Crie o hábito de formar patrimônio com esses 3 investimentos

Uma das maiores dificuldades de se investir e formar patrimônio consiste no próprio hábito de investir: de não só fazer sobrar dinheiro no final do mês, mas, principalmente, de utilizá-lo e de direcioná-lo para investimentos, de forma contínua e, preferencialmente, todos os meses, ao longo de mais de 5 anos, sem parar.

Não basta ter as sementes de dinheiro: é preciso plantá-las em solo fértil e produtivo, para, com a mágica dos juros compostos – e sem a tirania dos custos compostos -, você conseguir realizar todos os seus objetivos não financeiros.

O artigo de hoje se propõe a mostrar 3 investimentos muito úteis quando se trata precisamente disso: da criação do hábito financeiro saudável. Daquele direcionado para produzir ativos. De criar riqueza para si, e não para os outros. De fazer nascer para você a necessidade boa e positiva de ter que preencher a ficha “Bens e direitos” da declaração do imposto de renda. Mas, principalmente, de investir todos os meses, ao longo de várias décadas, visando a um objetivo concreto.

O que esses 3 investimentos têm em comum? O fato de serem, por um lado, polêmicos, no sentido de muitos não os considerarem investimentos, ou, pelo menos, bons investimentos. E, de outro lado, o fato de serem fáceis de se entender, não requerendo, em boa parte dos casos, a intervenção humana proativa para se concretizarem.

Dito isso em outros termos: são investimentos livres de barreiras passivas, já que “acontecem” sem passar pelo filtro de sua vontade. Já dizia o poeta que “dinheiro na mão é vendaval”, e esses 3 investimentos são peculiares por muitas vezes saírem diretamente do salário para o investimento, sem passar pelas suas mãos.

Imóvel próprio

Taí um tipo de investimento que sempre rende bons debates. Casa própria é investimento? Vale mais a pena comprar um apartamento, ou viver de aluguel? Existe uma bolha imobiliária no Brasil? Ela já estourou ou vai estourar? O mercado de imóveis irá mesmo se recuperar rapidamente? Teremos outro boom imobiliário?

Vou deixar toda essa polêmica de lado, pois é alheia aos objetivos principais desse texto (embora, é claro, vocês possam debater na caixa de comentários 😉 ), e me fixar no objetivo do imóvel próprio como criador de um hábito financeiro positivo para formar patrimônio.

Muitas pessoas só conseguem ser disciplinadas na formação de patrimônio se houver a vinculação de parcela do salário à compra de um imóvel, pois o dinheiro sai diretamente do salário e vai, geralmente via débito automático, para o pagamento das prestações da casa própria. O fato de você ficar “preso” a um financiamento, se por um lado não é tão bom quanto pagar o imóvel à vista, por outro tem o efeito de te forçar a construir patrimônio sem passar pelo centro de sua vontade. Nesse caso, o ótimo (pagar o imóvel à vista) é inimigo do bom (pagar em prestações).

E mais: grande parte da população brasileira só consegue formar patrimônio tangível através da casa própria. É verdade que existem, na Internet, diversas simulações mostrando que se você investir “x” reais, ao longo de 15 anos, terá, ao final do período, um valor “y” de dinheiro, valor esse que seria maior do que aquele valor que viesse a ser investido em prestações na compra de um imóvel, mesmo contando com a valorização do imóvel etc.

Na teoria, é tudo muito bonito, mas na prática… quantas pessoas nós conhecemos que fizeram isso? Que mantiveram aportes regulares num investimento “x” ao longo dos últimos 120 meses, de forma ininterrupta, sem saques nem resgates?

A maioria das pessoas que têm dinheiro na mão, mesmo as mais disciplinadas, vivem mudando de estratégia a cada novo refinamento de pensamento em suas estratégias de investimentos.

Isso não é errado, pelo contrário, é até recomendável, pois uma maior dose de estudos normalmente significa melhores investimentos. Porém, isso demonstra a extrema dificuldade de se manter um investimento com regularidade ao longo de vários anos.

Embora o investimento em imóveis, principalmente o imóvel próprio que não gera juros e funciona mais como um redutor de despesas (pela desnecessidade do pagamento do aluguel), possa não ser tão atrativo a longo prazo quanto o investimento em ações, e seja tanto pior quanto mais longo for o prazo do financiamento (pelo acréscimo dos juros pagos no financiamento, que podem não superar a valorização do imóvel no mesmo período, ainda mais considerando a atual crise imobiliária), pelo menos ele tem o mérito de desenvolver a disciplina para a formação de patrimônio, e esse ponto não pode ser negado.

Contribuição previdenciária do RGPS/RPPS/RPC/PGBL

De início, cabe salientar que as contribuições previdenciárias para o RGPS (Regime Geral de Previdência Social) e RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) não são investimentos no sentido estrito da palavra.

Pelo contrário, a sua natureza é a de tributos, mas são tributos vinculados a uma finalidade específica: assegurar a sua aposentadoria pública paga pelos cofres estatais.

Ainda nos dias de hoje, a maioria esmagadora da população brasileira “investe” exclusivamente nesse tipo de produto, desconsiderando completamente outras formas de investimentos em sentido estrito, que poderiam muito bem complementar de forma satisfatória os proventos pagos pelos cofres estatais.

Embora seja um tipo de “investimento” que não se pode desprezar completamente, conforme dissemos em outro texto, a contribuição previdenciária tem o mérito de desenvolver também a disciplina na formação de patrimônio, ao exigir que você permaneça contribuindo uma quantidade determinada de anos para conseguir o direito ao benefício da aposentadoria por tempo de contribuição.

Na verdade, é como se fosse uma válvula de escape, ou uma penalidade mesmo, pra quem não tem cabeça para fazer sobrar dinheiro no final do mês (= a maioria da população): já que você não consegue ter disciplina usando o dinheiro do salário, vai obrigatoriamente ser forçado a ter a disciplina usando o seu tempo de trabalho, ou melhor, tempo de contribuição.

E quanto ao RPC (Regime de Previdência Complementar) e o PGBL?

Eles não são, por óbvio, contribuições previdenciárias, já que o dinheiro vai para a gestão privada, e não para os cofres estatais.

Porém, eles também têm o mérito de forçar a criação de uma disciplina financeira na formação de patrimônio, já que te obrigam a pensar e atuar para o longo prazo.

O mercado de previdência privada – PGBL e VGBL – é alvo de ácidas críticas por parte de educadores financeiros, e com razão, pois os produtos são oferecidos ao grande público com pesadas taxas de administração e de carregamento, rentabilidade em geral muito ruim, abaixo do CDI etc.

Porém, todo investimento agrega valor para um certo segmento de pessoas, e atende as necessidades específicas desse segmento. Dentro desse contexto, o PGBL pode também ter a sua utilidade, quando se pensa na restituição do imposto de renda para pessoas situadas na maior alíquota de IR que não têm outras despesas dedutíveis (as quais iria pagar o IR, em vez de receber parte do IR de volta, se usassem o PGBL); quando se pensa no planejamento tributário na sucessão hereditária, em termos de economia de tributos etc.

Além disso, o próprio mercado de fundos de previdência complementar tem melhorado nos últimos 3 anos, com a entrada de gestoras independentes, oferecendo produtos mais baratos e mais competitivos.

Enfim, o PGBL também não é o melhor dos mundos, mas pode ser uma alternativa quando se pensa em termos de formação de patrimônio a longo prazo.

Investimentos programados

Investimentos programados são métodos de aportes com agendamento de débito automático, sem passar pela sua vontade. Num determinado dia do mês, o dinheiro da sua conta vai automaticamente para a compra de ativos, como ações, fundos de investimentos, Tesouro Direto etc.

A maioria dos bancos e corretoras oferecem essa opção, que pode ser uma mão na roda para quem não tem (ou não quer ter) tempo de ficar realizando aplicações financeiras.

O investimento programado mais conhecido é aquele realizado no ambiente do Tesouro Direto:

O investimento programado contempla o agendamento de compras e vendas, a reaplicação automática dos juros semestrais (cupons) e do valor a ser resgatado nas datas de vencimento dos títulos. Representa, assim, mais uma conveniência para você planejar suas finanças.

No caso de novas compras, você pode agendar a compra de um título ou de uma composição de títulos durante o período que determinar. A programação será feita sempre pelo valor financeiro. No agendamento das vendas é possível programar antecipadamente o dia de venda de seus títulos, para qualquer data, pela quantidade de títulos. As transações serão realizadas sob os preços e taxas vigentes no dia previsto para liquidação das operações programadas.

Nesta modalidade você pode direcionar o dinheiro recebido no vencimento de um título ou proveniente de cupom de juros automaticamente para uma nova aplicação, bastando que indique sua opção de compra de um novo título. Além disso, poderá optar por reinvestir tudo ou somente parte dos recursos recebidos.

Até um dia antes da data agendada para a realização da operação, todos os agendamentos feitos poderão ser consultados, cancelados ou alterados. Caso um determinado título envolvido na programação deixe de ser ofertado, você será avisado por correio eletrônico e poderá refazer sua programação. Caso não altere seu agendamento, este será cancelado

As funcionalidades do investimento programado são disponibilizadas de acordo com a opção de cada instituição financeira. Consulte no botão apresentado abaixo, “Instituições Habilitadas”, aquelas que oferecem esse serviço.

Conclusão

Dois ingredientes se destacam na formação de hábitos financeiros positivos para a formação de patrimônio, comuns a todos os investimentos acima citados, e que você já deve ter observado.

O primeiro ingrediente: eles não costumam passar pela sua vontade de querer ou não realizá-los. A prestação do imóvel vai ser debitada automaticamente de sua conta-corrente, e você vai ter que se virar com o que sobrar, pelo resto do mês. A contribuição previdenciária vai ser descontada na fonte (se você for assalariado), não havendo a você outra alternativa senão a de continuar trabalhando para completar o tempo de contribuição, se você quiser receber os proventos do INSS/RPPS/RPC. O investimento programado vai acontecer na data agendada por você, ainda que você, naquele exato dia, esteja viajando.

São as chamadas barreiras passivas, de que já falamos aqui no blog antes (post aqui). Têm como princípio motriz o fato de considerar “dinheiro na mão como vendaval”, exatamente nos termos do que dizia o poeta.

O segundo ingrediente: eles são investimentos vinculados a objetivos não financeiros previamente definidos. São investimentos que se convertem em ativos, em patrimônio: a sua casa (imóvel), a sua aposentadoria (contribuições previdenciárias), a sua liberdade financeira (investimento programado em ações, Tesouro Direto etc.).

Criar o hábito de formar patrimônio é importante, mas, mais relevante do que isso é você ter a noção de que o dinheiro estará sendo empregado apenas como um meio, e não um fim em si mesmo. É para isso que existem os hábitos: para colocar você dentro dos trilhos corretos, que te conduzam com segurança à realização de suas metas.

Os investimentos citados aqui a título de ilustração são apenas alguns exemplos de como você pode fazer o dinheiro trabalhar para você. Com o tempo e com a experiência acumulada, você pode desenvolver diversos outros hábitos que lhe trarão não só estabilidade e até liberdade financeira, mas principalmente o cultivo de uma mentalidade de que dinheiro é, no final das contas, isso mesmo: um meio útil e importante, mas apenas nas áreas em que ele se faz necessário. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

Print Friendly, PDF & Email

, , , , ,

22 Responses to Crie o hábito de formar patrimônio com esses 3 investimentos

  1. Longe do limite 25 de setembro de 2017 at 9:16 #

    Esta facilidade é a principal arma utilizada pelas instituições bancárias para convencerem seus clientes a adquirirem títulos de capitalização, Guilherme.
    Por essas e outras é preciso deixar claro que os exemplos dados acima não podem ser considerados como alternativas de investimento, eles apenas são exemplos de como a maior parte da população investe mal por ter receio – em alguns casos o termo a ser usado é preguiça mesmo – de estudar o assunto.
    A título de curiosidade, a segunda são os sorteios mensais.

    Abraço!

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:22 #

      Olá, LL.

      Como alguns leitores já disseram aqui nos debates, o texto tem como público-alvo aquele segmento de pessoas que estão iniciando agora sua jornada de educação financeira.

      Sempre há produtos mais adequados para certa parcela dos investidores. Cada investimento tem seus prós e contras. Cabe a cada um avaliar aquilo que mais lhe convém.

      E como eu deixei registrado no final do texto, as alternativas de investimentos para ter disciplina não se esgotam nas possibilidades enumeradas no texto. 😉

      Abraços!

  2. SwineOne 25 de setembro de 2017 at 11:04 #

    Respeitosamente me vejo obrigado a discordar da sugestão da compra do imóvel como uma boa forma de investir, especialmente na situação atual.

    Primeiramente, como aludido no texto, os imóveis estão caríssimos. Seria como sugerir a compra de uma NTN-B pagando juros de 3% + IPCA, porque é melhor que deixar o dinheiro parado. Melhor, melhor mesmo é pesquisar bons investimentos.

    Continuando com a questão do preço dos imóveis, podemos dizer que estão caros por uma série de motivos, como por exemplo analisar o aumento dos preços em relação à inflação e ver que houve um sério deslocamento nos últimos ~10 anos (Robert Shiller, no livro “Irrational Exhuberance”, mostra um gráfico do preço dos imóveis e dos índices de inflação nos EUA, mostrando que, a menos na época da bolha, estes acompanharam a inflação; portanto, é essa a comparação correta a fazer). Outra forma, e que seria mais aplicável à situação sob análise, é a péssima relação entre valor de aluguel e valor de compra. Creio que o padrão hoje seja alugar um imóvel por um valor mensal correspondente a 0.3%-0.4% de seu valor de venda, enquanto que mesmo nas épocas de vacas magras como agora não é difícil fazer um investimento render 0.6%-0.7% livre de risco. Isso sem contar fatores que pesam contra a compra de imóveis, como taxas de aquisição (corretagem, ITBI, etc.), liquidez, custo de manutenção (as manutenções mais sérias ficam por conta do proprietário no aluguel), outros custos como fundo de reserva de condomínio e IPTU, possibilidade de sair facilmente do imóvel caso necessário (mudança de cidade ou mesmo de local de trabalho em uma grande cidade, nascimento de um filho exigindo um quarto extra, etc.), depreciação, etc. E, é claro, o fato de ser necessário financiar e você estar na ponta pagadora e não recebedora de juros. Pessoalmente, enquanto a razão valor de aluguel mensal/valor de venda não ultrapassar 1%, vejo que a aquisição do imóvel seria financeiramente desvantajosa.

    Porém, o que vejo como a pior consequência de comprar um imóvel é que você ficará escravizado pelos próximos 35 anos, pagando um valor astronômico por um bem que já não valerá mais tanto quanto você pagou por ele, e ainda por cima pagando juros pelo financiamento feito para a compra. Ao terminar de pagar o financiamento, você já estará à beira de se aposentar, e esta para mim é a grande tragédia: você passar sua vida produtiva inteira com uma âncora amarrada à perna, sugando todo o dinheiro que você poderia estar investindo e formando um patrimônio substancial. Ao terminar de pagar o imóvel, você terá pouco tempo de trabalho sobrando para juntar dinheiro para a sua aposentadoria, pois nunca sobrava nada para investir durante o pagamento do financiamento, dado que você estava pagando uma parcela mensal que muitas vezes corresponderia a 3 ou 4 vezes o valor do aluguel. Tudo bem, você chegará à velhice com uma despesa a menos (a do aluguel), mas o preço pago por isso é que todas as demais despesas terão que ser pagas com o dinheiro do INSS, e que certamente será muito menor em valores corrigidos do que o valor que os aposentados recebem hoje, para que a conta da previdência possa fechar.

    Concordo que é raro ter a disciplina financeira de investir para posterior compra do imóvel (isso se em algum momento voltar a valer a pena — e se não acontecer, qual o problema de ficar no aluguel o resto da vida? As objeções são puramente emocionais e não econômicas). Vejo que uma alternativa menos pior nesse caso seria adquirir um consórcio. As taxas são menores que o financiamento, e como você dificilmente irá ser sorteado de imediato, você acaba sendo obrigado a esperar pela normalização do mercado imobiliário, pois a situação em que o mercado se encontra é absolutamente insustentável a longo prazo. Se, além do consórcio, você ainda investir uma quantia mensalmente, poderá juntar um valor para ser dado a título de lance caso encontre uma excelente oportunidade.

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:34 #

      Swine, excelentes seus comentários.

      Concordo com a sua discordância. 😉 Seus argumentos são bem coerentes, e demonstram bem a atual situação em que se encontra o mercado imobiliário. Destaco ainda outros pontos relevantes que considero oportuno mencionar:

      – A Caixa acabou de aumentar a exigência de, no mínimo, 50% de entrada para financiamentos imobiliários. Ou seja, para um imóvel de R$ 500k, o sujeito deve ter condições de dar uma entrada de R$ 250k. A Caixa vai financiar no máximo 50%. Isso joga um tremendo balde de água fria no já combalido e quase parado mercado imobiliário, criando dificuldades ainda maiores para os compradores. Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2017/09/22/caixa-economica-federal-reduz-de-60-para-50-teto-de-financiamento-para-imoveis-usados.htm

      – Boa parte das construtoras estão à beira da falência. Há algumas que perderam 99% do valor de mercado em Bolsa, o que bem demonstra que o Brasil vivia – ou ainda vive – uma bolha imobiliária;

      – Os vendedores não conseguem vender os imóveis. Nesse ano, os preços anunciados de venda já caíram 6 meses consecutivamente: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/precos-de-imoveis-caem-pelo-sexto-mes-consecutivo-aponta-fipezap/ Valendo lembrar que é o preço anunciado de venda, não o preço fechado, que é menor ainda, pois o mercado tá nas mãos do comprador;

      Enfim, são vários os fatores que apontam que há sim investimentos melhores.

      Mas então por qual motivo decidi colocar o item 1 como alternativa para criar disciplina em investimentos?

      Exatamente pelos motivos expostos pela leitora Vânia: diferentes pessoas têm diferentes necessidades na vida, e o imóvel próprio pode funcionar como um catalisador para uma vida financeira mais organizada, nos precisos termos narrados pela Vânia. 😉

      Abraços!

  3. ANDRE R AZEVEDO 25 de setembro de 2017 at 14:51 #

    Guilherme, muito bom o debate!

    Como os leitores acima disseram, eu também concordo que o exemplo do imóvel e das aplicações automáticas não são as melhores formas para vencer no mercado financeiro. Mas ficou muito claro o objetivo do artigo: se o “ótimo” é inacessível em função de falhas na educação financeira, ou devido à falta de razão no consumo, é melhor o “bom” (ou o “médio”) do que o gasto em bobagens.

    Concordo com suas posições no primeiro e terceiro item, mas no segundo… sei não… não confio no INSS a longo prazo. Acho que será um dinheiro quase que totalmente perdido. De qualquer forma, esse item se diferencia um pouco dos demais por ele ser obrigatório para quem possui carteira assinada. Não é uma opção. E caso o contribuinte seja autônomo e contribui para o INSS, acho que ele não está fazendo uma escolha muito diferente do que o consumo irresponsável. Esse é o meu ponto de vista rsrs.

    Por fim, no artigo que publiquei hoje, veio naturalmente no texto o termo “valores reais”. Não pude deixar de lembrar do seu blog e fazer uma pausa e homenageá-lo. Você e seu blog merecem!

    Abraço e boa semana!

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:36 #

      Olá, André, obrigado!

      Exato, o objetivo texto é mais dirigido para os principiantes e leigos em educação financeira, a começarem a pavimentar o caminho para a educação financeira. É claro que, com o aumento da inteligência financeira, novos e melhores produtos passam a ser adquiridos.

      Sobre o recolhimento da contribuição, de fato, autônomos ainda conseguem ter alguma margem, margem essa que inexiste para os empregados e servidores públicos.

      E muito grato pelas palavras e pela citação no Viagem Lenta!!!

      Abraços!

  4. Marcos Arcanjo 25 de setembro de 2017 at 15:01 #

    Gostei do artigo.

    Um bom exemplo de aplicação automatica é encontrado na Rico que permite a aplicação programada em ações a partir de $100 ao custo de 0,5% do valor aplicado.

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:37 #

      Olá, Marcos, obrigado, e excelente contribuição também!

  5. Isabela 25 de setembro de 2017 at 16:39 #

    SwineOne concordo com tudo o que você escreveu.
    Confesso que quando li o artigo hoje de manhã fiquei pensando no que o Guilherme escreveu, no que ele quis falar quando escreveu este artigo, pois eu também sou totalmente contra estas três formas que ele indica como meios de juntar dinheiro.
    Acontece que relendo algumas vezes o artigo, comecei a entender o que Guilherme quis dizer…rsrs
    Ele escreveu este artigo para pessoas mais leigas em finanças pessoais e para pessoas que não conseguem fazer o dinheiro sobrar no final do mês.
    Então a solução de “obrigar” alguém (que ele mesmo diz e eu concordo: ser a maioria da população) a poupar e a ter um patrimônio no futuro é utilizando estas formas.
    Assim como o SwineOne, eu também acrescentaria o consorcio como forma de “juntar um dinheiro” (para aqueles que não conseguem se pagar primeiro), inclusive, com menos juros do que o financiamento da casa propria.
    No começo da minha vida eu entrei num financiamento bancário da Caixa e foi terrível, experiência inesquecível.
    O valor da parcela era tipo 1.200,00 e só de juros e encargos era algo em torno de 800,00. Ou seja, eu pagava 1.200,00 e só abatia 400,00 do valor que tinha pego no banco.
    Comecei a ver que tinha feito uma péssima escolha e optei em vender meu carro e outras coisas para quitar este financiamento maldito que havia feito o quanto antes! Via o meu dinheiro indo para o ralo e aquilo me deixava transtornada.
    Melhor morar em um apto menor e ter a disciplina e a força de vontade de juntar dinheiro para sair para um maior, do que sair logo para o maior e pegar um financiamento bancário. Essa desastrosa experiência foi a pior coisa que fiz na vida! Graças a Deus resolvi essa questão em um ano, ao invés de 35 anos.

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:40 #

      Olá Isabela!

      Então, você captou bem o “público-alvo” do texto: pessoas que têm uma enorme dificuldade de formar patrimônio, que não conseguem ver mil reais sobrando na conta-corrente que correm pra primeira loja para gastar…..rsrs

      Gostei muito do seu exemplo pessoal do financiamento bancário! De fato, é horrível a sensação de pagar as prestações e ver que a maior parcela dela é formada só de juros. Ainda bem que você resolveu o lance o quanto antes!

      Abraços!

  6. Socrates 25 de setembro de 2017 at 18:14 #

    Poupar é um habito é difícil de forma-lo quando você o não tem, eu formei o meu com velha poupança programada, o dinheiro entrava na poupança e retirava para pagar contas, foi assim varias vezes e meses até do dia eu não precisei mais do dinheiro da poupança, depois investir no tesouro direto, mas adiante veio ações.Ultimo mês poupei e investir 40% do meu salário nem eu acreditei nisso e minha paz de espirito só melhorou.

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:41 #

      Excelente depoimento, Sócrates!

      Prova o valor das aplicações programadas no decorrer do tempo, para a formação de bons e saudáveis hábitos financeiros!

  7. Vania 26 de setembro de 2017 at 11:19 #

    Vejo que este é um post bastante polêmico… Há várias opiniões. Vou dar tbem a minha: concordo plenamente com os dois primeiros pontos, e não com o terceiro.
    Todo mundo concorda que não se deve seguir a manada. Isso vale para comprar a casa propria a qualquer custo. E tambem vale para não comprar, simplesmente pque o pensamento dominante é que não vale a pena comprar, e isso tbem é seguir a manada. Bom, na minha visão compensa comprar sim. Na verdade há um enorme espaço, infinitas possibilidades entre alugar para todo o sempre, e comprar financiado por 35 anos comprometendo toda a capacidade de poupança durante esse tempo. Na prática, um imovel comprado com uma boa entrada e financiamento por 15 anos, em valores que não eliminem a capacidade de poupança da pessoa podem ser realmente muito bons. Especialmente para as pessoas que tenham FGTS para usar de vez em quando.
    Ao fazer a opção da compra, é preciso levar algumas coisas em consideração: a pior escolha é o imovel na planta, oferecido no stand da construtora. Esse está no pico do preço, e exigirá muito investimento para se tornar habitável. A melhor escolha é o imovel usado, num predio antigo e bem cuidado.
    Ao fazer as contas, é preciso levar em consideração que, depois de quitado o financiamento de 15 anos, a capacidade de poupança da pessoa se torna muito maior, o custo de vida se torna muito baixo, coisa que pode ser particularmente interessante após os 50 anos, quando a capacidade produtiva começa a decair, e junto com ela a geração de renda pelo trabalho.
    Quanto ao recolhimento da Previdencia oficial, o INSS, acho que até dispensa maiores comentários, de tão claras que são suas vantagens. O assunto foi inclusive abordado num outro post do Guilherme, mais ou menos recente, com comentários bastante ricos e elucidativos.
    Apenas o terceiro ponto eu chegaria a discordar. Escolher onde alocar o aporte do mes, analisar a rentabilidade do que já foi investido nos meses/anos anteriores, isso tudo vai ajudando na qualificação do investidor, no seu conhecimento. Investimentos automáticos não contribuem com o aprendizado. Pelo mesmo motivo, acho ruins esses Apps que automaticamente vão classificando suas despesas, fazendo planilhas e gráficos. Acho que esse trabalho, sendo feito manualmente, numa prosaica planilha de Excel, nos faz prestar atenção, atentar para cada despesa, analisar o custo/beneficio.

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:46 #

      Oi Vânia, excelentes seus comentários!

      De fato, para diferentes necessidades, há diferentes investimentos, apropriados para parcelas e segmentos específicos da população, levando-se em consideração também o momento e as disponibilidades financeiras da pessoa.

      Em relação à compra do imóvel de fato a melhor regra é essa: conseguir levantar um bom valor de entrada, e não alongar em demasia o prazo do financiamento, utilizando-se das facilidades oferecidas por quem tem FGTS, cuja taxa nominal de juros pode chegar a menos de 9% a.a.

      Em relação à análise dos investimentos, sim, o melhor mesmo é realizar a aplicação de forma consciente. Os investimentos programados, dentro dessa linha, funcionam melhor para quem está iniciando sua jornada da educação financeira.

      Abraços!

  8. Carla 26 de setembro de 2017 at 12:51 #

    Caro Guilherme,

    Nunca comentei e não tencionava fazê-lo, mas vendo os comentários dos que já estão avançados no assunto e sabendo que comentários são um feedback que pode levar o autor a deixar de escrever sobre algo, quero agradecer por sua consideração e realismo e pedir que, por favor, não deixe de escrever, mesmo que só de vez em quando, para os principiantes, indisciplinados, preguiçosos e… pobres (rs). Você deixou bem claro a quem se referia neste texto e suas colocações sobre o comportamento dessa parte da população, da qual faço parte, foram perfeitas! Eu até poderia citar alguns exemplos.
    Seus últimos posts tem sido muito úteis para mim e acredito que também para outros que não comentam.
    Mais uma vez, muito obrigada!

    • Guilherme 26 de setembro de 2017 at 16:48 #

      Obrigado, Carla!

      A intenção é justamente essa mencionada por você: escrever de uma forma adaptada à realidade de parcela significativa dos leitores, pois sei que há um valor, ainda que mínimo, de se contribuir para o INSS, de se conseguir um imóvel próprio e assegurar a formação de um patrimônio tangível etc.

      É muito importante feedbacks de leitores como você, pois, como você bem mencionou, há um público para o qual essas dicas podem fazer sentido. 😉

      Abraços!!!

  9. Armando 28 de setembro de 2017 at 2:27 #

    Às vezes é bom voltar algumas casinhas. Que bom que a maioria discorda, pois indica que estão “vacinados”. Um exemplo clássico é o não uso de cartão de crédito. Eu, desde que era jovenzinho sabia que não devia pagar só o mínimo, seria loucura! As pessoas funcionam diferente umas das outras, e se identificam uma forma que funciona pra elas, ótimo. Poupança é outro exemplo. Mas se quiserem, tiverem curiosidade, podem fazer mais, sem desmerecer o que faziam antes, sendo importante na época, etc.

  10. Sam 28 de setembro de 2017 at 21:17 #

    Com todo respeito, financiamento de imóvel tecnicamente constitui uma DÍVIDA e não investimento. E, falando por experiência própria, é muito desmotivante pegar o boleto do financiamento todo mês e ver que 2/3 do valor refere-se a juros e somente 1/3 é amortização. Só é bom para o Banco, enquanto o cliente fica com aquela dívida quase eterna.

  11. pablo 29 de setembro de 2017 at 13:04 #

    Que discussão foi provocada neste post, hein? Muito bom saber que a maioria construiu uma consciência financeira muito boa ao ponto de expor suas discordâncias (de maneira fundamentada) em relação a proposta apresentada.

    A questão objeto do post diz respeito a dois pontos fundamentais: a) educação financeira; b) hábito.

    Gustavo Cerbasi faz uma classificação interessante sobre os tipos de pessoas com relação à educação financeira, onde ele divide da seguinte forma: a) os poupadores (vivem o futuro); b) os gastadores (vivem o presente); c) os descontrolados (não fazem controle financeiro e se veem muitas vezes com dívidas e cheque especial estourado); d) os desligados (não acompanham suas contas e quando se veem já estão com boa soma de dinheiro parado na conta).

    Achei interessante, pois o post foi voltado tanto para os descontrolados quanto para os desligados. Vejam que o desligado não é gastador (no sentido de ficar no vermelho). Muito embora mantenha-se líquido e economicamente equilibrado, não possui educação financeira ativa. É o que ocorre com uma miríade de pessoas, inclusive aqueles que colocam apenas dinheiro na poupança (quando lembram) com receito do risco de outros investimentos (na verdade é mais desconhecimento) e falta de iniciativa de aprender a gerenciar minimamente seus recursos. Estes muitas vezes são vítimas em potencial dos gerentes dos bancos. Tal que um título de capitalização? rs.

    O hábito, por seu turno, decorrer do aprendizado e da prática reiterada em se fazer mensalmente os investimentos. Eu diria até que depende fundamentalmente de ter um orçamento doméstico. Ora, se não se faz um orçamento doméstico, como se sabe quanto de deve investir? Quero dizer, portanto, que o hábito decorre justamente do controle que se faz das finanças domésticas. No início é mais complicado e com o tempo isso se incorpora na rotina.

    Quanto ao mérito do post, eu discordo do investimento em imóveis, pois acredito em bolha imobiliária e considero que ainda não houve todo o ajuste necessário. Quanto ao INSS, já me manifestei favorável, utilizando os Planos Previdenciários Simplificado ou do MEI. Neste caso, com relação ao Plano Simplificado, basta agendar 12 meses o pagamento da Guia da Previdência Social no internet banking (no BB e, acredito, na Caixa tem essa possibilidade). E com relação ao MEI, basta autorizar o débito automático no SIMEI.

    • Guilherme 29 de setembro de 2017 at 14:06 #

      Olá, Pablo, muito boa essa divisão do perfil de pessoas.

      O hábito de investir, característica das pessoas proativas, é essencial para construção consciente e deliberada de patrimônio financeiro.

      Mas ele pressupõe, como você bem disse, a construção de um orçamento doméstico, pois só se investe aquilo que sobra, e, para sobrar, é preciso fazer controle dos gastos.

      Muito boas essas dicas do MEI.

      Quanto aos imóveis, também acho que existe uma bolha.

      Abç!

Deixe uma resposta

Powered by WordPress. Designed by Woo Themes