Não gaste sua vida esbanjando riqueza para, ao final dela, omitir sua pobreza

Não deixe para formar patrimônio quando for se aposentar

José é um servidor público com 58 anos de idade e 32 anos de contribuição. Casado, pai de 3 filhos, e com renda bruta mensal de cerca de R$ 15 mil, ele resolveu ir até o setor de pessoal de seu órgão público para tirar dúvidas a respeito de sua aposentadoria.

E ficou perplexo ao saber que, se for se aposentar, segundo as regras atuais, iria receber menos de R$ 10 mil brutos de proventos de aposentadoria. Como assim?

O gestor do setor de pagamentos lhe disse que as perdas salariais, quando se passa para a inatividade, decorrem de várias rubricas remuneratórias que ele não irá levar para a aposentadoria. São gratificações e auxílios que não entram no cômputo do cálculo da aposentadoria: gratificação pelo exercício de uma função comissionada que lhe rende R$ 3 mil mensais, auxílio-alimentação de outros R$ 700 mensais, auxílio-transporte etc. etc. etc.

José ficou pasmo ao saber que várias das parcelas que compõem o seu salário não entram no cálculo da aposentadoria.

Pior: ele tem 2 empréstimos consignados, um na Caixa e outro no BMG, que consomem cerca de R$ 3 mil líquidos mensais, e que ele terá que carregar pelo menos até o início de 2022…

…………………….

Pedro trabalha na iniciativa privada, como empregado ocupante de um alto posto de uma grande multinacional. Tem 60 anos de idade, e 28 de contribuição. Casado, pai de 3 filhos, e com renda bruta mensal de R$ 25 mil, ele também resolveu ir até o RH para tirar dúvidas a respeito de sua aposentadoria.

E, tal qual José, ficou chocado ao saber que ele iria se aposentar somente com R$ 4,5 mil do INSS (não receberá o teto de R$ 5,5 mil por conta do fator previdenciário), e mais R$ 10 mil do fundo de pensão fechado da empresa, totalizando, assim, R$ 14,5 mil.

Sua renda, portanto, irá cair de R$ 25 mil para R$ 14,5 mil.

O problema é que Pedro, se por um lado não tem os 2 empréstimos consignados de José, por outro acabou de começar um financiamento que é de doer qualquer bolso: a compra do automóvel L200-Triton por R$ 150 mil. Financiado.

Outro problema: ele não tem ainda uma casa própria, pois, como a empresa exigia constantes deslocamentos pelo país, ele optou por não comprar casa própria. E a verba de custo para moradia? Ela, que poderia muito bem ser poupada para compra de um imóvel, ou para garantir a formação de renda passiva suficiente para suportar um aluguel mensal, passou a ser gasta com viagens e “experiências” em restaurantes, e consumo de passivos, como carros (uma troca a cada 3 anos), e celulares de última geração (uma troca a cada 10 meses).

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Situações financeiras como as descritas acima não são raras, e evidenciam um dos grandes problemas – e dilemas – para a esmagadora maioria da população economicamente ativa: a dificuldade de formar patrimônio ao longo da idade produtiva.

Quantas pessoas você não conhece que, mesmo tendo uma renda bruta anual superior a R$ 200k, R$ 300k (exemplo: médicos, advogados, executivos de grandes empresas, servidores públicos no topo da pirâmide do funcionalismo), simplesmente detestam falar de investimentos, preferindo gastar rios de dinheiro comprando o último Kia Sportage ou Honda WR-V ou seja lá o que for, e não têm imóvel próprio não por opção, mas por não terem dinheiro mesmo?

Quantas pessoas você não conhece que, mesmo ganhando bem e já tendo, inclusive, idade para se aposentar, continuam trabalhando, não porque gostam, mas porque, se deixarem de trabalhar, e passarem para a dita “inatividade”, perdem diversos benefícios, gratificações etc., de modo a que se veem forçados a continuar trabalhando para poderem arcar com as prestações dos consignados?

Se você é jovem; se você não é tão jovem, mas ainda está no pleno exercício de suas faculdades mentais; se você ainda se considera no auge de sua idade e capacidade produtivas; se você ainda tem um horizonte de mais 20, 30 anos de trabalho, não se deixe sabotar: agora é o momento para construir patrimônio. Para comprar ativos. Ativos de qualidade, que se valorizem a longo prazo, e que possam te auxiliar lá na frente, quando a força das pernas e a força da mente diminuírem, e você se sentir obrigado então a deixar de trabalhar, não por opção, mas por inviabilidade física e mental mesmo.

Agora é a hora. O momento é precisamente esse. Formar patrimônio tem a ver com criar para si uma cultura de educação financeira permanente. Uma educação voltada a criar hábitos saudáveis financeiramente, que se prolonguem por toda uma vida. Receber juros, em vez de pagar por eles. Ser o “proprietário” do banco (por meio de ações), e não o devedor dele. Controlar o dinheiro, e não deixar ser controlado por ele. Não depender tanto do governo para custear sua aposentadoria.

Ninguém estará mais interessado na sua aprendizagem financeira do que você mesmo (post aqui). Faça isso antes que seja tarde demais.

Reconheça a importância dos ciclos de vida para a formação gradual de seu patrimônio

A vida se desenvolve em ciclos. Ninguém nasce médico, advogado, engenheiro, contador, sem antes passar por um intenso e demorado processo de aprendizagem. Ninguém consegue desenvolver as habilidades financeira para se preparar para a aposentadoria financeira se não desenvolver o necessário e indispensável conhecimento financeiro prévio. Ninguém edifica uma casa se não for erguido o primeiro bloco de tijolos. Ninguém consegue consegue construir patrimônio se não aprender a importância de poupar primeiro. O primeiro milhão de reais começa com a atitude de poupar os primeiros dez reais.

Jonathan Clements, no livro How to think about money, aborda com propriedade esse tema, ao dizer, dentre outras coisas, que você deve planejar sua vida por etapas, de modo que as subsequentes sejam uma evolução natural das etapas antecedentes.

Por exemplo – e aqui estamos no campo dos passivos – se você gosta de viajar com conforto e está disposto a pagar esse preço, aja de modo compatível com suas capacidades financeiras no momento “atual”. Quando você é jovem, talvez não tenha condições de arcar com passagens em primeira classe. Não tem problema: comece na classe econômica promocional.

Depois de um tempo, com a evolução de sua renda, e com a evolução de seu patrimônio financeiro, já será possível partir para a premium economy, sem o sacrifício de seu bolso. E, quando estiver mais maduro, e com muito mais renda e patrimônio, poderá usufruir da classe executiva, sem grandes desfalques financeiros – afinal, você se programou para isso.

No campo dos ativos, acontece algo semelhante. Programe a sua vida por etapas, de acordo com as disponibilidades financeiras de cada fase de sua vida. Não dê um passo maior que a perna, ou melhor, que o seu bolso, irá suportar.

Por exemplo, se você for investir em imóveis, certamente no seu início de carreira você estará muito mais bem servido por um pequeno apartamento, como um studio/flat/kitinete, do que por comprar logo de cara um apartamento de 200 metros quadrados, com terraço gourmet (que você nem irá usar), brinquedoteca (para filhos que você não têm) e salão de beleza (para o cônjuge que você ainda não possui).

Pra quê gastar tanto na compra de um imóvel claramente desproporcional às suas necessidades, se você ainda é solteiro, sem filhos, e ainda por cima tem alta probabilidade de mudar de cidade ao longo de sua carreira? Compre um imóvel menor, e invista a diferença na sua independência financeira. Ou nem compre: simplesmente alugue, como faz até hoje o nosso amigo blogueiro e independentemente financeiramente André Rezende. Em menos de 10 anos de investimentos, você já verá o impacto dessa decisão em sua carteira de investimentos.

Além de tudo isso, veja que o custo de um pequeno imóvel é também mais compatível com a renda e o patrimônio que você acumulou em menos de 5 anos de trabalho, portanto, plenamente mais ajustado à sua fase de vida atual.

Com o passar do tempo, o aumento da renda e o aumento do patrimônio acumulado lhe possibilitarão alçar voos mais altos, dando-lhe condições de comprar um apartamento ou uma casa maior, ou quem sabe, diversificar seus investimentos, comprando terrenos, datas ou lotes, ou mesmo investir no mercado financeiro, comprando ações, fundos imobiliários, Tesouro Direto e fundos de investimentos diversificados.

O que importa, no final das contas, é que você chegue à aposentadoria “oficial” com um patrimônio formado e definitivamente construído e consolidado, até porque, quando você “chegar lá”, a sua renda proveniente do trabalho irá sofrer uma drástica redução ao passar para a inatividade. E aí, meu amigo(a), vai ser tarde demais pra querer começar a comprar ativos e esperar os juros compostos fazerem a sua parte, justamente porque o melhor momento já terá passado. O melhor momento já terá passado.

E isso será tanto pior quanto mais dependente você ficar das fontes públicas, oficiais e tradicionais de aposentadoria, como os proventos pagos pelo RGPS (Regime Geral de Previdência Social), RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), e RPC (Regime de Previdência Complementar, dos fundos de pensão).

O negócio é você aproveitar a maior quantia possível de “sobras financeiras” de seu salário da ativa para investir e diversificar seu patrimônio. E por sobras financeiras leia-se: décimo terceiro salário, férias, horas extras, bônus por desempenho, PLRs, gratificações e todos os demais extras que entram em sua conta, pois você não irá poder contar com eles quando a aposentadoria oficial chegar. Não irá.

As dificuldades de controle do consumo

Mas por quê as pessoas, mesmo as que ganham muito bem, têm tanta dificuldade de construir patrimônio ao longo da vida?

Além de causas mais ligadas à falta de educação financeira desde jovem, há um fator que contribui de modo decisivo para essa falta de comprometimento com o próprio futuro: a necessidade de aprovação social.

Existe um desejo implícito da maioria das pessoas de serem “bem vistas” por outras, e, para que isso aconteça, elas estão dispostas a pagar o preço. Literalmente. Veja o caso do Pedro, por exemplo, que troca de carro a cada 3 anos. Quando ele estaciona a L200-Triton na garagem da firma, ele sente uma enorme pressão psicológica de não ser o “empregado perdedor” da empresa (!!??), já que as garagens vizinhas estão lotadas de SUVs semelhantes, de pessoas que ganham tanto ou até menos do que ele.

A mesma pressão psicológica pode afetar também as mulheres: muitas deles sentem a “necessidade” de gastarem com sapatos, roupas, idas e mais idas ao salão de beleza, tratamentos de beleza etc., não porque efetivamente precisam, mas sim pelo medo de serem objeto de olhares reprovadores por parte de outras mulheres. Quando o que dirige a sua vida é o medo da reprovação social, os gastos tendem a sair do controle.

Jovens profissionais também não escapam dessa nefasto ambiente social. Em muitas rodas de conversa em bares, academias e escritórios, na semana passada, aposto que o objeto central das discussões foi travado em torno do próximo objeto de desejo dos meninos engravatados e das meninas hi tech: o Iphone X. Imagina a situação de uma pessoa que troca de iPhone a cada modelo, desde 2007: pense no custo de oportunidade que se foi perdido ao longo dos últimos 10 anos…

A maioria das pessoas forma o patrimônio errado, que é o patrimônio alheio. Ao contratar empréstimos consignados, você estará formando e engordando o patrimônio do banco (ele precisa disso?). Ao comprar um carro a cada 3 anos, você estará formando o patrimônio das concessionárias e fabricantes de veículos. Ao comprar um celular a cada 10 meses, você estará formando o patrimônio da Apple, da Samsung, e das operadoras de telefonia celular Vivo, Claro, TIM, Oi. A pergunta que eu faço é: o que vai sobrar dessa história toda pra você investir em você próprio? É isso que você quer pra sua vida? Trabalhar uma vida inteira pra, no final das contas, engordar o caixa das instituições financeiras e das multinacionais na inversa e exata proporção em que esvazia a sua própria conta individual?

Outro fator que dificulta muito o planejamento financeiro a longo prazo é a inflação do estilo de vida. Se você teve um aumento de salário de 5%, ou de 10%, de um ano para outro, a vontade imediata – quase que imediatamente realizada – é aumentar os gastos na mesma proporção em que o salário foi aumentado.

Entrou o dinheiro do 13º? Você vai lá e gasta. Entrou o dinheiro das férias? Você vai lá e gasta. Entrou o dinheiro das horas extras? Você vai lá e gasta. Recebeu um bônus da empresa por produtividade? Você vai lá e… bingo! Vai lá e gasta.

Compare seus gastos anualizados de 2016 com os de 2015, e os dos anos anteriores. Se você for organizado a ponto de fazer um registro do seu orçamento doméstico ano a ano, verificará que provavelmente gastou mais à medida que o salário líquido anual também subiu. Isso é praticamente inevitável, pois a nossa tendência natural mesmo é a de ocupar esses espaços de aumento de salário, com os respectivos aumentos de gastos. É a famosa teoria do gás, do Dr. Money, já tantas vezes mencionada aqui no blog.

Portanto, desinflacionar o estilo de vida é tão importante quanto mudar a mentalidade de “necessidade” de aprovação social. É preciso todo um processo de verdadeira reeducação financeira para que você passe a enxergar suas finanças a partir de novas lentes.

Mas atenção: o processo é trabalhoso e não ocorre da noite para o dia. Mas é absolutamente essencial se você quiser chegar aos 60 anos com vigor financeiro e, sim, com uma boa coleção de ativos para te sustentar e te proteger na velhice.

Conclusão

“Não gaste sua vida esbanjando riqueza para, ao final dela, omitir sua pobreza”.

Quanto mais tarde você se conscientizar da importância de construir ativos para lhe proteger na aposentadoria, piores serão as consequências para a sua saúde financeira e mental.

É de conscientização que estamos falando. Chegou a hora de você se conscientizar do enorme problema que está criando para si mesmo ao se negar a gastar seu tempo praticando hábitos financeiros saudáveis.

Sem décadas de educação financeira colocadas em prática, provavelmente você não poderá se dar ao luxo sequer de dar entrada na aposentadoria oficial na primeira oportunidade que surgir (RGPS/RPPS/RPC). Isso porque as perdas salariais serão de tal magnitude que você optará por continuar trabalhando, apenas para postergar/retardar/adiar um problema que poderia ser muito bem evitado, se você não tivesse feito tantos empréstimos consignados, e não tivesse deixado de aproveitar as inúmeras oportunidades para investir e construir patrimônio de verdade que a vida lhe deu quando você tinha 20 e poucos anos, 30 e poucos anos, 40 e poucos anos e 50 e poucos anos, quando você recebia bastante dinheiro por seu trabalho mas, por opção, preferiu gastar ao invés de poupar.

Nada se compara à sensação ruim de chegar à aposentadoria e se arrepender das escolhas financeiras erradas que foram tomadas ao longo de todas as 4 décadas anteriores, décadas essas que poderiam ser mais que suficientes para fazer crescer preciosas galinhas de ouro financeiras (post aqui), mas que você você preferiu esbanjar nas redes sociais, gastando os tubos com viagens, carros, e toda sorte de “experiências” e outros tipos de passivos. Gaste menos tempo postando stories de viagens no Instagram, e gaste mais tempo poupando, economizando, e investindo com sabedoria na acumulação de ativos de valor. Dê uma equilibrada nisso aí, porque a idade chega.

Como esse artigo tratou de ações com impactos a longo prazo, nada mais apropriado do que encerrá-lo com as mesmas palavras que encerraram o artigo escrito em agosto, de temática semelhante (post aqui): crie uma vida diligente.

Seja diligente no estilo de vida: não acredite que você terá aumento todo ano, não acredite que o governo irá garantir o cálculo da aposentadoria, da sua aposentadoria no futuro, com as mesmas regras atualmente vigentes. Adote um estilo de vida que você dependa menos de dinheiro, e cujos recursos físicos, emocionais e espirituais também estejam devidamente “abastecidos”.

Seja diligente nos investimentos: não desperdice a oportunidade de aprender mais sobre finanças. Estude e gaste seu precioso tempo procurando meios e formas de melhor rentabilizar seus investimentos. Conquistar 1% a mais de rentabilidade todo ano em seus investimentos irá fazer uma diferença brutal em seu patrimônio financeiro ao final de 10, 20 ou 30 anos. O estudo em investimentos nunca é desperdiçado.

Finalmente, seja diligente enquanto você está vivo, com saúde e em plena idade produtiva: trabalhe forte. Crie valor com suas habilidades. Seja cada vez melhor naquilo que você faz, pois, quanto melhor você for capaz de fazer, mais difícil será para seu concorrente replicar aquilo que você faz, tornando seu trabalho mais valorizado e mais valioso e, consequentemente, mais bem pago. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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23 Responses to Não gaste sua vida esbanjando riqueza para, ao final dela, omitir sua pobreza

  1. Senhor Bufunfa 18 de setembro de 2017 at 9:25 #

    parabens, excelente post

  2. Cleiton Oliveira 18 de setembro de 2017 at 11:07 #

    Mais um excelente artigo Guilherme, parabéns! Eu era servidor público e trabalhava no RH. Era muito triste quando as pessoas solicitavam a aposentadoria e não acreditavam que teriam que viver com uma renda muito inferior ao da ativa.

    O pior disso tudo, é que elas ficavam muito felizes quando o governo incluía uma novo bônus ou gratificação no salário (maquiando o aumento), porque só pensavam no momento atual, no aumento do poder aquisitivo e do consumo.

    Quando eu reclamava e alertava sobre esses “aumentos”, você deve saber o que acontecia, recebia uma enxurrada de críticas.

    Porém, nunca deixei de alertar e continuo fazendo isso.

    Minha missão, meu propósito de vida. 😉

    • Guilherme 19 de setembro de 2017 at 17:07 #

      Olá, Cleiton, grato pelas palavras!

      De fato, a situação do departamento em que você trabalhava é um espelho e um retrato fiel do que ocorre todos os dias nos órgão públicos.

      Abraços!

  3. ANDRE R AZEVEDO 18 de setembro de 2017 at 16:08 #

    Excelente artigo, Guilherme!

    No momento da leitura estava pensando em tudo que escreveu e fazendo paralelos na minha vida de cargos executivos na empresa que trabalhei. E acontecia praticamente tudo que citou. Confesso que eu mesmo, durante certo período, fui contaminado com essas ideias onde a necessidade de aprovação social é determinante para as pessoas desejarem desfilar com bens cada vez melhores. Essa necessidade, as propagandas e o marketing constroem uma “vergonha” dentro das pessoas onde os bens são vistos como determinantes para essa aceitação.

    Conceitos tão simples são ignorados até mesmo por pessoas inteligentes. Vi muito disso na minha carreira. Necessidade de cuidar da aposentadoria, ser um credor e não um devedor, entender o básico de juros compostos, considerar a inflação… enfim… Sabe? Eu tenho uma grande paciência de ensinar e ajudar a quem me solicita. Mas se depois de todo o conhecimento passado a pessoa não mudar minimamente alguns hábitos, ligo o fo*a-se também. Ela passa a ser para mim mais uma pessoa que vai financiar os meus rendimentos. Afinal, eu participo dos lucros do Itaú também rsrsrs

    De qualquer forma, estamos fazendo nossa parte procurando mostrar a racionalidade de um bom planejamento e da revisão de certos hábitos. Esperemos que cada vez mais pessoas unam-se ao nosso modo de viver. Com paz e tranquilidade.

    E obrigado pela citação no momento de decidir entre alugar ou comprar um imóvel! O artigo sobre minha experiência no assunto está aqui, para quem quiser entrar nesse debate: http://www.viagemlenta.com/2016/09/alugar-ou-comprar-um-imovel-minha-experiencia-opiniao-e-bobagens-diversas.html

    Abraço e boa semana!

    • Guilherme 19 de setembro de 2017 at 17:09 #

      Oi, André, obrigado.

      De fato, assim como o disse o Cleiton linhas acima, é de nosso interesse ajudar as pessoas que elas podem resolver seus problemas mudando a mentalidade, bem como os hábitos financeiros.

      Infelizmente, porém, ocorre que a maioria prefere ficar onde está, para depois colher os frutos das omissões. Triste essa realidade, mas pelo menos saímos de consciência tranquila, de que fizemos a nossa parte.

      Boa semana também!

  4. Michael 18 de setembro de 2017 at 17:00 #

    Artigo iluminante, e inspirador!

    Leitor por 5 anos do seu blog eu acredito este post um dos melhores ate agora Guilherme.

    Teoria e pratica perfeitamente integradas – com exemplos instrutivos para ilustrar.

    • Guilherme 19 de setembro de 2017 at 17:11 #

      Obrigado, Michael!

      E fico feliz que seja um leitor de longo prazo do blog! Meia década!!!

      Abraços!

  5. Isabela 18 de setembro de 2017 at 17:40 #

    Ótimo post e sob a ótica privada e pública, melhor ainda!
    Parabéns, Guilherme! Sempre leio os posts, só não comento em todos…

    • Guilherme 19 de setembro de 2017 at 17:11 #

      Valeu, Isabela, grato por comentar (sua participação sempre é bem-vinda!).

      Abraços!

  6. André Norbim 18 de setembro de 2017 at 18:48 #

    Mais um belo texto. O blog viagem lenta é fantástico. Valeu pela indicação. Continue seu ótimo trabalho. Boa semana!

    • ANDRE R AZEVEDO 19 de setembro de 2017 at 13:15 #

      Fico contente de gostar do Viagem Lenta, André!

      Obrigado!

    • Guilherme 19 de setembro de 2017 at 17:13 #

      Obrigado, André, e é verdade, o blog do A. Azevedo é fantástico!

  7. Funcionário Público Investidor 19 de setembro de 2017 at 11:56 #

    Mais um excelente texto Guilherme.
    É muito válida essa chamada à reflexão.
    Vejo que os funcionários públicos, em especial, confiam demasiadamente na possibilidade de se aposentarem com o “salário integral”. Que erro!

    Obrigado por mais esta contribuição

    Sucesso
    Abc

    • Guilherme 19 de setembro de 2017 at 17:13 #

      Valeu, FPI!

      Tem razão, é um risco enorme depositar a confiança no governo.

      Abraços!

  8. André Carmona 22 de setembro de 2017 at 15:56 #

    Prezado Guilherme,

    Sou um dos seus milhares de leitores anônimos, já acompanhando esse blog há uns bons 4 anos. Hoje, pela primeira vez, tomo a palava.
    Vou te sugerir uma leitura, algo além do círculo sobre investimentos e finanças pessoais, e que se refere a esse ‘ato de esbanjar’ que tu correta e constantemente alude.
    É de um economista de nome Thorstein Veblen, que escreve na virada dos séculos XIX e XX. É certamente um dos maiores de todos os tempo. Foi um dos patronos de um modo de pensamento econômico, a que hoje nos referimos como Velha Economia Institucional, e que foi dominante nos departamentos de economia americanos até a Segunda Guerra Mundial.
    É ele que faz uma das interpretações mais originais sobre essa prática do consumo conspícuo, o que modernamente chamamos de ‘consumismo’.
    Pois bem, a dica de leitura refere-se a sua obra mais famosa, um pequeno ensaio, ainda que algo denso, de 200 páginas. Chama-se “A teoria da classe ociosa: um estudo econômico das instituições” Foi publicado em 1898.
    Creio que apreciarás a leitura.

    Um grande abraço

    • Guilherme 24 de setembro de 2017 at 10:07 #

      Muito obrigado pelas palavras, André!

      Gostei muito da sua sugestão de leitura. Certamente irei aproveitá-la. 🙂

      Abraços!

  9. Anônimo 23 de setembro de 2017 at 14:37 #

    Ótimo texto.

  10. 24 de setembro de 2017 at 16:40 #

    Excelente texto Guilherme!! Desde que comecei a me educar financeiramente, tirei minha vida do automático a passei a analisar produtos e serviços que consumia, eliminando tudo o que era sub utilizado ou que simplesmente não fazia sentido ter. Desde o ano passado mantenho uma planilha com todos os gastos do meu carro. É claro que fiquei surpresa com os valores. Esse mês decidi fazer o teste de andar apenas de uber e de carona com o marido. Após muitos cálculos e um período de experiência (porque é muito diferente ter as contas apenas no papel sem vivenciar aquilo na prática e ver realmente como a vida vai se dar sem o automóvel) decidi me desfazer do meu carro. Meu marido me apoiou mas estou enfrentando muitas críticas por parte dos meus pais. Primeiro eles acharam que eu estava precisando de dinheiro. Depois não entendiam como eu iria me desfazer de um “bem”, que eu iria gastar esse dinheiro, que depois não conseguiria comprar outro carro. Expus meus argumentos para eles, mas não os convenci. E nem pretendo mais. No começo fiquei incomodada de ter que ficar justificando minhas ações, mas vou deixar pra lá pois o tempo mostrará as consequências das minhas escolhas (e meus investimentos gordinhos agradecem!!). Abraços!!

    • Guilherme 24 de setembro de 2017 at 19:46 #

      Excelente depoimento, Cá! Parabéns pela atitude! Realmente, é muito difícil convencer, para quem vive dentro da Matrix, que as nossas escolhas financeiras são pautadas e definidas após um longo e árduo processo de reflexões, acúmulo de experiências, e ponderação dos custos e benefícios.

      No final das contas, é melhor mesmo não ter que ficar justificando suas ações. Você está no caminho certo. Continue assim, firme e decidida!

      Abraços!!!

  11. Vania 26 de setembro de 2017 at 19:04 #

    Excelente post, Guilherme! Na verdade até voltei pra reler hoje, em função dessa parte dos “ciclos da vida”, que muitas vezes não são levados em consideração no plano de vida das pessoas.
    Nos dois exemplos que vc citou no post, se essas pessoas tivessem sido medianamente previdentes durante sua fase mais produtiva, elas estariam numa ótima situação.
    Embora a renda caia após a aposentadoria, também algumas despesas caem. Os filhos já devem ser independentes a essas alturas, faculdades já foram pagas, intercâmbios já foram feitos. Aos 50 e poucos anos, seria muito bom já ter um imovel proprio quitado. Antes a carreira exigia visitas a clientes, idas a congressos e reuniões, alguem tinha que levar as crianças pra escola e pra natação… Na aposentadoria, os dois carros que eram indispensáveis podem se tornar um só, talvez até nenhum.
    A essas alturas da vida, a pessoa não poderia ter financiamento algum, nem dívida alguma. Ao contrário, já deve ter sido feita uma ótima reserva financeira. Talvez não para viver integralmente dela, mas pra servir como reserva mesmo, como segurança, enfrentar imprevistos.
    Mesmo após a aposentadoria, é possivel conseguir pequenos trabalhos, consultorias, montar negócios virtuais, coisas que não darão rendimento suficiente para bancar todas as despesas da casa, mas darão um belo complemento.
    Considerando isso tudo, parece-me que uma aposentadoria liquida vamos dizer de $10.000,00 é perfeitamente capaz de garantir uma boa vida a um casal na maturidade.
    Considero que a queda de renda no ultimo ciclo da vida é esperada, devemos contar com isso. A pessoa que passará de $15.000,00 para $10.000,00 não deveria demonstrar surpresa. O executivo que passa de $25.000 para $14.000 deveria estar feliz. Claro que isso só é possivel qdo essas pessoas tenham levado uma vida em que se gastou sempre menos do que se ganhou.

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 22:32 #

      Obrigado, Vania, e excelentes comentários também!

      Gostei bastante da sua observação: as despesas gerais também tendem a cair bastante quando se passa à inatividade.

      O fato de o Brasil pós-1994 ter alcançado um grau de estabilidade econômica que se manteve constante proporciona às pessoas, finalmente, a chance de cultivarem uma programação financeira de longo prazo.

      Não que antes não fosse possível: é que a partir de então as coisas ficaram bem mais fáceis, ou menos difíceis.

      Ter um planejamento financeiro adequado a cada momento de vida se torna, assim, crucial. Além das despesas que diminuem, citadas por você, acrescento ainda os gastos com roupas de trabalho, combustível (deslocamentos), e seguros de vida e de acidentes pessoais (que diminuem de importância à medida que a pessoa vai adquirindo patrimônio).

      Com todo o instrumental disponível atualmente, é bem possível “chegar lá” pronto financeiramente para curtir a vida com mais liberdade e menos preocupações em relação ao dinheiro.

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