Onde investir meu dinheiro com a taxa SELIC a 6,50% a.a.?

Semana passada, o Banco Central anunciou o 12º corte consecutivo na taxa básica de juros da economia, a taxa SELIC, que roda, agora, no patamar de 6,50% a.a.

Trata-se da menor taxa de juros de toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 1986.

Vale destacar que o BC acenou com um provável novo corte da taxa de juros na próxima reunião do COPOM, a ser realizada em maio, o que faria com que ela caísse para 6,25% a.a.

A taxa básica de juros tem como um de seus principais objetivos o controle da inflação, cujo índice IPCA acumula, nos últimos 12 meses (até fevereiro de 2018), 2,84% de alta.

Considerando que a taxa SELIC é a referência dos investimentos em renda fixa – Tesouro SELIC, CDBs pós fixados ao DI, LCAs, LCIs, fundos referenciados DI, dentre outros – e que, portanto, tais investimentos têm obtido rentabilidades nominais cada vez menores, a pergunta que não quer calar é: onde investir meu dinheiro com a taxa SELIC a 6,50% a.a.?

Esse artigo se destina a fornecer reflexões sobre esse tema, a fim de fazer com que você prossiga no atingimento de suas metas não financeiras por meio dos investimentos.

A pergunta está errada

Comecemos do início: a pergunta está mal formulada. Ela está errada.

Assim como eu já disse em diversas outras ocasiões aqui no blog, antes de investir seu dinheiro, você deve investir em sua educação financeira. Você só consegue as respostas mais adequadas para a sua situação pessoal se você tiver conhecimentos suficientes que lhe permitam tomar a melhor decisão levando em consideração suas circunstâncias pessoais.

Dito isso em outros termos: não há receita de bolo pronta nesse assunto. O que pode ser considerado uma boa recomendação de investimento para você, pode ser péssimo para outro indivíduo.

Portanto, é preciso reformular a pergunta, nos seguintes termos:

Onde investir meu tempo e meu conhecimento com a taxa SELIC a 6,50% a.a.?

Essa pergunta antecede a todas as demais. Investir tempo e recursos intelectuais na aquisição prévia de conhecimento é fundamental, a fim de evitar que você tome a pior decisão possível, que é a decisão de delegar a sua capacidade de pensar. Delegar as decisões de investimentos a terceiros, a pessoas estranhas, que mal conhecem – ou nunca conhecerão – sua real situação financeira, suas condições de vida, seu grau de tolerância a risco, suas particularidades quanto aos objetivos que você tem para a sua vida.

É claro, é evidente, que a quase totalidade das pessoas que fazem a pergunta do título desse artigo querem uma maior rentabilidade. Querem ganhar mais do que modestos 6,5% a.a.

Afinal de contas, até há pouco tempo atrás, títulos de renda fixa pós-fixados ao DI ou à SELIC pagavam mais de 14% a.a. de rentabilidade bruta, o que poderia significar ganhos líquidos nominais superiores a 1% ao mês, sem muito esforço.

Embora a rentabilidade real fosse bem abaixo disso, por conta da inflação que também rodava na casa dos dois dígitos (resultando em juros reais líquidos entre 4% a 6% a.a.), ainda assim esses 14% a.a. deixavam muitos investidores na zona de conforto da renda fixa. Pudera: pra quê se aventurar com ações, fundos imobiliários e outros ativos de renda variável, se eu podia garantir meu 1% ao mês sem risco na boa e velha renda fixa?

O cenário hoje mudou completamente. Quem deixa seu dinheiro no conforto da renda fixa irá pagar caro por esse conforto.

É verdade que a inflação está aparentemente sob controle, mas mesmo assim, há um enorme custo de oportunidade em se deixar o dinheiro na renda fixa, rendendo, após deduzidos impostos, taxas de administração e inflação, menos de meio por cento ao mês.

É preciso, portanto, estudar mais. Adquirir novos conhecimentos. Investir seu tempo no estudo.

Se você pretende melhorar a rentabilidade de seus investimentos, certamente já deve ter ouvido por aí em alternativas como: títulos de crédito privado (debêntures, por exemplo), fundos multimercado, fundos imobiliários, e ações.

A questão toda não é exatamente aplicar seu dinheiro nessas diferentes classes de ativos, mas sim averiguar se você adquiriu conhecimentos suficientes para investir nessas diferentes classes de ativos.

De nada adianta – ou pouco adianta – você dizer que resolveu aplicar em ações e fundos imobiliários, com o objetivo de ter ganhos maiores que os 6,50% a.a. da renda fixa, se você mal sabe como esses ativos funcionam, se você não estudou bem esses ativos antes de investir seu dinheiro. Por quê?

Ora, porque os riscos são grandes – para não dizer enormes – de você liquidar essas aplicações assim que ocorrer uma turbulência mais forte nos mercados. Ou, o que é pior, de você vender antecipadamente esses ativos sem ter a paciência necessária para que tais investimentos amadureçam e colham os resultados que se esperam deles.

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Exemplos práticos

Vamos a algumas respostas práticas que procuram responder a essa questão: “onde investir meu tempo e meu conhecimento com a taxa SELIC a 6,50% a.a.?”

Se você não gosta de tomar riscos, é uma pessoa que se define como conservadora na hora de gerenciar sua carteira de investimentos, então você deve investir seu tempo e seus recursos intelectuais na aquisição de novos conhecimentos na classe da renda fixa.

Isso mesmo.

Nada impede que você tenha retornos superiores a 6,50% a.a. ainda dentro da classe da renda fixa, já que a renda fixa não se resume a CDBs DI, fundos referenciados DI, Tesouro SELIC. Há também os títulos prefixados e os atrelados a inflação, mas, mais do que isso, o mercado privado oferece também títulos e fundos com essa natureza de rentabilidade.

Além disso, é possível tirar mais proveito da renda fixa, mesmo dentro das aplicações pós-fixadas ao CDI/SELIC, desde que estude algumas variáveis que interferem com a rentabilidade real líquida dos investimentos.

As duas variáveis mais conhecidas, e que podem ser manipuladas pelo investidor, são a taxa de administração/custódia e o imposto de renda.

A taxa de administração está ligada aos custos do emissor ou distribuidor dos títulos disponíveis para investimentos. Talvez você ainda esteja investindo sua reserva de emergência num fundo referenciado DI de um grande banco de varejo, com taxa de administração de 2% a.a. Por quê pagar tão caro para um fundo que basicamente faz gestão passiva de patrimônio?

Aqui no blog já publicamos um artigo comentando sobre opções disponíveis no mercado, de baixíssimo risco, com taxas de administração iguais ou inferiores a 0,3% a.a. Em tempos de vacas magras na renda fixa, quanto menores forem as taxas de administração, maior será o rendimento líquido que você obterá no final. É como diz Warren Buffett:

“É quando a maré está baixa é que vemos quem está nu”.

Em relação aos impostos, é preciso prestar atenção não apenas à tabela regressiva de alíquota do imposto de renda, que será tanto maior quanto menor for a duração do investimento (a fim de incentivar investimentos por períodos maiores de tempo), mas também ao fato de que há no mercado títulos de renda fixa isentos de pagamento desse imposto, que, convenhamos, também tiram uma fatia significativa dos já magros rendimentos da renda fixa.

Entre essas opções se incluem as LCAs, LCIs, debêntures incentivadas de infraestrutura etc. Normalmente, são investimentos que demandam prazos maiores de carência, tendo, portanto, uma liquidez mais restrita, além de apresentarem um grau de risco obviamente maior do que se você fosse investir diretamente em títulos públicos federais.

No entanto, não deixam de ser alternativas para os investidores conservadores que não gostam de investir em renda variável.

Giro de patrimônio: um grande risco

Um dos maiores riscos para quem resolve sair da renda fixa para outras classes de ativos, sem investir previamente seu tempo na aquisição de novos conhecimentos, consiste no excessivo giro de patrimônio.

Precisamente porque não fizeram o dever de casa, ou seja, não investiram tempo na aquisição de conhecimento antes de investirem seu dinheiro, tais indivíduos investem em outras classes de ativos, aos quais estão pouco familiarizados, totalmente influenciados por recomendação de especialistas em newsletters e relatórios, porque um youtuber fez um vídeo de recomendação, porque alguém em um fórum de discussões deu a dica etc.

Percebam a diferença: eles não tomaram a decisão; eles simplesmente delegaram a tomada de decisão, e apenas executaram o que os outros disseram, recomendaram ou ordenaram.

Esses daí são altamente suscetíveis a ficarem entrando e saindo dos investimentos, sem entender nada – ou entendendo muito pouco – do que fizeram. Como consequência, ficarão apavorados ao menor sinal de estresse a atingir tais tipos de ativos de risco.

Não tenha dúvidas de que, caso a taxa SELIC eventualmente inicie um ciclo de alta, culminando num percentual de 14% a.a., esses investidores sairão dos investimentos de risco, pagarão altas penalidades por isso – seja na forma de uma alíquota de IR mais alta, seja na forma de prejuízo mesmo (porque compraram na alta e venderam na baixa), e voltarão para o conforto da renda fixa sem terem aproveitado os ganhos que os investimentos em outras classes de ativos podem proporcionar.

Deixarão, no meio desse caminho completamente errado e tortuoso, não só dinheiro para: (a) o governo (na forma de impostos com alíquotas mais altas), e (b) os agentes do sistema financeiro (na forma de taxas de administração e outras despesas relacionadas aos custos dos investimentos), como também perderão uma enorme oportunidade de deixar os juros compostos desempenharem seu papel, de multiplicação do dinheiro pelo simples decurso do tempo.

Como diz acertadamente Felipe Tavares, num excelente artigo que aborda exatamente o giro de patrimônio:

“Devemos ter um plano, uma estratégia de investimento de nosso dinheiro, pois quem sua para ganha-lo e não quer vê-lo indo pelo ralo abaixo somos nós mesmos”.

Conclusão

Você certamente já ouviu falar de ações de crescimento, ações de valor, fundos imobiliários, títulos de renda fixa isentos de impostos, fundos multimercado, CDBs de bancos de segunda linha etc., como alternativas para diversificação de investimentos, e aumento da rentabilidade de sua carteira.

Se nunca ouviu falar, basta acessar nossa Seção de Arquivos, e navegar pelas áreas que mais gostaria de conhecer.

Não há mistério: se você quiser obter retornos maiores, terá que obrigatoriamente estudar mais. Eu não disse “terá que obrigatoriamente ir para ativos de maior risco” (embora isso seja também uma verdade), pois, para que esses ganhos se concretizem, é preciso saber lidar com os investimentos que apresentem maior risco. E isso, como se sabe, só vem com a prática. É muito fácil você se auto-proclamar um investidor que investe para o longo prazo. Difícil é agir em consonância com essa afirmação, ao se deparar com suas ações caindo 5% num determinado mês, ou seu fundo imobiliário não saindo do zero a zero após 3 meses de investimento.

O objetivo desse texto, como você já deve ter percebido, não foi o de dar respostas prontas sobre a pergunta: onde investir meu dinheiro com a taxa SELIC a 6,50% a.a.? Sinto tê-lo(a) decepcionado(a), se o seu objetivo era encontrar uma solução fácil que viesse ao seu encontro.

Acontece que não existe resposta correta, que seja universalmente válida para todos os leitores do blog. Aquilo que é bom para um pode ser péssimo para outro, como eu disse acima.

A única resposta universalmente válida para o questionamento do título desse tópico é a recomendação para que você estude mais. Que você eduque sua mente. Que você se capacite mais.

Invista seus recursos de tempo e de dinheiro também na aquisição de novos conhecimentos sobre os outros ativos existentes no mercado. Debata as ideias, teste e valide suas hipóteses de investimentos com outras pessoas, mas jamais delegue a função de pensar e decidir sobre seu próprio dinheiro, pois ninguém é mais interessado nesse assunto do que você.

Não faça coisas nem assuma riscos que sejam incoerentes e incongruentes com seu perfil de risco, pois é plenamente possível melhorar a rentabilidade dentro da própria classe de ativos em que você já atua e domina, tomando-se, é claro, as precauções devidas.

Além disso, tenha um plano de investimentos, uma estratégia, e vá aprimorando esse plano com o decorrer do tempo, à medida que você vai se aprofundando na arte de investir.

A melhor resposta é aquela que só você mesmo pode se dar, baseada integralmente em seu nível de conhecimento, bem como sua bagagem acumulada de experiência. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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29 Responses to Onde investir meu dinheiro com a taxa SELIC a 6,50% a.a.?

  1. Simplicidade e Harmonia 26 de março de 2018 at 6:59 #

    Guilherme,

    “Onde investir meu tempo e meu conhecimento com a taxa SELIC a 6,50% a.a.?”
    Gostei da nova pergunta.
    Até hoje meu questionamento era o do título do post, que é o que geralmente ouvimos, inclusive entre os experts no assunto educação financeira.

    Considerando o cenário atual (com previsão de mais cortes da Selic), qual taxa você considera a mínima ideal para investimentos em LCI/LCA para 1 e 2 anos?

    Boa semana!

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:03 #

      Oi Rosana, obrigado!

      Sobre sua pergunta, quanto mais baixa a taxa SELIC, maiores os impactos do imposto de renda sobre os rendimentos.

      Dessa forma, considerando que a LCI/LCA não paga IR, para esse prazo de 1 a 2 anos, uma Letra que pague acima de 92% do CDI líquido já traria ganhos significativos para a carteira.

      Abraços, e boa semana também!

  2. Isabela 26 de março de 2018 at 9:04 #

    Hahaha me decepcionou sim, Guilherme! Pensei que ia ter uma resposta pronta ao ler este artigo 🙂
    Mas fique feliz porque o objetivo que você mencionou inicialmente (o de fazer com que o leitor reflita sobre) foi alcançado!
    Precisamos inicialmente ver nossas prioridades, nossas metas e inclusive ver se estamos disponibilizando tempo suficiente, no nosso dia a dia, para ampliar nossos conhecimentos na área financeira.
    Investir em renda fixa também me trouxe aprendizado. Em outubro de 2016 quando a Selic estava na casa dos 14%, investi pesado em CDBs de bancos menores com prazos para 4 e 5 anos (devido a tabela regressiva do IR) e só poderei resgatá-los em 2020/2021. Aprendi muito. Creio que o aprendizado vem com cursos, leituras e também com a prática! Também pude avaliar as duas corretoras que investi lá em 2016 e aprendi que uma não mostra o valor líquido e a outra mostra! E por aí vai…
    Boa semana a todos !

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:05 #

      rsrsrsrsrs, faz parte, Isabela!

      Gostei bastante do seu depoimento pessoal. É um exemplo prático e notável de que nada como a experiência prática e concreta pode nos guiar e refinar a capacidade de avaliação de nossos investimentos, à luz de nossas necessidades, bem como de nossos objetivos financeiros.

      Abraços!

  3. Michael 26 de março de 2018 at 10:13 #

    Perfeita sua pergunta reformulada Guilherme!

    Para uma pessoa que ja tem controle sobre os custos de investimentos e ja se conhece dentro do perfil dele, eh bem possivel que a resposta certa seria que absolutamente nada muda.

    Poderia ficar ate MAIS conservador….

    Nesta conjuntura economica, com graves problemas fiscais, o abandono completo de reformas, eleiçoes imprevisiveis, e o fim da epoca benigna internacional com bem menos liquidez global e o retorno de juros normais la fora, o possivel inicio de uma guerra comercial etc, nem a canetada do Ilan seria suficiente para proteger o pais do possivel disparo de juros futuros na curva.

    Sem duvida, nos deveriamos gostar muito mais da canetada do Ilan do que a do Tombini. Parece ter bem mais credibilidade.

    No entanto, o mero corte agressivo da taxa basica de juros sem a consideraçao devida dos outros riscos – sem resoluçao no horizonte – nao cria uma situaçao necessariamente sustentavel, Isto teria implicaçoes enormes nos retornos – ou perdas – dos investimentos das pessoas assumindo um pouco mais risco que deveriam.

    Apenas mais uma reflexao de se conhecer antes de agir girando o patrimonio.

    Abraço!

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:07 #

      Excelente seu depoimento, Michael!

      Especialmente esse trecho:

      “Para uma pessoa que ja tem controle sobre os custos de investimentos e ja se conhece dentro do perfil dele, eh bem possivel que a resposta certa seria que absolutamente nada muda.

      Poderia ficar ate MAIS conservador…. ”

      Isso sim é que é pensar fora da caixa!

      Com tantas incertezas rondando o cenário externo – e interno – talvez o melhor a fazer seja exatamente não modificar a linha de atuação que até então vem sendo realizada. Isso para quem, é claro, já tem um plano e uma estratégia bem definidas.

      Abraços!

  4. José Adriano 26 de março de 2018 at 12:16 #

    Seguem alguns “pensamentos/orientações” que adoto. Não são leis absolutas mas podem eventualmente auxiliar a outrem :

    1) Tenha mente aberta e esteja DISPOSTO a se aventurar em OUTROS Bancos e Corretoras fora do Banco onde tem conta corrente.

    Entenda que uma coisa é conta corrente “de conveniência”. Aqui valem os grandes
    banco de varejo (público ou privados). Facilidades do dia a dia, tais como grande rede de agências, muitos caixas eletrônicos, recebimento de Salários, TEDs, Débito Automático, etc.

    São ótimos para o dia a dia porém geralmente são PÉSSIMAS opções de investimento !

    Esses bancos lhe oferecem “tapete vermelho”. Porém observe que talvez você mesmo é que paga o “tapete vermelho” através de altas taxas !

    Esteja DISPOSTO a conhecer bancos menores.

    2) Informe-se sobre o FGC. Saiba o que é, quando e em quais produtos pode ser aplicado/utilizado. Consulte o histórico (episódios) de atuação do FGC. Conheça mais também sobre o sêlo CETIP CERTIFICA.

    3) Tenha uma reserva de emergência. Isso já se cantou a bola “N” vezes !

    Pra buscar melhores rendimentos você terá que ficar com seu dinheiro “travado” por um tempo maior.

    Daí que a reserva de emergência faz-se AINDA MAIS PREMENTE !

    4) Igualmente, NÃO TENHA MEDO de carência (prazo). Fuja desse “conforto” da liquidez diária. Isso os grandes bancos sempre vão te oferecer porém é ruim pra rentabilidade. Pra ter rentabilidade MAIOR vc tem que deixar o dinheiro por um prazo MAIOR. Acostume-se a essa idéia ! Carência/prazo não é tua inimiga.

    Organize-se pra não ter que ficar sem dinheiro numa emergência no meio do caminho.

    5) Faça um calendário de vencimento de aplicações e prepare-se de antemão para o vencimento das mesmas.

    Semanas antes esteja “antenado” com as taxas oferecidas por produtos congêneres.

    Quando a aplicação vencer, você já deve estar consciente das situações de mercado.

    6) Gosto muito do App Renda Fixa. Uma ferramenta e tanto !

    Porém , voltando ao item #1, vc tem que estar aberto (disposto) a abrir conta em outros bancos.

    Através do App você terá uma visão bem mais abrangente dos produtos disponíveis,
    taxas, etc do que se for conversar com o gerente do SEU BANCO.

    7) Se o investimento é tributado OU NÃO, o que importa é a rentabilidade FINAL.
    Não pense que só porque é isento a rentabilidade é boa ! Uma LCI (isenta) de 80 % do CDI é muito PIOR do que um CDB de 122 % do CDI, mesmo que esse seja tributado ! Calcule a rentabilidade líquida FINAL. Cuidado ao comprar produtos diferentes : veja se são do mesmo PRAZO obviamente.

    8) Abrir conta e ter conta em “N” Bancos menores DÁ TRABALHO ! Dá muito trabalho. Mas esse é o ônus da chamada “arquitetura aberta”. Pra ganhar mais dinheiro vc tem que ter mais trabalho , se empenhar mais !

    Os grandes bancos lhe dão a “conveniência” de num extrato só ter todas as suas aplicações. Extrato Detalhado/Completo das suas aplicações, visão “holística”, gráficos/etc.

    De novo na arquitetura aberta é você quem terá que controlar isso à mão.

    É um dos preços pela rentabilidade maior.

    O gráfico “pizza” coloridinho do seu extrato do seu “Grande Banco” pode estar lhe custando MUITO CARO em termos de perda de rendmento !

    9) Muitos bancos e corretoras permitem a abertura de conta por meio totalmente digital. Acostume-se a isso !

    Igualmente o App Cam Scanner pode te ajudar muito aqui também .

    10)Tenho uma regra particular que pode lhe ser útil : NUNCA mais do que 10 % do
    meu Patrimônio Liquido num único ativo.

    Assim, jamais terei mais que 10 % do meu patrimônio num CDB ou LCI por exemplo. A idéia é que no pior caso , mesmo com o FGC, não sofra uma perda maior que 10 % do meu P/L.

    Essa regra é para UM ATIVO somente, não para uma classe de ativos. Não confundir Classe de Ativos com o ativo em si.

    No meu caso tenho 50 % do meu P/L em Renda Fixa porém dentro da mesma NENHUM TITULO excede 10 % do meu P/L.

    De qualquer modo faça adaptações nessa regra para seu caso em particular.

    11) Tenha conta em mais do que uma corretora. Observe que algumas corretoras são especializadas num tipo de produto e tem tarifa ZERO para os mesmos.

    Exemplo : tem corretora com tarifa ZERO para TD.

    Outra igualmente tem tarifa ZERO para FIIs. E assim por diante.

    Também , tendo conta em várias corretoras lhe permitira estar operacionalmente
    “pronto” quando tiver um recurso, isto é, não precisa abrir conta , etc etc.

    Basta aplicar pois a conta já está aberta. Mais rápido !

    Hoje em dia as Corretoras são plataformas de investimento oferecendo acesso a muitos produtos de Bancos e Gestores diversos.

    12) Da mesma forma não tenha medo da “corretora quebrar”. Entenda o que significa a mesma “quebrar” e o que acontece com o seu dinheiro. Esse é um medo popular : “Ah, mas eu vou mandar dinheiro pra uma corretora ?? O que é isso ???”
    Informe-se ! Dúvida “tonta” : a corretora vai quebrar e vou perder TOOOODO o meu dinheiro !

    Enfim, espero que um ou outro item possa lhe ser útil !

    suce$$o a todos !

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:11 #

      José Adriano!

      Excelentes complementos!

      Tá praticamente um guest post dentro do artigo. Sensacionais as suas dicas!

      Forte abraço!

    • Paul 29 de março de 2018 at 10:30 #

      O medo em relação à corretora não se reduz ao banal “quebra”, mas sim em relação à má-fé. Roubo de dados, mudança de títulos do TD para a própria custódia, puro “roubo” de dinheiro mesmo…

      São exemplos recentes de pequenas e grandes corretoras aqui no Brasil.

      Claro, não se deve deixar de abrir e usar uma conta nelas, mas há riscos sim.

  5. Claudinei Fernandes 26 de março de 2018 at 12:47 #

    Acho que com juros reais próximo de 4% não é necessário correr riscos, principalmente quem já está com meio caminho andado rumo a aposentadoria ou independência financeira. Com um cenário político imprevisível acho arriscado entrar agora na renda variável. Valeu, Guilherme.

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:12 #

      Verdade, Claudinei, e ainda acrescento o fato de a Bolsa estar num nível nominal histórico bem próximo do topo, o que contribui para redobrar as cautelas.

  6. Joao Martins 26 de março de 2018 at 15:01 #

    Parabéns Guilherme! Em qualquer outro site, seria um texto dirigindo o leitor a assinar o site ou comprar um “curso do fulano especialista que eu apoio” . Você além de escrever bem e passar conhecimentos sólidos, mantem o caráter, parabéns.

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:14 #

      Obrigado pelas palavras, João!

      O objetivo aqui é justamente educacional: formar leitores e investidores conscientes, que saibam decidir por conta própria seus rumos e seus investimentos.

      Quanto mais independente ele for na maneira de pensar e agir, menos suscetível estará a essas armadilhas do mercado, principalmente do mercado editorial.

  7. André 26 de março de 2018 at 17:13 #

    É verdade, Guilherme!

    Eu não sei se você também fica incomodado com alguém que ver lhe pedir “dicas”. Essa palavra representa a coisa mais superficial e inútil que podemos pedir a alguém. “Dicas” são momentâneas, não possuem leis, não são algo imutável e perene que vai lhe auxiliar em sua vida inteira. As pessoas, ao invés de dicas e dicas deveriam buscar sabedorias que reforcem sua base de conhecimento, de forma que sempre possam usá-las em várias situações.

    Mas… as dicas são mais fáceis né? E segue a vida. Mesmo com selic em baixa (e olha que estará logo ainda mais baixa), vamos continuar recebendo juros e dividendos daqueles que sustentam o sistema.

    Abraço!

    • Guilherme 26 de março de 2018 at 17:56 #

      rsrssrs…. eu também, André!

      As massas continuam fazendo o que sempre fizeram a vida inteira, em busca de atalhos e fórmulas mágicas. Poucos são os que realmente pensam, agem e executam de forma independente, e buscam aprimorar a arte de investir.

      A maioria quer o resultado, mas não quer enfrentar o processo que culminou no resultado.

      Abraços!

  8. Sherpa 26 de março de 2018 at 21:12 #

    Excelente reflexões, tanto no texto principal como nós comentários. Um repertório…. Parabéns a essa comunidade aqui reunida!!

    • Guilherme 27 de março de 2018 at 17:54 #

      Obrigado, Sherpa! Realmente, a comunidade está de parabéns!

  9. Marcos 9 de abril de 2018 at 14:11 #

    Tudo é relativo
    Mas uma coisa é certa
    para quem tem pouca grana em época de juros baixos tem que tomar muito cuidado, a rentabilidade é pequena

    a inflação está sob controle mas o custo de vida não pode ser alto

    tem que dar graças a Deus aquele que possui alguma renda ou seja, está trabalhando e ainda consegue fazer reserva Faça sol faça chuva

    é assim que se constrói um patrimônio
    Não lamente por ter Escolhido um produto que parecia ser bom no passado e que agora ou dentro de em breve lhe pagará um rendimento medíocre

    melhor poupar sempre do que ficar esperando acertar no investimento com maior rentabilidade

    quando a taxa SELIC voltar a subir Pois acredito que isso vai acontecer um dia
    a inflação também vai subir junto
    e não adianta

    a gente sempre vai ganhar a mesma coisa, o que vale nos cálculos é o juro Real
    depois do desconto das taxas e impostos e a inflação.

    depois do plano real, tenho a impressão de que só dá para ganhar dinheiro aplicado para quem tem muito mas muito mesmo

    mas um dia você chega lá.

    • Guilherme 9 de abril de 2018 at 17:38 #

      Excelentes recomendações, Marcos!

      De fato, o que mais importa são os juros reais, a capacidade de realizar aportes com frequência, e manter o custo de vida sob rígido controle.

      Abraços!

  10. Evandro 27 de abril de 2018 at 19:37 #

    Boa noite, Guilherme!

    Notei que o LCA do BB voltou a render próximo a antes. Agora, a partir de R$1000,00, rende 83,25% do CDI e prazo de 720 dias. Agora também a taxa aumenta ligeiramente com o aumento da aplicação, por exemplo, com R$100 mil, rende 83,5%, R$300 mil, 83,75%, etc…

    Comparado com o Tesouro SELIC, quanto de rentabilidade faz esse LCA valer mais a pena, considerando uma corretora que não cobre taxa no TD? O cálculo pra isso basta considerar o IR no Tesouro ou tem outros fatores pra comparação? Tenho um investimento nesse LCA a 83% que vence esse ano, estou avaliando se resgato e reaplico no próprio BB ou migro para o Tesouro SELIC.

    Obrigado!

    • Marcos 27 de abril de 2018 at 19:44 #

      Não é por nada não mas está na hora de você procurar alguma instituição financeira que paga mais

      de preferência 100% do CDI

      qualquer coisa abaixo disso é muito pouco

      lembre-se que o CDI está encostado na SELIC e mesmo você obtendo rentabilidade próxima ou Idêntica à SELIC isso é praticamente rentabilidade de poupança antiga

      aquelas com datas anteriores a 3 de maio de 2012 portanto hoje para ganhar dinheiro na renda fixa Tá difícil

      mas poderia ser melhor do que essa rentabilidade que você falou.

      • Evandro 27 de abril de 2018 at 19:51 #

        Sim, eu tenho conta numa corretora e algumas aplicações em CDB de bancos privados (sem liquidez até o vencimento, mas a 120% do CDI e prefixadas) e Tesouro Direto. Confesso que preciso aumentar o investimento nessas modalidades, o que significa imobilizar uma parte maior dos meus investimentos, mas o que procuro com o Tesouro SELIC ou LCA do BB é manter a reserva de emergência num lugar melhor do que a nova poupança.

        Em tempo, no meu post original falei em investir R$1.000,00 no LCA, mas a aplicação mínima são R$10.000,00.

        • Marcos 27 de abril de 2018 at 19:59 #

          Entendi
          ah então você está no caminho certo

          mas esses dias eu experimentei o nu conta do NuBank e estou gostando do sistema de aplicação e iliquidez de lá

          qualquer valor rende 100% da CDI

          Você conhece essas contas digitais similares?

          • Evandro 27 de abril de 2018 at 20:13 #

            A minha conta no BB é eletrônica, acho que fui um dos últimos sortudos a conseguir essa façanha! rs Mas já ouvi falar dessa do Nubank e do Intermedium, só não conhecia a rentabilidade que você apresentou, vou pesquisar sobre, obrigado!

            • Marcos 27 de abril de 2018 at 20:32 #

              Por nada Evandro
              algumas informações a mais que eu posso lhe passar é que o contrato lá é de até 721 dias a liquidez é diária

              E você tem Total flexibilidade acho que deve ter outras instituições financeiras com essa mesma proposta também

              vejo como uma boa opção para o atual momento assim você evita também de ficar apenas movimentando com o Banco do Brasil

              é sempre bom ter uma opção a mais quando possível Claro

              boa sorte e espero que o Guilherme Concorde conosco.

              • Evandro 27 de abril de 2018 at 20:38 #

                Sim, com certeza! Já que você comentou, essa rentabilidade já é isenta de IR? Ou o IR é cobrado conforme o prazo de aplicação?

                • Marcos 27 de abril de 2018 at 20:43 #

                  Se você deixar o dinheiro no prazo máximo Provavelmente você vai entrar na alíquota dos 15%

                  Mas se tirar antes desse prazo vai entrar nas outras alíquotas partindo de 22,5% depois caindo para 20% e finalmente para 17,5% como toda aplicação faz quando desconta o imposto de renda

                  mas a rentabilidade é de 100% do CDI o desconto é feito no ato do Resgate

                  IOF só será cobrado para aplicações até 29 dias

                  e não é cobrada nenhuma outra taxa ou desconto pelo serviço.

                  • Evandro 27 de abril de 2018 at 21:24 #

                    Entendi! Mais uma vez, obrigado!

    • Evandro 28 de abril de 2018 at 14:18 #

      Ainda tenho dúvida em relação ao TD e LCA.

      A principal questão é que certa vez utilizei uma planilha de comparação que fazia as contas da rentabilidade do LCA por “dias úteis” e do Tesouro Direto, de forma mais simples, por tempo de aplicação em meses. Com isso, não ficava intuitivo apenas descontar o imposto e taxa do TD para verificar a viabilidade do LCA.

      Se estou confundindo as coisas e essa análise for tão simples quanto me parece, então o LCA, a partir de 83,25% do CDI, sem taxas nem IR, para reserva de emergência, me parece mais viável, menos burocrático e um pouco mais rentável do que o Tesouro SELIC, correto?

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