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Arquivo da Categoria ‘Investimentos’

Seja egoísta com seus investimentos

9, setembro, 2010 Guilherme 2 comentários

Êpa, como é que é!? Num blog que defende valores como a solidariedade e a fraternidade, como assim ser egoísta, e ainda mais com aquilo que irá forrar sua independência financeira, isto é, com os investimentos? Conselho em causa própria!!!???

Sim, eu não escrevi errado. Vai me dizer que você nunca se sentiu emocionalmente tocado ao ser convidado pelo seu gerente de banco a fazer um título de capitalização, ou seja, ser solidário com ele, contribuindo com parcela de seu patrimônio financeiro? O resultado pode até ter algum efeito positivo sobre as metas do gerente maaaaaass…… será uma péssima medida para seu patrimônio, uma vez que título de capitalização tem o nome errado: é título de descapitalização. Os verdadeiros títulos de capitalização, no sentido de capitalizarem você, e não seu banco, são as ações dos bancos, que rendem dividendos e se valorizam no decorrer do tempo.

Nos investimentos, só você é quem deverá usufruir os ganhos e só você lamentará – e suportará, e sofrerá – as perdas decorrentes de uma má gestão de carteira.

Nesse sentido, ninguém mais do que você é o mais interessado na gestão positiva de sua carteira de investimentos. Você é o maior beneficiário em alcançar a independência financeira o quanto antes. Logo, tudo o que constituir obstáculo ou retardo ou atraso em seus planos de aposentadoria financeira devem ser eliminados o tanto quanto possível de seu caminho. Isso inclui, obviamente, o pagamento de altas taxas de administração, as inexplicáveis tarifas de custódia (R$ 6,90, R$ 10 etc.), as tarifas de manutenção de conta bancária (vendidas com o sugestivo nome de “pacotes de serviços”), as absurdas taxas de corretagem, e todas as outras coisas que comecem com o nome de “tarifa” ou “taxa”.

Compartilhe com seu gerente de banco, corretor, consultor de investimentos, sua alegria, sua satisfação, suas conversas entusiasmadas, mas evite compartilhar seu dinheiro. Seu dinheiro deve ficar para você, seu dinheiro deve trabalhar para você, seu dinheiro deve ser gasto por e para você.

E não pense que é preciso ser expert em investimentos para construir patrimônio, ler “n” livros, treidar o dia inteiro. Não, não e não. Com estudo e dedicação, estratégias inteligentes e investimentos baratos, é possível, sim, ter tranquilidade financeira.

Nos Estados Unidos, aliás, fazem o maior sucesso livros que se dedicam a ensinar pessoas preguiçosas a montarem uma carteira de investimentos diversificada e com bons retornos. Um dos mais famosos é o “The Lazy Person´s Guide to Investing“.

Bem, e vou finalizar esse artigo com chaves de ouro: uma citação do livro do John Bogle, a Dose Certa (p. 23-24), resenhado tempos atrás (certamente um dos livros de cabeceira a quem sempre recorro), que sintetiza com maestria o conteúdo essencial do presente texto:

“Quando vocês começarem a investir para ter o suficiente na aposentadoria, muitas décadas no futuro, façam isso de forma que a comunidade financeira subtraia o mínimo dos retornos gerados pelo negócio. Sim, é uma espécie de conselho em causa própria sugerir que vocês invistam em fundos de índice de baixo custo dos mercados de ações dos Estados Unidos e globais (no modelo da Vanguard), mas essa é a única forma de garantir sua cota justa dos retornos que os mercados financeiros forem generosos o suficiente para proporcionarem”.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Tenho 100 ações da PETR4. Quantas poderia subscrever nessa oferta pública da Petrobras? (e + 2 links para pensar sobre o assunto…)

8, setembro, 2010 Guilherme 5 comentários

Esse artigo não se destina a fazer comentários analíticos sobre o processo de capitalização da Petrobras, suas vantagens e desvantagens, se vale a pena investir nela etc. Além de deixar links para outros textos relacionados ao assunto, vamos responder, de forma objetiva, a uma pergunta que tem sido bastante frequente entre os acionistas da Petrobras, particularmente aqueles que têm ações em custódia da PETR4 em sua carteira, ou seja, aqueles que compraram as ações no home broker, e não via fundos de ações ou FGTS.

“Tenho 100 ações da PETR4. Quantas poderei subscrever nessa oferta pública de ações da Petrobras?”

Resposta:

“34 ações”.

Isso porque, de acordo com o prospecto:

“Os acionistas que tiverem ações ordinárias na primeira data de corte (10 de setembro) terão direito de subscrever 0,342822790 ação ordinária para cada papel detido na segunda data de corte (17 de setembro). Já os detentores de ações preferenciais terão direito de subscrever 0,342822790 papel preferencial para cada ação do tipo detida na segunda data de corte (17 de setembro)”.

Mais detalhes sobre os fatos que envolvem a capitalização podem ser lidos nesse artigo do InfoMoney.

Corrijam essa informação caso esteja errada, avisando nos comentários!

Outro link muito interessante sobre esse processo é o artigo escrito pelo Paulo Portinho, que faz uma leitura minuciosa sobre o prospecto da Petrobras, a qual deixou, inclusive, muitas dúvidas. Inclusive essa, que me chamou bastante atenção:

Agora a dúvida maior. Eu realmente não entendi o que li no prospecto! Ou entendi e não acreditei…

Peço, por favor, que leiam a página 140 do prospecto, a que trata da “Destinação dos Recursos“.

Pois bem, como o aporte do governo não será feito em dinheiro, para a Petrobras seria melhor que esse aporte fosse o menor possível.

Pela leitura da página 68, pode-se entender que o aporte do Governo e do BNDES (pela nova posição de ações que teriam após a oferta) ficaria em R$ 48 bilhões, e os R$ 62 bilhões restantes viriam do mercado, totalizando R$ 110 bilhões.

Pois o prospecto diz CLARAMENTE que 68% dos recursos captados será destinado à contrapartida da Cessão Onerosa. 68% de R$ 110 bi correspondem a aproximadamente os R$ 75 bi que a Petrobras terá que pagar ao governo.

Só que meu entendimento tinha sido outro. Imaginei que o governo iria utilizar o contrato de cessão onerosa EXCLUSIVAMENTE para pagar seu aporte no aumento de capital.

Pela leitura do prospecto, caso realmente o mercado entre com R$ 62 bilhões, o governo fará um aporte em títulos públicos de R$ 48 bilhões, e receberá da Petrobras R$ 75 bilhões em dinheiro e títulos, pelo contrato de cessão onerosa.

Isso não faz qualquer sentido. Em vez de capitalizar a Petrobras os investidores estariam capitalizando a União!!!

Está aí uma coisa que precisa ser esclarecida. Minha primeira impressão indicava que o governo aportaria “barris” até o limite da chamada de capital, não mais do que isso.

Dúvidas… isso é que dá querer ler um prospecto de 620 páginas…”

Será!!!?? Surprised

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Categories: Ações, Investimentos Tags:

Enquete: vocês incluem a reserva de emergência e o dinheiro do salário na sua estratégia de alocação de ativos?

7, setembro, 2010 Guilherme 15 comentários

Como hoje é o Dia da Independência do Brasil, vamos fazer uma pergunta que tem a ver com a independência… financeira. :D Alguns dos melhores blogs que acompanho fazem uma revisão mensal de seu portfólio, que está baseado numa estratégia de alocação de ativos. É o caso, por exemplo, do Investimentos e Finanças, bem como do HC Investimentos.

Eu estava pensando em fazer a pergunta diretamente no blog deles, mas, como o assunto é de evidente interesse público, vou colocar aqui a pergunta, até para que mais leitores possam participar e, assim, aumentar o círculo de debates.

A pergunta é simples e direcionada a todos que praticam alocação de ativos em suas carteiras de investimentos: vocês computam o dinheiro do salário e da reserva de emergência no patrimônio acumulado sob a estratégia de alocação de ativos? Ou deixam eles de fora, priorizando apenas os investimentos de longo prazo, para fins de rebalanceamento e checagem periódica dos percentuais (pesos) de cada classe de ativos dentro da carteira de investimentos?

Vamos exemplificar para facilitar o entendimento.

Suponha que você tenha R$ 40 mil em ações, R$ 18 mil num fundo referenciado DI, R$ 22 mil em LFTs, e outros R$ 20 mil em fundos imobiliários. Total de patrimônio acumulado: R$ 100 mil. Sua estratégia de alocação de ativos é manter o target 40/40/20, ou seja, 40% em Bolsa, 40% em Renda Fixa, e 20% em Fundos Imobiliários.

Suponha ainda que seu salário seja de R$ 5 mil, e que suas despesas mensais girem em torno de R$ 3 mil. Nessa situação, a reserva de emergência “clássica” – 6 meses de gastos mensais médios num investimento conservador – resultaria em R$ 18 mil, que estão justamente no fundo DI do banco.

As perguntas são:

1º) Esses R$ 18 mil são computados para definição do peso dos 40% da renda fixa e, portanto, potencialmente utilizáveis para fins de rebalanceamento, caso as ações fiquem muito baratas? Ou não entram nessa conta? Em outros termos, se você tivesse esse patrimônio hipotético de R$ 100 mil, com target de 40% para renda fixa, o montante acumulado na reserva de emergência (R$ 18k) entraria nesse bolo (dos R$ 40k)?

2º) Na verdade, é uma decorrência da primeira pergunta. A sua carteira de longo prazo engloba todo o patrimônio financeiro que você tem, e todo o fluxo de caixa, abrangendo inclusive as receitas provenientes de salário?

Essas perguntas se destinam a me ajudar a definir minha própria estratégia de alocação de ativos. Eu estou na dúvida se incluo ou não a reserva de emergência no montante total da carteira de asset allocation, ou se faço uma distinção. As consequências serão distintas, conforme a solução a ser adotada.

Usando o exemplo acima: caso os R$ 18k do fundo DI não fossem computados na carteira de asset allocation, a pessoa teria R$ 82 mil na carteira de asset allocation, dos quais R$ 40 mil, ou 48%, estariam em ações. Ou seja, o sujeito teria que ter, respeitado o peso de 40% de ações, no máximo, R$ 32,8k em ações. O que, em última análise, o forçaria a uma venda dos R$7,2k excedentes de ações, apenas para manter o peso das ações em 40%.

Situação diferente seria se a reserva de emergência fosse computada na carteira de investimentos. Nesse caso, os R$ 40k de ações corresponderiam exatamente a 40% do patrimônio em renda variável. Qual é a opinião de vocês? O dinheiro da reserva de emergências entra ou não entra na carteira de investimentos montada sob uma estratégia de alocação de ativos?

EDITADO: vasculhando o meu próprio blog :P encontrei já uma ótima resposta! Do leitor Daniel Melo, que disse o seguinte:

“Eu separo os meus investimentos por objetivos e cada objetivo tem alocações diferentes. Meus investimentos para objetivos mais longos como aposentadoria ou faculdade dos filhos tem RV, RF e câmbio. Já objetivos mais a curto prazo (menos de 2 anos) são totalmente em RF, mas ainda ssim tenho uma diversificação entre TD, CDB e poupança.

Uma coisa importante quando se trata de alocação é ter uma parcela dos investimentos em cada categoria de ativos composta por um tipo de investimento mais líquido. Isso ajuda a casar os prazos no momento da realocação. Para os investimentos menos líquidos, vale a pena diluir os aportes em períodos diferentes, para se beneficiar de tarifas menores de imposto (como no caso do TD em que saques após 2 anos pagam “apenas” 15% de IR)”.

Bom feriado a todos!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

[via Valor Econômico] Overdose de fundos imobiliários?

6, setembro, 2010 Guilherme 9 comentários

Semana passada, ao comprar a edição de terça-feira do jornal Valor Econômico, tive um susto ao ler a manchete de capa. Ela tratava nada mais nada menos que os fundos imobiliários, com um título bastante chamativo: “Fundos imobiliários deslancham”.

Na matéria, elaborada pelas jornalistas Alessandra Bellotto e Luciana Monteiro, comentava-se sobre o aquecido mercado de fundos imobiliários, cujos lançamentos esse ano estão causando alvoroço no mercado. Está todo mundo querendo entrar nesse filão antes que a demanda seja totalmente atendida. O BTG Pactual, por exemplo, entrou com pedido de análise na CVM de quatro FIIs, cada um com volume de R$ 1 bilhão – o que não quer dizer necessariamente que o fundo seja obrigado a captar R$ 1 bilhão para poder funcionar.

De acordo com a reportagem, se somadas todas as ofertas, incluindo as que estão em fase de registro e captação, a quantia chega perto de R$ 9 bilhões, bem acima do volume registrado em 2009, cerca de R$ 3,5 bilhões.

Como eu disse, parece que todo mundo “quer tirar uma casquinha”. O Itaú lançou uma oferta restrita a clientes Personnalité e Private, chamado Kinea Renda Imobiliária, que tem até destaque na página da Internet do banco, pretendendo captar R$ 350 milhões. O Bradesco está presente também com a oferta de um shopping popular em São Paulo, o Mais Shopping Largo 13. Outros grandes bancos de varejo, como CEF e BB, também estão presentes nesse mercado que está em ebulição, acompanhando o também efervescente mercado imobiliário de “tijolo”.

Como muitos leitores do blog Valores Reais são iniciantes no mundo dos investimentos, quero registrar aqui minha recomendação de cautela com esse verdadeiro “oba-oba” dos lançamentos de FIIs. Isso porque, como esses fundos terão suas cotas negociadas em Bolsa, como se fossem uma ação, existe um risco dúplice embutido. Primeiro, o risco de haver uma crise no mercado de ações, como a que ocorreu em 2008, puxando o valor negociado da cota para baixo. Segundo, o risco de uma bolha estourar no mercado imobiliário, puxando novamente para baixo o valor das cotas.

O raciocínio é análogo ao das empresas que fazem IPO no mercado de ações: às vezes, vale mais a pena comprar a ação/cota depois que ela fez sua oferta pública, num momento de crise, já que ela pode estar sendo cotada a um valor inferior ao do lançamento. Quem participou de IPOs em 2007, e perdeu dinheiro com elas, sabe muito bem do que estou falando.

O grande problema, em relação aos FIIs, é encontrar critérios objetivos para verificar se um FII está com sua cota sobrevalorizada ou não. Com as ações, é possível verificar dados históricos de P/L, dividend yield, taxa de lucros, EBITDA, P/VPA, compará-las com ações de outras empresas do mesmo setor etc., enfim, fazer uma análise bastante ampla e criteriosa para encontrar o preço justo de uma ação, ou, ao menos, verificar se ela está sendo ou não muito “cara”.

Com as cotas de FIIs, esse trabalho exige mais dedicação e empenho, uma vez que nem sempre é possível encontrar a mesma quantidade de dados. O Henrique Carvalho vem fazendo um ótimo trabalho sobre divulgação de FIIs com métodos e parâmetros objetivos, em diversos e didáticos textos.

Ademais, os FIIs sofrem de um problema adicional de negociação, que é a liquidez mais restrita. E como já abordamos em um artigo anterior, você deve ter muito cuidado com a liquidez de seus investimentos.

Em suma: tenha consciência ao planejar seus investimentos, e, sobretudo, nunca tenha pressa e nem aja movido pelo sentimento de que “todo mundo está fazendo isso, então eu tenho que agir também”. E como as cotas dos FIIs são negociadas em Bolsa, tal qual as ações, finalizo esse artigo com mais uma pérola de sabedoria, um oferecimento de Warren Buffett:

“A Bolsa é um excelente instrumento de transferência de riqueza dos apressados para os pacientes”.

Que você não seja o apressado dessa frase de Mr. Buffett! :D

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Dando nomes aos bois (digo, aos fundos): 3 fundos referenciados DI não muito caros

31, agosto, 2010 Guilherme 11 comentários

Um blog de finanças pessoais, se ficar falando só “sobre princípios gerais de uma boa educação financeira”, “teoria abstrata das variáveis macroeconômicas”, e assuntos congêneres, não irá conseguir atrair a atenção do leitor por muito tempo. Isso porque o leitor quer, além da explicação de assuntos abstratos, de dicas mais concretas, que tenham a ver com a sua realidade do dia-a-dia.

Uma das coisas que aprendi ao ler o fantástico livro “Idéias que colam”, resenhado por aqui há algum tempo, foi essa: uma das características das idéias que colam é justamente a concretude, a capacidade de ser palpável aos olhos do leitor. Eu gosto muito de blogs como o Aquela Passagem e o Efetividade.net justamente por isso: pela capacidade de serem totalmente aderentes à realidade física do dia-a-dia do leitor. E, para alcançarem esse nível de concretude, é indispensável fazer a citação de marcas, lojas e empresas.

Vamos, então, fazer aqui a citação de 3 fundos referenciados DI que não são muito caros, e que também não exigem altas quantias de dinheiro para aplicação. Ou seja, fundos acessíveis a qualquer investidor, ou, pelo menos, a grande parte dos investidores. Esses fundos se caracterizam por serem modalidades de investimento em renda fixa pós-fixada, ou seja, que acompanha a variação do CDI, ou da taxa SELIC. São investimentos, portanto, conservadores. Como não exigem praticamente trabalho nenhum do gestor, tais fundos deveriam, em tese, apresentar taxas de administração inferiores a 1% a.a. Entretanto, o que vemos na maioria dos fundos comercializados no varejo é exatamente o contrário: muitos deles cobram taxas de administração superiores a esse patamar.

Encontrar fundos referenciados DI baratos é como tentar encontrar agulha no palheiro. Exige muita pesquisa e dedicação. Vamos destacar três desses fundos aqui.

Fundo Geração FIC de FI Referenciado DI. Administrado pelo Banco Geração Futuro de Investimentos, esse fundo apresenta uma taxa de administração de 0,6% a.a. O destaque fica por conta da aplicação inicial: apenas R$ 100, o menor dentre os fundos pesquisados. As aplicações adicionais também podem ser feitas a partir de R$ 100.

Rio Bravo Liquidez DI. Administrado pela Rio Bravo, cobra uma taxa de administração ainda menor: 0,35% a.a. A aplicação inicial é de R$ 1 mil, assim como as subsequentes.

Banif FI Ref DI. Da corretora de valores Banif, apresenta a menor taxa de administração, dentre os fundos pesquisados: 0,3% a.a. Entretanto, o valor da aplicação inicial é dos mais altos, mas, mesmo assim, razoável: R$ 5 mil.

A essa altura do texto, você já deve ter percebido o que há de comum entre esses três fundos, além das baixas taxas de administração: eles estão fora do circuito dos grandes bancos de varejo – BB, Itaú, Bradesco etc. Em outros termos, são comercializados por corretoras de valores e gestoras independentes de recursos. Nos grandes bancos antes citados, as taxas só começam a ficar atraentes para clientes do segmento de alta renda: BB Estilo, Itaú Personnalité e Bradesco Prime. Mesmo assim, você precisaria “comer muito feijão com arroz” para conseguir taxas mais baixas. Em outros termos, o valor mínimo para aplicação sobe absurdamente, e as taxas não ficam ainda assim tão competitivas quanto nos fundos acima mencionados.

O BB tem um Fundo Referenciado DI LP Estilo, que cobra 0,7% a.a., mas exige aporte mínimo de R$ 10 mil. Nos outros bancos, a coisa complica. O Bradesco tem o Bradesco Prime FIC Referenciado DI Plus, que cobra  também 0,7% a.a., mas exige a impressionante quantia inicial de R$ 80 mil (!). O Itaú Personnalité tem um Fundo, o Super Premium Referenciado DI, que cobra 0,75% a.a. de taxa de administração (parece que é padrão os grandes bancos cobrarem esse valor de taxa), mas exige a nada modesta quantia inicial de R$ 250 mil (!). Ou seja, o que no Itaú corresponde ao valor de um apartamento para ter acesso a um fundo não muito caro, na Geração Futuro basta o valor de um jantar para uma família de 4 pessoas. :)

A democratização de acesso aos fundos baratos com o Tesouro Direto

Se você pensa em investir num produto financeiro que acompanhe a rentabilidade da taxa Selic – que é o que fazem, no final das contas, os fundos referenciados DI – bom mesmo é investir em LFTs via Tesouro Direto, com corretoras que cobrem barato pelo serviço. A liquidez fica um pouco mais restringida, uma vez que os títulos só são vendidos na “janela” das quartas-feiras. Entretanto, o ganho adicional pelo não pagamento de taxas de administração caras acaba, muitas vezes, compensando essa restrição de liquidez.

Vale lembrar, outrossim, que fundos de investimento, incluindo aí os referenciados DI, não contam com a proteção do FGC. Ou seja, se o banco/corretora quebrar, o dinheiro ali aplicado poderá não voltar para o bolso do investidor. O que conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, até o limite de R$ 60 mil por CPF, são outros tipos de aplicações, como poupança, CDBs, letras de crédito imobiliário, mas não fundos de investimentos. Eis aí mais um bom motivo para se aplicar diretamente em títulos públicos.

Bons investimentos!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Perdi dinheiro com ações da Petrobras. E agora, o que faço?

29, agosto, 2010 Guilherme 10 comentários

Pera lá, você já vendeu as ações, realizando o prejuízo, ou você ainda as mantém, mas elas valem menos do que o capital inicial aportado? Essa pergunta é de fundamental importância para dar sequência à resposta.

Como muitos brasileiros investem nessa estatal, e tendo em vista a iminência (ou não….rs) de ser deflagrado o processo de capitalização, esse blog não poderia ficar de fora e tecer alguns comentários a respeito. Afinal, essa é uma dúvida que também ronda a minha cabeça, uma vez que eu também tenho ações da Petrobras em minha carteira, seja de forma indireta, como investidor de fundos/clubes de ações que têm papéis dessa empresa em seu portfólio, seja de forma direta, como acionista – no caso, possuindo em carteira as ações da PETR4.

A Petrobras vem sofrendo um bocado nesse ano. As ações PN – PETR4 – acumulam desvalorização de impressionantes 26% no ano, influenciada sobretudo pela indefinição dos termos da capitalização. Muitos investidores têm considerável porção de suas ações investidas na Petrobras – alguns deles, inclusive, teriam uma rentabilidade muito boa acumulada nesse ano se não tivessem PETR3 ou PETR4 em sua carteira.

Se você já vendeu as ações que tinha da Petrobras, realizando o prejuízo, a melhor atitude, pelo menos na minha visão, é ficar de fora. Isso porque ainda pairam muitas dúvidas acerca do processo de capitalização, de modo que a oscilação das ações ainda pode continuar (para baixo), o que te levaria a uma pressão psicológica interna do tipo “eu não falei que você não deveria comprar de novo?” e, consequentemente, vendê-las novamente, com (novo) prejuízo.

Se você ainda mantém as ações da Petrobras em sua carteira, a resposta sobre o que fazer depende muito de seus objetivos não-financeiros com ela, bem como do horizonte (prazo) de investimento. Exemplificando: se você é um investidor que atua no curto prazo, operando como um trader, os riscos são muito grandes, de modo que sair da operação seria uma medida recomendável. Não é porque as ações fecharam em alta de mais de 3% na sexta-feira que se iniciou um ciclo de alta no papel.

Agora, se você é um investidor de longo prazo, que segue a estratégia do preço médio, ou do value averaging, e compra, lentamente, e de forma gradual, com valores pequenos, as ações da Petrobras, não há porque mudar de estratégia justamente agora que as ações estão mais baratas do que no começo do ano (o que não significa, necessariamente, que estejam uma pechincha, uma vez que podem cair mais). Até porque o preço médio que você tem da estatal provavelmente deve estar acima de R$ 30, e, além disso, seu capital está sendo investido para um objetivo cujo horizonte é de longo prazo.

Mas se lembre de não investir somente em ações dessa empresa. O ideal é montar uma cesta diversificada de ações, seja por meio da compra de um ETF, seja por meio de uma estratégia de compra de ações individuais de setores diversos.

Na Bolsa, o negócio é ser cauteloso, ainda mais agora em que rondam incertezas não só nesse processo de capitalização da Petrobras, como também na própria Bolsa de um modo geral. Afinal, nesse semana ela apresentou diversos pregões consecutivos em queda, só se recuperando – de forma parcial, frise-se – na última sexta-feira.

E se você não tiver ações da Petrobras? Agora seria um bom momento de se investir? Para quem nunca enfrentou as oscilações da renda variável, o melhor é aguardar um pouco até que o processo de capitalização seja definido. Oportunidades não faltarão, no futuro, para se investir na Petrobras, ou em qualquer outra empresa. Como muitos leitores do blog são iniciantes no mercado de ações, eu prefiro recomendar a cautela, ainda mais em se tratando de uma empresa que não tem padrões elevados de governança corporativa – basta dizer que é o Governo quem a controla, o que adiciona, além do natural risco de mercado, o risco político nesse tipo de investimento.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: para saber mais sobre os fatos que envolvem o processo de capitalização da Petrobras, aqui vão três ótimos links: A capitalização da Petrobras e o pequeno investidor, do blog O Pequeno Investidor, Entenda a novela da capitalização, do blog Descomplicador, e uma matéria que saiu no jornal Valor Econômico, Coração ferido. :wink:

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Pra quê a pressa em comprar (digo, financiar, quero dizer, se endividar por) um imóvel?

27, agosto, 2010 Guilherme 21 comentários

As compras de um determinado bem de consumo, principalmente se esse bem demandar uma alta quantia em dinheiro, devem ser guiadas por certos critérios, sendo um deles a necessidade. Nosso País está vivendo um crescimento sem precedentes no setor imobiliário. Puxado por uma gama de fatores, que vão desde a retomada do consumo, expansão da indústria da construção civil, facilidades de linhas de crédito, e até programas governamentais (“Minha casa, minha vida”), a onda de crescimento da procura e oferta de imóveis está numa fase bastante alta.

A questão que se coloca é: você está comprando um imóvel porque efetivamente precisa, ou está sendo guiado motivado por questões externas, isto é, só porque “todo mundo está comprando também”?

Como nos demais aspectos do orçamento doméstico, a compra de um bem deve respeitar um mínimo de planejamento. E, quanto mais caro o bem a ser comprado, maior é a necessidade de planejar. Compras por impulso, se até são toleráveis para itens de menor valor, como roupas, viagens e produtos não duráveis, jamais são aceitáveis quando se trata de compra de bens de grande valor, como carros e, sobretudo, imóveis.

Na semana passada, me deparei com uma interessante notícia sobre o lançamento de um livro sobre planejamento de aposentadoria e de compra da casa própria, dos autores Fábio Giambiagi e Roberto Zentgraf, livro esse denominado O futuro é agora. Destaco aqui um trecho da notícia, publicada na Gazeta do Povo, edição do dia 17.08.2010, página 24, que me chamou a atenção:

“Na compra de um apartamento de R$ 600 mil, com taxa de 12% ao ano e prestações fixas de R$ 5.805 em 180 meses, os juros no fim do contrato atingirão R$ 545,8 mil. Nesse caso, diz Zentgraf, é melhor alugar um apartamento, ao custo médio de R$ 1.480, e poupar a diferença para a prestação. Com juros de 0,5% ao mês, em 109 meses o poupador terá R$ 500 mil. ‘O livro mostra que o ideal é poupar para comprar à vista‘, diz Zentgraf” (destaquei).

É claro que cada caso é um caso. Não é possível generalizar, ainda mais num setor em franca expansão como o imobiliário. Há pessoas que precisam comprar uma casa porque vão morar na mesma cidade pelo resto de suas vidas, e, nesse caso, somado ao fato de não terem dinheiro para pagar à vista, o financiamento pode, sim, ser uma boa alternativa.

Agora, se você ainda não tem um futuro definido, está prestando concurso público – que implica em possibilidade de morar em outra cidade – e, sobretudo, tem paciência para poupar e investir, talvez (veja bem, talvez) seja uma ótima ideia não ter pressa em adquirir a casa própria, ainda mais por meio de financiamentos.

Lembre-se, também, que, ao financiar a compra de uma casa, por 10, 15 ou 20 anos, você estará comprometendo uma parcela substancial de sua renda, através do pagamento de juros, e terá que sobreviver com o restante do salário. Por exemplo, se você ganha R$ 4 mil por mês líquidos, e a prestação da casa própria custa R$ 1 mil, você terá que se virar com os restantes R$ 3 mil. E, com os restantes R$ 3 mil, você ainda terá que fazer sobrar algum dinheiro para investir em sua aposentadoria financeira, uma vez que, como todos sabemos, casa própria não é investimento.

E, se você pretende aproveitar a expansão do mercado imobiliário, não para comprar a casa própria, mas sim para investir, considero arriscado investir pagando juros (através de um financiamento). Isso porque a lógica do investimento é receber juros, e não pagá-los. Ok, pode ser que você consiga vender um imóvel comprado (financiado) na planta, com lucro. Mas isso pode não se concretizar.

Nesses casos, novamente a dica é a mesma da situação da compra da casa própria (para morar): comprar à vista. Nesses casos, oportunidades surgem com mais facilidade em compras de terrenos, lojas comerciais e escritórios, e pequenos apartamentos, como kitnetes, em áreas próximas a centros universitários e faculdades. Outra alternativa muito interessante são os fundos de investimento imobiliários, onde o capital inicial para investimento é geralmente bem menor do que o necessário para o investimento em imóveis “de tijolo”, variando de R$ 5 mil a R$ 30 mil, em média. Quando as cotas são negociadas em Bolsa, o valor mínimo para investimento passa a ser bem menor, de R$ 1 mil ou até menos (que corresponde ao valor de uma cota). Atualizado: caso você não tenha dinheiro suficiente para comprar a casa própria à vista, uma alternativa interessante é poupar o máximo que conseguir para fazer o pagamento da entrada, financiando o menor valor possível. Por exemplo, se o imóvel que você tem em vista custa R$ 300 mil, mas você dispõe de metade desse valor, R$ 150 mil, use esse valor para dar de entrada, financiando os restantes R$ 150 mil, como pretende fazer, inclusive, o leitor Reverson. Dessa forma, os juros não pesarão tanto no preço final do imóvel.

Em conclusão, não tenha pressa em comprar um imóvel. Faça sempre um bom planejamento, e verifique se o seu fluxo de caixa mensal não será muito comprometido com as prestações do financiamento. E, sobretudo, estude bastante o setor, a fim de não comprar algo que esteja sobrevalorizado.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: reflexões sobre os cuidados que devemos ter na compra de imóveis foram muito bem esclarecidas em dois ótimos artigos: Imóveis | | | Cuidado… podem estar preparando uma armadilha, escrito pelo Zé da Silva, no Clube do Pai Rico; e Comparando alhos com bugalhos, escrito pelo Fábio, do blog O pequeno Investidor. Um vídeo do consultor Raphael Cordeiro, para a Money TV, explica as razões pelas quais não é um bom momento para se investir em imóveis.  :D

Investimento com aporte único, para o pagamento de uma despesa certa

24, agosto, 2010 Guilherme 5 comentários

O leitor Pedro me enviou um email com a seguinte dúvida:

“Eu gostaria de saber se é possível investir hoje, uma quantia única de R$ 1 mil ou R$ 5 mil,  sem aportes adicionais, cujo dinheiro resultante do investimento fosse destinado ao pagamento de uma despesa certa no futuro, após 20 ou 30 anos, como energia elétrica, água ou medicamentos. E qual seria o investimento mais adequado?”

A resposta é: sim, é possível. Qualquer tipo de investimento vale a pena, se for realizado tendo em vista algum objetivo tangível (compra de casa, carro, pagamento de contas, viagem etc.), com disciplina, baixos custos e adequação do prazo do investimento com o horizonte da meta não-financeira. Além, é claro, da escolha de um veículo de investimento que seja confiável.

Um dos melhores investimentos que reúnem todas essas qualidades tem nome e se chama: Tesouro Direto.

Você não precisa aportar necessariamente um dinheiro todo mês (embora seja o mais recomendável, para criar a disciplina), e tem diversos títulos com diferentes prazos de vencimento, bem como diferentes características.

Como o objetivo é de longo prazo, e as despesas mencionadas no email têm, de certo modo, alguma correlação com a inflação, o título mais adequado é a NTN-B, título pós-fixado que acompanha a variação da inflação, medida pelo IPCA. Como é preciso um fluxo periódico de renda, justamente para cobrir tais despesas, optamos pelo título que paga cupons semestrais de juros. Nesse caso, nossa escolha específica é a NTN-B, com vencimento em 15.05.2035.

Na calculadora do Tesouro Direto, colocamos os seguintes dados:

Projetamos uma inflação de 5,50% a.a., e uma taxa de 5,97% a.a. para o papel (já chegou a ser melhor essa taxa, como bem lembrado pelo leitor Flávio em outro tópico). Além disso, embora existam corretoras que não cobrem taxa de administração (tais como Socopa, Banif e Spinelli), optamos por colocar 0,2%, que é um valor que muitas corretoras do ramo cobram.

Clicamos no botão “calcular”, e o resultado apareceu da forma como segue abaixo:

Clique na imagem para ampliação e melhor visualização.

Ao final dos quase 25 anos de investimentos, você teria para resgate líquido um valor de quase R$ 17 mil, e, durante essa jornada, o Tesouro Nacional lhe pagaria juros semestrais, duas vezes por ano, uma em maio, e outra em novembro, sendo que, na década de 30, esse valor superaria R$ 300 por semestre. O interessante é que, como esses cupons são pagos semestralmente, já nos primeiros anos de seu investimento você os receberia, conforme tabela abaixo:

Clique na imagem para ampliação e melhor visualização.

Tá certo que o valor dos cupons semestrais, se “mensalizados”, isto é, divididos por mês, provavelmente não seriam suficientes para cobrir uma despesa como conta de energia ou de água. Por exemplo, R$ 100 divididos por 6 meses daria algo em torno de R$ 16.

Outra observação a ser feita é que essa é apenas uma simulação. A inflação pode tanto ser maior do que os 5,5% a.a. projetados, ou até menor, o que, sem dúvida, influenciará no valor líquido a receber.

De qualquer forma, aí está uma solução interessante para quem pretende ter seu investimento corrigido pela inflação.

Qual é a solução para receber mais?

São 3 as soluções, e todas elas devem, preferencialmente, ser feitas de modo coordenado.

A primeira é aumentar o valor do aporte inicial. Isso terá um impacto positivo e consistente no longo prazo, até para efeitos de diminuição do valor do IR a pagar, lá no futuro.

A segunda, e que considero mais importante, é fazer aportes periódicos. Isso aumentará a massa crítica do investimento, e, por tabela, também aumentará o valor líquido a receber, no final do investimento, além de aumentar o valor dos cupons semestrais.

E a terceira, não menos importante, é escolher uma corretora que cobre baixas taxas de administração. E isso por uma razão muito simples: quanto menos você pagar, mais você irá receber.

Boa sorte nos investimentos! :D

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

[M. Halfeld - CBN] O ouvinte poupou R$ 40 por dia, e conseguiu ter dinheiro para comprar o carro à vista. E ainda sobraram R$ 9 mil

23, agosto, 2010 Guilherme 3 comentários

Quem acompanha o blog regularmente sabe que não é novidade o fato de eu sempre ouvir, via podcast, os comentários do Mauro Halfeld na rádio CBN. São colunas diárias curtas, de 1 a 2 minutos, em que Halfeld responde a dúvidas variadas de ouvintes, sobre investimentos, consumo, e educação financeira de uma maneira geral.

O programa apresentado na última sexta-feira apresentou um caso bem interessante. Trata-se da dúvida de um ouvinte, que conseguiu dinheiro suficiente para comprar o carro à vista. Ele, motorista de táxi há 10 anos, tinha feito a proeza de poupar R$ 20 por dia com o intuito de comprar um carro, e poupar outros R$ 20 para seguro e manutenção. Isso, realizado durante 3 anos, não só lhe garantiu a possibilidade de comprar o carro à vista, como também haviam lhe sobrado R$ 9 mil. Como ele sempre comprou carros financiados, houve uma pressão muito grande da família para que ele financiasse novamente o futuro carro, para não imobilizar capital.

A resposta do Mauro Halfeld foi simples e direta: comprar o carro à vista. Afinal, os juros do financiamento sempre superarão os juros dos investimentos – ainda mais em se tratando de poupança – de forma que, se o ouvinte já tinha conseguido juntar dinheiro para comprar à vista, a melhor opção era aquela que o fizesse depender menos do pagamento de juros.

E você? Conseguiria poupar R$ 40 por dia para um objetivo bem definido?

É claro que, no caso do motorista de táxi, é mais fácil visualizar essa poupança. Afinal, ele recebe por corrida. No caso de pessoas assalariadas, poupar R$ 40 por dia significa fazer sobrar, no final do mês, R$ 1.200. Veja bem o que eu disse, fazer sobrar. Isso inclui a dedução das despesas do mês, com alimentação, moradia, roupas, contas… No final das contas, você precisa não só ganhar mais do que R$ 1.200, como também saber quanto gasta. Daí a importância de ter um orçamento doméstico, ou seja, um controle efetivo de todos os gastos do mês.

Por exemplo, se você te uma despesa mensal média de R$ 800, terá que ter uma renda líquida de, pelo menos, R$ 2 mil, a fim de conseguir economizar R$ 1.200. Se sua despesa mensal média é de R$ 2 mil, você precisa ter rendimentos líquidos mensais de, no mínimo, R$ 3.200. E assim sucessivamente.

Uma coisa é certa: ter dinheiro suficiente para comprar um bem à vista é muito melhor do que não ter esse dinheiro, e optar pelo financiamento. Por quê? Porque você evita a escravidão dos juros. Como dissemos semana passada, sua renda líquida disponível pode não bater com a renda líquida que cai na sua conta, exatamente em função dos diversos financiamentos e prestações que você assumiu.

Todos que têm a disciplina de economizar um pouco a cada dia, no final das contas, não só diminuirão cada vez mais a dependência de ter que trabalhar para pagar as contas, como também usufruirão da liberdade que só a independência financeira é capaz de proporcionar.

Boa sorte!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Aplic Aut Mais: investimento do Itaú (em CDBs) para não deixar o dinheiro parado na conta-corrente

12, agosto, 2010 Guilherme 4 comentários

Nos últimos dias, temos abordado com frequência o tema do dinheiro que fica parado na conta-corrente. Ou melhor, temos dado dicas de como evitar que o dinheiro fique parado na conta-corrente. Correntistas do Banco do Brasil podem utilizar o serviço de priorização de resgate automático de investimentos, e, assim, zerar a conta-corrente e ter a tranquilidade, ao mesmo tempo, de saber que, caso seja feito um saque ou uma compra no cartão de débito, não só haverá fundos disponíveis (que são aqueles valores dos investimentos atrelados à conta-corrente), como também terão a garantia de que o limite de cheque especial não será utilizado (a menos, é claro, que se ultrapasse o valor do investimento anexado à conta-corrente).

Correntistas do Banco Bradesco podem se valer do sistema de baixa automática, que cumpre os mesmos propósitos do serviço similar disponível no Banco do Brasil.

E os correntistas do Itaú? Será que há algo semelhante para eles?

Existe algo parecido, mas não totalmente semelhante. É o Aplic Aut Mais, que transforma o dinheiro da conta-corrente num investimento em CDBs do próprio Itaú. De acordo com a página do banco:

“O Aplic Aut Mais é um serviço de aplicação e resgates automáticos dos recursos disponíveis em conta (conta corrente de depósito ou investimento), sem nenhum custo para você. A rentabilidade é diária e atrelada à taxa do DI.

Nesse serviço, seu dinheiro é aplicado em CDBs Itaú Unibanco, que oferecem uma rentabilidade que aumenta conforme o prazo de permanência dos recursos aplicados.

O Aplic Aut Mais possui a garantia integral do Banco Itaú Unibanco e a garantia adiconal do FGC – Fundo Garantidor de Créditos”.

As vantagens são basicamente as mesmas dos serviços disponíveis nos bancos BB e Bradesco, além daquelas inerentes a um CDB, conforme explicação contida na página do produto:

  • “Seu dinheiro não fica parado e o valor aplicado fica disponível para saques, aplicações em outros produtos e outras movimentações, como transferências, pagamentos de contas e cheques compensados a qualquer momento;
  • Oferece rentabilidade diária;
  • As aplicações têm garantia total do Itaú Unibanco;
  • Proteção Adicional do FGC – Fundo Garantidor de Créditos*;
  • Total transparência. O resumo de movimentação mensal está disponível no Itaú Bankline e as informações sobre o saldo do Aplic Aut Mais são indicadas no extrato de conta corrente”.

A rentabilidade segue a seguinte tabela:

A desvantagem desse produto, em comparação com outros, é que não é possível utilizar outro tipo de investimento para cobrir o saldo devedor de conta-corrente. Na verdade, é como se o dinheiro da conta-corrente se tornasse um investimento nesse CDB.

O ideal seria que o banco implantasse um serviço semelhante ao que existe para os correntistas do BB e do Bradesco, principalmente tendo em vista que, para resgates de aplicações com prazo inferior a 30 dias, há incidência de IOF decrescente sobre os rendimentos pagos.

De qualquer forma, esta aí mais uma alternativa para evitar que o dinheiro fique parado em conta-corrente, sem render juros. :wink:

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!