A importância da educação financeira para os servidores públicos

Semana passada, repercutiu na mídia uma pesquisa realizada pela Serasa Experian, revelando que 29% dos servidores públicos estaduais e federais estão inadimplentes.

Dentre os dados mais interessantes da pesquisa, está aquele que mostra que o maior nível de endividamento ocorre entre os mais jovens, situados na faixa etária dos 18 aos 30 anos. Confiram:

Essa notícia, mais do que demonstrar que nenhuma categoria ou classe social está imune aos efeitos perversos do endividamento, destaca quão importante é a educação financeira praticada e exercida no dia a dia.

Afinal de contas, de nada adianta o sujeito gastar milhares de horas na aprovação de um concurso público se, depois que passa, ele resolve gastar todo o dinheiro que ganha, acumulando dívidas, a fim de viver uma vida de aparências.

E o prejuízo não ocorre apenas no dia a dia, com a falta de dinheiro para pagar as contas mais básicas, mas também aparece a longo prazo, quando se descuida do futuro, e o sujeito entrega sua aposentadoria totalmente ao Estado, acreditando cegamente que ele é o melhor gestor de seus recursos financeiros.

Mas por quê os servidores públicos gastam tanto, se ganham, na média, mais do que na iniciativa privada? Por quê um terço deles gasta mais do que ganha?

Zona de conforto

O principal fator responsável pelo endividamento dos servidores públicos, enquanto classe coletivamente considerada, é a zona de conforto financeiro que eles adquirem assim que ingressam nos quadros estatais. E essa zona de conforto pode ser didaticamente dividida em 3 pilares principais.

1. Previsibilidade de rendimentos

Ao contrário do médico, dentista, ou nutricionista que depende da quantidade de pacientes que recebe mensalmente em seu consultório particular; ou do dono de restaurante ou da loja de chocolates que depende do movimento de clientes em seus respectivos estabelecimentos; os rendimentos dos servidores públicos são fixos e estáveis.

Isso lhe dá uma grande segurança financeira, já que ele começa o mês sabendo exatamente quanto irá ganhar ao final de 30 dias de trabalho.

Além da previsibilidade dos rendimentos, há também a estabilidade no trabalho, garantido por regras legais e constitucionais, após um prazo fixo – geralmente de 2 ou 3 anos. Tudo isso reforça a sensação, na mente do servidor, de que ele poderia não se preocupar tanto assim em gastar um pouco além da conta.

2. Aposentadoria com regras mais favoráveis

A zona de conforto não existe apenas no presente (item 1, acima detalhado): ela se projeta para o futuro, com regras mais favoráveis de aposentadoria, quando comparadas com as do setor privado.

Embora essa situação – de vantagem do serviço público para a aposentadoria – esteja gradativamente diminuindo com o decorrer dos anos, por conta das sucessivas reformas previdenciárias, é fato que, em geral, as regras para a concessão das aposentadorias e pensões no setor público ainda são mais favoráveis do que as existentes na iniciativa privada.

Isso é um fator de reforço para que o servidor não se preocupe com o seu futuro financeiro, que prefere, na maioria das vezes, delegar a responsabilidade de cuidar do futuro ao Estado.

3. “Facilidade” na obtenção de dívidas

Como se tudo isso ainda não bastasse, os servidores públicos em geral contam com taxas mais favoráveis para a aquisição de dívidas, com juros menores principalmente nos empréstimos consignados, já que essa categoria apresenta um menor risco de crédito para as instituições financeiras, já que seus rendimentos são fixos e estáveis, conforme exposto no item 1, acima mencionado.

A facilidade na aquisição de dinheiro emprestado acaba funcionando como um combustível para que o servidor público sem educação financeira gaste em excesso, sendo um eterno tomador de dívidas.

Consequências da falta de educação financeira

Toda essa combinação explosiva de fatores forma um caldeirão perfeito para o servidor desavisado estabelecer um alto padrão de consumo, muitas vezes completamente incompatível com seu nível de renda.

Há, por exemplo, servidores com rendimentos salariais acima de R$ 5 mil, R$ 10 mil ou R$ 15 mil, que vivem com as contas no vermelho, com financiamentos de carro e imóvel ao mesmo tempo, empréstimos consignados, mil e uma parcelas nos cartões de crédito etc.

Como resultado dessa falta de educação financeira, eles não poupam e não investem para a aposentadoria, já que foram ensinados desde a época do estudo para concursos – e levaram isso como uma verdade inabalável durante suas respectivas carreiras – que o Estado proverá.

Ou seja, há uma excessiva confiança de que o Estado conseguirá bancar seu já elevado padrão de vida após sua aposentadoria, num tipo de mentalidade que foi se transpondo de geração para geração.

Contudo, é inegável que um dia a conta iria chegar ao Estado, que, já ineficiente por natureza, vem realizando, ao longo das últimas décadas (90, 00 e 10), sucessivas reformas da previdência para tentar equilibrar as contas públicas.

Tais reformas vêm atingindo o cerne do sistema de remunerações e aposentadorias do serviço público, não só com regras cada vez mais rígidas para as remunerações – com a extinção de anuênios e quinquênios, por exemplo – e a concessão da aposentadoria (como aumento de idade mínima e aumento de tempo de contribuição), como também com regras mais rígidas para o cálculo dos proventos, com achatamento do valor dos benefícios e instituição de cobranças de contribuições e alíquotas cada vez mais altas.

Diante desse cenário, que só tende a piorar, o servidor público não tem outra saída a não ser se educar financeiramente, a fim de que possa conduzir sua vida financeira de modo mais responsável e, sobretudo, menos dependente das fontes estatais de recursos.

Há também, é claro, espaço para que se consiga até um planejamento que leve à independência financeira completa, mas isso está completamente fora da imensa maioria dos servidores, cuja mentalidade predominante ainda é a de dependência completa do Estado para bancar sua velhice.

Soluções

A educação financeira é um processo. Assim como ninguém se alfabetiza da noite para o dia, também não é lendo um único texto que o servidor irá conseguir transformar sua mente em relação às suas finanças pessoais.

O primeiro passo é sair da estatística dos 29% de endividados, caso ele se encontre nessa situação.

Acabar com as dívidas, e iniciar a formação de uma reserva de emergências de 3 a 6 vezes os gastos mensais são atitudes fundamentais para qualquer trabalhador, independentemente se do setor público ou da iniciativa privada.

Aqui mesmo no blog temos publicado, ao longo dos anos, vários artigos dedicados a ajudar os leitores a lidar com esse delicado mas importante tema:

Além de eliminar as dívidas, é preciso fazer, de modo simultâneo (para não perder tempo), um controle rigoroso do orçamento doméstico, com o objetivo principal de fazer sobrar dinheiro no final do mês, coisa que é muito mais fácil para quem tem rendimentos fixos e estáveis.

Arrumadas as contas em relação ao presente, é preciso ainda se planejar para o futuro, criando um pé de meia com recursos próprios, particulares, a fim de diminuir a dependência do Estado quando a terceira idade chegar.

Aliás, a sugestão aqui é construir um plano de aposentadoria que independa completamente da aposentadoria estatal. Por quê Porque a tendência inexorável é a completa paridade de tratamento entre as aposentadorias do serviço público e do INSS.

Isso, na verdade, já existe, de certo modo, desde o começo dessa década: ou seja, desde 2013, quem ingressa, por exemplo, no serviço público federal, fica com sua aposentadoria limitada ao teto do RGPS – que é, hoje, cerca de R$ 5,6 mil.

Porém, mesmo quem ingressou no serviço público antes de 2013 deve se preocupar em construir um plano de aposentadoria baseado em recursos próprios, já que a tendência é cada vez mais serem pioradas as regras da aposentadoria pública.

Dentre as regras que provavelmente serão criadas nos próximos anos, para dificultar a aposentadoria no serviço público, eu prevejo as seguintes:

  • Aumento da contribuição previdenciária sobre os inativos, num primeiro momento de 11% para 14%, e, num segundo momento, de 14% para 20%; podendo chegar a 22,5% a partir de 2040;
  • Aumento da alíquota máxima do imposto de renda de 27,5% para 30% ou 35% – isso foi cogitado em 2017;
  • Aumento da idade mínima para aposentadoria no serviço público para, num primeiro momento, 65 anos; e, depois (provavelmente na década de 30, ou seja, entre 2030 e 2040) para 67 anos;
  • Criação do fator previdenciário para as aposentadorias estatais.

O argumento de direitos adquiridos à paridade, integralidade, não tributação dos inativos etc., que foi defendido no passado, dificilmente funcionará quando as novas regras forem criadas, pois o Estado sempre criará argumentos jurídicos novos para validar suas posições.

Diante disso tudo, se a educação financeira é muito importante para quem vive com rendimentos variáveis – caso dos profissionais liberais, por exemplo – ela é ainda mais crucial para quem vive na zona de conforto financeira proporcionada por rendimentos estáveis e acesso farto a crédito rápido e fácil.

Isso porque essa zona de conforto tende a criar a ilusão de que seria possível ostentar um padrão de gastos acima de suas possibilidades, durante a atividade e durante a aposentadoria, com severos prejuízos, portanto, à saúde financeira não só do presente, mas principalmente do futuro, com o comprometimento da aposentadoria e do bem-estar dos demais membros da família, que dependem dos proventos estatais para sobreviverem.

Portanto, servidores públicos leitores desse artigo, está mais do que na hora de pensar num plano B para cuidar de seu futuro. E de seu presente também. 😉

Conclusão

Educar-se financeiramente nada mais é do que treinar a mente para ter um excelente preparo técnico para lidar com as finanças.

Não se trata de uma tarefa fácil, principalmente para aquele segmento da população – servidores públicos – acostumado a viver, quando se trata de finanças, dentro praticamente de uma redoma de vidro, uma zona de conforto tal que conspira para que eles não se eduquem financeiramente.

Contudo, mesmo para essa classe social, é extremamente importante saber lidar com o dinheiro, a fim de evitar os problemas que só a falta de dinheiro e, principalmente, a falta de educação financeira, podem acarretar.

Em abril de 2012, publicamos um artigo destacando que dívidas de até R$ 600 mil eram comuns entre servidores públicos federais. E tudo gasto com supérfluos.

Infelizmente, transcorridos mais de 6 anos, essa situação só se agravou. O funcionalismo público em vários Estados da Federação tem sofrido com parcelamentos de salários e estagnação da renda, o que causa ainda mais apuros financeiros a eles, que, sem alfabetização financeira, são obrigados a recorrer a fazer ainda mais dívidas para dar conta de suas despesas.

Nesse contexto, é urgente que as pessoas inseridas nessa categoria social busquem assumir a responsabilidade pelas suas finanças, a fim de torná-la mais equilibrada, através da redução de gastos excessivos, execução de planos de investimentos com sabedoria, e montagem de um planejamento financeiro que os façam depender menos dos cofres estatais no momento da aposentadoria.

A educação financeira, assim, serve não apenas para anular os vícios decorrentes dessa zona de conforto; mas serve, principalmente, para edificar essa mesma zona de conforto em bases mais sólidas, construídas e alicerçadas em comportamentos financeiramente mais saudáveis e responsáveis.

Nesse blog, já publicamos mais de 1.050 artigos ao longo dos últimos 9 anos, que podem ser conferidos nesse link aqui, que certamente ajudarão a todos os que se encontram em situação difícil a darem uma guinada em suas finanças. Nunca é tarde para começar.

Tenham todos uma boa semana!

 

 

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38 Responses to A importância da educação financeira para os servidores públicos

  1. Davi Barbosa 25 de junho de 2018 at 12:21 #

    Parabéns. É impressionante. Seja por investir em novos concursos: comprar livros, viagens, aulas presenciais ou em vídeo (que são bem altas, dependendo da carreira)… o nível de endividamento é altíssimo mesmo.

    Já li algo também sobre o nível de endividamento de magistrados – e os valores são assustadores. O fato de estarem em um circulo social de classe alta, geralmente, aumenta a tentação de parear-se e abre brechas para a ostentação, e até para a corrupção.

    Eles precisam de acompanhamento psicológico… assim como nossos jovens adultos.

  2. Nazinha das Finanças 25 de junho de 2018 at 14:22 #

    Olá Guilherme,

    sou servidora e convivo muito com os colegas e gostaria de trazer algumas pontuações para acrescentar ao tema. Vejo que muitos socorrem familiares, que por sua vez contam com o “crédito” e pedem para que o servidor seja fiador, ajudar o filho, pagar escola do neto, e por aí vai. As vezes a pessoa não é de esbanjar mas se torna o arrimo da família. Então nesses casos o servidor precisa de educação financeira e se indispor, dizer não, estipular um valor para essas situações etc.

    Eu já tive alguns pedidos de familiares que neguei por conhecer as pessoas.

    Acho que são casos parecidos com os que passam os aposentados e pensionistas, a diferença é que na ativa o servidor pode se organizar para não contar apenas com o valor da aposentadoria.

    Enfim, fica de sugestão de tema: Como tratar familiares que pedem favores financeiros? Como ajudar e como dizer não?

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:51 #

      Olá, Nazinha, de fato, muitos familiares acabam recorrendo a esse tipo de ajuda, onerando ainda mais aquele que geralmente já sustenta a sua própria família.

      Ótima dica de matéria, já está aqui anotado.

      Abraços!

  3. Augusto Cezar 25 de junho de 2018 at 15:47 #

    Gostaria de entender quais são essas “condições mais favoráveis” de aposentadoria dos servidores públicos se eles: contribuem com 11% sobre TODO o salário recebido; após a aposentadoria, ainda continua contribuindo com os 11% sobre o valor recebido (o que não acontece na iniciativa privada)e não possuem FGTS.

    • Jack 25 de junho de 2018 at 19:56 #

      Muito bem destacado Augusto Cesar.

      Também sou servidor e gostaria de contribuir no esclarecimento de que os novos servidores federais que não possuem vantagem alguma em relação ao setor privado, uma vez que a parcela mais jovem e recém ingressa no serviço publico – em foco nesta discussão -, não mais conta com a paridade e integralidade de proventos durante a aposentadoria.

      Este é um dos problemas das informações erroneamente propagadas que desconstroem a realidade. Foi financiado pelos agentes políticos toda uma propaganda midiática de que a aposentadoria no setor público é mais vantajosa.
      Esta realidade não existe mais desde 2003, quando houve a retirada destas vantagens em específico: integralidade e paridade de proventos na aposentadoria.

      Apenas servidores que ingressaram no serviço publico até 2003 possuem aposentadoria diferenciada quando comparada ao setor privado, mesmo tendo que continuar pagando previdência após sua aposentadoria.

      Existe uma parcela de servidores que ingressaram entre 2003 e 2013 que ainda possuem a possibilidade de se aposentarem com as 80% maiores contribuições. Entretanto, sem a integralidade e paridade esta regra é uma cilada, uma vez que a inflação corroerá a aposentadoria deste servidor em poucos anos – lembrando também que este servidor ainda terá que continuar pagando previdência após se aposentar.

      Todo e qualquer servidor que ingressou no serviço publico após 2003 deve optar pela aposentadoria que será corroída pela inflação ou se vincular ao RPC (Regime de Previdência Complementar) e realizar aportes – assim como qualquer trabalhador do setor privado -, para um fundo de previdência caso queria realmente me aposentar com um salário humanamente digno.
      Obs: O grande risco deste “investimento” (7 a cada 10 destes fundos de previdência públicos são corruptos e pessimamente gerenciados) não foi apontado neste artigo.

      Resumo da ópera: Educação financeira e diversificação devem ser adotados em qualquer setor da economia.

      • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:53 #

        Olá Jack, e Augusto, excelentes as suas intervenções.

        Dentre as condições mais favoráveis para a aposentadoria no sistema público, eu cito a inexistência do fator previdenciário, que só existe para trabalhadores da iniciativa privada, sujeitos ao teto do RGPS.

        Abraços!

        • B.M. 26 de junho de 2018 at 21:02 #

          Servidor público, da qual eu me incluo, tem que parar com essa choramingação de “não temos FGTS”.

          É claro que não tem! o FGTS é uma contrapartida justamente pro camarada não ficar desemparado quando desempregado. O servidor público estatutário tem a estabilidade no cargo, logo não tem cabimento citar o FGTS. E aposto que ninguém trocaria um pelo outro…

  4. ANDRE R AZEVEDO 25 de junho de 2018 at 16:15 #

    Excelente post, Guilherme! De fato, condições e expectativas iniciais melhores provocam um acomodamento perigoso no status quo de cada um. Fatores que podem fazer a situação mudar não são considerados e, quando a tempestade vier, poucos estarão em condições de dar a volta por cima, pois lhe faltam educação financeira.

    Os aposentados (mesmo na iniciativa privada) também poderiam estar nesse grupo. Alvos frequentes de telefonemas de financeiras oferecendo “crédito”, imaginam que nada poderá atrapalhar sua rotina financeira. Os funcionários do RJ e RS que o digam…

    Caramba, 1050 artigos? Parabéns! Já pensou em escrever um livro?

    Abraço!

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:54 #

      Exato, André!

      A acomodação é um grande perigo para essa parcela da população.

      Sobre a ideia do livro, de fato volta e meia ela volta à minha mente. Quem sabe um dia!

      Abraços!

  5. Adri 25 de junho de 2018 at 16:43 #

    Educação financeira é importante, mas quem não a possui podemos resumir em: gastar menos do que ganha no médio e longo prazo.
    Existem pessoas que possuem perfil de viver o presente como se não existisse o futuro, podem ganhar muito ou pouco.
    Nem com tratamento psicológico as fazem mudar.

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:55 #

      Verdade, Adri, o grande problema ainda reside no comportamento das pessoas em relação à administração de suas próprias finanças.

      Abraços!

  6. Claudinei Fernandes 25 de junho de 2018 at 18:40 #

    Como sempre um ótimo texto para começar a semana. É bom deixar claro que estes altos salários são privilégios da esfera federal e de alguns servidores estaduais. Na esfera municipal, principalmente nas cidades do interior, o salário médio fica próximo do mínimo. Fui servidor concursado municipal durante 6 anos e no final pedi minha exoneração por não vislumbrar futuro onde estava. O endividamento é realidade através do consignado até entre estes. Talvez por isso, nunca se viu tantas pessoas com depressão e precisando de tratamento psicológico. Sem querer ser pessimista, acho que o futuro é sombrio.

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:56 #

      Obrigado, Claudinei, pontos muito bem lembrados por você.

      O mal desse século são as doenças mentais, não há dúvidas sobre isso.

      Abraços!

  7. Anônimo 25 de junho de 2018 at 18:50 #

    João Rezende.
    Saber dizer não posso em educação financeira é extremamente essencial, tenha os pés no chão, não se iluda com gastos desnecessários, seja “você” e não ou “outros” . Monte uma planilha e reorganize sua situação financeira urgente.
    Reunião familiar urgente.
    Não contrair mais empréstimos novo;
    Venda o carro;
    Venda o imóvel;
    Saia do aluguel carro;
    Pare com gastos desnecessarios imediamente;
    Renegocie com bancos melhores taxa de juros e alongamento de prazo;
    De um nocaute nas suas dívidas e para isto ocorrer de verdade “Seja você”.
    Um abraço.!!!

  8. marcela 25 de junho de 2018 at 19:17 #

    Muito bacana a reflexão.Sou funcionaria publica desde de 2011 e sempre temi o que escreveu “o Estado sempre criará argumentos jurídicos novos para validar suas posições”.No momento estou fazendo uma outra faculdade e pensando em empreender pois quero ter um plano B.Graças a Deus estou fora dessa estatistica. Gosto muitoooo do seu blog, sou muito grata pelas informações que compartilha.
    MUITO SUCESSO E ENERGIA BOA!

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:57 #

      Muito obrigado pelas palavras, Marcela!

      Abraços!

  9. Filipe 25 de junho de 2018 at 20:20 #

    Excelente post.
    Sou servidor público, investidor, em busca de minha independência financeira (que vai demorar alguns anos) de forma bem planejada.
    Além de mim, não conheço um servidor que sabe do que se trata a independência financeira.
    São raros aqueles que investem fora dos grandes bancos de varejo (via corretoras independentes).
    São raros aqueles que se preocupam com velhice ou aposentadoria.
    Seu diagnóstico foi bem preciso.
    Vou compartilhar seu texto em seu grupo de trabalho. Texto de utilidade pública. Espero que seu texto abra a mente de muitos servidores

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:58 #

      Excelente o seu testemunho, Filipe!

      De fato, não é fácil remar contra a maré, e ter atitudes como essas, que o conduzirão a um futuro de grande privilégio, que é o de poder ter atitudes independentes e indiferentes sobre as aposentadorias estatais.

      Parabéns pelo exemplar comportamento!

      Abraços!

  10. Longe do Limite 26 de junho de 2018 at 0:01 #

    Mais um excelente texto, Guilherme. Onde eu assino?rs

    O lado bom de ter trabalhado num banco por muitos anos foi ter assistido de camarote toda sorte de absurdos que as pessoas fazem com o dinheiro, seja seu ou então o do próprio banco.

    É um curso intensivo do que não se deve fazer, ministrado essencialmente por servidores e aposentados/pensionistas que não tem preço.

    Abraço!

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 15:59 #

      Obrigado, LL!

      Imagino realmente que o aprendizado sobre o que não fazer deve ter sido bastante intensivo nesse período.

      Abraços!

  11. Daniele 26 de junho de 2018 at 5:04 #

    Seu artigo até é bom. MAS NÃO FALA DA REALIDADE. Os servidores públicos citados na sua reportagem NÃO TEM 30 ANOS. Só fazer a conta básica: 2018-2003.
    Só quem conhece as regras de serviço e aposentadoria pública por alto e por matérias midiáticas chega às suas conclusões.
    PAGAMOS DURANTE TODA A VIDA PELAS “VANTAGENS” QUE VOCÊS DIZEM QUE TEMOS.
    Não somos responsáveis pelo endividamento público. Nós financiamos nossos “benefícios” e pagamos bem pago.
    Só lembrando que o endividamento cresceu, não é por irresponsabilidade dos funcionários; pesou nele a falta de pagamento de alguns Estados, que afeta principalmente os que entraram a pouco tempo no serviço público e os aposentados, consumindo toda e qualquer reserva feita.
    Brasileiros em sua maioria aprendem com o governo a viver do hoje e gastar mais do que ganha. Acho que educar nossos líderes seria um bom começo. Aprendemos por imitação.

    • Guilherme 26 de junho de 2018 at 16:04 #

      Olá Daniele,

      O foco do artigo não é discutir de quem seria a culpa pelo atual nível da dívida pública, tampouco é o de ressoar matérias publicadas na mainstream. O artigo não tem viés político, nem foi criado com esse intuito.

      O foco do artigo é o de expor a necessidade de educação financeira para qualquer segmento ou classe social, como ferramenta para melhor administrar a sua própria qualidade de vida.

      É certo que devemos educar nossos líderes, como você bem afirmou, mas acho que a verdadeira mudança se opera de dentro para fora, quando nós mesmos modificamos nossos hábitos e padrões de consumo, e passamos a priorizar comportamentos que criem segurança e estabilidade financeiras.

      Abraços!

    • Jusley 26 de junho de 2018 at 16:17 #

      Daniele, parabéns pelo sua lucidez e clareza. Vc podua escrever mais pra gente, os seus argumentos são realistas.

  12. Anônimo 26 de junho de 2018 at 14:24 #

    http://betofiscal.blogspot.com/

  13. Neide Galinari Machado 26 de junho de 2018 at 15:57 #

    Excelente matéria!!!
    Educação financeira e despertar o servidor público, que qdo aposentamos, infelizmente ” com depreciação” da coluna principalmente!! Os gastos são muitos!!!! Fica a fica!!

  14. Daniele 26 de junho de 2018 at 18:34 #

    Sou servidora pública em um órgão federal de elite, por assim dizer, e comecei a acompanhar o blog há uns 2 anos. Só tenho a agradecer pela sua atenção e energia aplicadas aqui, Guilherme. A partir do que li aqui aprofundei minhas pesquisas, abri conta em uma corretora, diversifiquei a renda fixa, passei a investir em ETF´s e mais recentemente me decidi por um PGBL. Ainda perco muito tempo até me decidir por um movimento novo mas percebo que isso está melhorando. Fui adquirindo confiança no seu trabalho pois você não é um vendedor de cursos/produtos/soluções mirabolantes. No entanto, me associo ao incentivo para que você escreva o seu livro sem medo de querer vender muito.

    Nascemos em um país em que fazer tudo certinho não é suficiente para garantir o futuro, nos é pedido uma energia a mais. Sim, é péssimo que eu não tenha a menor ideia de como será a minha aposentadoria, mas esse estado de insegurança atinge a todos que não sejam extremamente ricos. Sem querer dar uma de Cassandra, o futuro do servidor público dândi não tem como ser bom, e ainda assim será melhor que a média dos brasileiros.

    Abraço!

    PS: Meu nome é mesmo Daniele, não é minha intenção fazer um contraponto com a colega que comentou anteriormente.

    • Guilherme 27 de junho de 2018 at 6:55 #

      Muito obrigado pelas palavras, Daniele!

      E parabéns pelo seu exemplar comportamento, que, com passos dados com muita segurança, estudo e disciplina, estão fazendo com que você consiga, de modo magistral, dar um nova estrutura às suas finanças.

      Seu testemunho e suas palavras são muito importantes porque refletem o conteúdo do post: de que a educação financeira proporciona ferramentas que ampliam a segurança de todos os que decidem investir nela, e que vale a pena investir em conhecimento.

      Abraços!

  15. Isabela 27 de junho de 2018 at 9:41 #

    Guilherme, muito bom o texto. Sou servidora pública federal e já havia me ligado que as coisas estão mudando “para pior” e que daqui para frente só tende a piorar. De fato, não podemos fechar os olhos para a nossa condição financeira – seja no presente, como no futuro – ela só depende de nós mesmos (e não do Estado).
    Essa zona de conforto deveria nos favorecer a fazer nossa reserva financeira e não, ao contrário, nos encher de dívidas. Saber dizer não para os outros e, principalmente, a nós mesmos é fundamental nesse processo. Parabéns!!!

    • Guilherme 28 de junho de 2018 at 20:15 #

      Obrigado, Isabela!

      Realmente, as pessoas têm em geral um viés de preferir facilidades sobre os esforços. Assim, quando se defrontam com algo que lhes proporciona uma zona de conforto muito grande, que poderia ser utilizado para edificar uma zona de proteção financeira maior ainda, com a formação de reservas através dos “esforços” de poupança, preferem a “facilidade” dos gastos e do consumo.

  16. MJC 28 de junho de 2018 at 8:30 #

    Oi Guilherme,

    Sou servidor público também, e sempre que vejo alguém falando que há privilégios na aposentadoria dos servidores públicos, vejo no mesmo instantes uma força contrária com discursos pré-definidos do tipo “ah, mas a gente contribui com 11% sobre o salário integral”, ou “ah, mas isso era só pra quem entrou em 1900 e pouco, hoje já não é mais assim” e por aí vai.

    Acho importante saber reconhecer os próprios privilégios, e é por isso que estou escrevendo esse comentário dessa vez.

    Vamos lá, diferentes servidores públicos podem estar vinculados a diferentes regimes de previdência. Embora os mais atuais sejam piores que os mais antigos, todos eles são mais vantajosos que os dos servidores da iniciativa privada. Explico, passando pelos 3 regimes mais comuns hoje em dia:

    1) Integralidade e paridade

    Alguns aposentados em regimes mais antigos ganham o mesmo que 100% do último salário de contribuição, com todos os aumentos que os servidores da ativa conseguiram daí pra frente.

    Esse regime foi extinto em 2003 e os benefícios são tão óbvios que nem compensa estender muito aqui. Nos últimos ~15 anos, todo mundo que entrou já entra em regimes diferentes. Mas como a força de trabalho dura bem mais do que 15 anos, ainda teremos gente aposentando nesse regime nos próximos 20 anos.

    2) Média das 80% maiores contribuições

    Pra quem entrou entre 2003 e 2013, vale essa regra. Você pega todos os seus salários que contribuiu, descarta os 20% piores e aposenta com a média dos 80% melhores. Para carreiras fortes, se a pessoa entrou muito cedo no serviço público, ela provavelmente vai aposentar com um valor próximo a do teto da carreira. Se a pessoa entrou numa carreira com progressão lenta ou se já entrou com uns 40 anos de idade no serviço público, ela deve se aposentar com um salário mais baixo do que o teto da carreira.

    Como o governo Lula acabou chamando muita gente pro serviço público, hoje boa parte dos servidores estão vinculados a esse regime. Eu faço parte dele.

    A justificativa padrão do pessoal que está vinculado a ele é que ele não é mais benéfico do que o da iniciativa privada pois os servidores públicos contribuem com 11% sobre o salário (enquanto o pessoal vinculado ao RGPS contribui com 11% do salário limitado ao teto – que hoje é de aproximadamente R$ 5.600). Se uma pessoa recebe R$ 20.000 de salário, ela argumenta que paga R$ 2.200 para aposentar, enquanto o cara da iniciativa privada paga pouco mais do que R$ 600.

    E é verdade que os números são esses mesmos. Mas também é verdade que, mesmo pagando mais, isso é extremamente vantajoso. Se o trabalhador do serviço público aposentasse com o teto e investisse mensalmente essa diferença (R$ 1.600), ele dificilmente conseguiria se aposentar com o salário que ele vai se aposentar. Isso é uma questão matemática. Os riscos que teria que correr seriam grandes, incompatíveis com a ideia de aposentadoria.

    3) Regime de Previdência Complementar

    Quem entrou depois de 2013 vai pro regime de previdência complementar. Nesse caso, o cara continua contribuindo pro RPPS, mas limitado até ao mesmo teto do RGPS. Aí o servidor tem a opção de contribuir com (7.5%, 8% ou 8.5%) da diferença entre diferença entre o salário e o teto para a Funpresp. Como contrapartida, o governo contribuirá com a mesma parte. Ou seja, para cada 1 real que o servidor coloca, o governo colocará mais 1 real. Na prática, como apenas cerca de 70% são capitalizados para o fundo do servidor, para cada 1 real que o servidor coloca, aparecem 40 centavos no fundo.

    Esse regime não é tão vantajoso quanto os regimes descritos anteriormente, mas ainda é infinitamente mais vantajoso que o regime a que o trabalhador da iniciativa privada está submetido. Como regra geral, este não tem a opção de contribuir para um fundo de previdência em que o patrão patrocina outra parte. Sei que há casos de empresas grandes em que isso acontece (por exemplo, a Vale do Rio Doce tem um fundo de previdência fechado e ela também complementa o aporte do empregado), mas isso é a exceção no Brasil. Como regra, não há essa possibilidade de você contribuir para um fundo e o seu patrão contribuir também. Por isso, considero esse regime vantajoso também em relação ao que os funcionários de empresas privadas estão submetidos

    Conclusão:

    Espero ter deixado claro meu ponto. Ao longo do tempo a situação piorou para os servidores públicos? Sim, mas ainda é muito melhor do que pro pessoal da iniciativa privada. Acho importante a gente saber reconhecer privilégios. É vergonhoso estar numa confraternização e ouvir o seguinte diálogo:

    Fulano: Nossa, a situação está difícil. Minha esposa teve câncer.
    Ciclano: Realmente, se está difícil pra você, imagina pra mim. Minha esposa torceu o tornozelo.

    E é isso que acontece quando a gente não reconhece (ou finge não reconhecer) certos privilégios.

    Abraços

    • André Carmona 28 de junho de 2018 at 11:43 #

      Perfeito, excelente comentário.
      Em sendo também também servidor público, é comum ver colegas numa bolha de auto-validação, o que politicamente, não raro, se desdobra num corporativismo infantil.
      Os privilégios são variados e escancarados.

    • Guilherme 28 de junho de 2018 at 20:11 #

      Olá, MJC, ratifico o que disse o André, e considero excelentes seus comentários, pois dão uma visão geral bem detalhada sobre o sistema de aposentadorias do serviço público, especialmente o federal.

      Eu estive estudando o RPC, a pedido de alguns leitores desse blog (que ingressaram antes de 2013 e estavam em dúvida sobre a migração ao RPC), utilizando o material disponível na Internet, e cheguei à conclusão de que, sob certos aspectos, ele é melhor não só que o sistema do RGPS, mas também dos sistemas anteriores – RPPS integral e RPPS 80%.

      E isso por alguns motivos.

      Primeiro, a contribuição, tanto do servidor quanto da União, ao RPC se incorpora ao patrimônio financeiro do servidor, diferentemente do que ocorre com as contribuições ao PSS, que vão direto para os cofres da União, para, só então, garantirem os recursos da aposentadoria pelo RPPS.

      O diferencial aqui é justamente o aporte da União, que funciona como o aporte do empregador num fundo de pensão privado.

      Além disso, a repartição da aposentadoria em duas parcelas – teto do RGPS + RPC (ou 3 parcelas, considerando o benefício especial para aqueles que migraram) – implica em um menor ônus tributário para o servidor, já que pagará menos imposto de renda, e não pagará contribuição previdenciária.

      Pagará menos IR porque ele se sujeitará ao teto do RGPS, pagando 27,5% sobre os R$ 5.600, enquanto o servidor que tenha integralidade ou os 80% pagará IR sobre a totalidade dos rendimentos. Além disso, no RPC a alíquota de IR será de apenas 10%, já que funciona como um PGBL, e desde que o servidor escolha o regime regressivo de tributação.

      Já o PSS ele não pagará, ao contrário do servidor que esteja na regra da integralidade, ou nos 80%, que pagará 11% sobre o que exceder o teto do RGPS.

      Finalmente, quem entrou depois de 2013 tem o teto do RGPS corrigido anualmente, e mais a aposentadoria do RPC que pode ou não ser corrigida anualmente (a depender da habilidade dos gestores do plano), enquanto que quem está na regra da integralidade ou 80% fica inteiramente dependente dos reajustes do salário dos servidores da ativa, que tendem a ter grandes corrosões inflacionárias.

      Mas a maior vantagem que ainda vejo é a diversificação do risco, já que o servidor que esteja dentro da paridade ou dos 80% tem sua aposentadoria 100% comprometida com o futuro do RPPS, que ainda pode mudar muito para pior. Quem tem o RPC já tem uma espécie de “válvula de escape”, o que é importante principalmente do ponto de vista tributário, já que escapa dos eventuais aumentos de alíquota de PSS e de IR que incidem sobre as aposentadorias pagas pelo RPPS.

      Enfim, apesar de tudo isso, eu sempre recomendo, como aliás o fiz no artigo, que os servidores públicos saiam da zona de conforto e construam um plano próprio e particular de aposentadoria, já que a tendência no serviço público é só piorar, infelizmente.

      Abraços!

  17. Grafista Fiel 28 de junho de 2018 at 9:45 #

    Fala VR. Muito legal seu blog, estarei acompanhando mais de perto e vou te adicionar no meu Blogroll, pode me adicionar ao seu? Visita lá: http://grafistafiel.blogspot.com/

    Abraço e muito sucesso sempre.

    • Guilherme 28 de junho de 2018 at 16:02 #

      Olá GF, muito legal o seu blog! É bem legal que a blogosfera financeira esteja cada vez mais aumento sua participação, com a inclusão de mais pessoas interessadas em lidar melhor com suas finanças.

      Podemos, sim, fazer uma troca de links! Assim que inserir o meu, eu te adiciono ao meu!

      Abraços!!!

  18. Vania 28 de junho de 2018 at 16:18 #

    Muito bom seu diagnóstico, Guilherme. Trabalhando em um banco, pude acompanhar o grau de endividamento de muitos servidores, especialmente do Judiciário. Eram muito bem remunerados, e ainda assim viviam mergulhados em dívidas altíssimas.
    A lição é cristalina: não colocar seu futuro nas mãos de terceiros, principalmente se esse terceiro for o Estado. E não colocar todos os ovos numa cesta só.

    • Guilherme 28 de junho de 2018 at 20:16 #

      Verdade, Vânia. Diversificação é fundamental principalmente para quem acha que não vai precisar dela. E muitos servidores precisam acordar pra realidade, e aproveitarem para construir um futuro menos dependente de fontes estatais de recursos.

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