem ser controladas, como fator sorte, ano de nascimento, local etc., há muitas outras que podem ser adquiridas, aperfeiçoadas e consolidadas pelas pessoas. É possível vencer barreiras naturais com os ingredientes certos, e para isso é preciso usar o que a ciência tem de melhor e o que está à nossa disposição, a nosso favor, independentemente da existência de barreiras naturais e condições adversas.

          Abraços!!!!

          • 8 de agosto de 2017 at 21:37 #

            Muito boas reflexões como sempre, só lembrando que o Jeff poderia estar se locomovendo com um automóvel mais seguro, com air bag em todos os cantos, abs, câmera no retrovisor direito para elimina o risco de ponto cego, etc. Tem hora que a economia é exagerada demais. Sobre a relação carro/patrimônio, 1/10 para mim ainda é muito, 1/20 seria mais coerente. Mas vai falar isto com os brasileiros, cuja relação é 10/1, rs.

            Abraço!

            • Guilherme 9 de agosto de 2017 at 14:34 #

              Verdade, uÓ, vai ver o Jeff utiliza muito pouco o carro dele……rsrsrs

              • Tatiana 10 de agosto de 2017 at 16:41 #

                Interessante a questão do carro. Realmente precisamos avaliar o contexto. Vi que um rapaz tem um carro de 2009 com 50.000 km. Eu preciso do meu carro para ir trabalhar em outra cidade, em dois anos já rodei 49.000 km. Pego estradas não seguras e motoristas impudentes e avalio o quanto um carro seguro é prioridade para mim. Novamente, depende do contexto e eu não preciso de um carro de R$100.000

                • Guilherme 13 de agosto de 2017 at 9:55 #

                  Verdade, Tatiana, tudo depende do contexto.

                  Uma dica adicional é você avaliar a possibilidade de mudar para a cidade onde trabalha, preferencialmente bem perto do local de trabalho.

                  Atualmente, fazendo umas contas rápidas por aqui, você dirige cerca de 70km a 80km por dia. Isso deve te consumir por volta de 2h a 3h diárias no trânsito, somando os deslocamentos para o trabalho, supermercados, bancos etc.

                  Em termos de combustível, considerando uma média de consumo ao redor de 10km por litro, e com o litro a R$ 4, em 2 anos você terá desembolsado R$ 19.600,00 só a título de combustível.

                  Morando na cidade onde você trabalha, você terá ganhos não só de tempo, mas também de dinheiro.

                  A não ser que o seu trabalho em outra cidade seja a título apenas temporário, eu consideraria a possibilidade de mudança de cidade.

                  Abraços!

  2. Marcos Arcanjo 7 de agosto de 2017 at 9:55 #

    Ótimo artigo

  3. Investidor Inglês (@investidorIn) 7 de agosto de 2017 at 9:59 #

    Excelente Guilherme!

    O bezos deve gostar muito de seu Accord haha! E muito legal a atitude de sua mãe!

    • Guilherme 7 de agosto de 2017 at 10:38 #

      Valeu, II! Sem dúvida, taí mais uma prova da predileção dos milionários norte-americanos por fabricantes asiáticas de carros.

  4. Débora Malveira 7 de agosto de 2017 at 11:52 #

    Olá Guilherme, Bom dia!

    Muitas lições e reflexões nesse artigo, inclusive de situações da semana passada, ouvi uma pessoa dizer: ” seguir vida normal, trocar de carro 1x por ano …” fiquei pensando na referência que ela tinha de vida normal. Mesmo que tenha sido só uma expressão de fala, mas estava ali muito impresso os seus desejos. E quantas pessoas tem referenciais equivocadas em diversos assuntos, a casa ideal, a escola ideal, quando na verdade as necessidades podem ser supridas de outra forma. Ao mesmo tempo não quer dizer que não se deva querer algo maior ou melhor, entende? Mas que faça sentido individual para sua vida incluindo seus valores.
    Gosto muito de aprender com exemplos, inspiração proveitosa mas sem comparação, porque podemos aplicar aquilo que é possível.

    Grande abraço e boa semana à todos!
    Débora Malveira

    • Guilherme 8 de agosto de 2017 at 13:25 #

      Boa tarde, Débora!

      Verdade, muitas pessoas têm referenciais equivocados na vida, e acabam perdendo com isso grandes oportunidades de administrar melhor o dinheiro, de terem uma vida com mais saúde etc.

      E aprender através das histórias dos outros é uma das melhores maneiras de evoluirmos em nossas próprias vidas.

      Abraços!

  5. Anderson 7 de agosto de 2017 at 15:12 #

    Ótimo artigo, Guilherme!

    Quanto ao exemplo da “cama grande”, uma das coisas que me deixa indignado em presenciar é quando um pai/mãe repreende o filho pequeno por ele fazer muitas perguntas. É de uma tolice sem tamanho…

    Quando pequeno, duas atitudes interessantes que meu pai tomava era a de responder a minha pergunta com uma outra pergunta (isso me gerava um desafio) ou comprar coisas ( que à época não imaginava isso, só recentemente eu pude saber) que fossem de acordo com a minha curiosidade; quando eu olhava um mapa ou queria saber onde e qual era o país x, meu pai me trazia, na mesma semana, um atlas ou enciclopédia, e isso para diversas situações diferentes (história, esportes e etc).

    E o desinteresse do Bezos por carros faz parte da visão de vários grandes bilionários, que é o foco nas suas realizações (através de suas empresas) e não em coisas materiais; não que eles não liguem em relaxar num spa de luxo, passar uma semana no Caribe ou outras coisas luxuosas, mas é que não ligam para essas coisas como se fossem uma causa de vida ou necessidade para se sentirem bem.

  6. Rosana 8 de agosto de 2017 at 16:41 #

    Guilherme,

    Admirei a simplicidade dele, por ter um carro ano 96. Assim como Warren Buffet, parece não se importar muito com essas coisas, mas sim com o que é realmente relevante.

    A história do berço é surpreendente! São pessoas com vocação e determinação ímpares, por isso se tornaram o que são.

    Abraços,

    • Guilherme 8 de agosto de 2017 at 21:11 #

      Oi Rosana, exato, isso é mais uma prova verdadeira daquela famosa frase: “você não é o seu carro”.

      Sobre a história do berço, é isso mesmo: determinação e garra fazem toda a diferença!

      Abraços!

  7. Guilherme 8 de agosto de 2017 at 21:18 #

    Olá André!

    Sobre aquela questão de “pais criarem expectativas exageradas sobre os filhos”, acabei de ler um trecho do livro da Angela, que trata exatamente disso. 🙂

    Achei a coincidência incrível, e por isso mesmo resolvi compartilhar aqui (p. 280-281, Conclusão):

    “Muitas vezes me perguntam se incentivar a garra não constitui um desserviço às crianças, ao fixar expectativas altas demais. “Cuidado, dra. Duckworth, ou muitas crianças vão crescer achando que podem ser um Usain Bolt, um Wolfgang Mozart ou um Albert Einstein”.

    Se não podemos ser Einstein, vale a pena estudar física? Se não podemos ser Usain Bolt, para quê dar uma corrida de manhã? Considero essas perguntas absurdas. Se minha filha disser: “mamãe, não vou estudar piano hoje porque eu nunca vou ser Mozart”, responderei: “você não está estudando piano para ser Mozart”.

    Todos nós temos limites, não só em relação ao talento, mas também no que se refere a oportunidades [aqui vem aquela questão dos múltiplos fatores citados por você, com base no Outliers: as limitações derivadas do fator “sorte”, do local em que nasceu, da época em que se viveu etc.]. Entretanto, com mais frequência do que pensamos, nós mesmos impomos essas limitações. Tentamos, fracassamos e concluímos que batemos de cabeça no teto das possibilidades. Ou, talvez, depois de dar apenas alguns passos, mudamos de direção. Nos dois casos, nunca vamos até onde poderíamos ter chegado.

    Ter garra é não deixar de pôr um pé diante do outro. Ter garra é buscar uma meta interessante e significativa. Ter garra é se dedicar, dia e noite, semana após semana, durante anos a fio, a uma atividade desafiadora. Ter garra é cair sete vezes e levantar oito”.

    • ANDRE R AZEVEDO 9 de agosto de 2017 at 9:56 #

      Olá Guilherme! Legal, ela depois esclareceu um pouco mais na conclusão. Tira um pouco da dúvida que eu tinha.

      As atividades que citaste – estudar física, corrida, aprender música, não podem de fato, ser inibidas pelo fato de que as pessoas não consigam atingir a excelência plena em comparação com os melhores do mundo. Concordamos em gênero, número e grau com isso.

      De forma geral, o meu ponto é apenas na forma que tais exemplos são citados em livros de motivação e auto ajuda. Eu ainda acredito que (novamente, em geral) eles passam uma mensagem um pouco distorcida de como as coisas de fato acontecem, e fazem com que até pequenos gestos, tão comuns, sejam uma causa das realizações e sucesso de uma pessoa.

      Sim, garra é importante, mas também é importante as pessoas saberem que muitas vezes a dedicação em uma certa direção não vai dar em nada e seria melhor que ela desista e faça outra coisa. O tempo voa. É mais ou menos aquele provérbio que devemos ter a “garra” para mudar o que pode ser mudado e “serenidade” para aceitar o que não pode e a “sabedoria” para distinguir uma coisa da outra (ou algo semelhante). Essa sabedoria seria justamente para ver se as limitações que vc citou são nossas ou externas. Tais livros me parecem que apostam apenas nas nossas e acabam distorcendo um pouco da realidade.

      No meu último post, eu comentei uma ideia interessante de um livro do Jacob Prety no blog, mas também escrevi “O livro possui algumas ideias interessantes, embora seja um pouco cansativo, uma vez que o autor idolatra incessantemente a Gisele Bündchen e seu pai (pesquisando depois vi que ambos são sócios em alguns empreendimentos literários). Tal veneração cria uma certa deidade em algumas pessoas, que, para mim, torna a leitura um tanto hipócrita.”

      Acho que sou sensível para perceber tais venerações e exageros de causa e consequência em muitas passagens nesse tipo de literatura…

      Desculpe a chatice rsrs

      Abraço!

      • Guilherme 9 de agosto de 2017 at 14:44 #

        Olá, André, ótimos comentários, que sempre enriquecem os debates! Se for assim, que continuem as chatices! rsrsrsrs 🙂

        Concordo com o tom de exagero adotado em muitos livros de motivação e auto-ajuda, dando a impressão de que atos singelos poderiam provocar grandes mudanças.

        Contudo, o livro dela não é de auto-ajuda, mas sim fruto da experiência acadêmica e universitária dela, que tem graduação em neurobiologia por Harvard, mestrado em neurociência por Oxford, e doutorado em psicologia pela Pensilvânia.

        Não cheguei a averiguar se o livro seria o fruto direto da tese de doutorado dela, mas tudo indica que, se isso tiver ocorrido, ela provavelmente reforçou a tese com exemplos de casos reais, para tornar o livro mais, digamos assim, “palatável” ao público leigo.

        Prova de que ela não distorce a realidade foi o fato de, após seu trabalho ter sido divulgado amplamente na mídia, muitas pessoas, de professores universitários a astros dos esportes, terem-na procurado para contar seus casos pessoais de “garra”.

        Quanto à sua afirmação:

        “Sim, garra é importante, mas também é importante as pessoas saberem que muitas vezes a dedicação em uma certa direção não vai dar em nada e seria melhor que ela desista e faça outra coisa.”

        É exatamente o que ela defende no livro. 😉 Prova disso é o exemplo pessoal, em relação a uma de suas filhas, que experimentou 4 ou 5 atividades extracurriculares antes de se firmar em apenas uma. 🙂

        Em resumo, a literatura que ela venda não é a de auto-ajuda, embora possa dar essa impressão à primeira vista. Eu a situaria melhor na mesma prateleira dos livros de Martin Seligman, Mihaly Csikszentmihalyi, e Carol Dweck.

        Abraços!

        • ANDRE R AZEVEDO 10 de agosto de 2017 at 9:00 #

          Legal Guilherme! Já coloquei aqui nas próximas leituras e na lista de desejos da Amazon. Muitas vezes eles oferecem promoções para a gente dessa lista rsrs.

          Dica aos leitores: o livro em português está bem mais barato do que o livro em inglês comprado na Amazon USA.

          Abraço!

          • Marcos Arcanjo 10 de agosto de 2017 at 11:04 #

            No site saraiva utilizando o cupom: LIVROS10 o livro fica em $19,71.

            Fiz o pedido do meu por lá.

          • Guilherme 13 de agosto de 2017 at 9:48 #

            Bom saber, André! Achei uma utilidade para esse lista….rsrssrs

            Abraços!

  8. Marcelo 27 de setembro de 2017 at 14:22 #

    É tranquilo andar com um Honda 1996 quando você tem um jato particular de 60 milhões de dólares.

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