[Guest post] Vale a pena investir em renda fixa com juro baixo?

O blog Valores Reais tem o orgulho de apresentar mais um guest post vindo de um de seus mais notáveis parceiros da blogosfera das finanças pessoais.

Trata-se do blog Mais Retorno, que tem, como um de seus principais pilares, “fornecer a melhor informação, atendimento e ferramentas aos investidores e profissionais do mercado financeiro”, bem como “ajudar o brasileiro a investir mais e melhor, entregando mais resultados com honestidade, transparência e confiabilidade”.

Sabemos que, a cada dia que passa, um número cada vez maior de brasileiros têm se engajado a aprender mais sobre finanças, principalmente depois da crise econômica que atingiu o Brasil nos últimos anos – crise econômica essa que é considerada por muitos especialistas como a segunda pior crise econômica dos últimos cem anos.

Dentro desse contexto, o blog tem procurado produzir, além de textos mais aprofundados sobre investimentos, também conteúdos endereçados especificamente a esse público iniciante na educação financeira.

O texto de hoje se encaixa dentro dessa filosofia do blog, de educar e ajudar leitores a desbravarem melhor o mundo das finanças, a fim de terem autonomia e independência na condução de suas decisões de investimentos.

Discorreremos sobre 5 modalidades de investimentos na classe da renda fixa que ainda vale a pena conhecer, mesmo com juros no atual patamar – 6,5% a.a.

Vale realçanr que dois desses investimentos nunca foram abordados antes em artigos do blog – as LCs e as CRIs e CRAs – o que torna o artigo também de destaque para os leitores mais antigos do blog que porventura também não estejam a par desses tipos de investimentos.

Confiram! 😀

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Vale a pena investir em renda fixa com juro baixo?

Ao avaliar investimentos que existem no Brasil, você já teve algum pensamento parecido com este?

Provavelmente se você busca sempre entender como funcionam os fundos, títulos ou ações, a resposta pode ser sim.

E nada melhor do que entender onde estão as melhores oportunidades de investimentos para você, aproveitando os momentos econômicos, como a queda de juros este ano.

Até porque, sabendo onde seu dinheiro renderá mais, você poderá alcançar sua independência financeira muito mais cedo.

E entre os investimentos existe um grande leque de opções, seja para um investidor conservador, seja até mesmo para alguém que prefira arriscar mais.

Então se você busca algum destes fatores, está no caminho certo.

Por isso, continue lendo para conhecer 5 investimentos de Renda Fixa que ainda valem a pena, mesmo com os juros mais baixos da história econômica brasileira (6,5% a.a.):

  1. Debêntures
  2. Letras de Câmbio (LC’s)
  3. CRI e CRA
  4. Títulos Públicos
  5. Fundos de investimentos
  1. Debêntures

Quando você vai à feira e vê duas bancas de frutas, uma frente à outra, vendendo, por exemplo, maçãs verdes, é provável que avalie os valores das duas, a qualidade do produto, e até dê uma olhadinha em outras opções de bancas, certo?

Da mesma forma deve ser feito no mundo dos investimentos. Por isso é tão importante que você conheça as opções que existem para que possa diversificar sua carteira, e, assim, obter retornos com qualidade.

Algumas opções muito tradicionais neste meio são as debêntures, cada uma com sua característica que as diferenciam e podem variar de acordo com o que você está buscando.

E para saber se este é um bom investimento, é necessário que você entenda o que são debêntures e assim identifique suas vantagens e desvantagens.

Mas vamos lá ao que interessa: o objetivo central deste investimento é dar suporte à empresas que buscam o desenvolvimento de seus projetos, já que recorrer a bancos pode sair muito caro.

Por isso, com as debêntures, as empresas conseguem gastar menos com juros de financiamento, e conseguem um prazo mais extenso de pagamento, e aqui entram as características do tipo de debênture que você pode investir.

Ou seja, são 2 tipos de debêntures no mercado, e cada uma delas possui suas regras e formatos, que as diferenciam:

  • Debênture simples: é a opção mais comum, podem ser pagas direto na sua conta corrente e possuem juros pré, pós- fixados e aqueles que são indexados a algum índice de inflação, chamados híbridos.
  • Debênture conversível: Em muitos casos recebe o valor investindo em ações da empresa emissora.

Uma boa alternativa também é investir em debêntures incentivadas (é como uma ramificação da debênture simples citada acima), porque ela é a única que possui isenção de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e IR (Imposto de Renda). Seu objetivo é investir em projetos de infraestrutura, como rodovias, saneamento básico, portos e aeroportos, entre outros.

E você, investidor, pode aplicar seu dinheiro nestes títulos, auxiliando o desenvolvimento de muitas empresas, e como benefício recebe uma rentabilidade muito maior do que em aplicações de renda fixa mais comuns, ou até mesmo a poupança.

Estas vantagens chamam a atenção de muitos investidores, principalmente pela queda dos juros e a oportunidade de rentabilizar mais seus investimentos.

  1. Letras de Câmbio (LC’s)

Este já é um título oferecido e emitido por financeiras onde realmente você pode financiá-las, em troca de uma rentabilidade diária, segundo o que foi estipulado em sua compra.

Isso ocorre porque, ao adquirir as letras de câmbio, você encontrará 3 formatos para escolher sobre o rendimento delas: pré, pós-fixados e híbridos.

Mas o que chama atenção neste investimento é o fato de possuir segurança e rentabilidade um pouco maior que alguns títulos comuns, como o CDB.

E falamos de segurança porque este título possui FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para que, em casos como falência da instituição onde você aplicar seu investimento, possam restituí-lo em até R$ 250 mil, o que te faz ter mais tranquilidade ao aplicar o seu dinheiro neste título.

As LC’s são uma excelente alternativa de renda fixa para investidores que buscam mais retorno, mas sem se arriscar muito.

No entanto, se você for um investidor mais agressivo, títulos de crédito privado como debêntures, CRIs e CRAs podem ser mais interessantes.

  1. CRI e CRA

Se você gostou das debêntures, especificamente as incentivadas, vai gostar muito desses investimentos conhecidos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis de Agronegócio (CRA).

Isto porque eles também buscam auxiliar empresas no desenvolvimento dos seus projetos, são isentos de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e IR (Imposto de Renda).

Além disso, oferecem taxas de juros muito atrativas, tornando um ótimo investimento de renda fixa.

Mas como nem tudo é tão perfeito como gostaríamos, esses títulos possuem uma grande desvantagem: o temido risco de crédito elevado.

Ou seja, há a possibilidade de perdas no seu rendimento e até do valor inicial investido. Caso a empresa na qual você investe vier à falência, infelizmente você não terá a restituição destes valores, somente em casos judiciais, e olhe lá.

Isso significa que é preciso uma avaliação especializada sobre quais serão as instituições que receberão os seus rendimentos.

Nestes casos, existem empresas de rating, especializadas em riscos, que podem informar quais são as instituições mais seguras que negociam esses títulos. Este processo ocorre através de notas determinadas entre AAA (melhor avaliada) e D (mais arriscada).

Assim, é possível investir com uma segurança maior sobre onde estarão suas aplicações e quais instituições serão mais vantajosas para você para obter altos rendimentos.

  1. Títulos Públicos

Se além de altos rendimentos você busca também obter garantia de retorno, este é o investimento certo para você!

Títulos públicos são investimentos com o objetivo de auxiliar o Governo Federal no déficit público, ou seja, você empresta o seu dinheiro para o país e recebe juros em troca por isso.

Seus maiores benefícios são:

  • Liquidez, ou seja sua facilidade para compra e venda;
  • A segurança que está na garantia de pagamento do Governo Federal;
  • E a boa rentabilidade em comparação a aplicações de grandes bancos.

 

E o melhor é que existem opções muito acessíveis onde você pode começar a investir com apenas R$ 30,00.

Entre seus tipos, existem 3 principais:

  1. LFT (Letra Financeira do Tesouro), conhecido como Tesouro SELIC, possui essa nomenclatura por sempre acompanhar a taxa SELIC. E neste caso seus rendimentos são pós-fixados, logo você só saberá seu valor total no vencimento. Seu maior benefício está no risco baixo.
  2. LTN (Letra do Tesouro Nacional), chamado também como Tesouro Prefixado, tem como objetivo uma rentabilidade exata, ou seja, ao comprar este título você decide a data que irá retirar o valor total e saberá também qual será o seu rendimento no período estipulado.
  3. NTB-B (Nota do Tesouro Nacional – série B) ou Tesouro IPCA como é nomeado, possui a característica de funcionamento híbrido, ou seja, é sempre acompanhado por duas taxas: IPCA (inflação) e uma taxa de juros que é prefixada no ato de sua compra. Este é um título muito indicado para quem busca se proteger da inflação.

 

Viu só? Existem opções para cada estilo de investimento que você esteja procurando, basta entender seu lado positivo ou negativo.

 

  1. Fundos de investimento

Aqui está mais uma ótima opção para diversificar sua carteira, com ótimos retornos.

E falamos isso porque existem mais de 25 mil fundos com diferentes tipos de risco, retorno e liquidez.

Mas vamos ao que realmente interessa:

Este é um tipo de investimento que basicamente objetiva o seu rendimento, mas em conjunto com outros investidores também.

Ou seja, são aplicações onde vários investidores podem aplicar seus valores, como uma espécie de grupo que “divide” os custos, como o salário do gestor, que auxiliará nos processos, por exemplo.

E fundos de renda fixa podem ser uma ótima alternativa para rentabilizar melhor seus investimentos com os juros baixos, como fundos DI, fundos de crédito privado e FIDC por exemplo.

Mas é claro que, diante de grande variedade, existem muitos outros fundos que podem ser vantajosos também neste mundo dos investimentos.

Por isso, é muito interessante que você conheça os melhores fundos de investimento, onde você pode encontrar as menores taxas de administração, diversificar seu patrimônio em vários ativos (já que existem tantos no mercado, não é mesmo?) e também contar com um gestor especialista para poder fazer as melhores aplicações para você.

 

Conclusão

Então o que você está esperando para começar a investir?

Como vimos, independente do estilo de investimento que você busca, sempre existirão diversas opções.

Muitos investimentos de renda fixa possuem rendimento maior que títulos tradicionais do mercado e na maioria dos  casos até mesmo da própria poupança.

Por isso, antes de ser engolido por propagandas enganosas sobre rendimentos incríveis, com baixo risco e elevada liquidez (o que sabemos que é quase impossível em nosso mercado financeiro), procure avaliar sobre cada um dos investimentos que se encaixam no que você busca.

Aqui listamos os 5 investimentos mais rentáveis que podem ser a melhor saída para as suas aplicações com o juro em baixa.

Aproveite as informações adquiridas com a lista e invista nas opções com as melhores vantagens para você..

Ficou com alguma dúvida? Deixe nos comentários aqui embaixo!

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Mais Retorno é uma fintech que tem como objetivo informar, ensinar e desmistificar o mundo dos investimentos e finanças pessoais para investidores de todos os níveis, com isenção e uma linguagem divertida, interessante, prática e acessível.

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Créditos da imagem: Free Digital Photos

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12 Responses to [Guest post] Vale a pena investir em renda fixa com juro baixo?

  1. Simplicidade e Harmonia 7 de maio de 2018 at 6:54 #

    Guilherme,

    Acredita que estou terminando um artigo sobre o mesmo tema para o meu blog? Vou postá-lo na próxima semana, dia 15.
    Gostei das explicações sobre cada produto, irei colocar seu guest post como referência, pois minha intenção não é descrever cada um deles, mas seguir outra linha de raciocínio.

    Boa semana!
    Simplicidade e Harmonia

    • Guilherme 8 de maio de 2018 at 0:12 #

      Oi Rosana!

      Acredito sim! É a sincronia de energias e pensamentos, muito comum aqui na blogosfera das finanças, em que muitos de nós temos afinidades de ideias, e, quando elas surgem, geralmente são quase que no mesmo instante!

      Gostei de saber que você irá escrever sobre o tema, mas sob uma ótica diferente. Fico no aguardo!

      Boa semana também!

  2. Paulo Lucas 7 de maio de 2018 at 15:07 #

    Como sempre, excelente post. Contudo tenho que levantar um ponto que tem que acometido. Acontece com vocês nao saber onde investir? Estou em uma fase que não tenho ao certo um “objetivo” financeiro, alguém já passou por situação semelhante?

    • Guilherme 8 de maio de 2018 at 0:15 #

      Oi Paulo, obrigado!

      Sim, essa sensação de não saber onde investir é mais comum do que se imagina, seja porque conquistamos alguns objetivos financeiros há pouco tempo, seja porque estamos nos concentrando em outras áreas da vida.

      Nesses casos, eu penso que se deve priorizar a alocação em renda fixa, no chamado “caixa”, até você conseguir definir com clareza seus objetivos em relação ao uso do dinheiro, e depois ir alocando conforme suas necessidades e objetivos.

      Abraços!

  3. ANDRE R AZEVEDO 7 de maio de 2018 at 15:49 #

    Olá, Guilherme!

    Vou dar um pitaquinho aqui: Dessas 5, gosto das debêntures, LCs para uma graninha de curto prazo e do TD IPCA para longo. Acho que é um bom balanceamento em renda fixa, considerando que temos uma reserva em CDB diário.

    Fundos acho muito ruins. Pode haver uma exceção aqui e acolá, mas em geral, pagar taxa de administração e come-cotas acaba fazendo que o administrador tenha que ser muito bom para vencer o mercado comparando as taxas líquidas. E muitas pesquisas foram feitas e mostraram que a maioria não vence (de novo, taxas líquidas – as comparações que aparecem por aí mostram sempre as taxas brutas).

    CRAs e CRIs, olha… pode ser encucação minha, mas sempre quando recebo mensagens de CRs pelas corretoras, parece que vai contra o mercado tende a ir. Explico. IBOV sobe para caramba. IFR lá em cima, superação de Bollinger, etc. Daí começam a aparecer CRs onde vc só teria alguma vantagem se o IBOV continuasse ladeira acima. Ou seja, parece que seus emissores usam sinais de mercado para colocar no mercado algo onde eles, probabilisticamente, possuem vantagens e seus compradores, desvantagens.

    Enfim, não costumo entrar nessa também rsrs

    Abraço!

    • Guilherme 8 de maio de 2018 at 0:17 #

      Olá André!

      Excelente explanação, ainda mais vinda de alguém bastante experiente no mercado financeiro.

      Temos perfis bastante semelhantes, pois também gosto de alocar o dinheiro de caixa em CDBs DIs.

      Sobre CRIs e CRAs, gostei dessa sua observação comparando-as com o desempenho do IBOV. É bom ficar atento a essas pegadinhas, pra evitar cair em investimentos onde quem parece auferir vantagens é somente o emissor…..rs

      Abraços!

  4. Paul 8 de maio de 2018 at 14:04 #

    Nas últimas colunas do Mauro Halfed ele vem dando dicas também para os investidores conservadores ou que não estão dispostas a grandes perdas. Segundo ele, nesse momento de eleições, o mais “seguro” seria não se arriscar. Foco em Tesouro Direto (Tesouro Selic) e talvez algum fundo com taxa de administração baixa (0,5%0.

    Fundos imobiliários, por exemplo, ele analisa que subiu muito nos últimos 2 anos e não vale mais a pena. Assim como muitos investimentos em renda fixa.. No momento é mais interessante buscar algum com prazo curto e juros pós-fixados, segundo ele.

    Confiram no site da CBN.

    • Guilherme 9 de maio de 2018 at 21:24 #

      Olá, Paul,

      Concordo com ele. Em linhas gerais, para investidores conservadores, é melhor focar em investimentos que não oscilem ao sabor da volatilidade dos mercados.

      Os fundos imobiliários realmente subiram muito nos últimos anos. Atualmente, quase tudo já está precificado pelo mercado.

  5. Vania 9 de maio de 2018 at 0:43 #

    Post bem interessante.
    Sempre acho que a rentabilidade um pouquinho maior de alguns desses investimentos não vale o aumento do risco.

    • Guilherme 9 de maio de 2018 at 21:25 #

      Oi Vania!

      Concordo com você. A atratividade dos investimentos na classe da renda fixa está muito baixa para compensar eventuais aumentos de risco.

  6. Adriana 11 de maio de 2018 at 8:46 #

    Tenho perfil conservador e pelo menos 80% da minha carteira está em renda fixa (atualmente cerca de 35% em CDBs e LCIs com diversos prazos e de diversos emissores e 45% em Tesouro). Desde o ano passado comecei a fazer pequenos investimentos em ETF e FII, mas nunca mais de 10% da carteira em cada um. Mais como forma de aprendizado, para ir entendendo como funciona aos poucos e observar os resultados com o tempo. Antes da queda dos juros, 100% dos investimentos era em renda fixa, somente a queda dos juros me fez sair da zona de conforto. Como sou jovem e sem família para sustentar, “conversei” comigo mesma e concordei que os aproximados 20% investidos em ETF e FII são toleráveis. Mesmo que com o tempo os ganhos em renda variável sejam mais expressivos, não pretendo abandonar os 80% investidos em renda fixa pela tranquilidade proporcionada.

    Nunca comprei CRIs e CRAs, não sei o suficiente deles e as vezes tenho a impressão que as corretoras tentam empurrar os mesmos para os clientes, então desconfio. Além disso, a garantia do FGC tem um impacto forte na alocação de ativos.

  7. Guilherme 11 de maio de 2018 at 16:55 #

    Excelente alocação, Adriana!

    Temos que investir em classes de ativos que nos proporcionem conforto e confiança de que os objetivos financeiros sejam alcançados.

    Sua alocação está muito boa, considerando que você faz uma boa distribuição entre produtos ora isentos de taxas de administração (CDBs), ora isentos de imposto de renda (LCIs).

    E é muito acertada sua ideia de fazer uma exposição de parcela de seu capital em ativos de risco, a fim de melhorar a rentabilidade da carteira como um todo.

    Abraços!

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