A escolha de sua vizinhança: um item crítico que irá definir seu padrão de gastos e seu êxito (ou não) na construção de riqueza

Quem for leitor antigo e assíduo do blog sabe que eu defendo a tese de que uma das melhores fontes para adquirir conhecimento financeiro é através da leitura de livros.

Os bons livros têm o potencial de, além de agregar conhecimentos novos, fazer você ter novas perspectivas sobre determinados atos ou fatos.

Contudo, há uma categoria de livros e de autores – a dos livros excepcionais – que têm a singular força de modificar suas crenças.

Isso porque nossas visões de mundo são moldadas, em sua grande maioria, pelas nossas experiências de vida, por aquilo que vemos e ouvimos, principalmente na grande mídia ao qual somos expostos diuturnamente.

Aí vem um livro e… pá! … quebra essa visão até então deturpada da realidade, nos oferecendo um novo paradigma, uma nova referência, um novo modelo de pensamentos, que é, ainda por cima, validado quando redesenhamos nossas experiências pessoais à luz desses novos conhecimentos adquiridos.

Especificamente em relação ao tópico de hoje, qual é a ideia comum de riqueza? Em outros termos, o que significa, no imaginário coletivo, principalmente no imaginário coletivo da classe média, ser rico, ser milionário?

Geralmente, a crença comum de riqueza está associada à ostentação das celebridades, e ao consumo de símbolos de riqueza material, tais como a propriedade de casas em bairros ricos, veículos BMW, Audi, Jaguar e similares na garagem, relógios, sapatos e roupas de marcas de grife etc. etc. etc. Nada mais equivocado.

Conforme explicamos ao resenhar o livro “O Milionário Mora ao Lado”, de Thomas Stanley e William Danko (post aqui) – e esse foi um livro que mudou minhas crenças em relação aos hábitos de riqueza dos verdadeiros milionários – estes, ou seja, aqueles com o patrimônio financeiro líquido superior a um milhão de dólares, em sua maioria, são pessoas com estilo de vida completamente opostas ao do imaginário popular.

Ou seja, são pessoas que, em sua maioria, moram em bairros de classe média, dirigem um Honda ou Toyota, têm relógios que custam em média 20 dólares, não gastam mais do que 10 dólares em vinhos… e que são, acima de tudo, frugais.

O texto de hoje aborda precisamente o aspecto da vizinhança, que, aliás, e por coincidência, dá origem ao próprio título do livro acima citado (o milionário mora ao lado, e não no bairro chique). Você quer ser uma pessoa rica, e não que finge ser rica? Você quer acumular um patrimônio de um milhão de dólares (ou reais), e ser como um milionário? Ou quer viver como se fosse um milionário, sem efetivamente sê-lo?

Então comece pela escolha de sua casa, de seu bairro, de sua vizinhança: quanto menos caro for seu bairro (e sua casa), maiores serão as chances de você controlar os gastos, e efetivamente consolidar a formação de patrimônio.

Isso é detalhadamente explicado num outro livro de Thomas Stanley, intitulado Stop Acting Rich. Stanley chega a dizer que a escolha de sua casa, e de sua vizinhança, mais do que qualquer outra coisa, irá ter o maior impacto em seu nível de gastos, que poderá tanto ser alto (se seus vizinhos gastarem muito), quanto ser baixo (se seus vizinhos forem frugais).

Ele diz:

“My most recent survey paints a clear picture: those who live in pricey neighborhoods are too often aspirationals who do not have the income or wealth of their neighbors. The gravitational pull to spend like their high-income neighbors is a force that exceeds even the strongest willed” (p. 212).

Numa tradução livre:

“Minha pesquisa mais recente pinta uma imagem clara: aqueles que vivem em bairros caros são muitas vezes candidatos a ricos, que não têm a renda ou a riqueza de seus vizinhos. A atração gravitacional para gastar como seus vizinhos de alta renda é uma força que excede até mesmo os mais fortes”.

A peer pressure (pressão dos pares), ou seja, a pressão invisível de seus pares abastados de vizinhança, exerce uma força gravitacional irresistível sobre seus próprios hábitos de consumo. A imitação está no gene do ser humano, e isso, é claro, também se manifesta quando nossos vizinhos estão ostentando.

Um dos grandes problemas de se morar num bairro de classe alta é a pressão social. Em outros termos, a exposição voluntária a um ambiente que estimula ainda mais consumo e ainda mais exibicionismo. Se todos querem parecer ricos morando em bairros de classe média, imagina então a tentação de querer parecer rico morando em bairros de classe alta.

Se o seu vizinho da casa ao lado estaciona uma Mercedes SUV, você se sentirá tentado a comprar um carro equivalente, “pra não ser deixado pra trás”. Se as crianças da casa ao lado vão e vêm com iPhones X e iPads Pros, você se sentirá tentado a dar o mesmo nível de objetos materiais para seus filhos. Se você encontra no elevador seu vizinho do andar de baixo ostentando um relógio suíço Patek Philippe ou uma bolsa Louis Vuitton, por que cargas d’água você não poderia se presentar com um igualzinho?

Imitar o padrão de consumo alheio, particularmente o padrão de consumo de pessoas próximas em termos de vizinhança, faz parte indissociável da natureza humana. O problema é se a vizinhança em questão é constituída por pessoas de alta renda e de altos gastos, pois a manutenção desse estilo de vida nada trivial pode arruinar a sua saúde financeira.

Os americanos têm até uma expressão para isso: “Keeping up with the Joneses“. Significa algo como fazer tudo o que os Joneses fazem. Comprar aquilo que eles compram, ir para os restaurantes que eles forem etc.

A solução

Se casas e vizinhanças caras são um problema para a construção de riqueza, a solução mais óbvia é fugir disso tudo.

Ou seja, morar num bairro de classe média, mas sem a mentalidade da classe média.

Já exploramos esse assunto – mentalidade da classe média x mentalidade da classe alta – em um artigo onde resenhamos o livro As 10 principais diferenças entre os milionários e a classe média, de Keith Cameron Smith.

E uma das diferenças fundamentais de mentalidade reside, sem dúvida, na educação financeira: a classe média não tem a preocupação de criar ativos, se preocupa mais em consumir os passivos, e por isso são pouco frugais e vivem afundados em dívidas.

Enquanto isso, a classe alta tem como um de seus principais predicados a formação de patrimônio a longo prazo, a criação de ativos, e uma vida financeira cujo pilar principal é a frugalidade.

Morar em um bairro de classe alta não significa necessariamente que a pessoa tenha patrimônio financeiro de classe alta: muitas vezes, ela só está lá por ter uma renda mensal capaz de suportar uma prestação de financiamento imobiliário na casa dos 5 dígitos. E já dissemos em outro artigo que renda alta não é sinônimo de patrimônio alto. Aliás, nunca foi. Como acertadamente diz Thomas Stanley:

“O tamanho de uma casa é um melhor preditor do tamanho de sua dívida imobiliária do que do tamanho de seu patrimônio líquido”.

Mas por quê muitas pessoas insistem em morar em bairros de classe alta e em casas e apartamentos enormes, de 300, 400 metros quadrados?

Não há outra resposta senão a da vaidade. Massagem do ego. Exibicionismo. E tudo isso ainda por cima conjugado com absoluta ausência de educação financeira.

Sim, pois há pessoas que concentram mais de 90% de seu patrimônio financeiro no seu imóvel próprio – e pior, em imóveis situados em vizinhanças abastadas, cujo padrão de consumo excede em muito a renda mensal do sujeito, fazendo-o um eterno escravo de financiamentos imobiliários, automotores e de dívidas bancárias.

Essas pessoas não têm nem reserva de emergência, “investem” em títulos de capitalização, nunca conseguem se livrar de terem menos que 23 compras mensais parceladas no cartão de crédito, pagam tarifas bancárias de valores estratosféricos, e vivem penduradas no cheque especial – e isso sem contar, é claro, nas prestações do famigerado financiamento imobiliário com prazo de 30 anos para pagar, e juros na casa dos 10% a 12% a.a. (custo efetivo total). Isso é um grave e grotesco erro financeiro.

Como diz Thomas Stanley, a escolha errada da vizinhança e da própria casa para morar é o maior fator de empobrecimento, o maior erro financeiro, que uma pessoa pode cometer. As tentativas de sustentar um padrão de vida irrealista, incompatível com seus ganhos, não se sustentam a longo prazo. Não se sustentam.

Conclusão

Trabalhe muito bem a sua mente, a sua mentalidade, na escolha da sua vizinhança, e de sua própria casa.

Se o seu padrão de gastos e de renda mensal não suporta um condomínio caro, um estilo de vida hiper mega consumista, evite, a todo custo, bairros “da moda”, povoado de pessoas que desfilam e exibem seus bens de consumo caríssimos a todo instante, na sua frente.

A maioria absoluta das pessoas nunca ganhará dinheiro suficiente para se tornar independente financeiramente e ser hiper consumista ao mesmo tempo.

Pratique a frugalidade, gaste menos do que ganha, e foque sua atenção na construção de um patrimônio de ativos, e não de passivos.

No longo prazo, a adoção de um estilo de vida mais simples vencerá, e trará seus bons frutos, através da formação de um patrimônio de ativos, e não de passivos, garantindo-lhe estabilidade e prosperidade financeiras. 😉

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39 Responses to A escolha de sua vizinhança: um item crítico que irá definir seu padrão de gastos e seu êxito (ou não) na construção de riqueza

  1. Roof 19 de março de 2018 at 6:56 #

    No Brasil infelizmente isso é mais difícil. No RJ e em SP(capital), só se tem segurança(pouca mas tem) em bairros classe alta. Pra quem não pode radicalizar e ir pro interior a única saída acaba sendo ficar nos bairros caros.

  2. Astro 19 de março de 2018 at 8:54 #

    O primeiro livro de finanças pessoas que li foi o “O Milionário Mora ao Lado” e realmente ele é um livro que muda muito as crenças. Pretendo agora ler esse Stop Acting Rich, não o conhecia.

    Sempre vejo as comparações entre classe média e classe alta, mas acredito que no Brasil tenha mais um ingrediente: classe baixa.

    A classe baixa quer muita vezes ser a classe média. Cometem os mesmos erros que a classe média, o que se agrava ainda mais, uma vez que a renda deles é menor ainda.

    Abs

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:14 #

      Bem lembrado, Astro, acerca da existência da classe baixa, que aspira ascender à classe média um dia.

  3. Capixaba 19 de março de 2018 at 10:30 #

    Bom dia…

    Me identifiquei com as ideias contidas no texto, pois resisti a vontade de mudar para um bairro mais elitizado.

    Mas, ultimamente a violência tem crescido vertiginosamente em bairros mais “simples”.

    Penso em me mudar para uma região periférica, mais “rural”, onde o custo de vida é mais baixo com vizinhos que ostentam menos.

    O porém é o custo com transporte até o trabalho, visto que atualmente moro a 10 minutos de carro do trabalho, pegando trânsito apenas quando acontece algum acidente e/ou obras de manutenção nas vias.

    O dilema é balancear os prós e contras de cada escolha…

    abraços

  4. Carr 19 de março de 2018 at 13:06 #

    Eu concordo com você quando a pessoa já possui uma consciência sobre o caminho em direção à IF. Eu penso que o meio influencia muito, imagina se uma criança/adolescente que vive num meio onde as pessoas só pensam em Gol rebaixado, não pensam em estudar, barraqueiras etc. Neste sentido, eu penso que devemos viver num ambiente com pessoas minimamente educadas, pensamento empreender e com cultura. Não adianta querer pagar barato e viver num meio que joga para baixo.
    Mas como disse, se a pessoa tem consciência, blz…

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:16 #

      Sem dúvida, Carr, o meio influencia bastante o comportamento das pessoas.

  5. Vida Rica 19 de março de 2018 at 14:14 #

    excelente texto, Guilherme.
    realmente, isso é notável pela cidade.
    as pessoas que moram em bairros caros sentem necessidade de mostrar que merecem estar ali, que pertencem aquela realidade.

  6. Hunter 19 de março de 2018 at 15:17 #

    Acompanho os foristas.
    Aqui, a correlação entre “segurança” e perfil socioeconômico dos bairros é muito alta.
    O que já pensei, é de comprar um terreno num bom condomínio (pagando caro por isso), mas construir algo simples…A vizinhança concluiria que eu era o morador mais pobre (o que poderia ser verdade, whatever), mas pelo menos, meu custo mensal não seria tão alto.

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:17 #

      É uma alternativa, Hunter.

    • Antagonista caratinguense 22 de março de 2018 at 10:24 #

      O problema é que as vezes nestes condomínios há uma convenção que estipula um padrão mínimo das construções (e frequentemente um padrão alto), que acaba inviabilizando esta estratégia.

  7. Paulo 19 de março de 2018 at 15:49 #

    Excelente texto Guilherme. O inflar da situação financeira, em vista de ostentar um padrão irreal, é o maior fator de destruição de patrimônio.

    p.s. Guilherme, é possivel um texto ou artigo sobre como equilibrar planejamento de longo prazo com gastos mais imediatos e porque não superfulos. Principalmente para os jovens?

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:17 #

      Obrigado, Paulo!

      Excelente sugestão de tema! Já está aqui anotado!

  8. André 19 de março de 2018 at 17:42 #

    Perfeito, Guilherme! De fato, a influência social é determinante na vide de muita gente.

    Vejo com maior preocupação essa situação na educação dos filhos. Mesmo que os pais sejam frugais, os filhos vão frequentar boas escolas, onde o exibicionismo estará escancarado. As estratégias usadas aqui serão determinantes para o desenvolvimento correto dessa mentalidade nas crianças.

    Agora, em adultos, já não tenho mais paciência com eles não… O que eu já falei nessa vida para pessoas que continuam batendo a cabeça… Acredito nas crianças, mas após uma certa idade, desisto completamente dos humanos, viu rsrs?

    Abraço!

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:19 #

      rsrsrsrs…. verdade, André, são raríssimos os adultos que se dispõe a mudar de mentalidade.

      A maioria deles vivem presos às suas respectivas zonas de conforto. Pelo menos tentamos.

      Abraços, e obrigado!

  9. Armando 19 de março de 2018 at 18:29 #

    Eu acho bem curioso os bairros de rico no Brasil. São essencialmente residenciais, sem comércio próximo, bastante arborizados, vários carros na garagem, a única alma viva que se vê um pouco são os vigilantes. Deve ser ótimo quando se tem tudo em casa, mas falta alguma coisa.

    Em SP muitos bairros se valorizam por conta do metrô. Acho uma boa investir um pouco mais pra ter facilidade de locomoção. Mas talvez o rico queira o inverso. Lembro da polêmica da estação Mackenzie-Higienópolis que os ricaços ficaram descontentes.

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:20 #

      Interessante sua observação, Armando.

      Realmente, em SP, locais de residência bem perto do metrô são bastante valorizados, pela fácil acessibilidade ao meio de transporte.

      Abraços!

    • Maria freitas 21 de março de 2018 at 21:53 #

      Acho que o que mais nos influência não do bairro nem os vizinhos e sim a mídia que tem o poder de criar e transformar,e nossos filhos são muito influênciados pelas escolas, essa geração sim devemos nos preocupar pra formar cidadoes conscientes!

  10. André Carmona 20 de março de 2018 at 9:34 #

    Belo texto Guilherme.
    De certa forma, todo movimento de educação financeira e desprendimento dos circuitos consumistas, e portanto em direção a um estilo de vida frugal, remete à ideia de confrontar o que, nas minhas leituras, foi melhor definido por um economista americano na virada do século retrasado de nome Thorstein Veblen, pelo conceito de emulação pecuniária fundado no consumo honorífico.
    De fato, no espírito do parágrafo de abertura, sobre as leituras, recomendo a leitura d’A Teoria da Classe Ociosa, um tratado um algo denso, mas que certamente vale o confere.

    abs!

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:21 #

      Obrigado, André!

      Excelente comentário!

      Gostei bastante também da sugestão de leitura.

      Abraços!

  11. Carla 20 de março de 2018 at 9:36 #

    Tema excelente, mas concordo com os que disseram que, na nossa realidade, pesa o fator segurança, vizinhança – não no sentido financeiro, mas sim comportamental – e a convivência com outros grupos fora do bairro em que moramos. Acho meu apartamento suficiente e o bairro atende minhas necessidades, mas o comportamento dos vizinhos sempre me faz querer mudar para um lugar “melhor”, o que significa mais caro e, portanto, com menos gente. Aqui no interior de SP as casas já não são mais seguras e as famílias, que não são pequenas, têm mudado para condomínios – quem pode vai para os de casas e a maioria para apartamentos de dois quartos como o meu e como nunca viveram em prédio a falta de noção impera. E não é necessário um bairro de classe média para que haja ostentação. Muitos vivem em casas mal acabadas, caindo aos pedaços e ainda compram SUVs e Jeeps – no estacionamento do meu condomínio, que nem tem vaga coberta, tem de todos os modelos -, afinal no trabalho, na escola, no shopping ninguém vai saber que o carro, as roupas e os acessórios não condizem com o resto. No trabalho todo ano parece que abre a temporada da troca de carro e no café sempre tem alguém falando do maravilhoso destino das últimas férias, que tem que superar o do colega. Cheguei à conclusão de que não dá para evitar grupos com poder aquisitivo maior que o meu, até porque isso já acontecia na minha família, e decidi que a melhor maneira de lidar com a ostentação alheia é não ligar se vão me achar a pobretona do grupo e não inventar desculpas para o estilo de vida que levo. E daí percebi que tem outro grupo que também assume que não dá/não quer acompanhar esse ritmo e vive tranquilamente.

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:23 #

      Ótimo comentário, Carla!

      Realmente, é preciso ter bastante disciplina mental para não ser induzido a gastar seguindo os padrões de consumo alheios.

      Abraços!

  12. Isabela 20 de março de 2018 at 10:57 #

    Guilherme, bacana seu post. Única coisa que destoou um pouco dos meus pensamentos foi quando você falou que a classe média teria na garagem um Honda ou Toyota. Para mim, jamais teria esses carros na garagem. Para mim, carro popular e econômico é um Ford Ka, Onix, Celta, Uno etc. Não pago mais que 48 mil num veículo. Para mim um Honda e um Toyota é jogar dinheiro fora, mesmo que se compre um usado.
    Outro ponto que influencia e muito aqui em casa são os colegas da escola dos meus filhos. Assim como bairros de classe média, é igualmente importante colocar nossos filhos em escolas de classe média também. Ás vezes, queremos dar boa educação e tal, mas temos que analisar quem são “os vizinhos” que vão conviver com eles na escola, no dia a dia. Antes eles estavam numa escola onde os colegas viajavam uma vez ou até duas vezes por ano para os EUA. Eu nunca fui para os EUA, nem meus filhos. O meu filho mais velho começou a questionar por quê nunca havíamos viajado para os EUA. Além disso, o meu carro era o mais simples da escola (um Sandero na época). Comecei a analisar e percebi que a escolha da escola também é muito importante sob o aspecto da influência de valores para os nossos filhos. Hoje estou muito satisfeita na escola de classe média (média mesmo) que estão. Onde não se fala em EUA, onde se faz cotas para presentear os professores em datas especiais, onde os carros não são SUVs etc.
    Ou seja, é preciso analisar nossas vizinhanças em todos os termos… casa, escola, ciclo de amigos etc.

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:25 #

      Olá Isabela!

      Excelente o seu depoimento sobre a escolha da escola para os filhos!

      De fato, o ambiente onde os filhos passarão boa parte de suas horas de vida também terão reflexos profundos no modo de agir e de pensar deles, logo, a sua escolha foi bastante acertada nesse aspecto, cujos exemplos você bem demonstrou.

  13. Termos Reais 20 de março de 2018 at 11:48 #

    Fala Guilherme!

    Seu texto, como de costume, muito bem escrito e com conteúdo de valor!

    E nada melhor do que um texto bem fundamentado para pensar, discutir, filosofar e conversar a respeito.

    A única divergência que faço em relação ao seu excelente ponto de vista é sobre o mindset de pessoas de bairros mais humildes.

    Não significa que você vai ser automaticamente milionário morando ao lado de milionários, mas o meio em que você está envolvido tem uma força incrível para te moldar.

    Suponho que deve ser sempre levado em consideração a busca por melhores regiões para se morar, visto que a probabilidade de se relacionar com pessoas influentes e bem sucedidas aumentam exponencialmente.

    O que não pode ser feito – como você muito bem colocou – é se alavancar para viver uma vida que está completamente fora dos padrões, através de financiamentos impagáveis.

    Um forte abraço!

    • Guilherme 20 de março de 2018 at 17:27 #

      Olá TR, grato pelas suas palavras!

      Excelentes seus comentários!

      Aliás, eles adicionam ainda mais valor aos debates, e complementam bem o cerne da questão que está por trás dos verdadeiros acumuladores de riqueza: uma mentalidade forjada para conquistas e realizações profissionais e, para tanto, é indispensável tentar se aproximar de pessoas que tenham vencido na vida, e possa dar uma contribuição genuína de valor para essas pessoas.

      Abraços!!!

  14. Nazinha das finanças 20 de março de 2018 at 18:20 #

    Olá Guilherme,

    ótimo texto, e ótimo também os comentários dos colegas, enriquecedor. Eu sempre coloquei no lápis as condições do local onde eu morava e antes de engravidar a cultura local, e por esse motivo me mudei para um bairro mais caro.
    Não que esse bairro fosse de elite, muito longe disso, mas a minha escolha se deu por alguns motivos já explanados nos outros comentários: o lugar era muito precário, as pessoas são muito simples e não havia recursos como hospitais, boas escolas e eu não tinha o que trocar com os vizinhos.
    Atualmente moro num bairro que consigo interagir mais, minha filha estuda em uma escola de classe média, e consigo ter acesso a hospital e bons mercados.

    Sei que minha condição permite trocar por um bairro melhor, mas esse troca implica tudo o que você elencou, um padrão alto de manter e uma cultura de ostentação/glamourização/gourmetização inviável. Enfim. Estamos bem onde estamos.

    O mais importante é ser racional nas escolhas mesmo, um bom bairro não é necessariamente o mais caro.
    abs

    • Guilherme 21 de março de 2018 at 20:44 #

      Olá Nazinha, ótimas escolhas!

      De fato, o mais importante de tudo é ser racional, sendo que o melhor bairro não será necessariamente o mais caro, conforme o seu excelente exemplo pessoal.

      Abraços!

  15. jr 21 de março de 2018 at 13:53 #

    Muito bom o texto. Entretanto quem mora nos grandes centros urbanos esta ficando cada vez mais difícil morar fora de bairros melhores e ou condomínios uma vez que a vizinhança é terrível além do problema da segurança.
    Depois procurem no Google a notícia: Com 102 denúncias por dia, ‘pancadões’ se espalham por todas as regiões de SP.

    E os comentários dos colegas estão ótimos

  16. sandro 21 de março de 2018 at 16:28 #

    Depois que inventaram o falsebook, não importa muito onde você mora. Sempre vai ter cada vez mais influências das vidas alheias na sua, sejam verdadeiras ou não.

    E sempre vai ter gente querendo viver a vida dos outros.

    O problema de cada um é sempre na pessoa do outro lado do espelho.

    • Guilherme 21 de março de 2018 at 20:45 #

      Você disse bem, Sandro: as pessoas, hoje em dia, estão cada vez mais querendo viver a vida dos outros. Problemático isso.

      Abraços!

  17. Sherpa 21 de março de 2018 at 19:13 #

    Ótimo texto e excelente comentários… Me lembrou Sêneca, filósofo… “Pobre são os que muito necessitam.”

  18. Carlos Manoel 24 de março de 2018 at 9:39 #

    Guilherme,

    Como sempre, um tema muito pertinente. Parabéns! Vou deixar aqui um link de um documentário de uma tema que tem a ver com a mensagem que este Blog procura passar a todos.

    https://www.netflix.com/br/title/80114460

    Os que tiverem curiosidade sobre o tema, creio que vão gostar.

    Grande abraço, Guilherme.

    • Guilherme 24 de março de 2018 at 10:39 #

      Olá, Carlos, que bom tê-lo aqui no site! 🙂

      Gostei demais da dica do documentário, tem tudo a ver com os propósitos do blog.

      Obrigado por compartilhar mais essa preciosidade.

      Forte abraço!

  19. Ugo 27 de março de 2018 at 20:45 #

    Moro num local aonde tem Mercedes, BMW, carros em torno de 150k.
    Casas acima de 400m2.
    A minha tem 250….meu carro custa 30k…tenho 8M aplicados. ..E foda_ se os vizinhos. ..Eu dou é risada da escravidão deles .. Chego cedo do trabalho e jogo bola com os filhos deles é eles estão cansados. Kkkkk
    Ninguém se apodera da minha mente….abs

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