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[M. Halfeld - CBN] O ouvinte poupou R$ 40 por dia, e conseguiu ter dinheiro para comprar o carro à vista. E ainda sobraram R$ 9 mil

23, agosto, 2010 Guilherme 3 comentários

Quem acompanha o blog regularmente sabe que não é novidade o fato de eu sempre ouvir, via podcast, os comentários do Mauro Halfeld na rádio CBN. São colunas diárias curtas, de 1 a 2 minutos, em que Halfeld responde a dúvidas variadas de ouvintes, sobre investimentos, consumo, e educação financeira de uma maneira geral.

O programa apresentado na última sexta-feira apresentou um caso bem interessante. Trata-se da dúvida de um ouvinte, que conseguiu dinheiro suficiente para comprar o carro à vista. Ele, motorista de táxi há 10 anos, tinha feito a proeza de poupar R$ 20 por dia com o intuito de comprar um carro, e poupar outros R$ 20 para seguro e manutenção. Isso, realizado durante 3 anos, não só lhe garantiu a possibilidade de comprar o carro à vista, como também haviam lhe sobrado R$ 9 mil. Como ele sempre comprou carros financiados, houve uma pressão muito grande da família para que ele financiasse novamente o futuro carro, para não imobilizar capital.

A resposta do Mauro Halfeld foi simples e direta: comprar o carro à vista. Afinal, os juros do financiamento sempre superarão os juros dos investimentos – ainda mais em se tratando de poupança – de forma que, se o ouvinte já tinha conseguido juntar dinheiro para comprar à vista, a melhor opção era aquela que o fizesse depender menos do pagamento de juros.

E você? Conseguiria poupar R$ 40 por dia para um objetivo bem definido?

É claro que, no caso do motorista de táxi, é mais fácil visualizar essa poupança. Afinal, ele recebe por corrida. No caso de pessoas assalariadas, poupar R$ 40 por dia significa fazer sobrar, no final do mês, R$ 1.200. Veja bem o que eu disse, fazer sobrar. Isso inclui a dedução das despesas do mês, com alimentação, moradia, roupas, contas… No final das contas, você precisa não só ganhar mais do que R$ 1.200, como também saber quanto gasta. Daí a importância de ter um orçamento doméstico, ou seja, um controle efetivo de todos os gastos do mês.

Por exemplo, se você te uma despesa mensal média de R$ 800, terá que ter uma renda líquida de, pelo menos, R$ 2 mil, a fim de conseguir economizar R$ 1.200. Se sua despesa mensal média é de R$ 2 mil, você precisa ter rendimentos líquidos mensais de, no mínimo, R$ 3.200. E assim sucessivamente.

Uma coisa é certa: ter dinheiro suficiente para comprar um bem à vista é muito melhor do que não ter esse dinheiro, e optar pelo financiamento. Por quê? Porque você evita a escravidão dos juros. Como dissemos semana passada, sua renda líquida disponível pode não bater com a renda líquida que cai na sua conta, exatamente em função dos diversos financiamentos e prestações que você assumiu.

Todos que têm a disciplina de economizar um pouco a cada dia, no final das contas, não só diminuirão cada vez mais a dependência de ter que trabalhar para pagar as contas, como também usufruirão da liberdade que só a independência financeira é capaz de proporcionar.

Boa sorte!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

O fator limitador na hora de poupar dinheiro para investir

8, abril, 2010 Guilherme Sem comentários

Por que é tão difícil economizar dinheiro para investir? Por quê existe uma dificuldade tão grande das pessoas que, ao invés de fazerem sobrar salário no final do mês, acabam fazendo sobrar mês no final do salário? Em outros termos, por quê consumir a grana que entra na conta (aquele azulzinho bonito que aparece na conta-corrente) atrai mais do que aplicá-la numa poupança, num CDB, num fundo de ações?

Eis a resposta: porque isso nos causa incômodo. Tira-nos do conforto que representa a troca de dinheiro por bens e nos coloca na área de desconforto que é causado pelo aparente sacrifício de não consumir. Em outros termos, o fator limitador, na hora de construir patrimônio que nos proporcione independência financeira, é que muitos de nós desistimos ao menor sinal de desconforto. É por isso que muitas pessoas têm dificuldade em poupar e economizar parte do salário e direcioná-lo para investimentos que lhes dê uma vida financeira mais saudável: porque isso significa sacrifício e renúncia a atos de consumo que resultariam em prazer imediato.

Uma pessoa com um histórico de consumo desenfreado ou acima da capacidade orçamentária do salário encontra muitas dificuldades em iniciar um plano de investimentos, desistindo muitas vezes em função do desconforto que o ato de não consumir proporciona. É um tipo de renúncia que causa dor imediata, e queremos a todo custo evitar a dor. É como tomar uma vacina: as crianças têm medo da vacina porque elas não têm consciência dos benefícios duradouros de sua aplicação.

Qual é a saída?

É mudar a relação com o dinheiro. É se conscientizar de que o dinheiro que se gasta hoje com coisas desnecessárias irá fazer falta amanhã para gastar com coisas necessárias. Você está nessa situação? Tem dificuldade em poupar e investir? Pois saiba que, antes de mudar o que se passa na  sua ida ao shopping, a você precisa mudar o que se passa em sua cabeça.

Vai haver desconforto? É claro que vai. Mas você precisa internalizar em sua mente que o desconforto é uma condição necessária para que haja uma transformação em sua mente na forma de lidar com o dinheiro.

Vai causar estresse? Sem dúvida. Mas esse é um tipo de estresse positivo, porque, ao provocar desconforto, ele tem o potencial suficiente para expandir a sua força de vontade. Por exemplo, deixando de comprar uma roupa desnecessária na próxima ida ao shopping, você colocará na sua cabeça que isso foi uma vitória, e, na ida seguinte ao shopping, terá mais motivação ainda ao resistir aos impulsos de comprar novamente outra roupa desnecessária, reforçando ainda mais seu “músculo financeiro”.

É claro que esse estresse todo tem que ser seguido da necessária recuperação. E o que é recuperação? É celebrar essas conquistas do dia-a-dia, ou do mês-a-mês. É dar ao dinheiro a utilidade prática almejada. É se permitir, inclusive, pequenos luxos, afinal, “ninguém é de ferro”, não é mesmo? Pois se você conseguiu economizar uns R$ 200 em roupas que antes comprava sem parar, é porque estão lhe sobrando agora R$ 200 a mais na conta. Então é justo se dar um “pequeno luxo” e comprar uma roupa de, digamos, R$ 50, na liquidação, como prêmio pelo esforço de não consumir coisas desnecessárias.

Mais algumas dicas para começar a investir

Outra dica que considero muito boa – e que mudou positivamente a minha própria vida financeira – é estabelecer um registro de gastos domésticos. Pode ser uma planilha Excel, um smartphone, ou um caderno: não importa a ferramenta, importa o objetivo. Mantenha os seus gastos sob controle, a fim de você verificar para onde está indo seu dinheiro. Isso lhe permitirá não só visualizar os gastos que estão sendo feitos de modo desnecessário, como também lhe permitirá visualizar, com a clareza necessária, as despesas fixas que você pode muito bem transformar em despesas variáveis – por exemplo, pode ser melhor e mais barato alugar filmes na locadora do que assinar um pacote pós-pago de canais de filmes na TV por assinatura, ou mesmo fazer um downgrade na mensalidade de sua TV por assinatura, trocando um pacote mais caro por um mais barato, mas com os mesmos canais essenciais que você costuma assistir.

Outra medida muito útil é estabelecer rituais positivos para o ato de investir. Ele deve se tornar um hábito no qual você não precise pensar muito – até porque, se pensar, pode não querer fazer ou até mesmo se esquecer de fazer. Por exemplo, você pensa se vai ou não escovar os dentes antes de dormir? É evidente que não. Isso porque você já sabe dos benefícios da higiene bucal, e de seu elevado valor para a saúde. O mesmo raciocínio se aplica para a “higiene financeira”. Uma medida muito útil é aplicar o dinheiro do salário automaticamente numa conta-poupança, conforme expliquei nesse meu primeiro post de dica financeira do blog, quase há um ano atrás. Outra dica é usar os serviços de investimento automático que muitos bancos oferecem. Por exemplo: investir automaticamente R$ 500 em CDB todos os meses. O home banking oferece essa possibilidade: dá pra escolher o tipo de investimento, o valor a ser debitado automaticamente todos os meses, e o prazo da aplicação.

O nosso estimado amigo (fictício) Arnaldo, da Vale, fazia uso de um ritual positivo: seja em época de bonança, seja em época de crise, lá ia ele todo mês aplicar seus R$ 400 em ações da Vale. Ele não pensava se todo mês aplicava ou não dinheiro: ao invés de pensar, ele colocava o pensamento em ação. E isso fez toda a diferença em seu patrimônio, como pudemos constatar ao fazer uma atualização patrimonial de seu investimento recentemente.

Enfim, quando o assunto for sua independência financeira, não faça escolhas pensando somente como se o futuro não existisse, negligenciando o amanhã em prol do hoje. Pois, como bem diz meu amigo Conrado Navarro, do blog Dinheirama, sobre o futuro temos apenas duas verdades. Ele é incerto. E ele chega. E uma das melhores formas de se lidar com o futuro é se preparar financeiramente, pois o real que se gasta hoje pode fazer falta amanhã.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Poupança rende, no mínimo, 0,5% ao mês, logo, 6% ao ano, certo? Errado.

23, junho, 2009 Guilherme 6 comentários

Ontem publicamos um texto sobre uma cartilha da poupança, elaborada pelo Banco do Brasil. Lendo o artigo, um dado nos chamou a atenção.

Os rendimentos da poupança são remunerados pela TR – Taxa Referencial – acrescidos de juros mensais, para pessoas físicas. Os juros mensais são de 0,5%. Fazendo uma somatória mês a mês, dá a impressão de que, durante um ano corrido, ela teria remuneração mínima de 6% ao ano. Essa afirmação não é inteiramente verdadeira, da mesma forma que rentabilidade mensal de 1% ao mês não dá 12% ao ano, pelo efeito dos juros compostos – o blog HC Investimentos publicou um interessante artigo sobre os juros compostos nessa semana.

Na verdade, como explica a cartilha do BB, 0,5% ao mês dá, no ano, 6,17%, e não apenas 6%. Esse acréscimo de 0,17% pode não representar muito para pequenas quantias, mas é bom saber que, no rigor da matemática, a poupança rende ainda um pouquinho mais do que a gente pensava. :-) E isso é apenas a remuneração mínima, não a remuneração atual, que ainda inclui a taxa referencial – TR.

É isto aí!

Um grande abraço, e que Deus lhes abençoe!

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O que é “variação” na poupança do BB – Banco do Brasil?

22, junho, 2009 Guilherme 5 comentários

Quem usa os serviços do Banco do Brasil, seja pelo home banking, seja pela agência, já deve ter se deparado com um campo chamado “variação”, para identificar qual tipo de poupança deve ser movimentado, e deve ter se perguntado:

“Mas o que significa variação? Qual o número que eu devo preencher?”

Embora exista uma ajuda online no próprio site, informação adicional é sempre bem-vinda. Ainda mais em forma de cartilha, explicada de forma didática e simples, porém acessível.

Pois bem, hoje, navegando pelo Google, encontrei, de modo casual, uma cartilha elaborada pelo próprio Banco do Brasil, que apresenta as principais características desse tipo de investimento – muito falado ultimamente, diga-se de passagem – incluindo os significados das “variações”, bem como os respectivos códigos. Muitas das informações ali descritas valem também para as contas de poupança mantidas pelos demais bancos, já que esse é um tipo de produto cujas regras, em sua maioria, seguem padronizadas, por determinação do Banco Central.

O link para fazer o download ou visualizar a planilha é este aqui.

Quanto às variações das poupanças do BB, eis os respectivos códigos, extraído da cartilha mencionada:

poupancas-bb-variacao

É isto aí!

Um grande abraço, e que Deus lhes abençoe!

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As vantagens ocultas da poupança – e não vou falar do IR!

24, maio, 2009 hotmar 1 comentário

A poupança tem se tornado um assunto recorrente nos últimos dias, com manchetes na mídia impressa, na TV, no rádio e na Internet. Isso se deve ao fato de que, com a tendência de queda da taxa SELIC, os fundos de investimento que acompanham a rentabilidade do CDI estão ficando com uma rentabilidade próxima à da poupança. Para tentar impedir que a poupança fique “atraente demais”, o Governo Federal esta anunciando medidas para tributá-la, para quem tem depósitos superiores a R$ 50 mil.

Bem, esse texto não irá abranger “mais do mesmo“, ou seja, das conseqüências das novas regras de tributação da poupança. Falarei sobre outros aspectos desse popular mecanismo de investimento, mais precisamente sobre algumas de suas vantagens ocultas – ou menos conhecidas. Esse texto tem como base um post escrito no Fórum Clube do Pai Rico, em julho de 2007, e também um mais recente,  escrito também lá no Fórum mencionado em janeiro desse ano.

As vantagens da poupança são, dentre outras, essas:

* Depósitos em poupança contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no limite de até R$ 60 mil, ou seja, se o banco quebrar, você tem garantidos R$ 60 mil, esse dinheiro não entra na conta da falência do banco;

* Depósitos em poupança podem gerar pontos no programa de relacionamento com o banco. A vantagem? Quanto mais pontos o cliente tiver, mais descontos na cesta de tarifas pode obter, chegando à possibilidade de obter isenção total, dependendo da quantidade de recursos investidos. No Banco do Brasil é assim: a cada R$ 400 em depósitos na poupança, o cliente ganha 1 ponto no programa de relacionamento. No Bradesco, cada R$ 1.333,03 gera 1 ponto no Programa de Fidelidade (as pontuações são diferentes conforme as tabelas dos bancos).

* Depósitos em poupança podem gerar pontos no programa do cartão de crédito. A vantagem? Possibilidade de troca dos pontos por produtos e serviços, como milhas aéreas (= passagens-prêmio). É claro que um investimento isolado não serviria para conseguir uma passagem aérea grátis, mas ajudaria a conquistá-la (ou qualquer outro brinde), na medida em que determinados bancos só aceitam a conversão em milhas ou prêmios quando o cliente atinge uma pontuação “cheia”, p.ex., 1.000 pontos. Isso também varia de banco para banco. O BB permite que metade dos pontos do relacionamento sejam convertidos em pontos do cartão. P.ex., o sujeito tem R$ 800 em poupança. Isso dá 2 pontos no programa com o banco. Como metade é convertida para pontos do cartão, ele consegue acumular mais 1 ponto no cartão. Se ele tiver acumulado, durante determinado período, 9.999 pontos em compras no cartão, aquele precioso 1 ponto faltante oriundo dos investimentos em poupança lhe permitirá viajar de graça para o Nordeste, p.ex.! O exemplo é meio radical, mas mostra que essa é outra vantagem da poupança.

* Despreocupação com IOF no curto prazo. Investimentos como fundos de renda fixa, DI etc., sacados antes de 30 dias da aplicação sofrem a incidência de IOF. Então, se o investidor precisar, no curto prazo, da grana que aplicou, terá boa parte dos rendimentos “digeridos” por esse imposto. Com a poupança, não haverá essa preocupação. É claro que também não haverá acréscimo de rendimento, pois a poupança só rende no “dia do aniversário”, mas também deve se levar em conta que não há incidência de IR, seja qual for o período de aplicação na poupança, ao passo que há incidência de IR para outros fundos desde o dia seguinte ao da aplicação (que começa com a nada agradável mordida de 22,5% sobre o capital acrescido).

* Com a tendência de queda da SELIC, a poupança deve ganhar competitividade com os fundos DI e de renda fixa. Isso se acentua ainda mais para o pequeno investidor, que não tem acesso fácil a investimentos com baixas taxas de administração. Fiz uma pesquisa com fundos de investimento nos bancos Bradesco e Santander e que decepção! Para investimentos a partir de R$ 100,00, as taxas de administração eram absurdas (+ de 3%!), e os percentuais de CDI nos CDBs DIs para investimentos a partir de R$ 1.000,00 eram irrisórios (75%, no máximo 80% etc.!). Por incrível que pareça, nesses bancos, ao menos numa primeira olhada, a poupança parece ser um investimento tão bom quanto os fundos de investimentos conservadores (DI e renda fixa).

* Mais liberdade de aplicação e resgate. Nos CDBs, geralmente a regra é aplicar uma determinada quantia, p.ex., múltiplo de R$ 500,00. Alguns fundos conservadores exigem aplicação mínima inicial (p.ex., R$ 1.000,00, R$ 5.000,00). Algumas dessas regras também valem para resgate. Já na poupança não. Se o sujeito tem apenas R$ 41,78, ele pode aplicar exatamente esse valor para a poupança.

* Excelente liquidez e movimentação. Pense num investimento que pode ser resgatado em D+0, agendado para ser aplicado a cada intervalo de tempo (30 dias, p.ex.) etc. Então pensou poupança! Essa facilidade de movimentação o torna um dos alvos preferenciais para a construção de uma reserva de emergência (colchão de segurança). Ademais, alguns bancos permitem o investimento automático do salário na conta poupança, conforme escrevemos nesse artigo. Ou seja, assim que o salário cai na conta, o banco automaticamente transfere o valor para a poupança. Isso pode significar alguns centavos ou reais a mais na conta, tendo em vista que a poupança funciona na base da “data de aniversário”, e se a pessoa se esquece de aplicar num dia “x”, ela perde também a chance de receber o dinheiro do rendimento de forma antecipada.

Apesar de todas essas vantagens, ainda valem algumas outras dicas: pelo menos para mim, a poupança é boa para não deixar o dinheiro totalmente parado na conta-corrente ou conta-investimento e assim render alguns reais, como reserva para investimentos de curto prazo (2 meses, p.ex.), e também como área de transição para investimentos maiores (p.ex., deixar acumulando os reais na poupança e depois de um tempo, conseguir investir numa aplicação mais rentável, que exija uma aplicação inicial mínima).

É isto aí!

Um grande abraço, e que Deus lhes abençoe!

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Crédito automático do salário na poupança

24, maio, 2009 hotmar 4 comentários

Depois de ler e estudar vários livros sobre educação financeira e investimentos, uma das dicas que aparecia com mais freqüência era essa: “ao receber seu salário, pague-se primeiro a si mesmo”. Em outros termos, isso significa que, ao receber seu salário, você deve investi-lo primeiro, e o que sobrar deve ser usado para compras e demais despesas.

Existe uma forma bem simples de fazer com que isso ocorra: utilizando o serviço de crédito automático do salário na conta-poupança. Alguns bancos oferecem esse serviço, que funciona do seguinte modo: suponhamos que você receba seu salário todo dia 5 de cada mês. Uma vez autorizado o serviço, ao invés de o salário ser depositado na conta-corrente, ele vai direto para a conta-poupança, “poupando-o” de fazer esse trabalho de forma manual.

O interessante dessa estratégia é que ela permite que você ganhe um rendimento extra com as sobras de seu salário, sem que você tenha que investi-lo de forma manual todos os meses. Suponhamos que você receba um salário de R$ 1 mil, todo dia 5, e, ao final do mês, tenham lhe sobrado cerca de R$ 200. No mês seguinte, no dia 5, considerando um rendimento de 0,50% na “data de aniversário”, você irá receber um acréscimo de R$ 1 em sua conta-poupança. Pode parecer pouco, mas se trata de uma renda passiva que, se for bem utilizada, resultará, com o passar do tempo, em um dinheiro extra considerável, que simplesmente não iria aparecer caso você tivesse deixado o dinheiro do salário “parado” na conta-corrente.

Para você aproveitar esse serviço, deve verificar, antes, se o seu banco tem a opção de crédito automático do salário na conta-poupança. A autorização para o crédito automático pode ser feita, dependendo do banco, no caixa eletrônico, na agência, pelo telefone ou na Internet, usando o home banking.

Eu comecei a usar essa estratégia esse mês: fiz a autorização do crédito automático pela Internet, de modo que, a partir do próximo mês, o salário não irá cair na conta-corrente, mas sim na poupança.

Penso que esse serviço ainda tem um efeito psicológico que não pode ser desprezado, já que ele limita a “tentação” de gastar o dinheiro que estaria “parado” na conta-corrente. Sim, pois, uma vez estando na poupança, o aplicador sabe que só terá rendimentos se o dinheiro ficar ali pelo menos até a “data de aniversário” da poupança, e pensará duas vezes antes de consumi-lo com passivos (compras, por exemplo).

Outro benefício adiciional do uso do serviço de crédito automático é o ganho de tempo que se tem. Fazendo a transferência de forma manual, pode acontecer de você esquecer de fazer a aplicação em um determinado mês, ou atrasá-lo, seja por estar em viagem, seja por estar atarefado com outros compromissos. Essa distração pode ocasionar um efeito adverso, pois vai que você precise do dinheiro antes da data de aniversário da poupança? O serviço de crédito automático elimina esse risco, garantindo a você o melhor dia possível para a aplicação na poupança, que é justamente o dia em que o dinheiro do salário é depositado. Com isso, o rendimento também vem o mais antes possível.

É isto aí!

Um grande abraço, e que Deus lhes abençoe!

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