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Seja egoísta com seus investimentos

9, setembro, 2010 Guilherme 2 comentários

Êpa, como é que é!? Num blog que defende valores como a solidariedade e a fraternidade, como assim ser egoísta, e ainda mais com aquilo que irá forrar sua independência financeira, isto é, com os investimentos? Conselho em causa própria!!!???

Sim, eu não escrevi errado. Vai me dizer que você nunca se sentiu emocionalmente tocado ao ser convidado pelo seu gerente de banco a fazer um título de capitalização, ou seja, ser solidário com ele, contribuindo com parcela de seu patrimônio financeiro? O resultado pode até ter algum efeito positivo sobre as metas do gerente maaaaaass…… será uma péssima medida para seu patrimônio, uma vez que título de capitalização tem o nome errado: é título de descapitalização. Os verdadeiros títulos de capitalização, no sentido de capitalizarem você, e não seu banco, são as ações dos bancos, que rendem dividendos e se valorizam no decorrer do tempo.

Nos investimentos, só você é quem deverá usufruir os ganhos e só você lamentará – e suportará, e sofrerá – as perdas decorrentes de uma má gestão de carteira.

Nesse sentido, ninguém mais do que você é o mais interessado na gestão positiva de sua carteira de investimentos. Você é o maior beneficiário em alcançar a independência financeira o quanto antes. Logo, tudo o que constituir obstáculo ou retardo ou atraso em seus planos de aposentadoria financeira devem ser eliminados o tanto quanto possível de seu caminho. Isso inclui, obviamente, o pagamento de altas taxas de administração, as inexplicáveis tarifas de custódia (R$ 6,90, R$ 10 etc.), as tarifas de manutenção de conta bancária (vendidas com o sugestivo nome de “pacotes de serviços”), as absurdas taxas de corretagem, e todas as outras coisas que comecem com o nome de “tarifa” ou “taxa”.

Compartilhe com seu gerente de banco, corretor, consultor de investimentos, sua alegria, sua satisfação, suas conversas entusiasmadas, mas evite compartilhar seu dinheiro. Seu dinheiro deve ficar para você, seu dinheiro deve trabalhar para você, seu dinheiro deve ser gasto por e para você.

E não pense que é preciso ser expert em investimentos para construir patrimônio, ler “n” livros, treidar o dia inteiro. Não, não e não. Com estudo e dedicação, estratégias inteligentes e investimentos baratos, é possível, sim, ter tranquilidade financeira.

Nos Estados Unidos, aliás, fazem o maior sucesso livros que se dedicam a ensinar pessoas preguiçosas a montarem uma carteira de investimentos diversificada e com bons retornos. Um dos mais famosos é o “The Lazy Person´s Guide to Investing“.

Bem, e vou finalizar esse artigo com chaves de ouro: uma citação do livro do John Bogle, a Dose Certa (p. 23-24), resenhado tempos atrás (certamente um dos livros de cabeceira a quem sempre recorro), que sintetiza com maestria o conteúdo essencial do presente texto:

“Quando vocês começarem a investir para ter o suficiente na aposentadoria, muitas décadas no futuro, façam isso de forma que a comunidade financeira subtraia o mínimo dos retornos gerados pelo negócio. Sim, é uma espécie de conselho em causa própria sugerir que vocês invistam em fundos de índice de baixo custo dos mercados de ações dos Estados Unidos e globais (no modelo da Vanguard), mas essa é a única forma de garantir sua cota justa dos retornos que os mercados financeiros forem generosos o suficiente para proporcionarem”.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Tenho 100 ações da PETR4. Quantas poderia subscrever nessa oferta pública da Petrobras? (e + 2 links para pensar sobre o assunto…)

8, setembro, 2010 Guilherme 5 comentários

Esse artigo não se destina a fazer comentários analíticos sobre o processo de capitalização da Petrobras, suas vantagens e desvantagens, se vale a pena investir nela etc. Além de deixar links para outros textos relacionados ao assunto, vamos responder, de forma objetiva, a uma pergunta que tem sido bastante frequente entre os acionistas da Petrobras, particularmente aqueles que têm ações em custódia da PETR4 em sua carteira, ou seja, aqueles que compraram as ações no home broker, e não via fundos de ações ou FGTS.

“Tenho 100 ações da PETR4. Quantas poderei subscrever nessa oferta pública de ações da Petrobras?”

Resposta:

“34 ações”.

Isso porque, de acordo com o prospecto:

“Os acionistas que tiverem ações ordinárias na primeira data de corte (10 de setembro) terão direito de subscrever 0,342822790 ação ordinária para cada papel detido na segunda data de corte (17 de setembro). Já os detentores de ações preferenciais terão direito de subscrever 0,342822790 papel preferencial para cada ação do tipo detida na segunda data de corte (17 de setembro)”.

Mais detalhes sobre os fatos que envolvem a capitalização podem ser lidos nesse artigo do InfoMoney.

Corrijam essa informação caso esteja errada, avisando nos comentários!

Outro link muito interessante sobre esse processo é o artigo escrito pelo Paulo Portinho, que faz uma leitura minuciosa sobre o prospecto da Petrobras, a qual deixou, inclusive, muitas dúvidas. Inclusive essa, que me chamou bastante atenção:

Agora a dúvida maior. Eu realmente não entendi o que li no prospecto! Ou entendi e não acreditei…

Peço, por favor, que leiam a página 140 do prospecto, a que trata da “Destinação dos Recursos“.

Pois bem, como o aporte do governo não será feito em dinheiro, para a Petrobras seria melhor que esse aporte fosse o menor possível.

Pela leitura da página 68, pode-se entender que o aporte do Governo e do BNDES (pela nova posição de ações que teriam após a oferta) ficaria em R$ 48 bilhões, e os R$ 62 bilhões restantes viriam do mercado, totalizando R$ 110 bilhões.

Pois o prospecto diz CLARAMENTE que 68% dos recursos captados será destinado à contrapartida da Cessão Onerosa. 68% de R$ 110 bi correspondem a aproximadamente os R$ 75 bi que a Petrobras terá que pagar ao governo.

Só que meu entendimento tinha sido outro. Imaginei que o governo iria utilizar o contrato de cessão onerosa EXCLUSIVAMENTE para pagar seu aporte no aumento de capital.

Pela leitura do prospecto, caso realmente o mercado entre com R$ 62 bilhões, o governo fará um aporte em títulos públicos de R$ 48 bilhões, e receberá da Petrobras R$ 75 bilhões em dinheiro e títulos, pelo contrato de cessão onerosa.

Isso não faz qualquer sentido. Em vez de capitalizar a Petrobras os investidores estariam capitalizando a União!!!

Está aí uma coisa que precisa ser esclarecida. Minha primeira impressão indicava que o governo aportaria “barris” até o limite da chamada de capital, não mais do que isso.

Dúvidas… isso é que dá querer ler um prospecto de 620 páginas…”

Será!!!?? Surprised

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Categories: Ações, Investimentos Tags:

Enquete: vocês incluem a reserva de emergência e o dinheiro do salário na sua estratégia de alocação de ativos?

7, setembro, 2010 Guilherme 15 comentários

Como hoje é o Dia da Independência do Brasil, vamos fazer uma pergunta que tem a ver com a independência… financeira. :D Alguns dos melhores blogs que acompanho fazem uma revisão mensal de seu portfólio, que está baseado numa estratégia de alocação de ativos. É o caso, por exemplo, do Investimentos e Finanças, bem como do HC Investimentos.

Eu estava pensando em fazer a pergunta diretamente no blog deles, mas, como o assunto é de evidente interesse público, vou colocar aqui a pergunta, até para que mais leitores possam participar e, assim, aumentar o círculo de debates.

A pergunta é simples e direcionada a todos que praticam alocação de ativos em suas carteiras de investimentos: vocês computam o dinheiro do salário e da reserva de emergência no patrimônio acumulado sob a estratégia de alocação de ativos? Ou deixam eles de fora, priorizando apenas os investimentos de longo prazo, para fins de rebalanceamento e checagem periódica dos percentuais (pesos) de cada classe de ativos dentro da carteira de investimentos?

Vamos exemplificar para facilitar o entendimento.

Suponha que você tenha R$ 40 mil em ações, R$ 18 mil num fundo referenciado DI, R$ 22 mil em LFTs, e outros R$ 20 mil em fundos imobiliários. Total de patrimônio acumulado: R$ 100 mil. Sua estratégia de alocação de ativos é manter o target 40/40/20, ou seja, 40% em Bolsa, 40% em Renda Fixa, e 20% em Fundos Imobiliários.

Suponha ainda que seu salário seja de R$ 5 mil, e que suas despesas mensais girem em torno de R$ 3 mil. Nessa situação, a reserva de emergência “clássica” – 6 meses de gastos mensais médios num investimento conservador – resultaria em R$ 18 mil, que estão justamente no fundo DI do banco.

As perguntas são:

1º) Esses R$ 18 mil são computados para definição do peso dos 40% da renda fixa e, portanto, potencialmente utilizáveis para fins de rebalanceamento, caso as ações fiquem muito baratas? Ou não entram nessa conta? Em outros termos, se você tivesse esse patrimônio hipotético de R$ 100 mil, com target de 40% para renda fixa, o montante acumulado na reserva de emergência (R$ 18k) entraria nesse bolo (dos R$ 40k)?

2º) Na verdade, é uma decorrência da primeira pergunta. A sua carteira de longo prazo engloba todo o patrimônio financeiro que você tem, e todo o fluxo de caixa, abrangendo inclusive as receitas provenientes de salário?

Essas perguntas se destinam a me ajudar a definir minha própria estratégia de alocação de ativos. Eu estou na dúvida se incluo ou não a reserva de emergência no montante total da carteira de asset allocation, ou se faço uma distinção. As consequências serão distintas, conforme a solução a ser adotada.

Usando o exemplo acima: caso os R$ 18k do fundo DI não fossem computados na carteira de asset allocation, a pessoa teria R$ 82 mil na carteira de asset allocation, dos quais R$ 40 mil, ou 48%, estariam em ações. Ou seja, o sujeito teria que ter, respeitado o peso de 40% de ações, no máximo, R$ 32,8k em ações. O que, em última análise, o forçaria a uma venda dos R$7,2k excedentes de ações, apenas para manter o peso das ações em 40%.

Situação diferente seria se a reserva de emergência fosse computada na carteira de investimentos. Nesse caso, os R$ 40k de ações corresponderiam exatamente a 40% do patrimônio em renda variável. Qual é a opinião de vocês? O dinheiro da reserva de emergências entra ou não entra na carteira de investimentos montada sob uma estratégia de alocação de ativos?

EDITADO: vasculhando o meu próprio blog :P encontrei já uma ótima resposta! Do leitor Daniel Melo, que disse o seguinte:

“Eu separo os meus investimentos por objetivos e cada objetivo tem alocações diferentes. Meus investimentos para objetivos mais longos como aposentadoria ou faculdade dos filhos tem RV, RF e câmbio. Já objetivos mais a curto prazo (menos de 2 anos) são totalmente em RF, mas ainda ssim tenho uma diversificação entre TD, CDB e poupança.

Uma coisa importante quando se trata de alocação é ter uma parcela dos investimentos em cada categoria de ativos composta por um tipo de investimento mais líquido. Isso ajuda a casar os prazos no momento da realocação. Para os investimentos menos líquidos, vale a pena diluir os aportes em períodos diferentes, para se beneficiar de tarifas menores de imposto (como no caso do TD em que saques após 2 anos pagam “apenas” 15% de IR)”.

Bom feriado a todos!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

[via Valor Econômico] Overdose de fundos imobiliários?

6, setembro, 2010 Guilherme 9 comentários

Semana passada, ao comprar a edição de terça-feira do jornal Valor Econômico, tive um susto ao ler a manchete de capa. Ela tratava nada mais nada menos que os fundos imobiliários, com um título bastante chamativo: “Fundos imobiliários deslancham”.

Na matéria, elaborada pelas jornalistas Alessandra Bellotto e Luciana Monteiro, comentava-se sobre o aquecido mercado de fundos imobiliários, cujos lançamentos esse ano estão causando alvoroço no mercado. Está todo mundo querendo entrar nesse filão antes que a demanda seja totalmente atendida. O BTG Pactual, por exemplo, entrou com pedido de análise na CVM de quatro FIIs, cada um com volume de R$ 1 bilhão – o que não quer dizer necessariamente que o fundo seja obrigado a captar R$ 1 bilhão para poder funcionar.

De acordo com a reportagem, se somadas todas as ofertas, incluindo as que estão em fase de registro e captação, a quantia chega perto de R$ 9 bilhões, bem acima do volume registrado em 2009, cerca de R$ 3,5 bilhões.

Como eu disse, parece que todo mundo “quer tirar uma casquinha”. O Itaú lançou uma oferta restrita a clientes Personnalité e Private, chamado Kinea Renda Imobiliária, que tem até destaque na página da Internet do banco, pretendendo captar R$ 350 milhões. O Bradesco está presente também com a oferta de um shopping popular em São Paulo, o Mais Shopping Largo 13. Outros grandes bancos de varejo, como CEF e BB, também estão presentes nesse mercado que está em ebulição, acompanhando o também efervescente mercado imobiliário de “tijolo”.

Como muitos leitores do blog Valores Reais são iniciantes no mundo dos investimentos, quero registrar aqui minha recomendação de cautela com esse verdadeiro “oba-oba” dos lançamentos de FIIs. Isso porque, como esses fundos terão suas cotas negociadas em Bolsa, como se fossem uma ação, existe um risco dúplice embutido. Primeiro, o risco de haver uma crise no mercado de ações, como a que ocorreu em 2008, puxando o valor negociado da cota para baixo. Segundo, o risco de uma bolha estourar no mercado imobiliário, puxando novamente para baixo o valor das cotas.

O raciocínio é análogo ao das empresas que fazem IPO no mercado de ações: às vezes, vale mais a pena comprar a ação/cota depois que ela fez sua oferta pública, num momento de crise, já que ela pode estar sendo cotada a um valor inferior ao do lançamento. Quem participou de IPOs em 2007, e perdeu dinheiro com elas, sabe muito bem do que estou falando.

O grande problema, em relação aos FIIs, é encontrar critérios objetivos para verificar se um FII está com sua cota sobrevalorizada ou não. Com as ações, é possível verificar dados históricos de P/L, dividend yield, taxa de lucros, EBITDA, P/VPA, compará-las com ações de outras empresas do mesmo setor etc., enfim, fazer uma análise bastante ampla e criteriosa para encontrar o preço justo de uma ação, ou, ao menos, verificar se ela está sendo ou não muito “cara”.

Com as cotas de FIIs, esse trabalho exige mais dedicação e empenho, uma vez que nem sempre é possível encontrar a mesma quantidade de dados. O Henrique Carvalho vem fazendo um ótimo trabalho sobre divulgação de FIIs com métodos e parâmetros objetivos, em diversos e didáticos textos.

Ademais, os FIIs sofrem de um problema adicional de negociação, que é a liquidez mais restrita. E como já abordamos em um artigo anterior, você deve ter muito cuidado com a liquidez de seus investimentos.

Em suma: tenha consciência ao planejar seus investimentos, e, sobretudo, nunca tenha pressa e nem aja movido pelo sentimento de que “todo mundo está fazendo isso, então eu tenho que agir também”. E como as cotas dos FIIs são negociadas em Bolsa, tal qual as ações, finalizo esse artigo com mais uma pérola de sabedoria, um oferecimento de Warren Buffett:

“A Bolsa é um excelente instrumento de transferência de riqueza dos apressados para os pacientes”.

Que você não seja o apressado dessa frase de Mr. Buffett! :D

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Você consegue poupar R$ 40 por semana, durante 3 meses?

5, setembro, 2010 Guilherme 6 comentários

Essa pergunta tem um propósito. Há alguns dias, mencionamos o caso comentado por Mauro Halfeld em seu programa na rádio CBN, do sujeito que economizou R$ 40 por dia, e conseguiu, ao final de 3 anos, não só ter dinheiro para comprar o carro à vista, como também ainda sobrarem R$ 9 mil. O investimento para a compra de um carro pode ser considerado de médio prazo, dados os objetivos do plano – compra de um bem de consumo durável, de alto valor – e o horizonte de aplicação – 3 anos.

A questão que se coloca não é tanto o objetivo que se tem em vista durante esse período de 3 meses, mencionado no título do artigo, mas sim o valor que se consegue economizar. R$ 40 por dia talvez seja um exercício difícil de poupar, mas R$ 40 por semana… pera lá, são menos que R$ 6 por dia. Algo em torno de três cédulas de R$ 2. Por dia. Dá menos que uma cédula de R$ 50 por semana.

Façamos as contas: em um mês, a economia será de R$ 160. E, em três meses, será de R$ 480. Vamos arredondar para R$ 500, porque, durante esse período, você certamente conseguirá economizar mais, se levar a cabo esse disciplina de poupança.

Mas pra quê, afinal, investir no curto prazo? Há dois objetivos nesse divertido exercício de poupança. O primeiro é para usufruir de um benefício tangível. Tem que ser uma economia dirigida a uma finalidade consumível. Materialista.  É para você enxergar que poupar vale a pena. E não apenas enxergar, mas também ouvir, saborear… Não se trata de economizar R$ 500 durante 3 meses para, com esse dinheiro, investir na compra de um ETF, fazer um aporte extra no plano de previdência privada, ou colocar num fundo de renda fixa. Trata-se de economizar R$ 500 para gastar. E gastar em coisas que lhe dão prazer e satisfação. Trocando em miúdos: é para torrar mesmo. Sem dó. Nem piedade. Você reserva um dinheiro todo mês para diversão? Então a diversão será dobrada ao final desses três meses.

O que você poderia fazer com esses R$ 500? Algumas sugestões: um pacote de jantares no melhor restaurante de sua cidade, sem se preocupar em olhar o lado direito dos menus, concentrando sua atenção visual apenas na descrição dos pratos. Uma bela de uma roupa. Um final de semana num hotel de sua preferência. Um kit de livros e discos DVD ou Blu-ray, com direito a “embalar para presente”, caso você os compre através da Internet. Uma mala de viagens novinha em folha, para substituir aquela meio surrada que está encostada no armário.

Êpa… estaria esse blog subvertendo todos os valores até aqui sustentados, passando a defender o consumismo materialista? :P Não! :D

E é aqui que vem o segundo objetivo desse exercício de poupança: treiná-lo(a) para aguentar firme e forte os objetivos de longo prazo. Ouço muita gente dizer que investe na Bolsa para longo prazo, mas, ao primeiro sinal de desconforto, vende suas ações. Conheço gente também que estava fazendo um plano próprio de investimentos de longo prazo, mas, por um motivo ou outro, teve que retirar dinheiro desse investimento para cobrir despesas imprevistas que surgiram de uma hora para outra.

O problema dos investimentos de longo prazo é esse: são longos demais. Você não vê resultados tangíveis no curto prazo – tangíveis no sentido de serem usufruídos, ou seja, serem gastos, convertidos em bens de consumo. Como consequência, aos poucos você vai ou perdendo a motivação e poupando menos, ou tirando dinheiro do plano e alterando sua estratégia de investimentos no meio do caminho.

E tudo isso ocorre porque damos um salto longo demais. É como se preparar para uma maratona treinando cem metros rasos. Você cansa logo. E se cansa logo porque seu corpo e sua mente não estão habituados com o novo ritmo, e, sobretudo, não vê resultados concretos desse esforço de poupança. É preciso fazer uma adequação, uma adaptação. O que você pretende fazer com a aposentadoria? Não é consumir pelo menos parte do dinheiro poupado e investido? Então treine sua disciplina de longo prazo realizando investimentos de curto prazo e consumindo esses investimentos – de curto prazo, eu disse!

Além disso tudo, como já dissemos anteriormente, você não pode investir como se fosse viver só no futuro. Ninguém, em sã consciência, investe só para metas de looooooongo prazo. Há metas de prazo menor que necessitam igualmente de disciplina e esforço. Eis algumas: compra de uma casa, compra de um carro, pagamento da faculdade, realização da viagem de férias, substituição da TV da sala, pagamento da matrícula da escola, impostos de janeiro (IPTU, IPVA etc.), presente de casamento, presente de Dia das Crianças, presente de Natal, presente de aniversário… muita gente se enrasca em financiamentos com juros altíssimos e parcelamentos a perder de vista por esse simples motivo: não pouparam R$ 40 – ou qualquer outro valor que seja – por semana. Como consequência, não só não tem dinheiro para comprar à vista – afinal, o salário líquido já foi devidamente “vaporizado” – como também perdem a ótima oportunidade de conseguirem descontos e também usufruírem um pouco dos juros compostos.

Para cada um desses objetivos de curto prazo, é preciso respeitar um mínimo de planejamento e esforço. E tudo fica mais fácil a partir do momento em que você se organizar, poupando e investindo não só para o longo prazo, mas também para essas metas mais factíveis de curto prazo. Você precisa usufruir das pequenas recompensas, no meio do caminho, como forma de se motivar para colher as grandes recompensas, na jornada de maior duração.

E então, vamos poupar R$ 40 por semana?

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Colhendo os Dividendos de Valores Reais: 4 de setembro

4, setembro, 2010 Guilherme Sem comentários

Colhendo os Dividendos é uma série publicada, aos sábados, que se destina a destacar os melhores textos publicados na mesma semana do ano(s) anterior(es). O objetivo é expor aos novos leitores conteúdos que foram publicados tempos atrás, mas que ainda podem ser úteis a eles. E serve também – por quê não? – para que leitores antigos releiam textos que gostaram.

Um ano atrás (29 de Agosto a 4 de Setembro de 2009)

Ter conta em banco sem pagar tarifa de manutenção: Conta de Serviços Essenciais Você sabia que pode ter conta em um banco ser pagar um mísero centavo sequer de tarifa de manutenção de conta? É só usar esse pacote essencial. O problema é que muitos gerentes fazem o máximo que podem para omitir essa informação.

Você investe em seu bem-estar? Faça exercícios físicos e ouça música! Estão aí duas medidas que diminuem o estresse diário: ouvir suas músicas prediletas e fazer exercícios físicos, nem que seja uma boa caminhada. Os benefícios são colhidos automaticamente.

7 maneiras de você tirar proveito máximo do Valores Reais

Essa é uma espécie de FAQ (respostas mais frequentes), útil sobretudo para que novos leitores explorem melhor o Valores Reais.

1. Assine por email ou RSS. Sabia que você pode saber das últimas novidades do site sem visitar o www.valoresreais.com ? Para isso, assine nosso conteúdo via email ou no seu leitor preferido de feeds.

2. Comente. Cada artigo publicado permite que você exponha suas ideias, debatendo-as com outros excelentes leitores, numa discussão viva e contínua. Basta clicar no botão de comentários, logo abaixo do título de cada artigo, para ter acesso às discussões. Também é possível assinar os feeds dos comentários.

3. Mande-me suas dúvidas e sugestões. Escreva um email no formulário de contato do site, caso tenha alguma dúvida, sugestão ou comentário. Seu comentário pode inclusive ser objeto de artigo no site!

4. Participe das enquetes. Na barra lateral direita, temos enquetes sempre atualizadas, onde você poderá  expressar sua opinião sobre temas relevantes de finanças pessoais, bem como sugerir temas para futuros artigos.

5. Passeie pela nossa seção de arquivos. Na barra lateral direita, existe um calendário onde, passando seu mouse em cima, você lerá o título do artigo que foi escrito naquele dia. E, na seção Arquivos, você encontrará os artigos listados em ordem cronológica, desde o nascimento do blog!

6. Faça uma busca. Caso queira saber se algum assunto, termo ou palavra em particular foi debatido ou apareceu em algum artigo, é só utilizar a nossa caixa de pesquisas, localizada no canto superior direito.

7. Navegue por categorias e assuntos. Se você tiver em busca de temas específicos abordados aqui no blog, navegue pelas categorias e assuntos, organizados na barra lateral direita.

Frase para reflexão

“Aquele que não se interessa pelas pequenas coisas terá um falso interesse pelas grandes”.

- John Ruskin

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Categories: Colhendo os Dividendos Tags:

As pequenas coisas, feitas de modo constante, criam maior impacto

3, setembro, 2010 Guilherme 2 comentários

O título que ilustra esse artigo é um oferecimento de David Allen, que, no livro Gerencie sua mente, não seu tempo, resenhado no blog, o coloca como um dos 52 princípios do código da produtividade (é o 49º, para ser mais exato). O progresso significativo reside em fazer pequenos atos, de modo disciplinado. Poupar e investir, mensalmente, parte do que você ganha, é condição essencial para ter uma aposentadoria mais robusta. Alimentar-se com frutas e verduras é parte do caminho para ter um sistema digestivo mais eficiente. Fazer caminhadas, nem que sejam de 15 minutos todo dia, é essencial para ter um aparelho cardiovascular mais resistente e imune a ataques cardíacos e problemas coronarianos. Passar num concurso público é resultado de pequenas horas por dia de dedicação e atenção concentrada nos livros, aulas e apostilas.

David Allen diz que (p. 179):

“O fato complicador é que atitudes negativas igualmente pequenas e constantes criam consequências indesejáveis significativas [...] Pequenas coisas, que permanecem sem verificação, podem criar alguns dos piores problemas”.

A prática regular produz resultados tanto positivos quanto negativos. Estive meditando sobre isso, e vi que de fato é verdade. É simples, mas é crucial. Você certamente conhece alguém que sofreu um AVC ou passou a ter problemas de pressão alta. Isso veio do nada ou foi fruto de um estilo de vida desregrado? Provavelmente a resposta se encaixará na segunda alternativa.

Um problema de saúde, deixando de lado considerações sobre fatores genéticos, não surge do nada. Ele é sobretudo o resultado, o resultado de hábitos arraigados e incorporados ao estilo de vida de uma pessoa. Se você se estressa todo dia por conta de pequenos problemas no trabalho e no trânsito, vai acumulando, ainda que de modo inconsciente, toxinas em seu corpo, que trazem desgaste não só para seus órgãos internos, como também acaba sendo transmitido para sua mente. É a tal das doenças psicossomáticas, que aflige tantas pessoas hoje em dia, e que se manifesta em doenças como depressão.

Da mesma forma, um endividamento não é resultado de uma suposta “geração espontânea” de dívidas. Foi resultado de pequenos atos de consumo exagerado do dia-a-dia, de assumir prestações que, embora pudessem “caber no bolso”, acabaram prejudicando outros itens de consumo que você gostaria de ter. David Allen está certo: são as pequenas coisas, feitas de modo constante, que criam o maior impacto em nossas vidas.

E, ao final, conclui:

“De um jeito ou de outro, as pequenas ações em que nos envolvemos com regularidade são o elemento central dos principais resultados que obtemos.”

O legal desse capítulo são as duas perguntinhas básicas que ele faz ao encerrar os comentários sobre esse código nº 49. São elas:

“Lembre-se de uma mudança positiva, permanente e significativa que ocorreu em sua vida. Quais pequenas coisas você fez constantemente que criaram ou possibilitaram essa mudança?

Talvez você tenha saído das dívidas e começado a se tornar uma pessoa investidora. Isso não foi fruto do acaso. Foi o resultado da prática de uma série de pequenos atos, realizados de modo regular. O corte do cafezinho depois do almoço, a resistência à tentação de fazer um upgrade no seu serviço de TV por assinatura, o cancelamento da assinatura de algum jornal ou revista, a substituição do almoço em restaurante pelo almoço em casa, a compra de produtos genéricos em farmácia, o uso de sebos virtuais para comprar livros…

Ou então talvez você tenha melhorado sua saúde física. Mas ela não veio por obra do destino: “ó, se olha no espelho e veja que nova pessoa você se tornou”. Ela foi resultado de dedicação aos treinos na academia, melhora na qualidade do sono, hábitos alimentares mais saudáveis, corte do consumo de refrigerante, que ficou só para o final de semana, consumo de mais água… pequenos atos, que no final das contas resultaram em uma brutal diferença em sua condição física.

Seu blog tem a visitação atual não por coincidência do destino. Ele foi fruto de muito conteúdo produzido, ao longo de vários meses. Conteúdo original, escrito de forma criativa, que despertou a atenção dos leitores. São os pequenos artigos, escritos com frequência semanal, que lhe proporcionaram ter a visitação que tem hoje.

Mas a melhora foi em sua carreira profissional, oriunda da aprovação em um concurso público. O gabarito caiu do céu? É claro que não! A aprovação foi resultado de 4 horas de estudo por dia, de segunda a domingo. Leitura de 20 páginas por hora. Questões e exercícios sendo resolvidos a cada final de semana. Pequenos sacrifícios, realizados ao longo de alguns anos, resultaram em uma excelente conquista.

“Neste momento, que pequena coisa, se for uma atividade regular, lhe traria um enorme benefício?” (segunda pergunta)

O que mais você quer conquistar em sua vida? Quais são seus próximos sonhos? Quais são suas ambições? É alcançar a independência financeira? É iniciar um negócio próprio? É passar em outro concurso público ainda melhor? É casar e ter filhos? É aumentar ainda mais a visitação ao seu blog? Então mãos-à-obra!

Hoje, quando chegar em casa, dedique pelo menos duas horas para esse sonho. Coloque no papel tudo o que você deseja realizar. Estabeleça um cronograma de ações. Veja o que você precisa estudar, comprar, praticar. E então aja. Faça acontecer. E dê seus passos, um de cada vez, todos os dias da semana. Cheque seu progresso diário, semanal e mensal. Faça avaliações periódicas acerca do cumprimento de seus planos. Teste suas aptidões. Desenvolva suas habilidades. Aprenda coisas novas.

A questão pode até não ser iniciar um projeto novo, mas dar impulso a um já existente. Troque aquele refrigerante por um copo de suco. Vá à academia no próximo horário livre em que estiver disponível. Faça seu aporte no fundo de ações/previdência/renda fixa assim que tiver um computador em mãos. Escreva um artigo para seu blog com aquele conteúdo que você estava pensando há semanas – e não se preocupe em fazê-lo “perfeito”, afinal, o ótimo é inimigo do bom. Dê um jeito de uma vez por todas naquela bagunça que está seu guarda-roupas. Vá completar o estudo daquele livro ou tema que ficou pela metade. Não espere que alguém transforme sua realidade física: faça você mesmo e veja o resultado acontecer!

Tudo o que for realizado, de modo constante e disciplinado, contribuirá para que, a cada dia que passar, você se aproxime cada vez mais da realização de seu sonho. E verá que, no final das contas, o que eu disse no começo desse texto, parafraseando David Allen, faz todo o sentido: são os pequenos gestos, realizados de modo constante, que produzem os maiores resultados. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Um item que desequilibra qualquer orçamento doméstico: o excesso de refeições fora de casa

2, setembro, 2010 Guilherme 5 comentários

Eu vou confessar uma coisa: eu gosto de comer em bons restaurantes. De preferência, em um ambiente não muito barulhento, para poder conversar, e com pratos de qualidade, para saborear. Se você for como eu, ou seja, gosta também de realizar tal tipo de atividade, você já parou para prestar atenção no custo que isso tem no seu orçamento doméstico?

Dizendo isso em outras palavras: será que você não está exagerando nas refeições fora de casa? Eu não estou falando apenas dos almoços que você faz no restaurante self-service por quilo mais próximo de seu local de trabalho – afinal, muita gente não almoça em casa por pura necessidade, tendo em vista que perderia muito tempo no trânsito entre a casa e o local de trabalho. Eu falo, sobretudo, dos jantares de final de semana, para reuniões sociais com amigos e a própria família – esses jantares, sim, costumam fazer um rombo no orçamento doméstico.

Exemplificando: se você tem cônjuge e dois filhos, uma saída para um restaurante deve custar em torno de R$ 100 a R$ 150, incluindo nessa conta os pratos, as bebidas e os 10%, ou seja, de R$ 25 a R$ 37,50 por cabeça – isso sem contar estacionamento, combustível e gorjetas. Se você sair para jantar fora uma vez por semana, mantendo essa média, seus gastos com restaurantes podem chegar facilmente a algo como R$ 400 a R$ 600. Em um único mês! No ano, mantendo essa média, a conta total vai variar de R$ 5 mil a R$ 7 mil.

Se você é solteiro(a), não pense que essa conta irá fechar tão facilmente. É que os pratos individuais costumam ser mais caros, em termos proporcionais, que os pratos para duas pessoas. E como ninguém, em sã consciência, escolhe um prato sem olhar o lado direito dos cardápios, a conta individual pode variar de R$ 25 a R$ 40, dependendo, é claro, de uma série de fatores. Num mês, a conta pode sair fácil fácil em R$ 100 – ou mais. Quanto mais saídas para almoçar/jantar fora, maior o peso que esse item terá em seu orçamento doméstico.

A solução para diminuir o rombo no orçamento doméstico não consiste apenas em diminuir os jantares fora de casa, mas, sobretudo, a de manter o convívio social com um custo mais baixo. Fazer refeições dentro de casa, ou melhor, aprender a cozinhar para os amigos pode ser uma saída muito útil. A Internet está cheia de dicas de como preparar pratos, a TV passa programas muito legais sobre gastronomia – vide alguns programas do GNT e do Discovery Travel & Living. As bancas de jornal contêm diversas revistas de como preparar os mais incríveis pratos. Será que não estaria na hora de pelo menos experimentar essa aventura na cozinha, para ver como é que é, se realmente o negócio funciona?

Tudo pode sair mais divertido, mais aconchegante e, sobretudo, mais econômico. A diversão será a mesma – ou até maior, visto que, depois dos comes e bebes, vocês ainda podem assistir alguma coisa legal na TV ou então ver fotos da última viagem, jogar games de tabuleiro (existe uma versão novíssima do Banco Imobiliário, até com maquininha de cartão de crédito, que tal?), dentre outras opções interessantes e baratas de passar o tempo.

Se mesmo assim você não dispensa “aquela” saída com os amigos, uma solução intermediária seria a de dividir petiscos e lanches. São mais baratos que os pratos, podem não matar tanto a fome quanto estes, mas, em compensação, proporcionam também o mesmo tipo de convívio social.

No caso de famílias, uma alternativa interessante é criar um “domingo no parque”, com direito a piquenique e tudo o mais. Economize dinheiro nas refeições, mas não economize tempo no convívio com a família/amigos. O segredo é ter atitudes inteligentes que façam você ter mais dinheiro no bolso no final do mês, mas sem se privar de relacionamentos sociais, que são sempre sadios e agregam valor à sua vida.

Boas refeições! :)

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Isso é o que faz Warren Buffett ser “o” cara…

1, setembro, 2010 Guilherme 6 comentários

Navegando por acaso no Twitter do Trent Hamm, fundador do The Simple Dollar, me deparei com uma carta publicada pelo Warren Buffett, situada num contexto onde ele convoca as famílias mais ricas dos Estados Unidos a doarem parte de suas fortunas para a filantropia, num movimento conhecido como The Giving Pledge, que tem até site próprio na Internet. A carta original pode ser lida aqui. Abaixo, vai uma tradução livre de parcela substancial da referida carta (os destaques ficam por minha conta):

“Alguns bens materiais tornam minha vida mais agradável. Muitos, no entanto, não a tornariam. Eu gosto de ter um jatinho particular, mas possuir uma meia dúzia de casas seria um fardo. Muito freqüentemente, uma vasta coleção de posses acaba possuindo seu proprietário. O ativo que eu mais valorizo, além da saúde, é um conjunto interessante e bem diversificado de amigos de longa data.

Minha riqueza vem de uma combinação de vida na América, alguns genes de sorte, e juros compostos. Os meus filhos e eu ganhamos o que eu chamo de loteria ovariana (para iniciantes, as chances contra o meu nascimento em 1930 eram de pelo menos 30 para 1. Ser do sexo masculino e branco também foram fatores que removeram os obstáculos enormes que a maioria dos americanos então tiveram que se confrontar.

Minha sorte foi acentuada por viver em um sistema de mercado que às vezes produz resultados equivocados, embora em geral sirva bem ao nosso país. Eu trabalhei em uma economia que recompensa quem salva a vida de outras pessoas em um campo de batalha com uma medalha, premia um grande professor com notas de agradecimento aos pais, mas recompensa sobretudo aqueles que podem detectar a má precificação dos títulos, com somas atingindo a bilhões.

O sentimento da minha família e meu próprio diante de nossa extraordinária sorte não é de culpa, mas sim de gratidão. Se usarmos mais de 1% do meu patrimônio líquido para nós mesmos, nem a nossa felicidade, nem o nosso bem-estar seriam reforçados. Em contrapartida, os restantes 99% podem ter um enorme efeito sobre a saúde e o bem-estar dos outros. Essa realidade apresenta uma conclusão óbvia para mim e para minha família: manter o suficiente para suprir nossas necessidades, e distribuir o restante para a sociedade, para as suas necessidades. Minha promessa começa aqui.”

This is Warren Buffett. :)

Em poucos parágrafos, Buffett sintetiza algumas das lições mais importantes acerca de temas como investimentos (aproveitar os juros compostos para criar sua base de riqueza, detectar distorções nos mercados para lucrar), frugalidade (“uma vasta coleção de posses acaba possuindo seu proprietário”) e missão (sentimento de gratidão por tudo o que conquistou).

Buffett aborda ainda um ponto que é, de longe, o mais esquecido e menos comentado quando se trata de finanças pessoais: doação. Muitas vezes, na busca frenética pela independência financeira, as pessoas se esquecem (ou se omitem de propósito) de doar parte de seus ganhos para instituições filantrópicas, projetos humanitários e contribuições para sua igreja local. Ser mesquinho não combina com a personalidade de quem busca a independência financeira. Você faz doações regularmente? Ou 100% do que você ganha é usado em benefício próprio!? Cuidado, pois o preço do egoísmo costuma ser cobrado nos momentos mais impróprios, imprevistos e urgentes…

Esse projeto de filantropia liderado por Buffett e Gates é um dos maiores legados – senão o maior – que Buffett está deixando à sociedade. Não é à toa que ele é uma lenda viva do mundo das finanças. E esse é um dos motivos que o fazem ser “o” cara. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Dando nomes aos bois (digo, aos fundos): 3 fundos referenciados DI não muito caros

31, agosto, 2010 Guilherme 11 comentários

Um blog de finanças pessoais, se ficar falando só “sobre princípios gerais de uma boa educação financeira”, “teoria abstrata das variáveis macroeconômicas”, e assuntos congêneres, não irá conseguir atrair a atenção do leitor por muito tempo. Isso porque o leitor quer, além da explicação de assuntos abstratos, de dicas mais concretas, que tenham a ver com a sua realidade do dia-a-dia.

Uma das coisas que aprendi ao ler o fantástico livro “Idéias que colam”, resenhado por aqui há algum tempo, foi essa: uma das características das idéias que colam é justamente a concretude, a capacidade de ser palpável aos olhos do leitor. Eu gosto muito de blogs como o Aquela Passagem e o Efetividade.net justamente por isso: pela capacidade de serem totalmente aderentes à realidade física do dia-a-dia do leitor. E, para alcançarem esse nível de concretude, é indispensável fazer a citação de marcas, lojas e empresas.

Vamos, então, fazer aqui a citação de 3 fundos referenciados DI que não são muito caros, e que também não exigem altas quantias de dinheiro para aplicação. Ou seja, fundos acessíveis a qualquer investidor, ou, pelo menos, a grande parte dos investidores. Esses fundos se caracterizam por serem modalidades de investimento em renda fixa pós-fixada, ou seja, que acompanha a variação do CDI, ou da taxa SELIC. São investimentos, portanto, conservadores. Como não exigem praticamente trabalho nenhum do gestor, tais fundos deveriam, em tese, apresentar taxas de administração inferiores a 1% a.a. Entretanto, o que vemos na maioria dos fundos comercializados no varejo é exatamente o contrário: muitos deles cobram taxas de administração superiores a esse patamar.

Encontrar fundos referenciados DI baratos é como tentar encontrar agulha no palheiro. Exige muita pesquisa e dedicação. Vamos destacar três desses fundos aqui.

Fundo Geração FIC de FI Referenciado DI. Administrado pelo Banco Geração Futuro de Investimentos, esse fundo apresenta uma taxa de administração de 0,6% a.a. O destaque fica por conta da aplicação inicial: apenas R$ 100, o menor dentre os fundos pesquisados. As aplicações adicionais também podem ser feitas a partir de R$ 100.

Rio Bravo Liquidez DI. Administrado pela Rio Bravo, cobra uma taxa de administração ainda menor: 0,35% a.a. A aplicação inicial é de R$ 1 mil, assim como as subsequentes.

Banif FI Ref DI. Da corretora de valores Banif, apresenta a menor taxa de administração, dentre os fundos pesquisados: 0,3% a.a. Entretanto, o valor da aplicação inicial é dos mais altos, mas, mesmo assim, razoável: R$ 5 mil.

A essa altura do texto, você já deve ter percebido o que há de comum entre esses três fundos, além das baixas taxas de administração: eles estão fora do circuito dos grandes bancos de varejo – BB, Itaú, Bradesco etc. Em outros termos, são comercializados por corretoras de valores e gestoras independentes de recursos. Nos grandes bancos antes citados, as taxas só começam a ficar atraentes para clientes do segmento de alta renda: BB Estilo, Itaú Personnalité e Bradesco Prime. Mesmo assim, você precisaria “comer muito feijão com arroz” para conseguir taxas mais baixas. Em outros termos, o valor mínimo para aplicação sobe absurdamente, e as taxas não ficam ainda assim tão competitivas quanto nos fundos acima mencionados.

O BB tem um Fundo Referenciado DI LP Estilo, que cobra 0,7% a.a., mas exige aporte mínimo de R$ 10 mil. Nos outros bancos, a coisa complica. O Bradesco tem o Bradesco Prime FIC Referenciado DI Plus, que cobra  também 0,7% a.a., mas exige a impressionante quantia inicial de R$ 80 mil (!). O Itaú Personnalité tem um Fundo, o Super Premium Referenciado DI, que cobra 0,75% a.a. de taxa de administração (parece que é padrão os grandes bancos cobrarem esse valor de taxa), mas exige a nada modesta quantia inicial de R$ 250 mil (!). Ou seja, o que no Itaú corresponde ao valor de um apartamento para ter acesso a um fundo não muito caro, na Geração Futuro basta o valor de um jantar para uma família de 4 pessoas. :)

A democratização de acesso aos fundos baratos com o Tesouro Direto

Se você pensa em investir num produto financeiro que acompanhe a rentabilidade da taxa Selic – que é o que fazem, no final das contas, os fundos referenciados DI – bom mesmo é investir em LFTs via Tesouro Direto, com corretoras que cobrem barato pelo serviço. A liquidez fica um pouco mais restringida, uma vez que os títulos só são vendidos na “janela” das quartas-feiras. Entretanto, o ganho adicional pelo não pagamento de taxas de administração caras acaba, muitas vezes, compensando essa restrição de liquidez.

Vale lembrar, outrossim, que fundos de investimento, incluindo aí os referenciados DI, não contam com a proteção do FGC. Ou seja, se o banco/corretora quebrar, o dinheiro ali aplicado poderá não voltar para o bolso do investidor. O que conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, até o limite de R$ 60 mil por CPF, são outros tipos de aplicações, como poupança, CDBs, letras de crédito imobiliário, mas não fundos de investimentos. Eis aí mais um bom motivo para se aplicar diretamente em títulos públicos.

Bons investimentos!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!