Resenha: The Shallows – What the Internet is doing to our brains, de Nicholas Carr. Parte 1.

Quantos livros você leu no último semestre (sem contar os livros cuja leitura tenha sido “obrigatória”, como os de faculdade)?

Você alguma vez já recebeu um email ou mensagem de WhatsApp e, minutos (eu disse minutos) depois, foi cobrado por, apesar de ter visualizado, não ter respondido “ainda”?

Você lê integralmente os textos que aparecem na tela de seu computador, tablet ou celular, ou faz apenas um escaneamento visual, identificando inicialmente quais são as ideias principais, mas depois apenas passando os olhos sobre o restante do texto?

Qual foi a última vez que você ficou uma refeição inteira sem olhar para o celular?

Quando o avião aterrissa, a primeira coisa que você faz é ligar o celular?

Você trabalha com quantas abas abertas ao mesmo tempo no navegador do seu computador?

Você já reparou que muitas pessoas, da entrada à saída do elevador, não olham uma única vez para as pessoas, concentrando-se 100% na tela de vidro do celular?

………………………..

*** Dica inicial de leitura: despreze os links para outros artigos. Foque inicialmente na leitura pura e simples do texto. Depois de completada a leitura, volte, querendo, para o link de sua preferência. Na segunda parte da resenha eu explicarei o motivo. 😉

Um dos temas centrais do blog ao longo dos últimos anos tem sido o de ressaltar a importância de manter a concentração numa era que podemos chamar de a era da distração.

Pagamos um alto preço por querermos nos manter conectados o tempo todo, e não estou falando do preço financeiro, que é o menor dos males, mas sim o preço de nossa individualidade, de nossa capacidade de pensar de modo crítico, e de nossos valores mais humanos, tais como criatividade, reflexão e contemplação.

Há quase 10 anos, li uma vez, na Folha de S. Paulo, os comentários a um livro – The Shallows: What the Internet is doing to our brains (sem lançamento no português) – de um autor chamado Nicholas Carr, sobre os efeitos perturbadores que a Internet estava produzindo em nossos cérebros. Lembro como se fosse hoje: a matéria estava na última página (contracapa) do primeiro caderno, e ocupava uma página inteira.

Em resumo, o livro dizia que o modo como a informação era disseminada na grande rede mundial estava deteriorando nosso cérebro em um nível físico, destruindo as conexões e circuitos cerebrais responsáveis pela formação de pensamentos profundos e capacidade analítica de processar informações, com resultados perniciosos sobre a nossa memória de longo prazo, e também sobre nossa criatividade. Ou seja, a Internet estava deixando as pessoas menos inteligentes.

Confesso que, quando li o referido artigo, à época (idos de 2010), o achei um tanto quanto exagerado. Afinal de contas, o crescimento, a passos cada vez mais largos, da velocidade da rede, bem como da popularização dos serviços oferecidos por meio da Internet, estava facilitando – e muito, diria eu – a vida das pessoas. Naquela época, o iPad tinha acabado de ser lançado, as redes 3G começavam a se popularizar nos celulares, e os custos da Internet fixa estavam caindo cada vez mais, na proporção inversa da melhoria de velocidade nas infraestruturas das redes.

Acho que isso faz parte da natureza humana: é difícil mesmo ter um olhar “de fora” quando você está literalmente dentro da crista da onda.

Porém, gradativamente eu mesmo fui percebendo, ao longo dos anos que percorreram – e ainda percorrem – essa década, dos efeitos prejudiciais que a exposição contínua à Internet pode fazer aos nossos cérebros, particularmente às nossas funções cognitivas que demandam capacidade de prestar atenção de modo contínuo.

Paralelamente a tudo isso, fui lendo livros e artigos que reforçavam essa constatação, até que, nesse mês de junho de 2018, cheguei à leitura do livro objeto da resenha de hoje – sim, aquele mesmo livro cujas ideias eu tinha achado meio “forçadas” há quase uma década.

Informações técnicas

Título: The Shallows – What the Internet is doing to our brains

Autor: Nicholas Carr

Páginas: 280

Editora: Norton

Preço médio: USD 7 (Amazon americana)

Lançamento: 2010

Sumário

Comecemos pelo fim: para quem não lê o livro, a conclusão da obra – a Internet como um perigo para nossas funções cerebrais mais nobres – choca pela sua originalidade, mas choca mais ainda para quem acompanha a linha de raciocínio do autor, porque você acaba se convencendo dos argumentos expostos na obra.

Essa linha de raciocínio é desenvolvida ao longo de todos os capítulos do livro, com base em inúmeros estudos científicos, conduzidos seja (a) por psicólogos, psicoterapeutas ou psiquiatras que estudam os aspectos sociais e emocionais do uso da Internet, seja por (b) médicos que fazem estudos no funcionamento do cérebro em níveis bioquímico e físico.

Em resumo, o autor conclui que a Internet está fragmentando nossa atenção, alterando a profundidade de nossas emoções e de nossos pensamentos, e diminuindo nossa capacidade de aprendizado.

A Internet está nos deixando, em certa medida, menos “humanos” e mais “robotizados”, ao menos no que tange à nossa inteligência.

Tecnologia intelectual

A Internet faz parte da categoria de tecnologias intelectuais.

Há 4 categorias de tecnologia inventadas pelo ser humano.

Uma delas amplia nossas capacidades físicas, destreza ou resiliência. Exemplos: o arado, o avião, a agulha.

A segunda estende o alcance ou a sensibilidade de nossos sentidos. Exemplos: microscópio, amplificador de som.

Um terceiro conjunto de tecnologias nos permite redefinir a natureza de modo a melhor servir nossos desejos ou necessidades. Exemplos: pílula de controle da natalidade, o milho geneticamente modificado.

O quarto conjunto de tecnologias é justamente o conjunto de tecnologias intelectuais. São todas as ferramentas que nós usamos para auxiliar ou ampliar nossos poderes mentais: para achar e classificar informações, para formular e articular ideias, para compartilhar conhecimento, para tomar medidas e realizar cálculos, para expandir a capacidade de nossa memória.

Vários são os exemplos de tecnologias intelectuais a serviço do ser humano, que fizeram a Humanidade chegar ao nível que ela se encontra hoje: máquina de escrever, o ábaco, o livro, a escola, a biblioteca, o computador… e a Internet.

De todas as tecnologias intelectuais já inventadas pelo ser humano, Carr destaca que as 3 mais importantes são o alfabeto, o sistema numérico e a Internet.

O poder das tecnologias intelectuais não pode ser desprezado, pois, uma vez popularizadas, elas promovem, frequentemente, novas maneiras de pensar, ou estendem à sociedade em geral tipos de pensamentos que antes estavam limitados a um pequeno grupo, a uma elite.

Apesar de nós invertamos e moldarmos as tecnologias intelectuais, elas, paradoxalmente, acabam moldando nossos comportamentos, numa via de mão dupla.

Pense, por exemplo, nos mapas e nos relógios, duas das tecnologias intelectuais que foram criadas e aperfeiçoadas pela civilização humana ao longo dos séculos. Você conseguiria imaginar sua vida sem relógio, sem um contador de horas? Tente imaginar como seria sua vida caso ela não fosse governada por essa coisa abstrata chamada tempo.

Hoje, é inconcebível viver sem relógios, pois praticamente todo mundo vive e organiza suas rotinas, seus hábitos, suas atividades, em torno dos relógios.

É um processo que também está ocorrendo com a Internet. À medida que seu uso se populariza e fica mais onipresente na vida das pessoas, é difícil deixar de conviver com ela – e principalmente com os efeitos que ela provoca nos nossos cérebros, mesmo quando não estamos online.

Evolução histórica

Uma das coisas mais fascinantes do livro é demonstrar a evolução do uso das tecnologias intelectuais no decorrer da História. Você sabia que, quando as palavras começaram a ser escritas, quando surgiram os primeiros livros, as pessoas liam em voz alta?

Hoje, soaria ridículo você ver alguém ler em voz alta o que está no celular, no computador ou no livro. Mas antigamente todo mundo lia em voz alta, porque ler demandava um esforço cognitivo imenso (aliás, é fácil perceber isso: pense numa criança sendo alfabetizada: repare que, no começo do processo de aprendizagem, ela só consegue ler em voz alta).

Como os livros praticamente só se restringiam aos monastérios da Idade Média, e só uma pequena elite era alfabetizada, ler era um ato de intenso esforço mental, que tinha que ser feito na base do gogó.

E o ato de ler em voz alta não ocorria apenas de modo privado, mas também em público, já que a quantidade de pessoas alfabetizadas ainda se restringia a uma pequena parcela da população, e a transmissão do conhecimento ainda ocorrida de forma predominantemente oral.

Mas antes disso a situação era “pior” ainda (pior do ponto de vista de hoje, claro). As palavras eram escritas todas juntas – scripta continua -, não havia espaços entre as palavras, nem espaço entre parágrafos, como temos na linguagem de hoje.

Aliás, você já parou para pensar como o alfabeto ocidental, tal como o conhecemos hoje, tem pouco menos de 30 caracteres? Por quê não 50 letras? Por quê não 70 letras? Por quê não 100 letras?

Pois é… foi feito um esforço monumental no passado para realizar uma espécie de “economia dos caracteres”, que teve o inegável mérito de reduzir o tempo e a atenção necessárias para o rápido reconhecimento de símbolos e, portanto, requeria menos recursos de memória e percepção visual.

A passagem das tradições orais para a palavra escrita – com a consequente inserção do livro no papel central da transmissão do conhecimento (o que só foi possível através da invenção da máquina de imprensa por Gutenberg) -, foi responsável por um dos mais notáveis avanços na História da Humanidade, pois permitiu difundir o conhecimento numa velocidade jamais vista.

Isso proporcionou também uma evolução fisiológica da própria mente humana, já que ler palavras escritas requeria complexas mudanças nos circuitos cerebrais, em não só decifrar e decodificar o conjunto de sinais gráficos refletidos no texto escrito, mas também refletir sobre ele, e meditar sobre seus significados – lembremo-nos que foi nessa época que as pessoas deixaram de ler em voz alta e passaram a ler quietas, em silêncio.

Os pensamentos profundos e ainda mais abstratos passaram a ser possíveis desde então, à medida que a leitura foi: (a) se popularizando, e (b) deixando de ser uma atividade coletiva, feita em voz alta, e passando a ser realizada de forma privada, em silêncio.

Como diz o autor (p. 67): “o alfabeto, um meio de linguagem, encontro seu meio ideal no livro, um meio de escrita”.

A Internet

E o que tem a Internet a ver com tudo isso? Não é por causa da Internet que as pessoas estão lendo mais?

Sim, não há dúvidas que a Internet, como qualquer tecnologia intelectual criada e aperfeiçoada pelo ser humano, promoveu uma disseminação impressionante do conhecimento, através da palavra escrita nas telas de vidro dos celulares, tablets e computadores.

Porém, a Internet não carrega apenas textos: ela carregam também uma infinidade de outros meios de informação, tudo ao mesmo tempo, tais como sons, vídeos, imagens, hyperlinks etc. E, ao fazer tudo isso numa única tela, o caráter multimídia da Internet fragmenta o conteúdo e atrapalha a concentração.

Compare uma página de livro com uma página de Internet. A página de livro contém apenas texto – e, no máximo, umas imagens. Já uma página de Internet é um emaranhado de textos, imagens, propagandas, links, menus à direta, menus à esquerda, menus em cima, menus em baixo, mais links no final do texto etc. Tudo é feito propositadamente para distrair, capturar e roubar sua atenção.

O problema é agravado pelo fato de que as pessoas não têm mais paciência, concentração e foco de gastar muito tempo numa coisa só: devido a fatos inerentes à nossa psique, ao fato de querermos sempre recompensas de curto prazo, preferimos ler informações picotadas, que caibam nos 280 caracteres do Twitter, ou externadas em fotos aleatórias no Instagram, ou em mensagens curtas no Facebook ou no WhatsApp.

Mas não só isso: queremos também ser recompensados pelas textos de 280 caracteres que publicamos. Queremos recompensas de curto prazo, na forma de “curtidas”, likes ou joinhas, pelas coisas que escrevemos, publicamos ou postamos. Todos querem chamar sua atenção. Como diz uma frase famosa sobre a economia da Internet:

– “Se uma coisa é de graça, você é o produto”.

A Internet te coisificou. Você não é mais capaz de pensar.

Mas não é só isso. Como subproduto dos efeitos da Internet, aquilo que, no passado, era considerado uma virtude, agora é considerado um vício. Um problema. Houve uma inversão total de valores.

Escrever textos longos, no Facebook, por exemplo, ganhou uma conotação pejorativa: quem faz isso faz “textão”, e as pessoas, em sua maioria, passam longe de consumir esse tipo de conteúdo, porque elas querem consumir apenas manchetes, ou bits de informação, e nada mais.

Esse sistema de respostas e recompensas cria um ciclo vicioso, pois encoraja ainda mais ações físicas e mentais destinadas unicamente a saciar a sede por mais novidades desse tipo, sempre no curto prazo: mais respostas e recompensas, todas de caráter efêmero, precário, curto e temporário.

Com o passar do tempo, nos habituamos cada vez mais a consumir informação às tiras, aos pedaços, e, claro, perdemos também, de forma gradual, a paciência, o foco, a disciplina e a concentração em ler e escrever textos longos, que requerem o uso das capacidades mais nobres do cérebro, que são a de refletir de modo profundo, crítico e reflexivo sobre o conhecimento.

………………………………….

E você, também sente que sua capacidade de concentração diminuiu com o aumento da intensidade do uso da Internet?

Na próxima parte dessa resenha, discutiremos como a Internet está causando danos físicos ao cérebro, bem como apontaremos soluções para evitar que essa deterioração se amplie. Fecharemos a resenha com a nossa opinião sobre o conteúdo do livro. Não percam!

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25 Responses to Resenha: The Shallows – What the Internet is doing to our brains, de Nicholas Carr. Parte 1.

  1. Jeferson 18 de junho de 2018 at 11:17 #

    Excelente texto. Realmente essa busca desenfreada no conteúdo rápido assusta, ninguém mais tem paciência com ideias elaboradas… Sim, percebo a diminuição de foco. São várias abas abertas, vários sub-menus no celular…e por aí vai!

    A internet precisa ser usada de maneira muito inteligente, tanto ela no geral, como suas variantes….as redes sociais, transmissões estilo Netflix, games. As crianças já nascem coladas nesses vidros “mágicos” e já se viciam com esse tipo de rajada de luz em suas retinas. Até que ponto isso é benéfico, saudável?

    Aguardando ansiosamente a segunda parte.

    Parabéns!

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:44 #

      Olá, Jeferson, obrigado!

      Ótimas perguntas as suas. Servem de ponto de partida para gerar ainda mais reflexões!

      Abraços!

  2. Gilberto 18 de junho de 2018 at 15:48 #

    Sou suspeito, estou com 15 abas abertas! 🙂

  3. Vania 18 de junho de 2018 at 16:16 #

    De fato, tudo isso acontece, em especial entre as pessoas com menos de uns 35 anos. Essas tem mesmo muita dificuldade em se concentrar, aprofundar conhecimentos, escolher um foco. O pessoal mais velho ainda mantem essas capacidades, que foram cultivadas lá em sua infancia e adolescencia.
    Mas se a pessoa tem essas capacidades, ainda assim o canal internet não é próprio para exercê-las. Eu detesto ler os textões, mas mergulho num livro sem nenhuma dificuldade. No canal internet, espero que a informação seja rápida e breve, em outros canais espero que ela seja completa e aprofundada.

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:47 #

      Verdade, Vania.

      Quem nasceu até meados dos anos 80 ainda conseguiu pegar a era pré-Internet, e, portanto, conseguiram formar conexões neurais mais fortes durante a infância e adolescência.

      Agora, quem nasceu de lá pra cá, especialmente os millenials, e não tiveram um controle no uso das telas de vidro, correm sérios riscos de sofrerem problemas associados à fadiga mental.

      Abraços!

  4. ANDRE R AZEVEDO 18 de junho de 2018 at 17:20 #

    É verdade, Guilherme! Às vezes, uma verdade não nos revela facilmente, e precisamos da prática para aceitar a realidade. Felizmente, muitas vezes a tempo, como foi esse seu caso sobre uma das facetas da internet. Triste é pensarmos como não conseguimos capturar benefícios daquelas que ignoramos por muito tempo…

    “Pagamos um alto preço por querermos nos manter conectados o tempo todo, e não estou falando do preço financeiro, que é o menor dos males, mas sim o preço de nossa individualidade, de nossa capacidade de pensar de modo crítico, e de nossos valores mais humanos, tais como criatividade, reflexão e contemplação.” – ou seja, o preço de nosso tempo!

    Lendo esse trecho: “Com o passar do tempo, nos habituamos cada vez mais a consumir informação às tiras, aos pedaços, e, claro, perdemos também, de forma gradual, a paciência, o foco, a disciplina e a concentração em ler e escrever textos longos (…)”, eu vejo a realidade dos meus alunos adolescentes de informática, que não conseguem ler meu e-mail de “instrução para a aula” e ficam sempre perguntando, ansiosos e sem paciência, o que vamos fazer hoje, etc.

    Enfim, concordo e sinto tudo isso que o autor do livro resenhado alega. Tento, imperfeitamente ainda, tomar algumas iniciativas como não ver mais timeline do Facebook, ter abandonado minha conta no Instagram, saindo do maior número possível de grupos do Whatsapp (e silenciando aqueles onde a saída poderia causar algum atrito), usando muito mais o Kindle do que o tablet, enfim… tentando agir como agíamos há poucos anos atrás.

    GRande abraço!

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:49 #

      Oi André, excelente o seu depoimento, especialmente a parte dos seus alunos! De fato, a impaciência deve ser uma das grandes marcas da juventude atual.

      Destaco, ainda, outro trecho memorável de seu comentário:

      “Triste é pensarmos como não conseguimos capturar benefícios daquelas que ignoramos por muito tempo…”

      Pura verdade! Isso é um dos benefícios do aprendizado contínuo: a capacidade de tirarmos o véu da ignorância de muitos temas que estavam ao pleno alcance de nós.

      Abraços!

  5. Armando 18 de junho de 2018 at 19:03 #

    Lendo isso, parece q a internet ainda está na idade da pedra. Uma mistura de jornal e TV. É engraçado notar as coisas mudando, por um tempo plano de internet fixa e no celular era impossível. Você é um dos poucos que noto essa preocupação por causa de textos longos, que não é legal ir direto pro último parágrafo, etc.

  6. Assolini 18 de junho de 2018 at 23:36 #

    Trabalho conectado o dia todo, home-office, desde 2009.
    Tanta informação, notificações e distrações são um verdadeiro desafio para a produtividade.
    Com o passar dos anos percebi que estou mais imediatista, sem paciencia para ler textos grandes, o número de livros que leio diminuiu com o passar dos anos. Exatamente o sintomas descritos no texto.
    Estou no caminho de volta, me forçando a ler mais. É dificil, a tentação de sacar o smartphone ou o tablet sempre aparece. É o vício de tentar se multitarefa, o cérebro se desacostuma com o monotarefa, tão essencial para estudar algo a fundo.

    Esse livro está na minha eterna lista de leituras, que diminui num ritmo bem lento, menos do que eu gostaria.

    Grato pela resenha, é bastante útil!

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:52 #

      Legal, Assolini, seu depoimento, que espelha a situação de muitas pessoas hoje em dia.

      Eu também tento fazer minha parte. Geralmente, quando quero ler muito um livro, compro a versão do Kindle. Se o livro for muito bom mesmo, compro uma segunda versão, em papel, para assimilar melhor as ideias.

      Voltar ao papel e sua tecnologia primitiva muitas vezes é o que produz melhor resultado para nossos cérebros.

      Abraços!

  7. Simplicidade e Harmonia 19 de junho de 2018 at 7:03 #

    Guilherme,

    Excelente post!

    “Dica inicial de leitura: despreze os links para outros artigos. Foque inicialmente na leitura pura e simples do texto.”
    Ultimamente tenho pensado no assunto e em alguns posts, coloquei as referências no final. Penso que dessa forma o texto fique mais “limpo” e a atenção do leitor não fique prejudicada por ler pensando em voltar aos links, já que eles estarão no final da leitura. Mas é algo que ainda estou adaptando, pois não encontrei a maneira ideal.

    Com o excesso de informações e opções da internet, a superficialidade parece ter se tornado uma consequência.
    A maioria das pessoas não tem mais paciência e vontade para ler textos longos. Preferem textos curtos, que por melhores que sejam, não conseguem alcançar o desenvolvimento das ideias por completo.

    Estamos em uma época de overdose de informação, muitos querer saber tudo – ou o máximo possível – e dessa forma, a atenção e a concentração inevitavelmente ficam prejudicadas, pois somos seres “configurados” para uma atividade de cada vez e não a tão almejada capacidade multitarefa.

    Seu post é muito importante para refletirmos sobre o que é realmente importante para nós, de acordo com nossos valores, objetivos, propósitos e essência. Em uma época na qual a internet/smartphones estão se tornando vícios, acredito que nada melhor do que praticarmos a ignorância seletiva. Fiz um breve post sobre isso no meu blog.

    “Se uma coisa é de graça, você é o produto”.
    Infelizmente é verdade…
    Nos tornamos coisas. E o mais triste é que muitas vezes não temos consciência disso.

    Estamos consumindo ou estamos sendo consumidos?

    Boa semana! 🙂

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:55 #

      Excelentes comentários, Rosana!

      De fato, há um dilema entre aqueles que produzem conteúdo: ao mesmo tempo em que queremos que o leitor foque na leitura linear dos textos, por outro lado queremos também que o leitor se aprofunde nos temas, e, para tal, às vezes a inserção de links ajuda muito tal desiderato.

      Gostei bastante da sua última pergunta também, que gera uma ampla onda de reflexões:

      Estamos consumindo ou estamos sendo consumidos?

      Boa semana também!

  8. Jean Paulo 19 de junho de 2018 at 11:14 #

    Parabéns por mais um ótim Post Guilherme! Há temp que não comento em seu blog, mas continuo admirando seus ótimos postos!
    Muito boa resenha!
    Tenha um ótimo dia!

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:56 #

      Bom te ver de volta, Jean!

      Grato pelas palavras!

      Abraços!

  9. Adriana 19 de junho de 2018 at 13:41 #

    Ótimo assunto para colocar em pauta. Estou ansiosa pela continuação! 😉
    Fui uma criança e adolescente que lia muito, muito mesmo. Confesso que agora na vida adulta é bem mais difícil se disciplinar para ler. Não apenas pela falta de tempo, como pela facilidade de acessar outros conteúdos como filmes, séries e internet de uma forma geral. Incluir leitura na vida cotidiana é um exercício de vontade constante. Estou tentando me disciplinar para ler mais no tempo que passo no ônibus todo dia e pelo menos um pouco nos finais de semana. Confesso que antigamente passava horas a fio lendo o que atualmente acho bem mais difícil de conseguir, parece que a gente não consegue mais fazer uma coisa só por muitas horas, mesmo quando o livro é bom!

    • Adriana 19 de junho de 2018 at 13:42 #

      Maaaaaaaaaas olhei agora minha lista de livros lidos e já estou no 17º do ano!

    • Guilherme 19 de junho de 2018 at 15:59 #

      Oi Adriana, é verdade, a Internet facilitou o acesso a muitas mídias que antes estavam monopolizadas por um pequeno grupo detentor de produção de conteúdo.

      Em vista disso, todos ficamos com a atenção fragmentada e dispersa, sendo realmente bastante difícil se concentrar numa única atividade por horas a fio.

      Acho que o segredo para retomar esse ritmo é o treinamento da atenção, de forma consistente. Ou seja, com a leitura de mais livros.

      Abraços!

  10. Nilson 20 de junho de 2018 at 6:37 #

    Olá Guilherme, obrigado por compartilhar sua resenha. Este assunto é interessantissimo e muito relevante. Sinto que o abuso da internet me tornou um bocado mais ansioso e com o pensamento disperso.

    Aguardo ansiosamente pela segunda parte. 🙂

    Um abraço!

  11. Henrí Galvão 5 de julho de 2018 at 15:57 #

    Simplesmente impecável a sua análise do livro (que eu nem conhecia). Acho que a grande dificuldade, como você sugere, é justamente reconhecer a gravidade da questão quando se está tão acostumado com a internet (por sinal, talvez você já o conheça, mas outro cara que fala muito disso é o Cal Newport).

    Ao mesmo tempo, gostaria de acrescentar uma observação (que até certo ponto já foi abordada pela Vania): no caso específico do Facebook, não acho que as críticas aos “textões” sejam injustificadas, já que essa é uma plataforma que se propõe a interações mais rápidas mesmo. Pra quem quer escrever textos mais longos não seria mais apropriado fazê-lo num blog, ou numa plataforma como o Medium?

    • Guilherme 8 de julho de 2018 at 10:29 #

      Obrigado, Henrí!

      Sim, o Cal é ótimo, já li o Deep Work dele, vale muito a pena!

      Quanto ao uso do Facebook para interações rápidas, na verdade, isso depende muito das pessoas, pois há muita gente que só usa o Facebook para interagir na Internet.

      Abraços!

      • Henrí Galvão 9 de julho de 2018 at 13:03 #

        Bacana saber que você curtiu o Deep Work. Ainda não o li, mas graças ao seu entusiasmo ele deve subir algumas posições na minha lista. 🙂

        Interessante a sua observação quanto ao uso que muita gente faz do Facebook. Realmente não tinha levado em conta o quanto essa plataforma é central pra vida online de muita gente.

        Grande abrç!

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